Notas iniciais
Depois de tanto tempo, ai esta =)

“Alexa, você está aqui há exatamente uma semana” –A Sr. Margô olhava sua ficha com os olhos semicerrados- “E já está com três passagens pela enfermaria. Gostaria de falar um pouco sobre isso?”

Alexa se ajustou na cadeira e olhou para a mulher a sua frente.

“Não foi nada muito serio.” –Alexa deu de ombros, tentando acalmar a situação.

“A senhora Selna diz o contrario. Ela está preocupada tanto quanto eu. Aqui diz que na quinta seu nariz começou a sangrar no meio da aula, e no sábado também, junto com um desmaio repentino.”

“Eu só precisava comer algo...”

“Já na terça, novamente o nariz, vomito e desmaio.” –Margô arqueou as sobrancelhas.

“Senhora, eu estou bem, foi apenas minha pressão...”

“É de sua ciência, que, se continuar assim, terei que mandá-la ao hospital. Não posso arriscar a vida das outras garotas com uma possível infecção ou doença. Você entende isso?”

Alexa assentiu.

“Muito bem. Se esses sintomas continuarem, não terei outra opção.” –Ela rabiscou algo na sua ficha e a guardou de volta na pasta de papel- “Pode ir.”

“Obrigada.” –Alexa se levantou e de dirigiu a porta.

“Ah, outra coisa.” –Margô chamou- “Peça para a senhorita Elisa vir até aqui.”

Alexa assentiu novamente e deixou a sala.

Elisa a esperava sentada no banco, no corredor, quando viu a amiga, sorriu.

“O que ela queria?” –Ela levantou-se.

“Queria saber sobre minha saúde. Disse que se eu continuar assim, não posso mais ficar aqui.”

“Você disse para ela que não é grande coisa, você só precisava descansar...”

“Eu disse.” –Alexa cruzou os braços e olhou para a amiga- “Ela pediu para você entrar.”

Elisa olhou para a porta da sala e depois para Alexa.

“Te encontro no jantar.” –Disse ela.

Alexa deixou o corredor e foi até seu quarto. Por mais que tentasse enganar Elisa e a Sr. Margô, ela sabia que as coisas não estavam bem. Os vultos que via, seu nariz sangrando e seu mal estar não eram normais e por mais que ela tentasse, não consegui pensar em nada que pudesse fazer.

X

No jantar, ela tinha guardado um lugar para Elisa, mas depois de alguns minutos não sabia mais se ela apareceria. Queria saber o que conversava com a senhora Margô e por que demorava tanto. Começou a criar teorias sobre o suposto assunto quando de repente alguém puxou a cadeira e se sentou.

“Sua amiguinha não está aqui?” –Perguntou Meg.

“Não, está falando com a senhora Margô.”

Meg a olhou, por um momento seus olhos pareciam espantados, mas depois voltou a sua expressão neutra de sempre.

“Então pode dizer adeus.”

“Por que eu faria isso?”

“Toda vez que Margô chama alguém para conversar, essa pessoa vai embora.” –Meg falava enquanto comia um pedaço de pão.

“Ela foi adotada?”

“Eu não disse isso.” –Meg a olhou- “Eu disse que ela vai embora.”

Alexa então percebeu o que estava acontecendo.

“A mulher sem rosto.” –Disse a si mesma.

Meg riu.

“Lá vem essa história de novo.”

“Para onde Elisa vai então?” –Alexa perguntou, ela queria saber o que estava acontecendo, mas Meg parecia não entender isso.

“Não sei, para outro orfanato, alguma fábrica que precisa de mão de obra, qualquer outro lugar... De uma coisa eu sei, ninguém adota meninas mais velhas, Alexa, aprenda isso.”

Uma ponta de desespero começou a cutucar os pensamentos de Alexa. A ultima coisa que ela queria era se separar de Elisa e principalmente agora, sabendo que ela poderia ir para qualquer lugar.

Depois do jantar, Alexa pensou em ir até a sala da Sr. Margô, mas mudou de ideia. Ela queria apenas ir para o seu quarto e encontrar Elisa, ela diria que foi apenas uma conversa casual e que continuaria no orfanato para sempre... Enquanto subia as escadas para seu quarto, Selna descia, e ao avista-la parou e ficou esperando se encontrar com a garota. Quando Alexa se aproximou, Selna a olhou de cima a baixo.

“Como está hoje?” –Sua voz era roupa e tremida.

“Melhor, obrigada.” –Alexa respondeu.

“Tome isto antes de dormir para não sangrar durante a noite.” –Selna enfiou a mão no bolso do vestido e lhe entregou um potinho de vidro com alguns comprimidos alaranjados.

“O que é?” –Ela perguntou ao pegar o frasco.

“Apenas tome... Um antes de dormir e um quando acordar.” –Ela deu uma ultima olhada e voltou a descer as escadas.

Alexa olhou para o frasco e o guardou no bolso do casaco. Ao chegar ao quarto, hesitou em abrir a porta, torceu para não encontrar o quarto vazio. Mas para sua sorte, Elisa estava sentada na cama, de costas para ela.

“Elisa!” –Ela correu até ela- “Graças a Deus.”

“O que foi?” –Elisa perguntou sorrindo.

“Achei que tinha ido, que Margô a mandará embora...!”

“Não, Alexa, eu estou aqui.”

Alexa sentou na cama a sua frente e pôs o frasco de remédio em cima do criado mudo.

“Mas não por muito tempo.”

“O que?”

“Margô me chamou para dizer que eu fui adotada.”

Naquele momento foi como se tudo estivesse pegando fogo. Alexa sentiu seu interior queimar, suas mãos começaram a suar e a tremer. Aquelas palavras lhe atingiram como um raio, aquecendo todo seu corpo.

“Elisa... Você não pode ir.” –Alexa se levantou e sentou ao seu lado- “Por favor.”

“Não sou eu quem escolhe isso, Alexa.” –Elisa olhou para Alexa e viu o desespero e tristeza nos seus olhos- “Sinto muito.”

“Se você for, eu vou ficar sozinha.”

Elisa desviou o olhar e se levantou da cama, pegando sua mala que estava em baixo da cama ao lado.

“Não torne isso difícil.” –Ela sussurrou.

“É difícil para mim, você é minha única amiga... É como uma irmã.”

Elisa colocou a mala em cima da outra cama e começou a arrumar suas coisas dentro dela. Ela evitava olhar para Alexa, pois sabia que se fizesse isso, mudaria de ideia.

“O que a Margô te disse? Que alguém te adotou? Meg disse que famílias não adotam meninas mais velhas... Ela está te enganando, você vai para uma fábrica.”

“Chega Alexa.” –Elisa se virou, seus olhos estavam vermelhos- “Margô só que me ajudar.”

“O que ela te disse?”

“Não é da sua conta.”

“Somos amigas!” –Alexa puxou seu ombros para ter sua atenção, mas Elisa se recusou.

“Conhecemos-nos há uma semana. Não vou mudar minha vida por alguém que conheço a uma semana.”

Alexa sentou na cama desolada. Em uma fração de segundos tinha perdido tudo que lhe restava.

“Achei que éramos mais que isso.”

Elisa suspirou e fechou sua mala.

“Entenda Alexa, é a minha chance de ir atrás do meu irmão, ter minha vida.”

“Não é isso que vai acontecer.” –Os olhos de Alexa de embaçaram, mas ela se segurou para não chorar.

“Como você sabe?” –Elisa perguntou- “Me diga!”

“Eu...”

“Você não sabe. E eu também não. Mas é assim que a vida é, feita de chances, e eu escolhi seguir essa.”

“Eu entendo.” –Alexa assentiu- “Mas achei que poderíamos fazer isso juntas. Entenda Elisa, você é a única pessoa que eu tenho...Eu perdi todo mundo...”

“Alexa...”

“Se você for eu vou ficar sozinha de novo, sem ninguém. Por favor, eu sei que isso é importante para você, mas também é para mim... Você é importante para mim.”

“Alexa...” –Elisa foi até ela- “Seu nariz está sangrando.”

Alexa tocou o nariz e sentiu o sangue quente e gosmento. Elisa tirou do bolso um lenço e lhe entregou para estancar o sangue.

“Eu não sei por que isso está acontecendo.” –Alexa sussurrou.

Notas finais
Talvez ainda hoje eu poste o próximo... Não sei... Mas não demorará tanto quanto este, prometo! =X