A Estrangeira, o Executor e o Capuz Vermelho
2 1.2 - Você (deve caçar)
Notas iniciais
O ar invade violentamente os corpos dos dois caçadores. Quando dão por si já estão de volta ao Mundo Real, à Yharnam. Eles respiram devagar, suas mentes um tanto desnorteadas, por um pequeno momento.
Maria ergue o olhar para Johannes, a certeza que ela tem que o Sonho é de fato real. Um sorriso de alívio surge em seu rosto e ela olha em volta. Os dois caçadores estão dentro da Capela de Oedon, no Distrito da Catedral. Próximos a uma pequena lanterna, presa no chão. Somente eles (caçadores ligados ao Sonho do Caçador) podem notar a existência dessas lanternas. Eles olham ao redor, observando onde estão.
Quando um caçador é abatido, ele retorna para a última lanterna (a entrada e saída do Sonho) que usou. Fadados a melhorar ou a morrer. E então repetir. E repetir. E repetir.
Ao redor dos dois, outros caçadores conversam conversas que Maria e Johannes já tinham ouvido. Estão momentos antes da caçada em que morreram, antes dela começar. Eles voltaram. De volta a caçada. De volta ao pesadelo. É sempre uma sensação estranha. Sempre sem saber se o Sonho do Caçador foi real ou um devaneio. E Johannes agradece por ter Maria ao seu lado. Pois ela é a confirmação que aquilo é real. Aquela constante sensação de déjà vu.
De acordo com alguns diários que ele leu, nunca viu mais de um caçador no Sonho ao mesmo tempo, contudo Gehrman diz que aquele lugar já foi cheio de caçadores, que juntos, caçavam contra essas feras. De todo modo, Johannes agradece imensamente ao fato que pode dividir o Sonho do Caçador com Maria.
Sua mão treme um pouco, e Johannes fecha seu punho. É como se o corpo tremesse em êxtase, na vontade de ir ao combate. Maria não percebe tanto isso, pois confunde seu próprio desejo de ir em frente com a ânsia pela caçada.
E assim, a caçada começa, outra vez. Os golpes dos dois mais afiados, mais precisos. Como se dançassem algo ensaiado previamente. Maria Hazenflug começa a entrar mais e mais em um estado único que ela consegue entrar, graças à caçada. Ela chama esse estado de “Zona”, um momento de fluxo onde seu corpo e sua mente se tornam um. Não precisa pensar no que fazer e depois pensar no que vai fazer. Seu corpo vê e já sabe o que fazer. Está imersa no combate, sua mente em um estado único que ela não consegue por em palavras, para a tristeza da curiosidade de Johannes.
“É como se eu estivesse leve, leve, e tudo se torna simples e prático. Tem uma fera na minha frente? E eu não preciso pensar em como ela tá ou qual é o melhor jeito de atacar, meu corpo se move sozinho e no jeito certo para abater o alvo” ela geralmente explica assim. “Mas não sei o que me faz entrar nesse estado. É tudo um grande ‘zooom’ e um ‘zas’!”
E assim, o machado de Maria continua a, impiedosamente, retalhar e decepar as feras. Homens com braços alongados, olhos esbranquiçados e pelos começando a cobrir seu corpo, junto com gritos alucinados. Lobisomens, na melhor definição, e tudo que existia no meio entre esses dois seres. Até mesmo alguns cães adoecidos, com a pelagem caída e feridas espalhadas pelo corpo.
Johannes precisa tomar cuidado. Apesar de todo golpe dele tender a ser definitivo, o ato de desferir qualquer ataque lhe deixa exposto e vulnerável.
Quando o sangue de um antigo morador de Yharnam suja um pequeno jardim na frente de uma casa, Johannes pensa ter visto uma pequena borboleta azul voar para longe. Perdida naquele cenário cinza e vermelho. Isso puxa uma memória do fundo da mente do caçador. De seus dias de criança, de inocência. De dias sem medo das feras, de caixões precisarem ser trancados. Uma época inegavelmente mais simples. E lembra de estar brincando com crianças, crianças que vai saber em que tipo de adulto se tornaram, mas o que Johannes se lembra não são de brincadeiras ou de antigos amiguinhos. Ele se lembra dele pisando em uma borboleta que todos admiravam. Uma pequena borboleta no chão, pousada por sabe se lá quais motivos, ali no chão de pedra de Yharnam. As crianças com quem Johannes havia ido se encontrar olharam horrorizados para o pequeno garoto.
“Como pode fazer uma coisa dessas?” uma o perguntou, cheia de revolta.
“Você não tem dó do pobre bichinho?” outra criança esbravejou.
Na hora, Johannes apenas conseguiu recuar, gaguejando e sem conseguir dar uma resposta de verdade.
“Eu não queria” disse o pequeno Johannes. “Eu não vi ela ali, eu juro.”
Isso abre brecha para que Johannes fosse golpeado, na perna, por uma fera. Ele bufa, irritado, e atira contra a barriga da criatura, que vai alguns passos para trás, abrindo espaço para que a roda do Executor acertasse com força a cabeça da besta, com o corpo seguindo a cabeça, atrasada. Johannes sabe que quebrou algo no corpo daquilo. Pode ouvir o barulho. Só que não foi o suficiente: a criatura ainda choraminga e rosna, erguendo as garras na direção do caçador, que apenas despenca a roda na cabeça do monstro no chão. Johannes não vê o resultado, mas sente suas botas ficando um pouco úmidas.
Maria já consegue ver a fera. A fera que causou a morte deles na última luta. E agora seus olhos se fixam nela, seu olhar dilacerando o corpo da besta enquanto seu machado ainda não pode. Ela é quimérica. Pés digitígrados, como as de um cão. E um torso que pode até parecer humanóide, com dois braços longos. Muito mais semelhantes a um grande primata como um chimpanzé do que um ser humano. E o esquerdo é bem maior, mais grosso e com uma mão muito maior que o braço e mão na direita. Sua caixa toráxica é aberta, sim, com costelas saindo para fora, mas sem sinal de haver órgãos ali. Seu crânio e os dentes que adornam sua mandíbula são de um predador perigosíssimo mas sob sua cabeça desprovida de olhos jaz uma ostensiva galhada. E quando a fera urra, o grito que sai de sua boca gela a alma de caçadores e dos pobres cidadãos, escondidos em suas casas. Contudo Maria, vinculada ao Sonho e a constantemente caçar, não pode evitar de sorrir. Ela não pode morrer, e isso a diferencia dos que têm medo. O que ela vê diante dela é um desafio. Se vê tentada a abraçar o perigo, pelo prazer de conquistá-lo. Ela tem o luxo de poder repetir isso, afinal. Maria vê aquela fera e sorri em entusiasmo.
As outras feras, simplórias, tentam fugir, mas ela acaba tomando a vida de algumas das que dão as costas para a caçadora, seu machado trazendo arcos de pura fatalidade. O ar zune e a lâmina corta a carne, o sangue espirra e ossos se quebram. E Maria não faz isso por malícia ou crueldade, não sente nenhum tipo de prazer sádico nisso. Seu corpo está apenas respondendo aos instintos de estar dentro da Zona.
A grande fera ruge, partindo para cima de Maria, que não para de correr. Ela rola para dentro do ataque, passando por debaixo do monstro, que atinge apenas o chão com suas garras. Maria se ergue, nas costas do monstro, e seu machado vem de cima contra a coluna odiosa da fera. O corpo da besta se retorce de dor, ficando ereta. Um uivo sai da boca ossuda, com a pele escura e seca, sem pelos. Os dentes, pontudos e brancos.
Dois caçadores dão passos para trás, receosos. Contudo, Johannes não teme isso. Ele não vê isso. Um caçador luta ao seu lado, com um grande canhão atado ao braço. O barulho estrondoso deixa os ouvidos de Johannes entorpecidos, mas sente alguns respingos de sangue tocando seu rosto. Isso certamente enfraqueceu a fera, e tanto seu golpe com a roda quanto o golpe de machado de Maria, esmagam o torso.
— Recuar — Johannes grita, para Maria.
Os dois saltam para trás, se afastando da fera e aproveitando para recuperar o fôlego. Dois outros caçadores avançam no lugar deles. Ambos com a mesma arma, porém em estados diferentes. Um avança com uma espada prateada e outro com a mesma espada, só que dentro da bainha. A bainha é um grande martelo, pesado e de pedra. Maria acha aquilo o cúmulo do ridículo, as típicas armas que caçadores da Igreja usam. Em suas roupas brancas, uma outra escolha ridícula visto que toda caçada termina com seus caçadores imundos em sangue. E aqueles uniformes brancos de fato ficam vermelhos, imundos e úmidos de sangue. Tristemente, não o da fera que caçam. O monstro foi mais ágil e saltou para trás, apenas para violentamente golpear o espaço à frente com suas garras. Johannes trinca os dentes. Isso não deveria acontecer. Não era para ser assim. Ele queria uma caçada sem baixas.
Johannes brada um urro tão horroroso quanto a fera, contudo tão humano quanto a besta jamais conseguiria ser. Carrega dor consigo. Ele abre a roda novamente, como se ela se dividisse em duas, começando a dar carga nela, girando-a. Sente seu sangue ser sugado da palma de sua mão, se tornando aquela névoa vermelha que a cobre. A dor que a roda causa, quando carregada suga de seu sangue, se espalha em seu corpo como uma espécie de êxtase. Consegue sentir o sangue de seu corpo inteiro ser puxado, sentindo isso desde em sua mão até seu pé. A roda atinge agressivamente uma das pernas da fera, e o caçador sabe que quebrou os ossos daquela besta. Ainda abaixo da fera, que ficou de joelhos pelo golpe, Johannes pega sua arma de fogo e atira contra o queixo da besta, que urra e tenta afastar o caçador com movimentos dos braços.
Maria sorri, aproveitando para dar um talho na parte de trás do joelho da perna que ainda estava inteira. Em resposta, o monstro cai de quatro no chão, ganindo como um cachorro chorando. Johannes ainda está recuando, indo para trás. Os seis caçadores restantes atiram contra o rosto do monstro, distraindo-o mais e deixando Maria livre para levar seu machado para trás do corpo. Seu pé esquerdo se coloca à frente do corpo, enquanto o direito sustenta o corpo. A arma de truque da caçadora então dispara, assobiando no ar, atingindo de cima a lateral do corpo para em sequência, em um giro elegante, o machado atingir e decepar o braço esquerdo do monstro. Os caçadores param de atirar, cada um deles pegando suas armas e saltando para cima da fera. Um dia, um padre da Igreja da Cura, que jamais seria reconhecido por ninguém ali. O crânio da fera além de ser brutalmente removido do resto do corpo é esmagado, expondo ossos e miolos pelo chão de pedra do lugar, junto com uma larga poça de sangue.
Os caçadores comemoram, se cumprimentando e se abraçando, armas batendo umas nas outras. Johannes é o único que não expressa tanta alegria e vitória. Do contrário, sua boca está triste. Lentamente se aproxima dos dois caçadores mortos e se ajoelha na frente deles. Sua mão treme. Deveria tocá-los? Talvez assim poderia reconhecer eles. O cheiro de sangue embriaga seus sentidos junto com o som de seu coração ainda batendo vividamente em seu peito. São caçadores da Igreja. Talvez fossem amigos antigos. E ainda assim não consegue reconhecer eles e tem medo de tentar descobrir se são ou não. E se eles forem mesmo, e, mesmo assim, não sentir tristeza?
— Ei, cabeção, o que você tem? — A voz de Maria vem junto de um tapa na parte de trás da cabeça de Johannes.
Ele bufa, irritado, mas logo seu rosto se torna um sorriso suave. Maria é uma amiga que torna a caçada mais suportável. Ele se levanta.
— Apenas rezando por esses dois coitados — responde. — Você lutou bem, dessa vez.
— Dessa vez? — A voz de Maria é cheia de indignação. — Vencemos em apenas quatro tentativas.
Johannes ia responder, com um sorriso no rosto, mas seu rosto se torna sério.
— Quatro? — Ele só se lembra de duas tentativas.
— Foi por minha causa, eu confesso — ela responde de prontidão. — E eu admitir isso me torna uma pessoa melhor (que você). Logo a vitória se mantém do lado de Maria Hazenflug.
A caçadora consegue ver, mesmo sob as bandagens, que ele revira os olhos. Uma curta risada escapa dos lábios de Maria.
Alguns passos são ouvidos se aproximando do local da caçada. Quatro membros da Igreja chegam ali, dois deles vestidos com vestes negras, homens altos. Um terceiro homem usa vestes brancas, e todos os três usam uma bengala. O quarto membro do grupo, que anda a frente, é uma mulher em vestes brancas, mas com um chapéu preto. Ela também carrega uma bengala, a dela sendo de metal. Maria sabe o que é aquilo. É uma arma de truque, não muito diferente de seu machado.
— Muito bem, caçadores — a mulher de branco diz, com um sorriso gentil no rosto. — Fizeram um excelente trabalho, devo dizer. Não somente mandaram as feras para o seu devido lugar, como também deixaram essa bela estrada marcada com corpos de feras.
— O que vocês irão fazer com essas feras todas em Velha Yharnam, afinal? — um caçador pergunta.
Um dos homens de preto olha para o caçador, com uma expressão um pouco irritada. Entretanto, a mulher à frente dele ergue a mão, falando:
— Tudo ao seu devido tempo. Aos caçadores, a caça. — Sua voz macia, calma e em um monotom. — Agora vão festejar, descansem. Fizeram um excelente trabalho por aqui.
O olhar dela vai até os dois caçadores da Igreja mortos. Seu sorriso não vacila, mas suas sobrancelhas arqueam.
— Pelo jeito tivemos perdas — ela comenta, seu sorriso lentamente sumindo por um tempo, enquanto ela faz uma pausa, levando a mão ao peito, fazendo uma prece silenciosa.
Os três homens com ela imitam seu gesto, rezando pelos caçadores mortos. Maria olha para os outros caçadores, que estão claramente sem jeito com tudo isso. A Igreja é uma presença forte. Seja para o bem ou para o mal. Johannes, mais que todos, se sente como um filho que fez algo errado diante dos pais. Se sente pequeno. Seu olhar é baixo, com medo de erguer a cabeça.
— A Igreja da Cura agradece alegremente os serviços prestados não apenas a Igreja, mas a toda Yharnam — um dos homens de preto diz. — Com sorte, nos veremos livres da necessidade de caçadores, livres de feras sedentas por sangue.
Maria morde o lábio de leve, involuntariamente, nervosa. A caçada é a única coisa que pode lhe render os louros que precisa para se aproximar de respostas. Mais que isso: o que acontece com caçadores presos ao Sonho quando não existe mais uma caçada?
Os demais caçadores começam a sair dali, em passos apressados, para longe daquelas quatro pessoas. Maria precisa limpar a garganta para tirar Johannes de seu estado de temor. Os dois vão em passos lentos e calmos, enquanto os dois homens de preto vão na direção dos caçadores mortos.
— Posso pedir um momento dos dois? — a mulher pede, se virando para os dois.
Maria para e se vira para a mulher. Ela está sorrindo novamente. O homem de branco que estava com ela, agora está conversando com os outros dois homens que estão a olhar os caçadores mortos.
— Me chamo Victoria Shelley. — Ela leva a mão ao próprio peito, acenando levemente com a cabeça. — Como podem ver, faço parte da gloriosa Igreja da Cura. Vim aqui não somente para averiguar a caçada, mas para encontrar vocês dois.
Maria coloca a mão no quadril, erguendo a sobrancelha.
— Nós dois?
Victoria faz que sim, abrindo mais o sorriso e fechando os olhos.
— Sim, sim. Tenho uma missão para os dois, isso é, se estiverem disposto a aceitá-la — ela conta. — Uma família muito próxima da Igreja gostaria de enviar sua filha para uma vila onde a sua avó vive. Contudo, os bosques para lá se tornaram bastante perigosos. Logo, o que seria melhor que dois caçadores habilidosos como vocês para escoltarem essa jovem?
Maria franze o cenho, pensativa. Johannes, que estava quieto até então, se vira para Victoria.
— Posso perguntar, com todo respeito possível, o motivo de ter escolhido a gente? — o caçador pergunta, com a voz repleta de medo.
A senhorita Shelley, que não aparenta ter mais que trinta anos, possui uma pele clara, com olhos azuis claros . Eles encaram Johannes com um olhar calmo e sorridente, como uma mãe vendo um filho curioso perguntar sobre o mundo.
— Ora, os feitos de ambos são bons. Não tombam em batalha e vem sobrevivendo caçada após caçada, apenas ficando mais forte. Além disso, você, Johannes Hansel, vem do berço que é a Igreja. Uma vez um caçador da Igreja e então um dos Executores. Se tem alguém que foi feito para esse trabalho é você — ela responde, fazendo uma pausa para engolir a saliva. — De todo modo, vocês vão aceitar? É um trabalho muito importante, não achem que estamos repassando uma tarefa tola.
Johannes olha para a colega, os dois tendo todo um diálogo através do silêncio. Maria volta seu olhar para Victoria, que espera a resposta com calma, seu sorriso um pouco mais suave, mas ainda ali. O jeito como o olhar dela parece estar vendo Maria muito além do exterior incomoda a caçadora. Não sabe dizer se é só parte da energia da Igreja ou algo naquela mulher em particular.
— Nós aceitamos — Maria diz.
Johannes acena com a cabeça em concordância. Victoria sorri, juntando as mãos, em uma palma.
— Maravilha! — ela responde e dá um passo na direção do caminho da onde ela veio, ainda de frente para os caçadores. — Vamos para a casa da garota então, sim? Os Perrault vão ficar em total enlevo.
Eles começam a ir, logo atrás da senhorita Shelley, com Maria virando a cabeça para Johannes, sussurrando:
— O que é enlevo?
— Mesma coisa que deleite, fascínio, êxtase — Johannes responde, em um tom igualmente baixo.
Maria acena a cabeça em compreensão, com um sorriso, que se esvai ao ver que os três homens da Igreja que vieram com Shelley ficam ali. Ainda de frente aos mortos, mas agora, encarando os dois caçadores com uma expressão vazia. A expressão de Maria se move em desgosto e temor. É um trabalho importante. Talvez isso lhe conceda alguma resposta. Algo. Que esta maldita caçada traga algo.
Longe dali, ainda em Yharnam, uma garota contempla o teto de seu quarto. Ela fez dezoito anos recentemente. E o peso dessa idade traz um certo amargor a ela. Sabe que terá que ir visitar sua avó, que mora fora da cidade. Aparentemente, em alguma vila pelos arredores da opulenta Yharnam. Seus pais que avisaram ela disso, contudo, não sente o ímpeto de fazê-lo. Infelizmente, também não sabe como impor seu desejo de permanecer em casa, em Yharnam.
Seus olhos se fecham, e por sorte, a gritaria do lado de fora de sua casa, o barulho da caçada, diminui. Os uivos, gritos, tiros e demais sons que se tornaram barulho de fundo para um cidadão de Yharnam.
A garota, Pyrrha, contempla dentro do escuro de sua mente as amarras que a unem a sua família, e as vontades que vem dela.
Um uivo atravessa a cidade, assustando Pyrrha, fazendo-a se sentar em sua cama em um pulo.
— Mas que? — Ela olha para a janela, com medo de chegar perto dela.
Através das cortinas e das altas casas e prédios, Pyrrha consegue enxergar a lua, que brilha em sua luz prateada. Ela fecha melhor as cortinas, temerosa.
Queria poder ser “adulta” o bastante para decidir para onde irá e quando irá.
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