A Escuridão

3 Capítulo 3 - Arrepio


Notas iniciais
Então pessoal, peço mil desculpas por não ter postado novos capítulos durante muito tempo (e muitas terças). Mas eu prometo que vou me comprometer mais com a fanfic!

– Por favor, por tudo que é mais sagrado senhorita! Responda e diga-me teu nome, diga quem você é e tentarei ajudá-la, farei o que me for pedido, eu juro! – a brisa agradável passou pelo meu ouvido.

Eu acordei, me sobressaltando com a voz de dono até agora desconhecida. Depois do incidente com o isqueiro, conclui que a coisa mais útil que poderia fazer ali seria dormir. Não havia sentindo em ficar acordada durante horas, sendo atordoada pela solidão do auditório e pelo pavor que este me causava. Dormindo, esperando que alguém viesse me tirar deste terrível lugar, eu não acabaria fazendo loucuras às quais o grande e estranho auditório estava me submetendo.

– Primeiro, meu querido, comesse não me acordando dessa maneira. – eu me sentei no carpete. Minhas costas doíam intensamente.

O silêncio horrível, tenebroso e assustador que se seguiu não poderia estar nos seus piores pesadelos. Apesar de toda a escuridão, de todas as sombras que preenchiam o lugar e coisas que me causavam terror, o silêncio era a pior delas.

– Sou Catherine, Catherine Winters, tenho dois irmãos e um gato. Agora, faça-me o favor de aparecer para mim e prometa que sempre que eu falar, você irá me responder. Promessa é promessa.

A voz demorou um curto tempo para responder. Apesar de não ter durado muito, o silêncio continuava lá, ao fim de cada frase, ao fim de cada palavra, em cada pausa. O dono da voz respondeu e quando o fez, a pessoa mais vazia, mais amarga, mais cruel existente neste mundo, não poderia deixar de ficar incomodada.

– Feito.

O estranho, falou esta pequena palavra, esta pequena frase, que fez com que eu sentisse a maior infelicidade que um ser humano poderia sentir. O desconhecido falou com a voz mais triste que eu já ouvira, e que um dia, poderia ouvir. Não foi uma leve brisa que passou pelos meus ouvidos desta vez, mas sim uma rajada de vento frio que me causou um arrepio na espinha que percorreu todo o meu corpo e fez os pelos do meu braço de eriçarem. Novamente, o frio que causou o arrepio não foi físico, porém, fez com que eu me encolhesse um pouco.

– Qual o seu nome? – eu disse, um tanto sensibilizada.

– Sou Lysander. O solitário Lysander.

– É um prazer ouvir sua resposta solitário Lysandre.

– Infelizmente, minha cara Chatherine, eu não posso dizer o mesmo. – a tristeza, devido a voz, tomou conta de mim.

Eu não entendi o que a Lysander quis dizer com essa resposta. Suas palavras aviam sido sinceras, porém eu não conseguia compreender o motivo de Lysander não me querer aqui, o que já era obvio.

O silêncio, acompanhado da solidão, sua fiel parceira, tomou conta do espaço e do tempo, então, eu o preenchi.

– Quando irá aparecer para mim?

– Quando eu estiver preparado.

Horas se passaram e eu não conseguia mais dormir. As palavras infelizes de Lysander tomavam meus sonhos, o que anteriormente era aonde eu encontrava paz naquele lugar. Meus sonhos eram repletos de felicidade ao lado de minha querida família, neste momento tão distante. A felicidade não fazia parte desse lugar e isso era mais que aparente.

– Ei escute, preciso que apareça neste momento, se você está aqui porque ficou preso nesse auditório, não se preocupe, infelizmente fiquei também. Talvez possamos nos ajudar. – Eu me levantei da poltrona.

Silêncio, silêncio, silêncio...

– Olha, você me fez uma promessa, promessas não podem ser quebradas. Você disse que iria me responder quando eu falasse contigo.

– Não há nada que eu possa dizer. – disse a voz, sem emoção alguma em meio as suas misteriosas palavras.

– Quer saber, isso tudo... Isso tudo é simplesmente ridículo. E está me dando nos nervos. Eu estou extremamente preocupada com meus pais. E se você não está sentindo o mesmo nível de preocupação e incomodo por estar aqui como eu, por favor me perdoe, mas não iria de forma alguma entender o tamanho sofrimento que estou sentindo por estar aqui neste momento. Faça-me o favor de me ajudar, ao menos aparecer para mim e me provar que eu não estou ficando insana, que eu não estou ouvindo vozes da minha cabeça! – eu disse sentindo as lágrimas escorrem pelas minhas bochechas.

Eu corri até a porta do auditório, tropeçando no escuro.

– Socorro! Por favor! Eu não aguento mais! Me tire daqui! Pelo amor de Deus, me tire daqui! – eu gritava desesperadamente.

Eu senti de repente e inesperadamente, algo frio em torno no meu braço que me causou arrepios. Algo suave. A mão de alguém. Virei minha cabeça devagar para ver o que era, com medo do que poderia ver. Não havia nada.

– Pare, por favor. Pare! Você não sabe como isso é torturante para mim Catherine. – Lysander disse elevando um pouco o tom da voz, era quase imperceptível.

Eu me virei em direção à voz, com o resto corado por causa das lágrimas. Nele havia uma expressão atormentada.

– Ah é? Interessante... Agora você se importa? Isso é torturante pra você estar aqui, porque, sinceramente, não parece. Você não entende! – eu gritei o mais alto que pude.

– Quem não entende é você, você é quem não entende! Me tortura ver você dessa maneira! Você não deveria estar aqui, eu sim! – disse a voz calmamente.

Eu me encolhi no chão e continuei a chorar. Eu não conseguia compreender nada!

– Pare de falar, certo? Isso me atormenta, eu realmente estou atormentada. Eu não quero ficar aqui! Eu tenho planos pra minha vida, eu não poderei botá-los em prática antes de morrer de fome nesse auditório. Me tire daqui, me tire daqui, por favor! – eu disse com a cabeça entre os joelhos.

– Catherine. – disse a voz de uma forma soprosa. Compreensível.

Havia algo em meus ombros, algo suave e frio. Uma mão. Com dedos longos e delicados. Seu toque me acalmava.

– Olhe para mim Catherine. – disse a voz, dessa vez não distante. Ele estava do meu lado. O conhecido arrepio tomou conta de mim.

Então, eu me virei, lentamente, com os olhos direcionados ao chão. Eu podia sentir o movimento do meu pescoço virando-se, de modo que eu ficasse diante de Lysander, até agora era desconhecido. Meu coração se acelerou de ansiedade. Eu levantei meus olhos e eles encontraram os dele. O tempo parou. Ele estava sentado ao meu lado. A figura se aproximou de mim. Eu recuei. Lysander tocou meu rosto. Seus olhos estavam cheios de seu típico mistério. Eu não podia sentir seus dedos em minhas bochechas. Isso não era real, não podia ser. Eu estava diante da figura mais assustadoramente maravilhosa que havia visto em minha vida. Seus olhos me encaravam de uma forma fantástica, com uma expressão indecifrável, de uma beleza até então desconhecida. Sua aparência era incerta, eu conseguia enxergar apenas sua pele pálida e seus olhos coloridos, de um sereno azul semelhante a água mais pura. E eu estava mergulhada nela. O outro, dourado como o mais precioso ouro. Metade de seu rosto estava coberta por uma máscara preta e eu não entendia o porque se esconder fascinante beleza. Então, toquei seu rosto, eu não sentia sua bochechas na ponta de meus dedos. Depois de alguns segundos, minha mão se desfez em névoa. Meu corpo foi dominado por uma sensação fria e horrível e eu gritei e Lysander havia desaparecido. E eu o procurei e o avistei a frente, sentado próximo ao palco e para lá eu me dirigi, com minhas pernas bambas de ansiedade. Eu estava dominada por curiosidade, medo e um conjunto de sensações estranhas as quais para mim eram até então desconhecidas. Estava incerta se iria saciar minha enorme curiosidade naquela noite. Eu estava trêmula e apesar do medo, me sentei ao seu lado e novamente ele olhou para mim, hesitante. Por um longo tempo ficamos apenas assim, nos encarando. Eu não me cansava de admirar sua incrível beleza.