A Escolhida da Floresta Encantada
2 Capitulo 2
07:30 AM
Na manhã seguinte, Jade acordou cedo, não se lembra de ter sonhado algo emocionante e decidiu começar o dia com um café da manhã reforçado. Ela fez algumas panquecas tradicionais, torradas de pão integral e uma xícara de chocolate quente.
Pouco tempo depois, enquanto comia, sua tia veio à cozinha e se sentou à mesa com ela.
— Bom dia, Jade. Como foi a festa ontem? — Perguntou enquanto pegava uma xícara de chá.
Jade suspirou pesadamente.
— Bem, na verdade não foi muito divertido. Eu não me dei bem com os amigos chatos do Justin e me senti deslocada a noite toda.
— Foi tão ruim assim?
— Tentei ter um momento a sós com meu namorado, mas parecia impossível.
Sua tia fez uma careta.
— Oh, sinto muito, querida. Você sabe que sempre pode contar comigo, não importa o que aconteça.
Jade sorriu para sua tia, agradecida pelo conforto dela.
— Eu sei, tia. Eu sou muito grata por ter você na minha vida.
— Está pronta para mais uma semana de aulas? — Perguntou enquanto pegava uma torrada.
— Sim, tirando as pessoas chatas, eu gosto da escola. – Jade respondeu e sua tia riu.
— Seja paciente. Fique perto dos amigos e seja uma moça inteligente quando precisar enfrentar algo desagradável, só use força física se realmente não tiver outra alternativa.
Jade riu.
— Não se preocupe, não sou uma selvagem como muitos acham para ficar brigando na escola com quem não vale a pena o meu tempo.
Depois de terminar o café da manhã, Jade se aprontou para o seu dia de aula. Ela começou a pensar na fadas da floresta, será que seria capaz de ver alguma novamente?
Antes de sair de casa, Jade olhou pela janela para além das árvores, como se pudesse ver alguma coisa. Mas nada parecia fora do comum.
— O que está fazendo, Jade? — Sua tia perguntou estranhando.
— Nada, estou apenas observando o tempo, por um momento pensei que fosse chover. — Ela respondeu rapidamente.
A mulher não ficou muito convencida, mas assentiu.
Jade pegou sua mochila e partiu para a escola.
[...]
Quando chegou na escola, Jade encontrou Justin e seus amigos do lado de fora. Eles cumprimentaram-na com uma conversa casual, mas ela se sentiu desconfortável com a presença deles. Ela estava ansiosa para encontrar novas pessoas com interesses diferentes dos amigos ricos e esnobes de Justin.
— E ai linda, você chegou na hora certa. — Justin falou abraçando ela de lado.
— É mesmo? Do que estão falando? — Ela perguntou abraçando a cintura de Justin.
— Brad fez uma viagem a Paris no fim de semana, ele parece ter muitas histórias para contar. — Ele respondeu.
— Esse fim de semana?
— Minha família tem um jato particular, podemos ir para onde quisermos e quando quisermos. — Disse Brad.
— É uma pena que não pude ir dessa vez, Brad sempre faz ótimas viagens. — Diz a mesma garota loira da festa.
— Interessante. — Jade falou sentindo a futilidade no ar.
— Aposto que Jade nunca fez uma viagem assim antes. — Diz a prima de Brad.
— Não tenho dúvida. — Brad concordou.
Justin faz uma cara séria e Jade encara Brad.
— O que querem dizer com isso? — Ela pergunta.
— Ah, você sabe, você é a garota da floresta. — Respondeu a prima de Brad.
— E isso me impede de alguma coisa? — Jade diz completamente séria. — Só por que não saio por aí esbanjando meu dinheiro em viagens caras no fim de semana sou alguém incapaz?
Ela ri.
— O que? Não é isso que eu estou dizendo.
Jade ri.
— É sim. Você e seu primo são iguais, futilidade pura. Se não tivessem esse dinheiro todo, será que teriam os amigos e o respeito falso que possuem nessa escola?
Eles não dizem mais nada, nem mesmo Justin.
De repente o sinal toca e Jade sorri.
— Com licença.
Ela se afastou e não parou de andar, mesmo ouvindo Justin a chamando.
[...]
Durante a primeira aula, um novo aluno se juntou à turma de Jade. Ele se chamava Max e não se parecia com nenhum outro aluno da escola.
Max era alto e magro, cabelos escuros bagunçados, olhos verdes brilhantes, ele vestia roupas de artes que pareciam estar encharcadas de tinta. Havia algo misterioso e estranho nele, que imediatamente capturou a atenção de Jade.
— Ele sabe como chamar a atenção no primeiro dia. — Jade falou baixinho.
— Ele tem sorte de ser bonito, se não já estaria sendo zoado com essas roupas estranhas. — Disse uma garota atrás dela.
— De onde será que esse rostinho lindo está vindo? — Perguntou outra garota.
— Acho que veremos isso agora. — Jade respondeu.
De repente, Max e Jade tem uma leve troca de olhares, mas foi o suficiente para deixá-la ainda mais intrigada.
— Pessoal, como já parecem estar sabendo esse é Max. Um aluno de intercâmbio, ele veio da Inglaterra e ficará na nossa turma por três meses. — Explicou a professora.
— É uma honra estar aqui. — Disse Max.
— Sente-se, a aula vai começar. — Ordenou a professora.
Ele assentiu e assim fez, se sentando na única mesa vazia no fundo.
A professora começou a aula, impedindo que os curiosos e intrometidos imprtunassem o aluno novo.
[...]
As próximas duas aulas da professora de História se seguiu lenta e demorada, principalmente para Jade, mesmo gostando muito de história.
Quando a aula acabou, Jade se aproximou de Max para tentar conversar com ele.
— Oi, eu sou Jade. Bem-vindo a essa escola. — Disse ela.
Max olhou para Jade com um olhar penetrante.
— Olá, Jade. Eu sou Max como já deve saber. Obrigado por me receber.
— Posso ser sincera? Para um aluno de intercâmbio vindo da Inglaterra, essa é a escola mais comum da cidade. — Ela falou com desconfiança e ele riu.
— Eu achei a escola agradável, pelo menos por enquanto.
Jade sorriu para ele, tentando dissipar a atmosfera tensa.
— Então, Max, de que parte da Inglaterra você veio? O que você gosta de fazer?
Max riu sem humor.
— Na verdade, eu não estou muito certo de onde venho. — Ele respondeu.
— Como assim não?
— Estou sempre em movimento. E eu só gosto de pensar em coisas diferentes da maioria dos caras dessa escola... — Ele dá uma pausa e depois olha para os meninos com roupa do time de futebol e depois os góticos. – E das outras escolas comuns que já frequentei em meu movimento. Artes principalmente, filosofia, coisas assim. Imagino que posso sofrer comentários por não querer sair por aí como eles?
Jade riu surpresa e se interessou ainda mais pela conversa.
— Eu também gosto de arte e filosofia. Talvez possamos conversar mais sobre isso depois.
Max assentiu com a cabeça, parecendo um pouco mais confortável.
— Isso seria legal, Jade. Obrigado por ser tão amigável.
Ela sentiu um ar de excitação por ter encontrado alguém novo e interessante, que compartilhava de seus interesses incomuns.
— Até depois, aluno novo. — Ela falou rápido.
— Até depois veterana. — Ele falou da mesma forma.
Ela apenas assentiu e saiu da sala ainda intrigada.
[...]
Enquanto caminhava em direção a sua próxima aula, ela sentiu um pequeno empurrão e ouviu um riso zombeteiro atrás de si.
Voltando-se, ela viu que era um dos amigos de Justin, para seu azar era o metido a rico Brad.
— O que foi isso, Brad? Me empurrando no corredor? — Questionou Jade, franzindo a testa.
Brad riu e respondeu com desdém.
—Ah, desculpa, não vi você aí, garotinha. Você é tão pequena e insignificante que se mistura com a multidão.
— Como é que é? — Ela perguntou com raiva.
— Não se zangue, não foi minha intenção, eu juro.
— Mentiroso. — Ela falou baixo, mas ele ouviu.
— Mentiroso? — Brad pergunta.
Nervosa, Jade deu um empurrão nele como resposta.
Brad quase bateu contra os armários.
— Fique bem longe de mim, não sei como Justin consegue ser amigo de alguém como você. — Ela falou alto, chamando certa atenção ao redor.
Jade obviamente se sentiu insultada pelo comentário maldoso. Ela queria responder com algo forte para fazer Brad calar a boca ainda mais, mas decidiu que não valeria a pena e o ignorou.
Em vez disso, ela continuou caminhando, com a sensação de que o dia tinha começado de forma estranha.
[...]
Conforme o dia avançava, Jade se sentiu cada vez mais animada com a perspectiva de voltar a falar com Max sobre arte e filosofia. Ela também começou a se perguntar sobre as criaturas mágicas da floresta, se mais pessoas conheciam a respeito delas ou se ela era a única.
Quando o sinal da última aula tocou, Jade guardou seus livros na mochila e olhou para o relógio. Ela percebeu que ainda tinha um tempo sobrando antes do clube de arte começar.
Ela caminhou pela escola, pensando em suas conversas com Max, quando ouviu uma voz familiar.
Era Justin, chamando-a.
— Oi, Jade, você vai ao clube de arte hoje? Eu gostaria de ir com você. — Ele falou sorrindo.
Jade se sentiu repentinamente desanimada pela ideia.
Ela queria explorar coisas novas e conhecer pessoas novas, mas não queria sair com os amigos de Justin novamente.
— Na verdade, Justin, eu acho que vou pular o clube de arte hoje. Eu tenho algumas coisas que preciso fazer.
Justin ficou surpreso e um pouco triste.
— Mas, Jade, eu queria passar tempo com você. Você tem feito isso muito menos ultimamente, e eu estou sentindo sua falta.
Jade sentiu um aperto no coração ao ouvir isso. Ela também sentia falta de Justin, mas não sabia mais se os valores e interesses deles eram compatíveis.
— Eu entendo, Justin. Mas eu preciso fazer algumas coisas. Talvez possamos sair juntos amanhã e fazer algo que ambos gostamos.
— Espero que isso não seja por causa da festa?
— Vai muito além da festa, mas não quero discutir com você por isso.
Justin acenou com a cabeça, parecendo aceitar a resposta de Jade.
— Tudo bem, então. Vou te ligar mais tarde, para ver o que você está fazendo.
Jade sorriu, sentindo-se aliviada.
— Combinado, Justin. Até logo.
[...]
Jade chegou em casa depois da escola e encontrou a casa vazia, já que sua tia ainda estava trabalhando. Enquanto se dirigia para a cozinha para fazer um lanche, ela ouviu um som estranho vindo de fora.
Curiosa, ela se aproximou da janela e olhou para o jardim.
— Olá? — Ela questionou movendo os olhos para cada canto. — Tem alguém aí? Está molhando suas rosas tia? Voltou mais cedo do trabalho?
Foi então que ela viu duas criaturas muito pequenas, com asas cintilantes se movendo rapidamente pelo jardim.
Jade ficou boquiaberta, sem acreditar no que estava vendo. Elas eram fadas, ela estava vendo fadas novamente.
— Certo, você falou com uma fada ontem. Pode fazer isso de novo.
Intrigada, correu para fora e perseguiu as criaturas ao redor do jardim. Ela gritou para chamar a atenção delas.
— Oi, vocês aí! Esperem! Quero falar com vocês!
Mas as fadas eram rápidas e ágeis, e Jade não conseguiu acompanhá-las. Ela parou no meio do jardim, ofegante e frustrada.
— Por favor, espere. Quero saber mais sobre vocês. — Disse com calma, agora tentando abordá-las com uma voz suave.
As fadas pararam por um momento quando Jade aproximou-se delas, mas imediatamente levantaram voo novamente, evitando contato visual.
— Por favor, não tenham medo. Eu não quero prejudicá-las. Apenas quero falar com vocês. — Disse Jade em voz baixa, tentando se comunicar sem assustá-las.
As fadas hesitaram por um momento, olhando para ela com curiosidade.
Uma delas voou mais perto, estudando Jade com cautela. De repente, ela mudou de ideia e voou para longe em direção as outras.
Jade tentou segui-las, mas as fadas eram mais rápidas e desapareceram entre as árvores. Ela ficou observando, meio desapontada. Ela se questionava se a aparição das fadas era real ou apenas sua imaginação.
— Não, elas são reais... Eu não estou enlouquecendo!
Ela voltou para a casa depois de um tempo, sentindo-se confusa e animada. Ela sabia que não poderia esperar para descobrir mais sobre as criaturas mágicas que ela acabara de encontrar.
[...]
Determinada, Jade decidiu caminhar na floresta depois de ver as fadas. Ela estava curiosa para explorar mais e aprender sobre as criaturas mágicas daquele local.
Enquanto seguia um riacho, ela sentiu um cheiro forte de terebintina e óleo de linhaça. Ela levantou a cabeça e viu Max em uma clareira na floresta.
Jade com certeza ficou surpresa de ver o novato ali.
— Ei, Max! O que você está fazendo aqui? — Perguntou ela, ao se aproximar dele.
Max estava sentado em uma pedra com uma tela no cavalete. Ele estava pintando uma paisagem do riacho e seus arredores.
Ele virou-se e viu Jade se aproximando.
— Oi, Jade. Estou apenas tirando algumas fotos e pintando algumas paisagens para o meu projeto de arte. Eu amo a natureza. — Disse Max, parecendo sincero.
Jade olhou em volta e notou que havia várias telas e outros materiais de arte em torno de Max.
— Wow, as suas pinturas são realmente incríveis. Você é muito talentoso. — Falou impressionada.
Max sorriu.
— Obrigado. É uma das minhas paixões. Eu gosto de capturar a beleza que vejo ao meu redor. E você, o que te trouxe à floresta?
Jade sorriu e movida pelo momento disse a Max sobre as fadas que ela viu. Ela também mencionou que era algo que ela sempre teve curiosidade e que, apesar de sua imaginação, ela gostaria de descobrir se era algo realmente real.
Max assentiu, parecendo interessado.
— Sim, eu também já ouvi falar dessas criaturas mágicas. Dizem que só as pessoas com almas puras conseguem vê-las. Talvez você tenha uma alma pura, Jade.
Jade não sabia o que pensar dessa observação, mas ela se lembrou das palavras de Althea e sorriu.
— E você? Você acredita em fadas e criaturas mágicas, Max?
Ele riu de leve.
— Eu acredito em muitas coisas que a maioria das pessoas não acreditaria. Eu prefiro manter minha mente aberta às possibilidades do que simplesmente negá-las sem consideração.
Jade concordou com a cabeça, sentindo-se conectada com Max por suas crenças incomuns. Eles conversaram ainda mais sobre arte e filosofia, até que o sol começou a desaparecer no horizonte e eles decidiram voltar para casa.
Enquanto caminhavam de volta pela floresta, Jade sentiu que ela e Max tinham algo em comum, um vínculo que ela ainda não tinha encontrado em ninguém mais.
Ela sabia que, no fundo, eles eram ambos sonhadores, capazes de ver a beleza na natureza e nas coisas simples da vida. E isso a fez sentir-se mais animada do que nunca por explorar os mistérios da floresta.
[...]
06:45 PM
Quando Jade chegou em casa, ela percebeu que algumas coisas de sua tia estavam reviradas por toda sala, parecia que alguém tinha estado por lá mexendo.
Ela olhou ao redor da sala, tentando entender o que tinha acontecido. Foi quando ela notou algo brilhante em cima de uma mesa. Eram pequenos brilhos de fadas voando por ali.
— O que? — Ela falou surpresa. — Fadas vieram a minha casa? Mas por que?
Jade ficou maravilhada com a descoberta, mas também um pouco preocupada. Ela sabia que sua tia não ficaria contente ao ver a bagunça que as fadas fizeram, ou muito menos ficaria ouvindo sobre "fadas" teram bagunçado sua sala.
Quando sua tia chegou em casa, ela tentou agir normalmente.
— Oi, tia. Tudo bem? – Ela disse, cumprimentando-a com um sorriso.
Sua tia olhou ao redor da sala e notou que algumas coisas pareciam estar fora do lugar.
— Sim, Jade. Tudo bem. Mas o que aconteceu aqui? Por que algumas de minhas fotos, vasos e revistas estão jogados pela sala? — Ela perguntou com preocupação.
Jade engoliu em seco, tentando pensar em uma desculpa.
— Ah, é que eu estava procurando uma coisa que perdi. Mas já encontrei, então não precisa se preocupar.
— Mas precisava fazer toda essa bagunça?
— Não está tão ruim assim. — Ela força um sorriso.
A mulher parecia não convencida. Ela examinou melhor a sala e, de repente, notou os pequenos brilhos de fadas voando por ali.
— O que é isso? É algum tipo de truque de mágica, Jade?
Jade respirou fundo, sabendo que precisava inventar uma mentira convincente.
— Na verdade, esses são apenas confetes que eu usei em uma festa de aniversário de um amigo. Eu esqueci de limpar tudo antes de você chegar em casa. — Ela disse, tentando parecer convincente.
— Você fez uma festa de aniversário aqui sem me avisar? — Perguntou surpresa.
— Foi uma festa surpresa. Meus amigos pagaram por tudo e só usamos a sala. — Jade respondeu, se sentindo tonta com a mentira.
Sua tia olhou para ela desconfiada, mas não insistiu.
— Bom, está tudo bem então. Apenas limpe tudo antes de eu voltar do banho, tive um dia muito cheio.
Jade assentiu, aliviada por ter conseguido se safar daquela situação.
Quando sua tia subiu as escadas, ela correu e guardou os brilhos de fadas em uma caixinha e agradeceu por ter descoberto algo tão surpreendente e mágico.
Ela decidiu que precisava descobrir mais sobre essas criaturas mágicas, mas que precisaria ser mais cuidadosa sobre como fazia isso em casa. Ela só esperava que sua tia nunca descobrisse o que ela estava realmente fazendo.
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