A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
18 O Perfume da Ruptura
A manhã seguinte ao enterro de Marianne nasceu com uma névoa fria que parecia esconder os pecados da noite anterior. O jardim, antes palco de um beijo desesperado e de uma humilhação cruel, agora era apenas um cenário silencioso para a desintegração final da família Lâfrer.
O táxi aguardava com o motor ligado em frente à imponente fachada da mansão. Eloise, vestida com um terno cinza impecável e óculos escuros que escondiam os olhos inchados, abraçou Elara com força.
— Cuida do papai, mãe. Eu volto no Natal... ou talvez nem isso — sussurrou ela, a voz carregada de uma fadiga emocional profunda.
Richard apertou a mão da filha, um gesto contido, mas carregado de uma tristeza que ele não conseguia mais ocultar. Ele sentia que, ao deixar Eloise partir novamente, estava deixando escapar a última gota de alegria daquela casa.
Antes de entrar no carro, Eloise parou. Como se um fio invisível a puxasse, ela olhou para cima. Na sacada do segundo andar, Derick estava parado. Ele não usava mais o terno do funeral; parecia um homem em ruínas, a silhueta emoldurada pela luz pálida da manhã.
Eles se encararam à distância. O beijo da noite anterior ainda queimava nos lábios de ambos, mas o abismo entre eles agora era intransponível. Eloise sentiu uma onda de raiva misturada com desprezo — raiva dele por não ter coragem, raiva de si mesma por ainda se importar. Ela respirou fundo, soltou o ar com força e entrou no táxi sem olhar para trás. O carro arrancou, deixando para trás o rastro de fumaça e o cheiro de asfalto molhado.
Dentro da Mansão
Enquanto o táxi sumia no horizonte, o caos reinava no quarto de Derick. O som de cabides batendo e zíperes fechando ecoava pelo ambiente. Suzana, com o ventre de sete meses pesando, jogava suas roupas dentro de malas de forma desordenada.
— Suzana, pare com isso! Você não pode sair daqui nesse estado! — Derick implorava, tentando segurar as mãos dela.
— Não encoste em mim, Derick! — ela gritou, a voz embargada pelo ódio e pela humilhação. — Eu ouvi cada palavra daquela garota ontem! "Intrusa", "funcionária que engravidou do patrão"... E o pior de tudo foi ver que você não abriu a boca para me defender! Você ficou ali, parado, olhando para ela como se ela fosse uma deusa e eu um lixo no seu caminho!
— Eu estava em choque, eu...
— Você estava em transe! — ela o interrompeu, fechando a última mala com um solavanco. — Eu não vou criar meu filho num lugar onde o pai deseja a própria sobrinha. Eu não vou ser a sombra de um amor incestuoso e doentio. Eu quero o divórcio, Derick. Agora.
— Suzana, pense no bebê... Richard nunca vai permitir que um Lâfrer nasça longe dessa casa!
— Richard que se dane! O império de vocês está podre, cheira a mofo e segredos sujos! — Suzana caminhou até a porta, arrastando a mala com dificuldade. — Eu vou para a casa dos meus pais. Meus advogados entrarão em contato. E se a Eloise acha que é a dona da sua alma, que fique com ela. Mas do meu filho, vocês não terão nada além do sobrenome no papel.
Ela saiu do quarto, deixando Derick sozinho no silêncio ensurdecedor de uma casa que, em menos de 24 horas, havia perdido sua matriarca, sua herdeira e, agora, o futuro de sua linhagem. O perfume da vitória que Richard tanto almejara havia se transformado na essência mais amarga de todas: a da solidão absoluta.
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