A Espera

4 A Espera de um Encontro


Notas iniciais
Nota da Autora: Olás! Segue com carinho mais um capítulo dessa ideia maluca de surgiu na minha cabeça. Espero que se divirtam, e por favor, quero saber se estão gostando ou não, se ta legal, se ta horrível, então: comentem, comentem, comentem. Dattebayo!

Ela saiu para fora e viu o sol brilhando. Era uma novidade para ela. Sempre que seu turno no hospital chegava ao fim, ela saia e via que já era noite. Mas depois de fazer dois plantões seguidos, cochilar um pouco em salas de exames enquanto ninguém a chamava, e comer correndo enquanto ia para salas de cirurgias, ela realmente não tinha mais condições de continuar. E foi o que Tsunade percebeu, quando mandou Sakura realizar uma cura na sala de exames e ela mal conseguiu concentrar chakra nas mãos. Vá para a casa e só apareça aqui quando estiver recuperada, ouviu sua shishou gritar, enquanto uma Shizune desesperada a empurrava para fora da sala. Ela nem teve como retrucar, e na verdade nem queria, ela estava esgotada.

Andando tranquilamente, ela passou os muros do hospital e foi em direção a seu apartamento. Ela estava morrendo de fome, sua última refeição tinha sido a sete horas atrás, e por refeição entende-se duas barras de cereais engolidas garganta abaixo numa correria louca. Sim, ela estava com muita fome, mas definitivamente este não era o fator mais crítico. Ela estava com o cabelo pregado de tão oleoso, suas roupas estavam sujas apesar do jaleco que usou no hospital, e o cheiro... bom, ela estava fedendo. Não estava nem um pouco apresentável para ir a algum lugar. Passava longe disso na verdade. Um banho era definitivamente o fator mais urgente. Além disso, existia a possibilidade de encontra-lo, e ela não queria que ele a visse assim.

Se passaram oito dias desde o beijo que eles haviam trocado. Nove, contando o de hoje. Ela não o viu mais desde então. No início, ela estava grata por isso, afinal, não sabia como agiria ao vê-lo. Não sabia como ele iria agir. Iria ignorar o que aconteceu? Afinal, tinha sido apenas um flerte entre duas pessoas alteradas por várias rodadas de saque. Iria tocar no assunto? Dizer que foi um erro, que não foi bom, dizer para esquecer, que foi apenas uma bobagem ou brincadeira idiota. Iria beijá-la de novo? E neste caso, ela não sabia se deveria corresponder ou se afastar. “Tá louca? Se afastar? Amiga, você tá mal”. Ela apenas ignorou sua Inner gritando e continuou seu pensamento. Ela estava confusa. Seria certo? Ela tinha sido sua aluna, mas já não era a muito tempo, então esse vínculo de aluno-professor realmente não parecia um empecilho, já que ele não existia mais.

Droga. Resumindo, ela já havia pensado em todos os tipos de situações que poderia acontecer. Já estava ficando maluca. E quando isso acontecia, ela só poderia fazer uma coisa: afundar a cabeça no trabalho e ignorar todo o resto. Ela aproveitou os três dias de folga que tivera, e depois mergulhou no trabalho. E o resultado era que agora estava um caco, e ainda não o tinha encontrado.

Ela virou a esquina, e continuou andando. Algumas crianças passaram por ela correndo atrás de uma bola. Ela pôde observar as pessoas trabalhando nas lojas, algumas senhoras passando com as compras, alguns ninjas indo em direção a torre Hokage. Ao observar as cenas corriqueiras e cotidianas enquanto caminhava ela sentia a paz e a vida que emanavam pela vila. Era um tempo bom o que estavam vivendo.

Virou mais uma esquina. A rua agora estava mais deserta, em comparação a anterior. Provavelmente por não haver comércios, apenas residências. Ela continuou andando enquanto olhava o céu de um intenso azul, com poucas nuvens, seus pensamentos fervilhando. No início ela achou um alívio ele não a ter procurado, mas depois isso a estava deixando extremamente irritada. Então, quando Naruto foi se despedir dela pois iria sair em uma missão, ela perguntou sobre ele.

Início Flashback

– Sakura-chan!!!

– Naruto!! Seu.... disse já com o pulso fechado e tremendo..

– Sakura-chan?

– Quer me matar de susto é?! Falou enquanto dava um soco na sua cabeça.

– Ai... Sakura-chan... isso dói.

Ela estava de costas para a porta, olhando pela janela enquanto preenchia um relatório quando sua porta foi praticamente arrombada por um Naruto com um enorme sorriso e gritando como um louco. No susto ela acabou rabiscando o relatório, o que faria cocm que ela tivesse que preencher outro mais tarde.

– O que houve?

– Er.. eu vim me despedir, estou saindo em uma missão e devo ficar fora alguns dias.

Ela o olhou, agora com um carinho enorme surgindo em seus olhos. Depois de tantas coisas que passaram, eles ficaram muito unidos. Jogavam conversa fora andando pelas ruas de Konoha, marcavam de comer ramen quando ele voltava de alguma missão sem ela, ou apenas sentavam na floresta e curtiam a presença um do outro. Eles se tornaram muito amigos.

– Então era só isso?

– Sakura-chan. Não seja tão má. Naruto disse com um brilho nos olhos, e um sorriso carinhoso na boca. — Sabe que vou sentir sua falta.

– Também vou sentir a sua, baka. Respondeu, dando-lhe um abraço. – Você vai sozinho?

– Não. Shino e Choji também vão.

– Tome cuidado, certo? Não quero te ver quase morto dando entrada no hospital.

Na verdade, ela estava com medo da possibilidade dele nem voltar para dar entrada no hospital.

– Vou ter, não se preocupe. Você também, cuide-se.

Quando ele já estava saindo pela porta, ela não resistiu.

– Naruto...

Ele parou e se virou para ela.

– Não tenho visto Kakashi-sensei na vila ultimamente. Você sabe dele?

– Ele saiu em uma missão, já tem uns oito dias mais ou menos.

– Como sabe?

– Eu o vi deixando a vila. Porque?

– Nada, são só exames de rotina que ele não fez.

– Ainda com esperança de o forçar a fazer?

– Sempre. Respondeu com um sorriso.

– Boa sorte com isso. Ramen na volta?

– Claro.

– Até mais, Sakura-chan.

– Até Naruto.

Fim Flashback

E foi assim que ela ficou sabendo que ele havia saído em uma missão no dia seguinte que se encontraram no bar. Sem despedidas, sem um aceno, nada. Apenas havia ido embora. Se ela estava chateada com isso? Bom, não exatamente. Eles não tinham nada, ele não tinha obrigação nenhuma de falar com ela que estaria fora por alguns dias. Mas se ela soubesse disso antes, não teria se matado no hospital com os turnos para os quais se voluntariou. E o pior era que ter se matado no trabalho não adiantou. Assim que saiu do hospital seu coração começou a dar leves pulos para cada esquina que virava, na expectativa e no medo de vê-lo. Era idiotice, ela tentou se convencer disso várias vezes, mas parecia que seu coração estava à espera de um encontro.

Ela entrou no prédio e subiu as escadas. Abriu a porta de seu apartamento e se arrastou até o banheiro, ligando a ducha e jogando as roupas no chão. Ao entrar debaixo da ducha sentiu a água quente em sua cabeça, e escorrendo em seu corpo. Soltou um gemido de prazer pela sensação relaxante que estava sendo provocada pela água. O banheiro começou a encher de vapor, e ela ficou apenas parada debaixo da água. Aquilo era bom. Muito bom. Por mais que sua cabeça e coração estivessem pirando, eles iriam esperar ela tomar um banho.

Uma hora mais tarde ela já estava chegando ao Ichiraku. Ela havia ficado debaixo d’água por um bom tempo, relaxando seus músculos doloridos. Vestiu uma roupa confortável, um short de algodão alaranjado – sim, Naruto ficaria feliz agora — e uma camiseta branca. Ela era soltinha e ia até a metade do short. Calçou seus chinelos e saiu para cuidar do seu segundo fator crítico: sua fome.

Ela não era viciada em ramen como o Naruto, longe disso. Só que anos de convívio e idas ao Ichiraku fizeram com que ela apreciasse mais do que costumava fazer. E além disso, na verdade, principalmente por isso, era mais perto da sua casa do que os outros lugares. Definitivamente ela não estava disposta a andar além do mínimo necessário para saciar sua fome.

Apesar da movimentação do final da tarde, o Ichiraku estava vazio. Ela se sentou junto ao balcão, cumprimentou Teuchi e Ayame e fez o pedido. Elas trocaram algumas palavras, como ‘você sumiu’ e ‘anda trabalhando muito’ e ‘Naruto está em missão’ e mais amenidades do tipo. Ela não estava muito boa para conversas hoje, e isso era o outro fator que a fez escolher o Ichiraku. Ino nunca ia lá. Ela gostava muito da Ino, mas se ela tivesse que aguentar seu falatório hoje seu cérebro teria um curto-circuito, com fumaça saindo por suas orelhas e cucos voando em volta de sua cabeça.

Não, ela preferia comer tranquilamente, e ir para um lugar tranquilo, aproveitar o final da tarde e ver o pôr-do-sol, que tanto adorava mas que quase nunca conseguia ver. Seu ramen foi serviço e ela se dispôs a ataca-lo. Talvez ela fosse para o alto do monumento dos hokages, definitivamente era a melhor vista para ver o pôr-do-sol. Mas também tinha um lugar que ela adorava, uma parte da floresta, onde havia uma cachoeira. Sentar no topo, ouvindo o som da água e vendo o sol se pôr seria um bálsamo para sua mente cansada.

O problema é que ficava longe, e ela não estava disposta a andar muito. Mas também não queria perder a oportunidade, não sabia quando teria outra. Nos dois primeiros dias que teve de folga ela não conseguiu ver, devido aos programas que a Ino arranjava, e no último o tempo estava horrível. Torrentes de água despencavam de um céu cinza escuro, quase negro, forçando-a a ficar em casa. Esse pequeno dilema tomou conta de sua mente, enquanto saboreava sua comida.

Ao terminar, ela pagou e se despediu. Saiu do Ichiraku indo em direção ao monumento dos hokages. Seu cansaço venceu a disputa, e infelizmente a cachoeira iria ficar para outro dia. Escolheu as ruas mais desertas para chegar ao memorial, não queria encontrar com conhecidos mas não teve muita sorte. Deu de cara com Hinata e Kiba. Ela soltou um suspiro. Ao mesmo não era o Lee, pensou.

– Oi Sakura.

– Olá Sakura.

– Hinata, Kiba. Como estão?

– Estamos bem, mas você parece um pouco cansada. Kiba comentou.

– É, sai a pouco tempo do hospital.

– Anda trabalhando muito Sakura, quase não nos vemos. Falou Hinata.

– É mesmo, tenho andado mergulhada em trabalho, O que acha de marcamos com as meninas lá em casa? Ai podemos colocar a conversa em dia.

– Legal, vamos sim. Respondeu Hinata.

– Traduzindo: clube da Luluzinha para atualizar as fofocas, disse Kiba, dando umas risadas.

– Como se vocês garotos, não se reunissem para fofocar também, respondeu Sakura.

– Da onde tirou isso?

– Bom, da vez que o Naruto me contou que vocês se encontraram na casa do Lee. Inclusive, ele falou que lá você disse algumas coisas sabe. Quer que eu diga pra refrescar a memória? Disse sorrindo de uma forma totalmente inocente, enquanto via Kiba arregalar o olho e começar a ficar vermelho.

– Há.. err.. melhor irmos embora né Hinata, já estamos atrasados

– Mas não estamos indo pra lugar nenhum, disse Hinata.

– Tchau Sakura! Gritou Kiba, puxando Hinata pela braço, que só teve tempo de gritar ‘depois marcamos’ antes de virar a esquina.

Ela ria enquanto os via sumir. Levantando a cabeça, olhou para o céu e viu que o sol já começaria a se pôr. Então ela retomou seu caminho, andando um pouco mais depressa.

–x-x-x-

Kakashi avistou os portões de Konoha e soltou um suspiro. A missão havia demorado um pouco mais do que previra, mas finalmente ele estava em casa. Ele estava cansado, seu corpo doía e seu chakra estava fraco devido ao uso intenso do sharingan. Fora uma missão difícil, mas no final, havia conseguido. E incrível, ele não estava tão mal a ponto de ficar em um hospital. Só um atendimento e um descanso e ele estaria pronto pra outra missão.

Não que ele quisesse outra como essa tão cedo. Ele fora convocado para uma missão de urgência, mal tendo tempo de trocar de roupa, pegar as informações e sair da vila. Era uma missão de espionagem. A Hokage-sama havia dito que recebera informações sobre um grupo de nukenins que vinham a muito hostilizando vilas aliadas a Konoha, matando, saqueando e escravizando os que não morriam no processo. Produziam armas e comercializavam drogas. A suspeita era que um país estava recebendo carregamentos de armas enviadas por este grupo, fortalecendo seu armamento. Tudo indicava que este país dava suporte ao grupo, e ele havia sido designado para checar essas informações e descobrir qual país era e o real envolvimento. E ele havia conseguido, embora tenha tido alguns problemas no percurso, fazendo com que ele usasse o sharingan mais do que havia planejado.

Chegando a entrada da vila ele diminuiu o passo. Cumprimentou os ninjas que estavam em serviço na entrada da vila, e seguiu em direção à torre para se reportar à Hokage. Avistou alguns rostos conhecidos pelo caminho, mas não parou para conversar, apenas os cumprimentando de longe. A vila parecia a mesma de quando saíra.

Ele entrou na torre e foi em direção a sala da Hokage. Ele estava ansioso para terminar aquilo tudo e ter um tempo livre. Bateu na porta, e ao ouvir um “pode entrar” que mais parecia um grito de alguém que estava esperando uma briga, abriu a porta e entrou na sala. Fechou a porta e deu alguns passos, ficando em frente à mesa principal, onde atrás a Hokage estava sentada na cadeira.

– Bom ver você Kakashi! Já estava cogitando enviar alguém para te resgatar.

– Tive alguns problemas. Está tudo no relatório. Disse, entregando um rolo nas mãos da Hokage.

– Certo. E o que me diz?

– Suas suspeitas estavam certas. Eles estão por trás do grupo que está atacando a vila, e estão fazendo parecer que algum país os está ajudando. Eles querem uma guerra.

– Entendo. Irei levar isso ao setor de estratégia. Precisamos estar preparados quando fizerem o primeiro movimento.

– Coloquei algumas sugestões no relatório.

– Ótimo. Iremos analisar. Pode ir agora. E passe no hospital! Você não vai ficar internado, mas está com alguns ferimentos que precisam de cuidados.

– Certo.

– Dispensado!

Ele saiu da sala da Hokage sem qualquer intenção de passar em um hospital aquela hora. Ao sair para a missão não havia conseguido falar com ninguém, nem com Genma, e muito menos com Sakura. O que foi ótimo, assim ele esfriou a cabeça e pensou o que iria fazer dali pra frente. Queria estar com ela de novo, beijá-la, tocá-la, passar a noite acordado ouvindo ela gritar seu nome. Essa atração o intrigava, e ao mesmo tempo o excitava muito. Mas ele sabia que era perigosa.

Isso porque, pela primeira vez, ele decidiu ser sincero em uma situação daquelas. Pensou muito nisso durante as noites de vigília na missão, e no caminho da volta, e decidiu que iria dizer a Sakura quais eram realmente suas intenções. Ainda iria tentar seduzi-la, é claro, mas ao menos, de alguma forma, ele seria sincero com ela.

Ao sair da torre ele encontrou com Gai.

– Meu eterno rival! Como está? Não te vejo há algum tempo.

– Olá Gai. Eu estava em uma missão.

– Nada como missões para provarmos o resplandente poder da nossa juventude!

– Certo, certo.

– O que acha de um desafio? Nós podemos..

– Na verdade, eu preciso passar no hospital. E depois, irei pra casa. Preciso descansar um pouco.

– Hum... o poder da juventude já não brilha tanto assim, hein. Disse Gai com um sorriso de deboche no rosto.

– Só o suficiente para acabar com você. Responde Kakashi, com um brilho no olho.

– Então marcado. Amanhã de manhã, em fren...

– Amanhã de tarde.

– Amanhã de tarde então. Em frente a loja de ferramentas.

– Qual será o desafio?

– Pensarei em algo para testar o fogo da juventude!

– Até lá então.

Após se despedir de Gai ele foi em direção a sua casa. Iria tomar um banho, comer alguma coisa e terminar de ler a edição do Icha Icha que estava lendo antes da missão, o qual, com todos os xingamentos que ele poderia imaginar, esqueceu em casa.

Enquanto pulava de um telhado a outro ele avistou uma cabeleira rosa muito conhecida perto do memorial dos hokages. Parou alguns minutos enquanto observava sua dona subindo as escadas. Ela estava com roupas confortáveis, percebeu, e linda, de um jeito totalmente diferente do dia no bar, mas linda. O que os hormônios estavam fazendo com ele? Droga, seu Icha Icha poderia esperar. Aquilo seria muito mais prazeroso, pensou, fazendo um selo e desaparecendo.

Ele apareceu no final da escada, e olhou para ver onde ela estava. A encontrou sentada na ponta do memorial, observando a vila. Ela parecia relaxada e totalmente à vontade. Seus cabelos estavam soltos, caindo até sua cintura. Ele desejou tocá-los, mas se conteve. Ela estava observando o sol se pôr, a vila, talvez pensando em alguma coisa, talvez pensando nele. Ele resolveu se sentar e observá-la.

Ela ficou nessa posição até o sol se pôr. Ele a viu se levantando e passando a mão nos cabelos. Ouviu um suspiro e a viu se virando. Também a viu arregalando os olhos de surpresa.

– Kakashi...

– Olá Sakura.

– Pensei que estava em uma missão.

– Cheguei a pouco tempo, disse enquanto se aproximava dela. – Observando o pôr-do-sol?

– Sim. Os turnos no hospital foram exaustivos, e quando fico assim gosto de ver o final do dia. É como se recarrega-se minha mente. E a vista daqui é formidável.

Ela lhe disse isso enquanto seu rosto se voltava para a vila, como que incentivando-o a olhar e confirmar o que ela estava dizendo. A vista dali realmente era incrível, era possível ver toda a vila e a floresta a se perder de vista. Ele já havia estado ali várias vezes, já conhecia a vista, e por isso, não desviou os olhos dela e nem respondeu ao seu comentário. Ele não estava ali por causa disso. Seu interesse era outro.

Como ele não falou nada, ela voltou seu rosto para ele novamente. Ele a estava olhando nos olhos. Levantou a mão e tocou os seus cabelos, matando assim a vontade que surgiu desde que a viu.

– A vista daqui é formidável mesmo, respondeu. Ele a viu levantando uma sobrancelha e corar. Sorrinso ele tirou a mão de seus cabelos e abaixou o braço.

– Vamos descendo?

– Sim.

– E a vida de Jounnin?

– Não mudou muita coisa ainda. Continuo no hospital. A shishou disse que tem alguns planos pra mim, mas quando perguntei quais eram ela desconversou, falando que não era nada concreto ainda, apenas algumas possibilidades que na hora certa eu ficarei sabendo.

– Bom.

– E você? Como foi a missão? Parece cansado, embora devo admitir que estou surpresa por não ter terminado no hospital.

– Muito engraçado, respondeu com uma careta.

– Força do hábito, Kakashi. Disse, não segurando a risada.

– O que vai fazer agora?

– Pretendo desmaiar na minha cama e dormir como uma pedra até amanhã.

– Tão ruim assim?

– Sim.

– É uma pena.

– E por que?

– Ia te chamar para comer alguma coisa.

– Ha, você chegou atrasado. Fiz isso a pouco tempo, depois que sai do hospital.

– Poderia me fazer companhia então, não precisa comer.

Eles chegaram ao final da escada, e ficaram parados. Ela não o olhava nos olhos, preferindo fixar sua atenção em algumas pessoas que passavam mais à frente. Um vinco se formando em sua testa. Kakashi percebeu a indecisão na qual ela estava. Talvez fosse pelo seu cansaço, que podia ser notado apenas de olhar para seu rosto. Mas ele sabia que, principalmente, era por causa do que havia acontecido entre eles. Parecia que ela não sabia direito como agir em torno dele.

– Sakura, se não quer ir por causa do que aconteceu, gostaria que soubesse que não precisa se preocupar. Não vou atacar você ou coisa parecida. Ao menos não no meio da rua. Além disso, mesmo que continuemos ou não com isso, e tenho toda intenção de continuar a não ser que seja totalmente contra, não pretendo mudar com você, ou evitar você, além do normal mesmo, o que você já conhece.Terminou com os olhos plissados em seu jeito característico.

– A verdade é que não sei o que esperar, ela respondeu soltando um suspiro e finalmente o olhando nos olhos.

– Não espere nada. Não temos nada além do que sempre tivemos.

– Então você está brincando comigo?

– Prefiro dizer que estou conhecendo você de um jeito que nunca fiz antes. Mas se está esperando que com isso nós tenhamos algo como namoro ou coisa do tipo, então paramos aqui. Não pretendo ter nada sério com ninguém.

– Então... você está brincando comigo.

– Não. Respondeu, soltando um suspiro. A conversa estava ficando mais séria do que queria, e mais difícil do que ele pensou que seria. — Se estivesse brincando, não estaria tendo esta conversa com você. Apenas faria o que eu quisesse e depois iria embora.

– Algo me diz que você sempre fez isso.

– O que eu quiser?

– Ir embora.

– Sim.

– Porque o interesse em mim?

– Por que não? Além disso, não sou só eu certo? Ao menos não pareceu aquele dia no bar.

Ela ficou calada alguns minutos, como que lembrando do que aconteceu no bar, e depois, na porta de seu apartamento.

– Não, não é só você. Mas não é como se tivesse saído aquela noite com você na cabeça. Não sei se foi a bebida, a Ino falando na minha cabeça, ou você dando indiretas. Estava cansada de ser sempre responsável e racional. Então quando você começou, eu resolvi chutar o balde. Confesso que fiquei interessada sim. É só que... agora, eu não sei...

– Bom, então pense e descubra.

– É assim que funciona? Ela disse, olhando para ele com um leve sorriso. A tensão já estava deixando.

– Sim. É para ser simples Sakura. Afinal, não é um relacionamento. A ideia é apenas nos divertimos, aproveitarmos o que podemos oferecer um ao outro.

– Sabe, você fala como um pervertido.

– Vocês sempre me chamaram assim, então qual a surpresa agora?

Sakura soltou uma gargalhada. – Tem razão.

– Apenas deixe fluir Sakura, relaxe e deixe fluir.

– Tudo bem, vou pensar no assunto. Ela disse dando uma piscadinha com o olho esquerdo.

– Agora que resolvemos isso, continuemos com nossas vidas normais.

– Certo.

– Ótimo. Respondeu, percebendo que aquele ar de indecisão sumiu de seu semblante, ficando apenas o cansaço. Ele não planejava ter uma conversa assim, pelo amor de Deus ele nunca teve uma conversa assim com alguma mulher. Mas no final, ele percebeu que foi bom. Ela não iria ter ilusões sobre ele, e isso o livraria de uma dor de cabeça mais tarde. Agora, ele só precisava esperar. Provocar e esperar. Ele sabia fazer isso muito bem.- Então Sakura, me faz companhia enquanto como alguma coisa? Sabe que odeio comer sozinho.

– Mentiroso. Você odeia é pagar a conta isso sim. Ela respondeu sorrindo, enquanto começavam a caminhar em direção ao centro de Konoha.

– Isso é apenas um detalhe.