A Esposa Perfeita
37 O Efeito Dominó
Notas iniciais
💍 A ESPOSA PERFEITA
Capítulo 37 — O Efeito Dominó
O silêncio dentro da cobertura alugada por Jasper em Seattle era quebrado apenas pelo som gélido do gelo derretendo em um copo de uísque barato. O ambiente, antes impecável, agora parecia o reflexo de uma mente em ruínas. Garrafas vazias acumulavam-se sobre o balcão de mármore, notificações judiciais da Procuradoria-Geral da República estavam rasgadas pelo chão e as cortinas blackout bloqueavam qualquer vestígio da luz do sol.
Jasper Whitlock andava de um lado para o outro. Seus olhos estavam injetados, as mangas da camisa social amassadas e o cabelo desgrenhado. Na tela da televisão, o analista financeiro da CNBC anunciava a fusão oficial e a reestruturação das ações sob a bandeira da Swan Atlantic.
— Malditos... Malditos sejam todos eles! — Jasper esmurrou a parede de gesso, sentindo a dor latejar em seus nós dos dedos.
Ele não conseguia enxergar os próprios crimes. Em sua mente distorcida e narcisista, ele era a verdadeira vítima. Ele culpava Carlisle por reerguer o conselho; culpava Emmett por aceitar a presidência; culpava Renée por sua traição maldita. Mas, acima de tudo, ele culpava ela. Isabella Swan Cullen. Ela era a anomalia. O elo que havia unido aquela família despedaçada. Foi o sobrenome do pai dela que o sotterrou.
A porta da frente correu suavemente. Alice entrou no apartamento. Ela vestia um casaco escuro e trazia uma expressão de absoluta frieza. Ela não vinha para conversar; vinha para recolher o resto de suas coisas.
— Alice... — Jasper avançou na direção dela, a voz arrastada, os olhos brilhando com um desespero perigoso. — Você precisa falar com a sua mãe. A Esme vai te ouvir. Eles abriram uma auditoria criminal na minha gestão anterior. Eles vão me prender, Alice! Você precisa travar o Edward. Você é minha esposa!
Alice deu um passo para trás, esquivando-se do toque dele como se Jasper fosse feito de estilhaços de vidro.
— Eu não sou mais sua esposa, Jasper — Alice proferiu, a voz saindo cortante, desprovida de qualquer vestígio daquela garota que um dia chorou por ele em Milão. — Eu vim buscar os meus documentos. O Dr. Harrison já deu entrada no nosso pedido de divórcio litigioso.
— Você me traiu! — ele gritou, a voz ecoando pelas paredes vazias. — Você se aliou àquela velha controladora da Renée! Você me destruiu!
— Você se destruiu sozinho no segundo em que colocou o poder acima da vida das pessoas — Alice rebateu, encarando-o bem no fundo dos olhos, sem demonstrar um único milímetro de medo. — Olhe para você. Você está patético. A nossa vingança virou o funeral do Charlie Swan, e você nem sequer piscou. Você não é uma vítima, Jasper. Você é o monstro que destruiu tudo o que tocou.
Com um gesto rápido e definitivo, Alice levou a mão direita até os dedos da mão esquerda. Ela arrancou a aliança de diamante e a jogou com força contra o peito de Jasper. O anel bateu no tecido da camisa dele e caiu no chão, tilintando no mármore até parar sob o sofá.
— O nosso casamento foi o maior erro da minha vida — ela disse, dando-lhe as costas. — Espero que você apodreça na cadeia.
A porta se fechou. Alice havia ido embora para sempre.
Jasper olhou para a aliança no chão, e o último resquício de sua sanidade quebrou. Um riso histérico, agudo e assustador escapou de sua garganta. Ele caiu de joelhos, socando o chão. Se ele ia cair, se ele ia perder tudo e apodrecer em uma cela federal, ele não iria sozinho. Ele destruiria o coração daquele império. Ele mataria Bella.
PACIFIC PLACE MALL — SEATTLE
A atmosfera no shopping de alto padrão no centro de Seattle operava em uma frequência completamente oposta à loucura de Jasper. A luz da tarde entrava pela imensa cúpula de vidro do teto, iluminando o vai e vem de clientes.
Dentro de uma boutique de luxo especializada em enxovais de bebê, o som das risadas femininas preenchia o espaço. Bella caminhava devagar, com uma das mãos apoiando a base da sua barriga de sete meses de Charlotte, enquanto a outra acariciava um delicado conjunto de mantas de tricô rosa-claro.
— Eu acho que a Charlotte vai ficar linda nessa tonalidade, Bella — Esme comentou, com os olhos brilhando de felicidade pura enquanto segurava um pequeno par de sapatinhos.
— Ah, por favor, Esme, a Charlotte tem que usar cores mais vibrantes! Ela é uma Swan! — Renée interveio, com um sorriso enigmático e os braços cheios de cabides. Pela primeira vez em anos, Renée parecia leve, genuinamente integrada e em paz com a filha.
— Não comecem a brigar, vocês duas — Rosalie brincou, ajeitando o próprio vestido que marcava seus seis meses de gravidez de Lily. — Senão a Lily vai acabar herdando tudo o que vocês não conseguirem decidir.
Bella sorriu, sentindo um calor no peito que há muito tempo não experimentava. Ver sua mãe e sua sogra unidas, ver Rosalie compartilhando daquela jornada com ela... era a cura que eles tanto haviam buscado através de tanta dor.
— Eu vou dar uma olhada na seção de decoração de berços ali atrás, na grande loja de departamentos acoplada — Bella avisou, apontando para a passagem interna que ligava a boutique à megaloja de três andares. — Quero ver se acho os móbiles de madeira que o Edward me pediu.
— Vai lá, querida, nós já te alcançamos — Renée respondeu, voltando a discutir os tecidos com Esme.
Bella caminhou devagar, cruzando o portal para a enorme loja de departamentos. O setor de bebês e móveis infantis ficava no terceiro piso, um corredor amplo, repleto de berços em exposição, cômodas e prateleiras decoradas. Havia um movimento considerável de clientes, o que tornava o ambiente um labirinto de corredores visuais.
Ela parou diante de uma fileira de ursos de pelúcia gigantes e móbiles suspensos. A sensação de paz ainda a envolvia. Charlotte deu um chute forte contra o seu ventre, e Bella sorriu, descendo a mão para acariciar o local.
— Calma, minha filha... o papai já vai montar o seu quarto — ela sussurrou para si mesma.
De repente, a atmosfera ao seu redor mudou. Sabe aquele instinto primitivo que avisa quando o perigo está iminente? Bella sentiu o pelo da nuca arrepiar. O ruído das conversas ao fundo pareceu abafado, como se ela tivesse entrado em uma bolha de vácuo.
Ela começou a se virar, sentindo uma sombra se projetar às suas costas.
Antes que pudesse emitir qualquer som, um braço forte e rígido como aço envolveu seu pescoço por trás, imobilizando seus movimentos. Na mesma fração de segundo, uma mão espalmada, segurando um lenço de linho completamente encharcado com um líquido de odor químico esmagador, foi prensada contra sua boca e seu nariz.
Bella arregalou os olhos em puro terror. Através do reflexo de um espelho decorativo na parede do mostruário, ela viu o rosto do agressor sob a aba de um boné escuro e óculos de sol.
Era Jasper. Mas os olhos dele... não pertenciam mais a um homem calmo de negócios. Eram os olhos de um psicopata em surto definitivo.
— Shh... Sem barulho, cunhadinha — a voz de Jasper sussurrou bem rente ao seu ouvido, um hálito quente misturado com o cheiro de álcool. — Se você gritar, eu aperto a sua barriga contra essa prateleira.
O pânico de Bella foi absoluto. Sua primeira reação foi levar as mãos até o ventre, protegendo Charlotte com cada grama de força que lhe restava. Ela tentou debater-se, tentou chutar para trás, mas a substância química, um clorofórmio de alta concentração, agiu com uma rapidez devastadora devido à sua respiração acelerada pelo susto.
Seus pulmões queimaram. Sua visão começou a se cobrir de pontos pretos, as bordas do corredor do shopping distorcendo-se em um redemoinho gélido.
— Edward... — o nome do marido morreu em um sopro inaudível contra o pano úmido.
Os braços de Bella perderam as forças, caindo ao longo do corpo. Suas pernas fraquejaram, e sua mente desligou-se por completo, entregando-se à escuridão. Jasper, mantendo o corpo dela erguido contra o seu para fazer parecer que estava apenas amparando uma gestante que havia desmaiado, arrastou-a rapidamente em direção à saída de emergência do corredor de serviços, que dava direto para o estacionamento subterrâneo.
Apenas vinte metros dali, virando o corredor de berços de vime, a voz de Renée ecoou, alegre e descontraída:
— Bella? Querida, venha ver isso! A Esme achou um dossel de linho que é a sua cara... Bella?
Esme e Rosalie apareceram logo atrás, olhando para o corredor vazio de pelúcias. Uma caneca de plástico com água que Bella segurava estava caída no chão, o líquido se espalhando pelo piso brilhante da loja.
O silêncio que se seguiu no corredor foi o prelúdio do maior pesadelo que a família Cullen estava prestes a enfrentar.
— Bella? — Renée chamou mais uma vez, o tom de voz perdendo a leveza e ganhando uma nota aguda de preocupação. Ela deu passos rápidos até o corredor de pelúcias, seus sapatos estalando no piso. — Bella, isso não tem graça.
Esme e Rosalie aproximaram-se logo atrás. O olhar de Esme desceu instantaneamente para o chão. A poça de água se espalhava devagar ao redor da caneca de plástico caída. O coração da matriarca deu um salto violento no peito.
— Renée... — a voz de Esme falhou, os olhos arregalados fixos no objeto abandonado. — Ela não deixaria isso cair assim. Ela estava com sede.
Rosalie caminhou até o final do corredor, olhando freneticamente para a esquerda e para a direita, cruzando o setor de móveis infantis. Não havia sinal do blazer escuro de Bella. O movimento de clientes continuava normal nos outros setores, alheio ao pânico que começava a se instalar ali.
— Bella! — Renée gritou, agora sem se importar com os olhares dos outros clientes. O desespero de mãe subiu como um estopim. — Bella!
— Seguranças! — Rosalie clamou alto, correndo em direção ao balcão de atendimento do piso. — Alguém pegou a minha cunhada! Ela está grávida de sete meses! Olhem as câmeras agora!
O caos se instalou na grande loja de departamentos em segundos. Enquanto Renée corria pelos corredores gritando o nome da filha, à beira de um colapso nervoso, Esme puxou o celular da bolsa com as mãos trêmulas. Seus dedos erraram o visor duas vezes antes de conseguir discar para o marido.
— Carlisle... — Esme soluçou no segundo em que ele atendeu. — Levaram a Bella. No shopping. Sumiram com ela no corredor de bebês. Por favor, Carlisle... por favor!
Exatamente dez minutos depois, o som de pneus cantando no cascalho da entrada principal do Pacific Place Mall ecoou como um trovão. O sedã de Carlisle parou atravessado na vaga de táxis.
A porta do carona sequer esperou o carro parar completamente para se abrir. Edward saltou do veículo. O homem calmo, de calos honestos e olhar sereno que passara os últimos meses em Forks havia desaparecido. Em seu lugar, estava o Edward Masen Cullen mais letal que aquela família já vira. Seus olhos verdes estavam escuros, a mandíbula tão travada que os músculos de seu rosto pareciam pedras e a respiração saía em lufadas curtas e violentas.
Logo atrás, Carlisle e Emmett desceram, os semblantes esculpidos em pura gravidade. Eles cruzaram as portas do shopping como uma força da natureza, ignorando os seguranças que tentavam conter o tumulto.
Quando Edward alcançou o terceiro piso da loja de departamentos, encontrou Renée chorando nos braços de uma funcionária e Esme tentando acalmar Rosalie.
— Onde? — a voz de Edward saiu tão visceral que fez os funcionários recuarem. — Onde ela estava?
— Ali, perto das pelúcias — Rosalie apontou, a voz trêmula. — A segurança disse que a câmera do corredor de serviços foi desligada trinta segundos antes do sumiço. Foi planejado, Edward.
Emmett descarregou um soco brutal contra a coluna de concreto da loja, abrindo uma rachadura no gesso.
— Aquele desgraçado... Foi o Jasper. Eu sei que foi ele!
Carlisle pegou o telefone e ligou direto para o chefe da polícia de Seattle, uma autoridade cujo hospital e a fundação Cullen financiavam há mais de uma década.
— Xerife Forbes, eu não quero saber de protocolo de vinte e quatro horas — Carlisle proferiu, com uma autoridade gélida que não aceitava réplicas. — A minha nora, Isabella Swan Cullen, grávida de sete meses, foi sequestrada dentro do Pacific Place há quinze minutos. Eu quero todas as saídas da cidade bloqueadas. Quero a força-tática na rua e todas as viaturas disponíveis atrás de Jasper Whitlock. Agora!
MANSÃO CULLEN, Seattle — Washington — 22:00 HORAS
A noite caiu sobre Seattle como um manto de chumbo. A sala de estar da mansão Cullen parecia um quartel-general de crise. Computadores estavam espalhados sobre a mesa de centro, com Emmett monitorando frequências policiais e o Dr. Harrison tentando rastrear qualquer movimentação bancária recente de Jasper.
Edward estava de pé, imóvel diante da grande vidraça que dava para a floresta escura. Ele não piscava. Não falava. Sua mente estava em Forks, no som do coração de Charlotte que eles tinham ouvido na noite anterior, e no toque da mão de Bella. O medo de perdê-la estava se transformando em um instinto de destruição puro.
A porta da frente abriu-se de forma abrupta. Alice entrou correndo. Ela estava pálida, com o cabelo bagunçado pela chuva e os olhos vermelhos de terror. Ela olhou para a família e soltou um grinto abafado.
— Ele pegou ela, não foi? — Alice clamou, caindo de joelhos perto do sofá. — Eu vim o mais rápido que pude quando soube da polícia... Edward, me perdoa! Eu fui na cobertura dele hoje mais cedo. Eu joguei a aliança na cara dele, eu disse que queria o divórcio e que ele era um monstro... Ele estava surtando, quebrando tudo, bebendo... Ele estava fora de si, culpando a Bella por ter unido todo mundo contra ele! Foi ele, Edward... O Jasper enlouqueceu de vez!
Edward nem sequer se virou para olhar para a irmã. A culpa de Alice não importava mais. Nada importava além de achar o paradeiro de sua esposa.
No centro da mesa, o celular de Alice começou a vibrar intensamente. O visor não mostrava um número, apenas a palavra: Chamada de Vídeo Entrante.
O silêncio na sala tornou-se mortal.
— Atenda, Alice — a voz de Carlisle ecoou, firme, enquanto ele se posicionava atrás da filha ao lado de Esme e Renée, que prendeu a respiração.
Com os dedos tremendo violentamente, Alice deslizou a tela e acionou o viva-voz.
A tela iluminou-se, revelando uma imagem de puro terror conceitual. O cenário de fundo parecia o porão abandonado de alguma antiga fábrica de fundição ou galpão industrial, com paredes de tijolos escuros e canos enferrujados. No centro, amarrada a uma cadeira de ferro pesada, estava Bella.
O coração de Edward parou. O blazer escuro dela estava rasgado e manchado de sangue na altura do ombro. O rosto de Bella exibia hematomas severos, o lábio inferior partido e estilhaços de vidro presos em seus cabelos castanhos. Ela estava consciente, mas seus olhos estavam dilatados pelo horror.
Ao lado dela, Jasper apareceu na tela. Ele segurava o celular com uma das mãos e, na outra, empunhava uma pistola preta de calibre 9mm. O sorriso dele era o de um homem que já havia cruzado a linha do não-retorno.
— Olá, família — Jasper saudou, a voz distorcida por um tom agudo e psicótico. — Gostaram da minha nova sala de reuniões? Ela é um pouco menos luxuosa que a do Cullen Group, mas é muito mais... definitiva.
— Jasper! — Esme gritou ao fundo, cobrindo a boca.
— Cale a boca, Esme! — ele urrou contra a câmera, aproximando o cano da arma do rosto de Bella, que estremeceu, mas manteve os olhos focados na tela. — Vocês acharam que iam me jogar na cadeia? Acharam que a Swan Atlantic ia me apagar da história? Eu construí metade daquele império com o meu suor! E vocês me trocaram por essa... por essa garota de Forks!
Edward finalmente moveu-se. Ele caminhou até a mesa, inclinando-se sobre o celular de Alice. Seu rosto estava a centímetros da tela. Sua voz não era um grito; era o som da morte programada.
— Jasper... — Edward proferiu, cada letra pesando uma tonelada. — Se você encostar mais um dedo nela, eu juro pela alma do Charlie Swan que eu não vou deixar a polícia te prender. Eu mesmo vou arrancar o seu coração com as minhas próprias mãos. Solta a minha esposa.
— Sua esposa? — Jasper soltou uma gargalhada histérica, puxando a cabeça de Bella para trás pelos cabelos. Bella soltou um gemido de dor lancinante. — Ela é o elo, Edward. Sem ela, a Renée não tem poder, o Emmett não tem presidência e você volta a ser o lixo arrogante que sempre foi. Eu vou resolver todos os meus problemas hoje à noite. Eu vou matar a Bella, e depois eu vou deixar vocês assistirem o império desmoronar de novo.
De repente, o corpo de Bella contraiu-se de forma violenta na cadeira. Suas costas curvaram-se em um arco rígido, suas mãos amarradas apertaram-se contra os braços de ferro e um grito gutural, agudo e dilacerante de dor ecoou pelo alto-falante do celular, cortando a transmissão de Jasper.
— Aaaahhhhhhh! Edward! — Bella urrou, as lágrimas lavando o sangue em suas bochechas.
Edward empalideceu instantaneamente, o terror finalmente quebrando sua máscara de fúria.
Na tela, foi possível ver que o vestido escuro de Bella, na altura de suas pernas, estava completamente encharcado por um líquido claro misturado com linhas de sangue vivo. A bolsa havia rompido.
— Jasper, olhe para ela! — Carlisle gritou, assumindo a frente da câmera com seu conhecimento médico. — O trauma dos espancamentos e o estresse do clorofórmio induziram uma crise de descolamento prematuro da placenta! Ela entrou em trabalho de parto, Jasper! Se esse bebê não nascer em um ambiente cirúrgico nos próximos trinta minutos, a Bella e a criança vão morrer de hemorragia interna! Você vai ser um assassino de duas vidas!
— Edward! Está doendo... está doendo muito! Charlotte! — Bella gritava ao fundo, a respiração totalmente descompassada, o corpo tremendo em meio a uma contração uterina brutal de sete meses de gestação.
Jasper olhou para baixo, observando o sangue começar a pingar no chão de cimento do galpão. Por um milésimo de segundo, o pânico cruzou seus olhos ao perceber que o controle da situação estava escapando de suas mãos, mas logo em seguida ele reajustou a arma, apontando-a diretamente para a barriga proeminente de Bella.
— Então parece que o tempo de vocês correu mais rápido do que eu planejava — Jasper sibilou, olhando de volta para a câmera com uma frieza demoníaca. — Tic-tac, Edward. Venha me achar antes que o coração dela pare.
A tela apagou. A chamada foi encerrada.
O grito de dor de Bella ainda parecia ecoar pelas paredes de mármore da mansão Cullen. Renée desabou no sofá em prantos convulsivos; Alice cobriu o rosto, soluçando de joelhos.
Edward permaneceu estático por dois segundos, olhando para o visor preto do celular. Charlotte estava nascendo no chão de um cimento imundo, e a vida de Bella estava se esvaindo em sangue. O tempo para a diplomacia, para a justiça e para os negócios havia acabado de forma sangrenta.
Edward olhou para Emmett e para Carlisle.
— Rastreou o sinal, Emmett? — Edward perguntou, a voz assustadoramente calma.
— Peguei a torre de transmissão — Emmett respondeu, pegando a chave da caminhonete com os olhos injetados. — Zona portuária industrial. Setor 4.
— Então vamos — Edward disse, virando as costas e correndo em direção à saída sob a tempestade que caía sobre Seattle. A guerra final havia começado.
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