A Escolhida da Floresta Encantada
1 Capítulo 1
12 de Setembro de 2022, 03:35 PM
Jade sempre adorou a casa de sua tia, localizada na entrada da floresta, onde muitas lendas e histórias sobre fadas e criaturas fantásticas circulavam pela cidade. Jade nunca conheceu seus pais, ficou sob custódia dessa tia aos 5 anos a atualmente acabou de completar 17 anos e havia passado a maior parte de seu tempo explorando os arredores da casa, sempre sonhando em encontrar algo mágico na floresta.
Em uma tarde ensolarada, Jade acordou cedo e decidiu dar uma caminhada pela floresta, apesar dos avisos de sua tia. Ela estava animada para explorar novas trilhas e descobrir novas paisagens.
Enquanto caminhava pela floresta, Jade se deparou com um caminho que ainda não havia explorado. Intrigada, ela caminhou em direção a ele, na esperança de encontrar algo emocionante.
De repente, Jade tropeçou em uma raiz e caiu no chão. Quando ela olhou para cima, viu o que parecia ser uma figura de tamanho humano se afastando entre as árvores. Seus olhos se arregalaram com a surpresa e ela se levantou correndo, buscando alcançar a figura.
— O que é isso? Não pode ser real. — Ela falou sem acredita, enquanto seguia a figura estranha.
— Eu sou bem real. — A figura riu enquanto se afastava.
— Espera! Quem é você? O que está fazendo aqui? — Perguntou ela, tentando manter o fôlego enquanto corria.
A figura parou e se virou para olhá-la.
Jade ficou sem palavras quando viu que a figura parecia ser uma fada, com suas asas brilhantes e cabelos coloridos.
— Eu sou Althea, guardiã da floresta. E você, humana, o que faz aqui? — Perguntou a fada de forma afável.
Jade assustada respondeu:
— Eu sou Jade, moro por aqui.
— Na floresta?
— Sim e vim explorar um pouco. Sempre ouvi histórias sobre as fadas e criaturas mágicas que habitam esta área, mas...
Althea deu um sorriso enigmático.
— Não acreditou completamente que realmente fossem reais?
— Mais ou menos isso. — Jade respondeu, de forma tímida.
— Bem, a floresta é cheia de segredos e mistérios. E é importante lembrar que nem todas as criaturas mágicas são gentis e amigáveis como nós fadas.
Jade se surpreendeu com isso.
— O que você quer dizer? Existem outras criaturas perigosas na floresta?
Althea respondeu-lhe com um olhar sério. — Sim, infelizmente. Alguns trolls podem ser perigosos e...
— Espera... — Jade a interrompeu. — Você disse Trolls? De verdade?
A fada assentiu.
— Eles não gostam de invasores humanos em seus domínios. Você precisa ter cuidado e saber como não provocá-los.
Jade engoliu em seco.
— Eu vou ter mais cautela e tomar cuidado, minha sempre me da bons avisos sobre essa floresta, mas não acho que seja por seres mágicos. — Falou cautelosa. — Mas, Althea, por que você é tão gentil comigo se nem todos os outros são assim? Sou apenas uma humana qualquer, que vive na floresta.
Althea soltou com um sorriso encantador.
— Porque você parece ter um coração bondoso e um amor pela natureza e pela floresta. — Falou se aproximando de Jade. — Essas qualidades são raras entre os humanos e precisam ser protegidas. Eu acho que você pode ser um grande aliado da floresta e das criaturas mágicas.
— Eu?
— Sim. Eu sinto isso em você.
Jade sorriu de volta, sentindo-se lisonjeada pelas palavras da fada.
— Eu adoraria ajudar e ser amiga das criaturas mágicas. O que posso fazer para provar minha lealdade?
Althea pensou por um momento antes de responder.
— Existem muitos perigos na floresta, e muitas criaturas precisam de ajuda. Você pode proteger e ajudar a cuidar das plantas e criaturas feridas ou doentes. Essa é uma das formas de demonstrar sua lealdade.
— Mas e as outras fadas me considerarem inimiga? E se elas me atacarem?
— Elas não farão isso ao verem que dependem da sua ajuda, principalmente quando provar que está do lado bom dessa floresta.
Jade ponderou por um momento e depois assentiu.
Althea começa a se afastar, fazendo suas asas soltar alguns brilhos que se prendem cibtras árvores.
— Não acha que isso fará os humanos ruins te acharem? — Jade pergunta.
— Não se preocupe, o brilho vai desaparecer assim que eu sair daqui. — Althea respondeu. — Preciso ir agora humana, cuide-se e tente evitar ir para as áreas mais profundas da floresta.
— Por que? — Jade pergunta curiosa. — O que tem por lá?
— Coisas que você com certeza não gostaria de encontrar.
Jade ficou séria e depois assentiu.
Althea se afastou ainda mais e logo desapareceu da visão de Jade.
— Caramba... — Jade olha ao redor. — Isso aconteceu mesmo? Ninguém vai acreditar em mim.
Porém, inspirada pelas palavras de Althea, Jade pôs-se a explorar a floresta com um novo propósito, determinada a ajudar a proteger e cuidar da vida natural que ela tanto amava.
[...]
Enquanto Jade caminhava por entre as árvores da floresta, ela ficou pensando constantemente sobre o encontro que havia tido com Althea. A fada havia lhe dado uma nova perspectiva sobre a floresta e as criaturas mágicas que a habitavam.
Ao voltar para casa, Jade encontrou sua tia na cozinha. A mulher estava preparando o jantar enquanto cantava baixinho uma música antiga. Quando Jade entrou na cozinha, sua tia olhou para ela com um sorriso.
— Ah, Jade! Que bom que voltou. Como foi sua caminhada pela floresta? — Perguntou a tia.
Jade ficou momentaneamente sem palavras, temendo contar sobre sua descoberta a respeito de Althea e outras criaturas da floresta.
— Foi legal, tia. Eu só caminhei por algumas trilhas que já conhecia. — Respondeu ela, evasivamente.
Sua tia pareceu um pouco desconfiada.
—Você parece estranha.
— Estranha? Eu não estou estranha.
— Está um pouco. Tem certeza de que está tudo bem, querida?
Jade balançou a cabeça, tentando afastar seus pensamentos sobre a floresta e se concentrar na conversa que estava tendo com sua tia.
— Sim, tia. Está tudo bem. Só vou tomar um banho e me arrumar melhor para o jantar. — Disse Jade, tentando se afastar do assunto delicado.
Mas antes que ela pudesse se afastar, sua tia abriu a boca para falar novamente.
— Ah, eu quase esqueci!
— O que? — Jade pergunta.
— Seu namorado, Justin, ligou enquanto você estava fora. Ele disse que gostaria de conversar com você. — A mulher respondeu.
Jade suspirou aliviada.
—Ah, que bom tia! Obrigada por me avisar. Vou ligar de volta logo após o banho.
A tia de Jade sorriu para ela e voltou sua atenção para o jantar, não percebendo as emoções complexas que passavam pela mente de sua sobrinha.
Jade sabia que, ao menos por enquanto, era melhor manter suas descobertas na floresta em segredo.
[...]
06:30 PM
Pouco tempo depois de chegar em seu quarto, Jade tomou um banho rápido e depois pegou seu celular para ligar para seu namorado Justin.
Enquanto discava o número, ela ficou falando pensativa sobre seu relacionamento.
— Justin Bieber, o astro do time de futebol americano da escola, um dos caras mais populares... — Ela sorriu por um momento, enquanto a chamada começou a chamar. — Eu, uma garota normal, que mora na floresta... Estamos juntos a três meses e desde o início parece que sou a única que percebe que para os amigos dele, não deveríamos estar juntos.
Jade suspira e de repente Justin atende a chamada.
— Jade, finalmente!
— Oi meu amor, minha tia disse que você queria falar comigo?
— Com certeza! Por um momento achei que seria tarde demais para falar com você.
— Como assim?
— Espero que não esteja planejando dormir cedo ou passar a noite lendo.
Jade olha ao redor do seu quarto, principalmente para seus livros, era exatamente o que ela iria fazer.
— Não, eu não ia fazer isso.
— Ótimo. Escolha um biquíni para usar e use por cima aquele seu vestido azul que eu amo ver você nele.
— Por que?
— Você me conhece e sabe como amo dar festas a noite para o pessoal...
Jade suspirou.
— Ah não...
— Isso aí gata, te espero aqui. Espero que não se atrase.
Jade bufa.
— Não tenho escolha não é?
Ele não responde, apenas soltando uma risada provocante.
— Está bem, está bem... Eu chego aí em meia hora, preciso de tempo para fazer tudo e chegar até a sua casa.
— Quer que eu te busque?
— Não, eu gosto de caminhar a noite.
[...]
Justin vai dar uma festa na piscina.
Mesmo contra sua vontade, Jade concordou em ir à festa na piscina que ele estava organizando. Ela não era fã desse tipo de evento, muito menos dos amigos de seu namorado, mas tentou se animar com a ideia de passar algum tempo com ele na casa dele.
Quando chegou à festa, Jade imediatamente percebeu que não se sentia à vontade com as pessoas que cercavam Justin. Eles eram mimados e não tinham nada de interessante para dizer ou fazer.
— Posso ver olhares surpresos e sorrisos falsos na minha direção... — Jade falou baixinho, enquanto tirava seu vestido e ficava apenas de biquíni.
Ela escolheu um biquíni na mesma cor do vestido, azul turquesa. Ele destacava suas curvas, atraindo alguns olhares de dois amigos de Justin.
— Vou ficar bem longe desses dois dois, ambos tem namorada, mas me encaram como um pedaço de carne. — Jade falou quase em sussuro.
Ela se afastou de algumas líderes de torcida da escola e foi ficar sentada à beira da piscina, desejando que pudesse estar em outro lugar.
— É a garota da floresta. — Disse uma garota loira.
— Não se finja de sonsa, ela é a namorada do Justin. — Disse uma garota ruiva.
— Só por isso ela está aqui, essa garota é tão estranha. — Disse uma garota morena.
— Pois é né, o Justin deveria namorar alguém que realmente se encaixe em sua vida. — Disse a loira com um sorriso malicioso.
Justin percebeu sua namorada afastada de todos enquanto conversava com dois amigos do time, ele suspirou para a cena e depois se afastou em direção a ela.
— Jade, o que está havendo? Você não está se divertindo? — Ele perguntou, sentando-se ao seu lado.
Jade encolheu os ombros.
— Não é bem o meu tipo de festa, Justin. Eu preferiria estar fazendo outra coisa.
— Além de estar comigo em uma festa legal como essa? — Ele falou, fazendo ela revirar os olhos. — Não é sempre que você vai em uma festa assim.
— Exatamente. Só estou aqui por ser sua namorada, caso o contrário eu jamais seria convidada por seus amigos esnobes. — Respondeu com sinceridade.
Justin suspirou, parecendo frustrado com a resposta de Jade.
— Mas você sempre faz isso, não é?
— Como assim? — Ela pergunta.
— Sempre encontra alguma desculpa para não se divertir com as minhas amizades. Eu gosto de você, Jade, mas às vezes parece que você não está aberta para novas experiências. — Ele respondeu com raiva e chateado.
Jade sentiu uma onda de tristeza se abrir em seu peito.
Ela amava Justin, mas não gostava de como ele tinha tantos amigos mimados, que só se importavam com seus próprios narizes.
— Justin, eu só não sou muito fã deste grupo de pessoas, em particular. Eu prefiro quando estamos juntos sozinhos, fazendo coisas que realmente curtimos.
Justin parecia ressentido.
— Mas nós nunca saímos com outras pessoas, Jade. Eu sinto que você tem medo de me apresentar aos seus amigos também. Você precisa aprender a se abrir para as diferenças.
— Eu entendo, Justin. Mas eu simplesmente não me sinto confortável com essas pessoas. — Ela falou com tristeza. — Para ser sincera, preferia ter ficado em casa e assistido a um filme com você.
Justin balançou a cabeça, parecendo irritado.
— Tudo bem, Jade. Você sempre pode fazer o que quiser. Eu só queria que você entendesse que a vida não é só sobre suas próprias escolhas.
Jade se sentiu mal pela briga que havia se iniciado. Ela tinha sentimentos mistos sobre os amigos de seu namorado, mas tentou não julgá-los muito duramente.
— Eu entendo, Justin. Desculpe se estraguei sua festa.
— Não foi isso o que eu quis dizer... — Ele suspirou.
— Tem certeza?
— Jade...
Ela se levantou para ir embora, mas tropeçou em sua própria toalha e quase caiu na piscina. Justin a segurou, impedindo-a de cair.
— Você está bem? — Ele perguntou com genuína preocupação.
Jade sorriu constrangida, sentindo-se grata pela gentileza dele.
—Sim, estou bem. Obrigada, Justin.
E de repente a briga foi esquecida e eles curtiram o resto da festa na companhia dos amigos dele, mas Jade não disfarçou alguns comentários óbvios para aqueles que ela mais detestava.
Por um momento ela tentou ser mais aberta e aceitar as diferenças, mas prometeu a si mesma nunca mais aceitar algo que a deixava desconfortável.
[...]
Após a festa, Justin insistiu em levar Jade de volta para casa. Ela não foi muito entusiasmada com a ideia, mas decidiu que seria melhor do que pegar um táxi ou o transporte público.
— Ei, Jade, eu queria te pedir desculpas pela forma como agi na festa. Eu não deveria ter ficado chateado com você. — Disse Justin enquanto dirigia.
Jade sorriu levemente.
— Tudo bem, Justin. Eu entendo que você queria que a gente se divertisse juntos. Eu vou tentar ser mais aberta a suas amizades.
Justin agradeceu.
— Você é tão compreensiva, Jade. Eu adoro você. – Disse ele, inclinando-se para beijá-la.
Jade retribuiu o beijo com carinho e, em seguida, eles conversaram sobre outras coisas enquanto seguiam em direção à casa dela.
Quando chegaram à entrada da floresta, Justin diminuiu a velocidade do carro e olhou para Jade.
— Você mora por aqui mesmo? É um local tão tranquilo e bonito.
Jade assentiu e olhou para as árvores que cercavam a estrada.
— Sim, minha tia vive na casa que fica na entrada da floresta a quase 30 anos. É um lugar bem tranquilo. — Disse ela.
Justin parou o carro em frente à casa de Jade e lhe despediu com um beijo.
— Até amanhã, Jade. Eu te amo. – Disse ele, antes de partir.
Jade assistiu enquanto Justin se afastava, sentindo-se grata pelo gesto dele em levá-la em casa.
Mas, ao mesmo tempo, ela não pôde deixar de olhar para a floresta, lembrando-se das criaturas mágicas que a habitavam.
Mal ela sabia que, em breve, teria que decidir entre seguir o caminho comum e previsível que Justin parecia querer, ou optar por se aventurar em terrenos mais desconhecidos e emocionantes em busca da magia das fadas.
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