A Escolhida
13 Capítulo 13
Notas iniciais
O ponto de luz foi se transformando em uma chama e esta chama em varias outras que iluminavam uma clareira na floresta. Alexa não pensou duas vezes, era aquele o lugar. A clareira abrigava uma pequena casa de madeira no centro, era uma casa com aparência velha, como se tivesse sido construída apenas com materiais da própria floresta.
Estava muito escuro para ver algo além e Alexa estava muito cansada. Com o resto de energia que lhe sobrara ela foi até a porta. Estava muito silêncio, parecia não haver ninguém em casa e nem por perto. Talvez as duas mulheres a tivessem perdido de vista ou desistido de procurar. Ela bateu na porta duas vezes e esperou.
Seu coração estava desacelerando e seu pulmão voltando a respirar normalmente. Sem respostas. Ela se apoiou na estrutura da casa para descansar, a madeira velha e úmida rangeu ao seu toque. A noite estava calma, alguns grilos e sapos conversavam perto dali, mas apenas isso atormentava o silêncio, isso e sua respiração ainda ofegante.
Quando ouviu barulhos vindos da casa, Alexa ficou ereta e esperou. A porta se abriu lentamente com um longo rangido agonizante. O interior estava escuro, Alexa só pode enxergar melhor quando o dono da casa deu um passo à frente. Era uma mulher. Sua pele era pálida como as das irmãs. Seu cabelo também era preto e lhe cobria o rosto, mas deixava seus olhos claros amostra. Sua boca era preta, mas de um preto suave, como se fosse sua cor natural. Quando viu Alexa parada em sua frente manteve a expressão neutra.
Alexa hesitou antes de dizer algo, acabara de fugir de duas mulheres como aquela, não queria voltar àquele pesadelo novamente.
“Quem é você?” –A mulher perguntou. Sua voz era rouca pela falta de uso.
“Por favor, me ajude.” –Alexa suspirou.
A mulher a olhou de cima a baixo e então deu as costas. Sem pensar, Alexa se jogou para frente e pegou o seu braço. Se ficasse ali, iria morrer, ela precisava de ajuda, precisava dormir comer algo. A mulher se virou no mesmo instante para a garota, mas esta já havia caído no chão.
X
Alexa abriu os olhos, mas estava tudo escuro, ela tentou se levantar, porém, sua cabeça e pernas doíam, então continuou deitada. Quando seus olhos se acostumaram com a escuridão ela tentou ver onde estava. O ar era frio e fresco e o aroma agridoce, não havia nenhuma luz por perto, nem mesmo uma vela. Ela esticou a mão e tocou a parede do seu lado, era madeira; estava dentro da casa.
“Fique deitada.” –Disse uma voz na escuridão.
Então uma luz apareceu. A mulher estranha acendeu uma vela e colocou ao lado de Alexa. Com a pouca luminosidade, Alexa conseguiu ver seu redor. A casa era pequena e baixa, o piso era de terra firme e toda a estrutura de madeira. Não havia paredes do lado de dentro, não havia nenhuma divisão; Ela estava deitada com os pés para a porta. Também não havia cozinha ou banheiro aparentemente. O que se assemelhava a tais cômodos era uma mesa grande de madeira do outro lado, com um balde não chão, e outro balde um pouco maior do outro lado.
Um tipo de cortina feita com um pano velho e branco dividia a casa, e apenas isso. Talvez por trás dela houvesse o quarto da mulher. Alexa estava no chão, deitada em um tipo de cama feita com algumas tábuas e troncos de madeira; talvez aquela fosse a sala. No teto ficava pendurado por correntes um prato de metal com algumas velas em cima, iluminavam toda a casa.
Mas sem dúvida aquela não era uma casa normal. Uma pessoa normal não moraria ali.
“Beba isso.” –A mulher estendeu um pote de madeira sobre seu rosto. Ele continha um líquido branco com cheiro forte.
Alexa se sentou e pegou o pote com as duas mãos. Ela notou que os dedos da mulher eram pretos, talvez pintados assim ou fosse alguma doença. Ela não perguntou.
“Onde eu estou?” –Perguntou depois de beber um gole.
“Não importa, não ficará aqui.” –A mulher se levantou e foi até o outro lado, mexer em alguma coisa na mesa.
“Eu não tenho para onde ir.” –Disse Alexa, pondo o pote de lado- “Por favor.”
“Quem é você?”
“Alexa. Alexa Soman.” –A mulher se virou ao ouvir seu nome- “Meus pais morreram em um incêndio e eu fui para um orfanato. Lá, eu conheci uma garota, mas ela foi levada embora por umas mulheres estranhas, e ontem”- Alexa fez uma pausa, não sabia ao certo quanto tempo havia se passado- “Eu fui levada por elas também. Eu e minha amiga. Mas elas a mataram! Eu fugi quando percebi que algo estava errado...E então encontrei sua casa.”
Ela olhou para a mulher, esperando ela dizer alguma coisa, qualquer coisa, ou ao menos demonstrar compaixão pela sua história, mas ela apenas assentiu. Alexa se levantou e foi até ela.
“Senhora, eu não tenho para onde ir, eu não tenho mais família. Se me deixar ficar, prometo que serei útil, eu sei cozinhar, posso limpar...”
“Basta.” –A mulher levantou a mão e Alexa se calou. Ela se virou para a mesa e olhou pela janela- “Como sabe que mataram sua amiga?”
“Elas a levaram e depois eu a ouvi gritas pedindo ajuda, ela gritava o meu nome.” –Uma lágrima escorreu pelo seu rosto.
“Escute” –A mulher se virou para ela, mantinha a mesma expressão neutra- “Você não...”
Ela fez uma pausa e olhou para a porta. Alexa olhou também, mas não havia nada ali.
“Fique ai.”
A mulher passou por ela e foi até a porta, esperou alguns segundos e então a abriu. Alexa a obedeceu, ficando parada onde estava. A luz do dia entrou pela porta e iluminou aquela parte da casa. Em cima da mesa havia várias cosias que Alexa nunca tinha visto. Alguns potes de vidro com insetos e folhas dentro, ossos de animais, papeis velhos.
“O que faz aqui?” –A voz da mulher estranha ecoou pela casa.
Lentamente, Alexa foi até a porta e encostou-se à parede para poder ouvir melhor.
“Está com algo que me pertence.” –Era a voz de Huanda. Alexa cobriu a boca para não gritar, só de pensar naquela mulher lhe dava calafrios, ouvir sua voz era lembrar-se de tudo daquela noite.
“Você diz a garota?”
“O que mais seria?”
“Ela está em minhas terras agora. Não pertence mais a você.”
“Como ousa!”
“Você teve a outra. Não precisa mais dela.”
“A outra foi um erro. Não era pura! Não foi aceita.” –Huanda cuspia as palavras.
“Isso não é meu problema.”
Uma risada fina e desafinada saiu dos lábios de Huanda.
“O tempo está acabando Orphelia. O tempo está acabando.”
Fale com o autor