A Escolhida da Floresta Encantada
3 Capitulo 3
No dia seguinte, Jade acordou sem a presença da sua tia em casa. Ela encontrou um bilhete em cima da mesa, explicando que a mais velha voltaria tarde da noite, pois havia uma reunião muito importante no trabalho.
Jade se preparou para a escola, animada pelo dia que viria pela frente. Ela estava ansiosa para aprender mais sobre as criaturas mágicas da floresta e também queria se aproximar de Max, o artista talentoso que tinha conhecido.
Jade chegou à escola cheia de energia e animação. Ela caminhou pelo corredor, cumprimentando alguns colegas no caminho. Em determinado momento, avistou Justin, parado próximo ao seu armário.
— Oi, Justin! — Ela falou um pouco alto. — Estou tão animada para hoje. O que você está fazendo?
Justin sorriu ao ver Jade se aproximar.
— Oi, amor. — A cumprimentou e depois franziu a testa. — Ontem você não estava tão animada ao me ver, o que mudou?
— Podemos esquecer ontem? Eu só não estava no meu melhor momento. — Jade falou com calma, tentando é claro esconder o incidente com Brad.
— Aconteceu alguma coisa que você não me contou? — Justin perguntou com certa desconfiança.
— Não é nada para você se preocupar, eu juro. — Ela respondeu.
Ele assentiu e depois ficou bem perto dela.
— Tudo bem, podemos esquecer. Gosto de te ver tão animada.
— Ótimo.
Jade abraça o pescoço de Justin e beija seus lábios, quando ela se afasta, percebe a prima de Brad observando a cena de cara feia.
Jade não era do tipo de fazer inveja, mas quis provocar um pouco abraçando ainda mais o pescoço de Justin, em seguida ela sorriu satisfeita e voltou a focar em Justin.
— Estava dizendo alguma coisa? — Ela perguntou. — Acho que não ouvi.
— Sim, eu disse que estava te esperando. Tenho um convite especial para você. — Ele respondeu.
— Convite especial?
— Hoje, depois da primeira aula, terá meu treino de futebol americano. Gostaria de vir assistir?
Jade sentiu seu coração acelerar de empolgação. Ela adorava assistir aos jogos de Justin e sempre se divertia torcendo por ele.
— Claro, Justin! Eu adoraria te assistir jogar. Fico muito orgulhosa do seu talento e quero estar lá para te apoiar.
Justin se aproximou de Jade e a abraçou de lado.
— Fico feliz que você queira vir. Vai ser ótimo ter você lá na arquibancada torcendo por mim. Nos encontramos na quadra depois da primeira aula, tudo bem?
Jade concordou, sorrindo animada e se inclinou para dar um selinho em Justin.
— Combinado! Nos vemos lá, meu jogador favorito.
O sinal toca.
— Oh, e boa sorte no treino.
Justin segurou as mãos de Jade e olhou em seus olhos.
— Obrigado, minha torcedora número um. Mal posso esperar para te ver lá.
De mãos dadas, Jade e Justin seguiram seus caminhos para as respectivas salas de aula, ambos carregando a expectativa de um momento especial que os aguardava após as aulas.
Enquanto Jade andava com ele até sua primeira aula, ela avistou Max em apuros. Ele estava com algumas telas nas mãos e parecia ter dificuldade em pegar seus livros do armário ao mesmo tempo.
Justin se despediu dela na porta e depois seguiu para outro corredor.
— Até mais. — Ela falou rapidamente.
Pouco tempo depois, ela percebeu que Max estava quase cometendo um acidente com seus materias e se aproximou rapidamente, oferecendo sua ajuda.
— Ei, Max! Parece que você está precisando de uma mãozinha. Posso te ajudar a pegar seus livros?
Max olhou para Jade com gratidão estampado em seu rosto, um sorriso tímido brotando em seus lábios.
— Ah, Jade, seria ótimo se você pudesse me dar uma ajuda. Parece que estou com as mãos cheias demais para lidar com tudo.
— Eu percebi. — Ela ri.
Jade pegou alguns livros do armário de Max, permitindo que ele se concentrasse em segurar as telas com segurança.
Juntos, eles organizaram tudo nos braços de Max, garantindo que nada caísse.
— Pronto! Acho você não terá problemas em levar tudo até a sala. E podemos caminhar juntos se quiser, pois parece que teremos a mesma primeira aula novamente.
Max assentiu e começou a andar com ela.
— Obrigado por me ajudar. Estou tão animado para mostrar minhas telas na aula de arte mais tarde, mas carregá-las tem sido um desafio. E você também tem o dom da bondade.
Jade sentiu seu rosto corar ligeiramente com o elogio, mas manteve um sorriso no rosto.
— Sabe, Max, acho que todos devemos ajudar uns aos outros quando podemos. Além disso, estou muito curiosa para ver suas telas. Tenho certeza de que são incríveis, considerando seu talento.
Max pareceu lisonjeado com as palavras de Jade e sentiu uma sensação de familiaridade e conexão se fortalecendo entre eles.
— É gentil da sua parte dizer isso, Jade. — Diz. — Me diga, eu te vi com aquele cara, vocês tem algo romântico?
— Justin? Sim, ele é meu namorado. — Ela confirmou com um sorriso.
— Percebi que ele é um dos populares aqui, espero que não trate outros pessoas com indiferença.
Jade franziu a testa e depois negou com a cabeça.
— Não, ele é de boa. Mas seus amigos são esnobes, fique apenas longe dos amigos dele.
Max assentiu.
— Entendi.
O sinal toca novamente e ambos se encaram rapidamente antes de entrar na primeira aula.
Max vai direto para o fundo, atraindo olhares de quase todos na sala.
Jade estava indo para a sua carteira quando viu sua amiga Erin se aproximando, com uma expressão de mistério estampada em seu rosto.
— Ei garota. — Jade falou animada.
— Oi. — Erin falou um pouco séria.
— O que foi?
Ela olha em volta e depois fica bem próxima.
—Jade, preciso te contar algo incrível, louco, assustador... — Ela respira fundo antes de continuar. — Ontem à noite, quando estava caminhando perto da floresta, jurei ter visto Max lá.
Jade arregalou os olhos, curiosa para ouvir o relato de Erin.
— Sério? O que ele estava fazendo lá? E o que você viu?
Erin empolgadamente começou a descrever o que presenciara.
— Ele estava lá, Jade, mas tinha algo de mágico acontecendo!
— Mágico?
Ela olha em volta e depois volta a falar.
— Vai parecer loucura, mas...
— Fale de uma vez!
— Enquanto ele caminhava, vi asas brilhantes brotando de suas costas, como se fosse uma fada versão masculina. Parecia que ele estava em perfeita sintonia com a natureza ao redor.
Jade ficou perplexa, tentando assimilar a informação enquanto pensava na paixão de Max pela arte.
— Não pode ser verdade... Max? Uma fada?
— Eu te disse que ia parecer loucura, mas foi o que eu vi.
As duas olham juntas para Max e depois voltam a se encarar.
— Foi muito rápido, nem sei se eram asas mesmo, mas tinha algo não humano acontecendo Jade. — Erin falou com seriedade.
Jade respirou fundo.
— Eu não sei o que dizer, é muita informação para esse novato e é o segundo dia dele.
— Um novato que você parece gostar muito. — Erin sorri maliciosa.
— O que quer dizer com isso? Eu tenho namorado.
A professora chega na sala, com seu típico bom dia animado e Erin se apressa para falar novamente.
— É algo surreal, mas juro que vi com meus próprios olhos. Como já disse foi tão rapidamente que pensei que poderia ser apenas minha imaginação, mas, Jade, era tão real. Parecia algo saído de um conto de fadas.
Jade sentiu um frio na barriga de empolgação e um arrepio de curiosidade percorreu sua espinha.
Mas a aula começou antes que ela pudesse deixar sua mente divagar.
[...]
Na primeira aula, Jade conseguiu se concentrar e aprender muito sobre a história antiga da cidade, que inclusive contava histórias antigas de seres místicos que vivem na floresta local.
Mas sua mente estava fixada no que ouviu de Erin sobre Max e no treino de futebol americano que aconteceria naquele dia.
Depois da aula, ela correu para o campo de futebol. Ela encontrou seu namorado, Justin, enquanto ele se preparava para o treino.
Ele estava usando seu uniforme de futebol americano, o que fez Jade sentir um pouco de orgulho.
— Ele é um dos melhores do time. — Ela falou com um sorriso.
Enquanto assistia ao treino, Jade notou algumas líderes de torcida olhando para ela de forma desconfortável. Elas estavam sussurrando entre si e pareciam perturbadas com a presença de Jade.
Jade ignorou as líderes de torcida e continuou assistindo, enquanto Justin estava no campo, mostrando suas habilidades em campo aberto.
Quando o treino acabou, Jade correu para a linha lateral para conversar com Justin. Ela o abraçou com carinho e os dois se beijaram na frente de todo mundo.
— Essa parte do treino foi demais, você arrasou. — Disse Jade.
— Eu tentei, mas parece que o treinador não gostou muito. — Justin diz um pouco ofegante. — Acho que ele quer que eu seja mais agressivo.
— Bom, então mostre sua agressividade a ele.
As líderes de torcida olharam com desdém para Jade enquanto ela se afastava de Justin.
Maia, a capitã das líderes de torcida, se aproximou de Jade.
— O que você pensa que está fazendo aqui? Você está nos envergonhando. Por que você tem que ficar se exibindo assim? — Disse Maia, com uma voz arrogante.
Jade ficou irritada com os comentários de Maia.
— Eu não estou me exibindo. Eu estou aqui pelo meu namorado Justin Bieber e quero expressar meu amor por ele. O que há de errado nisso? — Retrucou Jade, desafiando Maia.
Maia olhou para Jade com desdém e depois bufou.
— Você é apenas uma garota que aproveita a popularidade de Justin para ficar em evidência. Nós não precisamos de pessoas como você nas arquibancadas do futebol. — Disse ela, enquanto se afastava.
Jade ficou chocada com o comentário de Maia. Ela sabia que isso não era verdade, ela amava Justin e não precisava da popularidade dele para se sentir bem consigo mesma.
Ela decidiu que não seria intimidada por Maia e continuaria a mostrar seu apoio, da melhor forma possível para provocá-la, não importasse o que acontecesse.
— Quero ver quem me tira daqui até esse treino acabar.
[...]
Enquanto voltava para as arquibancadas, Jade percebe dois rostos conhecidos, ou pelo menos achava que as conhecia.
Ela logo ficou surpresa ao ver essas duas garotas se aproximando dela, a observando com olhares estranhos, a analisando dos pés a cabeça.
— Olá? — Jade falou confusa. — Eu conheço vocês?
As garotas sorriem em uníssono e de repente os olhos da de cabelos loiros brilha em um azul flurescente.
— O que? Seus olhos...
Jade reparou melhor em cada uma delas e para seu espanto, elas pareciam muito com as fadas que ela tinha visto no jardim.
Elas tinham cabelos claros, uma loira e uma ruiva com as pontas tingidas de azul, ambas tinham olhos penetrantes e azuis brilhantes como os das fadas e usavam roupas de tons pastéis.
— Oi, Jade. — Disse a ruiva, parecendo amigável. — Nós estávamos passando e vimos você aqui. Nós queríamos falar com você.
— É tudo novo pra gente aqui. — Diz a loira, que recebe uma cutucada da ruiva. — O que? Não vamos contar a ela?
— Ah... Certo, acho que temos que fazer isso.
Jade se sentiu um pouco nervosa e ainda mais espantada, sem saber exatamente o que dizer.
— Olá... — Ela disse com uma voz calma. — Vocês são as fadas que vi no jardim da minha casa, certo?
As garotas acenaram com a cabeça, parecendo confirmar a pergunta de Jade.
— Sim, somos. — Disse a ruiva. — Nós vimos você na floresta e decidimos te seguir.
— Na verdade estamos meio que tentando entrar nesse mundo humano confuso, faz parte da missão que recebemos.
Jade ficou surpresa e curiosa. Ela sempre quis mais informações sobre as fadas e suas vidas.
— Por que vocês me seguiram? — Perguntou ela, curiosa. — De primeira, fugiram de mim.
As fadas ficaram em silêncio por um momento, parecendo hesitantes em responder a pergunta.
Finalmente, a fada ruiva decidiu falar.
— Nós queríamos ter certeza de que você é uma pessoa confiável. Há muitas pessoas que não acreditam em nós e gostaríamos de manter nossa existência em segredo.
Jade assentiu, entendendo as preocupações das fadas.
— Eu entendo. Eu sempre acreditei em criaturas mágicas e em seres sobrenaturais. E estou muito interessada em aprender mais sobre vocês.
As fadas pareciam contentes com a resposta de Jade, mas ainda estavam hesitantes em dizer mais do que já haviam dito.
— Nós vimos que você é confiável, Jade. Mas nós não podemos contar mais do que já falamos por enquanto. Precisamos ter cuidado com o que dizemos e com quem conversamos.
Jade concordou, sabendo que as fadas estavam certas.
— Compreendo perfeitamente. Espero que possamos conversar mais um dia.
— Provavelmente nos verá mais aqui. – Diz a ruiva.
— Sim, não iremos embora tão cedo. — Diz a loira.
A ruiva fica bem próxima de Jade.
— E mais uma coisa, guarde nossos nomes para se dirigir a nós da próxima vez. Eu sou a Melodia e essa loira camuflada é a Roxy.
— Loira camuflada? — Jade pergunta.
— É que meu cabelo natural é bem diferente na outra forma, então decide usar uma cor presente entre os humanos. — Roxy respondeu.
Antes que Jade pudesse dizer alguma coisa, ambas as fadas se afastaram, a deixando sozinha nas arquibancadas.
Jade sentiu-se chocada, confusa e também feliz em ter falado com as criaturas mágicas novamente.
— Isso aconteceu de verdade? — Ela perguntou para si mesma e depois olhou para as fadas se afastando, suas aparências chamavam atenção e era uma atenção parecia com a que Max também recebia. — Se o que Erin disse for realmente verdade... Max é uma fada. Mas por que ele está nessa escola? Qual é o seu objetivo?
[...]
Jade se encontrou com sua amiga Erin na aula de teatro. As líderes de torcida estavam lá, no canto do palco, olhando para Jade com olhos cheios de desdém. Jade ignorou a presença delas e focou em seu teste de teatro.
Ela estava animada para mostrar suas habilidades de atuação e provar que ela era uma boa atriz. Quando chegou sua vez de fazer o teste, ela se posicionou no palco e começou a atuar.
— Vamos lá Jade, quero algo que mostre a realidade e ousadia dessa personagem. — Disse a professora.
— Treinei essas falas durante os intervalos, posso fazer isso. – Jade falou com confiança.
— Será que pode mesmo? Não adianta apenas dizer o que estava escrito, precisa mostrar, precisa ser essa personagem.
Jade assentiu.
— Muito bem então mocinha, comece de uma vez. — A professora disse se afastando.
Jade começou.
Ela incorporou a personagem de maneira impressionante. Ela se transformou em uma personagem antipática, sarcástica e ousada, com um grande discurso.
Erin assistia admirada ao desempenho da amiga enquanto as líderes de torcida pareciam não estar prestando atenção.
Quando Jade terminou, houve uma pausa incômoda, enquanto todos aguardavam a avaliação da professora.
Finalmente, ela falou:
— Jade, esse foi um dos melhores testes que eu já vi em anos. Sua voz, suas expressões faciais, sua interpretação. Tudo estava perfeito. Parabéns.
Jade sentiu-se aliviada e felicitada, mas também um pouco surpresa com a reação tão positiva.
Ela se virou para Erin, que estava aplaudindo.
— Eu não imaginava que seria tão bom. — Disse sorrindo.
— Não finja, você estava confiante.
— Eu precisei ser.
Erin sorriu para ela, claramente orgulhosa.
— Você arrasou. Eu sempre soube que você tinha um talento para atuação. As outras garotas não sabiam do que estavam falando.
Jade sentiu-se incrivelmente feliz.
Ela decidira que não seria intimidada por ninguém e que continuaria a fazer o que amava, não importasse as críticas. Ela olhava as líderes de torcida com um olhar de triunfo, sabendo que tinha vencido mais uma batalha.
Porém, a capitã Maia estava com um plano cruel para fazer Jade passar vergonha.
— Vamos ver como ela vai lidar com isso. — Falou baixo para as outras.
— Tome cuidado, não pode ser vista fazendo isso. — Diz uma de forma temerosa.
Maia riu com deboche.
— Eu sei o que estou fazendo. Ela vai ter uma queda humilhante.
Enquanto as líderes de torcida se aproximavam de Jade, a fada Roxy que as seguia secretamente decide intervir.
— Você não vai fazer isso. — Ela sussurra algo em uma língua mágica antiga, e em um piscar de olhos, Maia tropeça em um imprevisto levantamento no chão e cai de cara no chão com um baque alto.
Jade fica surpresa com o que acabou de acontecer.
— O que foi isso?! — Ela pergunta, olhando para a fada.
A fada dá de ombros, sorrindo.
— Apenas um pouco de magia para salvar o dia. Não deixe que as líderes de torcida a intimidem, Jade. Elas são mortais terríveis, e você tem dons preciosos.
— Eu agradeço pelo o que fez, mas você poderia ter sido vista. — Jade falou com um sorriso.
— Foi tão rápido que ela não percebeu, na verdade vai achar que você fez algo para ela cair.
— Nossos pés estavam bem próximos, então será fácil mentir.
Roxy assentiu.
— Sinto muito, eu só queria ajudar. — Sorri triste.
— E você ajudou, não apenas com seus poderes. — Jade se volta para as líderes de torcida, que agora olham para ela com um pouco de surpresa e medo. — O que foi? Maia acabou sendo muito desastrada, espero que ela esteja bem.
Maia não respondeu.
Sem dizer mais uma palavra, Jade segue em frente, passando por elas com confiança e determinação, sabendo que ela é forte o suficiente para confrontar qualquer desafio que surgir.
As líderes de torcida permanecem em silêncio, agora decididas a deixar Jade em paz por um tempo.
O sinal toca e todos começam a sair do teatro.
Jade percebe Roxy usar magia para desaparecer no canto, a cena era surreal e ao mesmo tempo preocupante, pois ainda tinha dois alunos além de Jade no teatro.
— Ela com certeza precisa tomar cuidado para não ser vista fazendo isso.
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