A Escolhida
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Quando Alexa acordou estava suando, todo seu corpo estava dormente e seu cobertor caído no chão. Ela precisou de alguns minutos para entender que tinha acordado e não estava mais sonhando. Quando decidiu levantar da cama, suas pernas tremeram e ela caiu, precisou de mais alguns minutos para se recompor. A água quente batia na sua pele fazendo uma leve massagem, era como um abraço morno e agradável. Esperou ser a ultima no banheiro para poder sair do chuveiro. Os espelhos estavam embaçados pelo vapor, o piso frio e úmido. Ela se trocou e foi se encontrar com as outras garotas para a refeição.
Na mesa, procurou por Meg, precisava lhe contar seu sonho estranho, mas não a viu. Também não a encontrou na aula e tão pouco teve condições de prestar atenção, estava ainda muito atordoada com seu sonho, precisava contar para alguém, ouvir uma explicação para tal acontecimento.
O dia foi passando e nada de Meg. Alexa começou a se preocupar, talvez ela tivesse mesmo fugido com Joseph e a deixada sozinha novamente. Talvez esse fosse seu destino, ficar sozinha. Mas não, Alexa não queria acreditar nisso, não podia acreditar. Quando suas obrigações acabaram, foi para o seu quarto ficar sozinha. Passando pelo corredor, ouviu vozes vindas do outro lado e decidiu ir ver quem era. As vozes vinham do quarto de Meg.
“Meg, você está ai?” –Alexa perguntou abrindo a porta lentamente.
“Entre... E feche a porta.” –Meg chamou.
Alexa entrou no quarto obedecendo à ordem. Meg estava no armário, arrumando alguma coisa, mas logo em seguida Alexa viu sua mala em cima da cama e percebeu o que estava acontecendo.
“Você vai ir?”
“Essa é minha chance.” –Meg disse indo até ela com uma muda de roupas- “Margô não está aqui, ela saiu no almoço e ainda não voltou. Tenho que ir antes que ela chegue e perceba minha ausência.” –Meg falava rápido, eufórica.
“Eu vou com você.” –Alexa disse sem ao menos pensar antes, quando percebeu, já havia dito. Meg a olhou surpresa, então sorriu.
“Tem certeza disso?”
“Não quero ficar sozinha.”
Meg deu a volta pela cama e abraçou Alexa.
“Precisa me ajudar com isso. Pegue suas coisas.”
“Eu não tenho nada.” –Alexa se aproximou e começou a guardar as coisas na mala- “Prometo não ser um peso.”
“Você não será.” –Meg a olhou e sorriu- “Fico muito feliz em saber que quer isso também. Esse lugar não é para nós, Alexa. Somos espíritos livres.”
Alexa olhou para Meg. Nunca a vira tão animada quanto aquele momento. Talvez ela estivesse certa, talvez seu destino fosse ser livre como ela.
“Precisamos levar isso até lá em baixo, e depois encontraremos com Joseph na esquina.” –Meg fechou a mala e olhou em volta- “Acho que está tudo aqui.”
“Como vamos levar a mala sem que nos vejam?”
“Boa pergunta.” –Meg cruzou os braços.
Alexa olhou em volta, tentando pensar em algo. Elas poderiam jogar a mala pela janela... Mas correria o risco de alguém ver ou a mala se abrir. Foi então que ela olhou para o cobertor da cama e teve uma ideia.
“Embrulhamos o cobertor na mala e dizemos que vamos lavar a roupa suja. Saímos pela porta dos fundos.”
“Alexa, você é incrível!”
Elas tiraram o cobertor da cama de Meg e de outra cama e embrulharam a mala como se fosse um monte de roupa suja. Depois saíram pelo quarto, cada uma levando um lado. Desceram as escadas com dificuldade, mas conseguiram chegar na entrada com tudo no lugar.
“Vamos para lá.” –Meg apontou com o queixo.
As duas foram andando até a lavanderia. Alexa ia de costas e Meg a ia guiando pelo caminho e a impedindo de esbarrar nas coisas. Algumas garotas passavam por elas e Meg dizia para pegar as roupas que elas iriam lavar, algumas vezes Alexa não se continha e começava a rir da mentira da amiga. Estavam quase chegando quando na porta, quando Selna apareceu no corredor.
“Onde pensam que vão mocinhas?” –Ela perguntou.
“Lavar a roupa.” –Respondeu Meg.
“A roupa?”
“Houve um problema no quarto.” –Meg retrucou.
Selna levantou uma sobrancelha e olhou para Alexa, que desviou o olhar.
“A Sr. Margô quer falar com vocês.” –Disse ela.
“Podemos levar a roupa primeiro?”
“Não. Ela esta esperando. Deixem a roupa ai e depois podem voltar.”
Alexa olhou para Meg, que deu de ombros e obedeceu.
“O que a Sr. Margô quer conosco?” –Alexa perguntou enquanto seguia Selna pelos corredores.
“Vocês verão.”
Selna parou em frente a porta da sala e bateu duas vezes. A Sr. Margô abriu a porta e olhou para Selna.
“Estou com as meninas.” –Disse Selna, e então saiu.
“Meninas, entrem.” –Margô sorriu.
Meg e Alexa entraram na sala e sentaram nas cadeiras em frente a mesa que ficava no centro. Margô fechou a porta e foi até elas.
“Vocês sabem porquê estão aqui?” –Ela cruzou os dedos sobre a mesa.
“Encrenca?” –Meg perguntou.
“Não, não é por encrenca.” –Sua voz era calma- “Estão aqui porque eu consegui algo para vocês.”
Alexa olhou para Meg, que estava tão confusa quanto ela.
“Eu estava fora resolvendo alguns problemas, um deles era a presença de vocês neste orfanato. Como as senhoritas bem sabem, estão ficando velhas de mais para continuarem aqui, no requisito serem adotadas.” –Ela fez uma pausa e olhou para as duas- “Para a sorte de vocês, este orfanato não é um orfanato qualquer. Se fossemos eu já teria as posto para fora há muito tempo. Porém, eu conheço pessoas e lugares que fariam bem uso de vocês.”
“O que quer dizer com isso?” –Meg perguntou.
“Quero dizer que consegui para as duas um lugar novo...”
“Que lugar.”
“Senhorita, não me interrompa.” –Margô limpou a garganta e voltou a falar- “Tenho uma prima que herdou do pai uma fábrica de roupas, por sorte, ela precisa de mão de obra urgentemente.”
“Vamos trabalhar em uma fábrica?” –Meg exclamou.
“Senhorita Megara, eu estou tentando ajuda-las, se continuar sendo insolente, terei que tomar outras decisões.”
“Não pode nos forçar a trabalhar.”
“Não estou forçando a nada. Veja, se negarem esta oferta, terei que expulsá-las daqui e não garanto que serão bem acolhidas no fundo lá fora. Pelo contrário, garotas órfãs têm muita dificuldade em se encontrar.”
“Mas, senhora, onde ficaremos? Porque pelo que nos disse, só iremos trabalhar.”
“Então, como eu ia dizendo, mas fui interrompida... Esta minha prima tem uma casa aqui perto e disse não ter problemas em abrigá-las até conseguirem encontrar outro lugar. Ela esta desesperada por ajuda, e garotas jovens como vocês, com amplas habilidades, são perfeitas.”
“Foi para lá que levaram Elisa?” –Alexa perguntou.
Margô a olhou, seu sorriso carinhoso e inocente desapareceu. Ela umedeceu os lábios e levantou uma sobrancelha.
“Sim. Elisa foi para lá também. Ela escolheu ir ao invés de ficar, agora está recomeçando sua vida, como vocês recomeçaram as suas.”
“Se escolhermos ir, iremos quando?”
“Ótima pergunta. Minha prima passará aqui hoje a noite. Ela me trará uniformes novos e em troca levará vocês.”
“Como eu sei que não esta mentindo?” –Meg olhou para Alexa e depois para Margô.
“Querida, vocês precisam acreditar para o bem de vocês. É isto ou ir para a rua. E deveriam agradecer por eu tentar ajuda-las.” –Ela sorriu.
“Se você diz que é o melhor, que iremos ter uma nova vida, e que Elisa está lá” –Alexa olhou para Meg e segurou sua mão- “Então eu acredito, e aceito sua proposta.”
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