A Equina — ANIMALIA

3 Capítulo II: Beco Street Animal


Notas iniciais
Hello darlings, venho agradecer à todos que comentaram no capítulo anterior e espero que vocês estejam gostando. Boa leitura!

Amelie repousava sua cabeça no colo do irmão. James tinha quase certeza de que, Holly achava que aquilo não era o ideal para uma dama, mas tinha que lembrar que os zookanianos tinham uma cultura totalmente diferente das pessoas do Reino Unido. Também sabia que o jeito da garota de ver o mundo colidiria quando chegasse em Zookos. Teria novos amigos e nunca veria os seus pais adotivos.

Holly embarcava em devaneios durante todo o percurso. Seus devaneios eram observando os locais por onde passavam. Ela nunca tivera a oportunidade de ir até aqueles locais sozinha, imaginava James. Padarias, Confeitarias, Tabernas — por mais masculino que fosse o local —, Lojas de roupa e várias outras propriedades. O jovem rei sabia que a garota queria conhecer algo novo, algo fora da sua monótona vida. Parecia que a saída de Londres e à ida para Zookos seria sua concretização.

James parecia entretido com um livro de Edgar Allan Poe, a história que James estava lendo era um conto um tanto misterioso. Falava sobre o amor incondicional de um gato para com seu dono, porém nem tudo são rosas e o dono do gato acaba lhe matando enforcado. James era um devorador de livros, era como um alimento para ele, não para o corpo e sim para a alma.

Um barulho de explosão fez a atenção dos jovens se voltarem para a tal. Amelie acordou assustada, seu cabelo estava ligeiramente bagunçado. James parou sua leitura para ver o que tinha acontecido. Holly já estava vidrada na janela da carruagem, então, apenas saiu de seu devaneio e prestou atenção naquela situação.

— O que houve Carter? — James perguntou à um de seus seguranças parrudos.

— Morte — respondeu o segurança.

— Algum problema para nós? — James olhou com certo receio para Carter.

— Aparentemente, não — Carter respondeu.

— Diga para Hilton prosseguir, estamos quase no beco Street Animal — ordenou James.

— O que houve Jim? — perguntou Amelie, sonolenta.

— Nada que nos afete — afirmou James.

— A explosão veio da nossa direita. Pelo o caminho que estamos tomando, acho que iremos ir direto para lá — avisou Holly, receosa.

— Não seja pessimista Holly. Nós vamos conseguir. Vamos conseguir — contestou Amelie.

— Senhor Dauphinhorse — gritou Oliver, o segundo segurança —, temos companhia.

James não pareceu surpreso.

— Kopoidos, eu presumo — afirmou ele.

— Está enganado. São os caçadores — corrigiu Carter.

— Isso significa que? — questionou Holly.

— Que vamos lutar — respondeu o garoto.

— Solicita o livro do Rei, senhor Dauphinhorse? — perguntou Oliver.

— Entregue-me o livro, Oliver. Algumas cabeças vão rolar — disse James, com um sorriso sádico no rosto.

James escutou Holly murmurar algo, mas não soube ao certo o que era. Ele tirou com delicadeza a cabeça de Amelie de seu colo e sussurrou em seu ouvido.

— É melhor ficar atenta. Vamos ter que lutar minha princesa.

— Já Jim? — perguntou Amelie, com certa manha.

— Já Amelie, agora por favor, pegue seu anel. Ele está dentro da caixa junto com o Livro do Rei — murmurou James.

— Certo. — disse Amelie, por fim, se levantando.

— Vocês vão lutar e eu faço o que? — Holly estava prestes a ofendê-los, mas acabou maneirando.

— Você pode usar meu antigo anel Dauphinhorse. Você tem sangue dos Dauphinhorse, ficou óbvio quando conseguiu controlar aquele cavalo. Use-o com cautela — disse James, sorridente. — Amelie pode ensiná-la o básico sobre o uso do anel?

— Posso maninho — respondeu Amelie, com certo desgosto.

— Senhor Dauphinhorse, aqui está — disse Oliver. Ele tinha aberto a janela entre a àrea do cocheiro e o interior da carruagem e estava estendendo um grande livro com uma caixa de prata em cima.

— Obrigado Oliver. — James sorriu para o criado. A caixa se encaixou perfeitamente em suas mãos, ele mal havia tocado a caixa quando Amelie retirou da sua mão, rudemente; quase o grande livro caíra sobre o pé de James, apenas seu reflexo impecável evitara a situação.

— Calma Amelie. O inimigo são os caçadores e não eu — disse o garoto, com certo sarcasmo. Ele não pareceu ofendido com a ação da irmã.

— Eu estou calma, mas sabe que minha calma alterna com a pressa. — A garota fez um som gutural bem parecido com um muxoxo, mas tinha certa manha como de costume. Amelie abriu a caixa exibindo dois belos anéis. Tinham um padrão um tanto curioso, sua armação era de prata que se estendia até o topo, onde havia uma cara de um cavalo. A única diferença era que um anel tinha uma pedra de água marinha no olho do cavalo e o outro tinha uma pedra de safira azul escuro no olho do cavalo. Amelie pegou o que tinha a pedra de safira azul e entregou para Holly. Holly colocou o belo anel em seu dedo anelar, Amelie pensava que o anel não caberia, mas acabou cabendo perfeitamente. Desgostosa, a garota dos cabelos negros pegou o anel que havia sobrado e colocou em seu dedo.

— É lindo — disse Holly, admirando o anel.

— Lindo e mortal — acrescentou James.

— Você não presta Jim — falou Amelie, dando um leve soco no ombro de James.

— Antes de irmos, tenho uma pergunta. Se os anéis são a fonte de poder de vocês, como James vai conseguir usufruir de tal poder? — Holly perguntou, um pouco desorientada.

— Simples. Quando ascendemos ao trono, ganhamos a benção de Animalion. Consequentemente, temos a benção até o fim do nosso reinado, ou seja, até a morte — explicou James.

— Principe James? Os cavalos pararam. Hora de lutar — avisou Hilton, o cocheiro.

James abriu a porta da carruagem e antes de descer fez um comentário.

— Eu diria para as damas irem primeiro, mas acho que nessa ocasião, seria um ato de covardia. Então, depois de mim, as damas.

A agilidade de James era incrível; ele desceu da carruagem com um único salto. Os seus seguranças tiveram que dar uma ajuda para as damas — Holly e Amelie — descerem, ninguém consegue andar direito com aqueles vestidos.

Amelie começou a ir em direção dos caçadores, tinham que ter cuidado. Muitas vezes, usavam arco e flecha; algo potencialmente perigoso para eles. Amelie olhou para Holly e sorriu.

— Vamos lá. Primeiro, você tem que pensar no que fazer. Pessoas inexperientes como você costumam receber uma espécie de treinamento com uma folha com as conjurações, mas é básico. Como é inexperiente, deve conseguir fazer conjurações elementais e levitar as coisas. É bem básico, mesmo. Apenas se concentre no que quer fazer e sinta, sinta como já tivesse feito aquilo um dia. Esse é o truque. Espero que estejamos entendidas — explicou ela à Holly.

Holly assentiu com cabeça, iria acrescentar algo, mas um grito que irrompeu em meio ao caos, acabou lhe interrompendo.

— AGORA! — gritou alguém no meio do fogo. Várias flechas douradas foram lançadas contra os três jovens, elas estavam à centímetros de seus peitos e faces quando James com um movimento da mão e uma pronúncia em hindi fez com que as flechas parassem.

— Pagu bana! — gritou ele com fervor. As flechas pararam ao ar e caíram ao chão.

James pensava no quão incrível o cargo que ele tinha; apesar de ser trabalhoso, ser príncipe regente de Zookos era simplesmente, uma maravilha. Podia usar os feitiços mais bem guardados desde a criação de Zookos, isso era mais do que um prêmio; era uma vida.

Alguns caçadores vestindo preto e com o lendário símbolo deles — uma espécie de triângulo com um corte em seu interior e envolto por um quadrado negro que também era envolto por um círculo esverdeado — estampado no peito do uniforme, começaram a avançar para cima dos jovens. Amelie não mediu esforços para agir; um dos caçadores, meio desequilibrado e baixinho trazia uma tocha, a garota utilizou aquilo como meio de ataque. Ela se concentrou fazendo toda a energia do fogo se voltar contra os caçadores. Seus uniformes começaram a queimar assim que entraram em contato com o fogo manipulado por Amelie.

— Vai ficar aí parada Holly? — perguntou Amelie, com certo rancor.

— Não quero lhe atrapalhar — disse Holly.

— Não tenha medo. Aja — ordenou Amelie. Holly sentiu uma pontada de raiva por ela ter dito aquilo, mas ignorou o fato. Ela avançou mais à frente e girou seu anel; um dos caçadores do grupo que estava na sua frente gritou. Um grito de dor, Holly havia quebrado seu pescoço, com um simples giro do anel. James olhou para ela estupefato, nunca tinha visto alguém fazer isso sem experiência alguma.

Um dos caçadores gritou algo em uma língua ininteligível para James; parecia uma mistura do russo com o hindi e um toque bem ao fundo do inglês. Ele sorriu para os jovens, um sorriso sarcástico e medonho. Uma flecha irrompeu do caos e dessa vez tocou o chão; não era uma flecha normal e sim, uma flecha de fumaça. A fumaça era grande e os jovens mal conseguiam respirar. A sorte deles foi James lembrar da página do grande livro do feitiço de aspiração. Ele executou o feitiço com destreza, toda a fumaça foi sugada pelos anéis Dauphinhorse e o efeito era de que o mesmo acontecera com os caçadores, todos haviam sumido restava apenas caos e fogo.

— Sabe como são as autoridades daqui não sabe, senhor Dauphinhorse? Acho melhor irmos embora — informou Oliver.

— Meu caro Oliver, agora percebi onde estamos. Isso tudo foi uma cilada. O beco Street Animal está entre as chamas. Só há um jeito de passarmos. Amelie lembra de uma vez quando éramos pequenos e mamãe criou uma espécie de bolha para atravessar as chamas? É isso que iremos fazer — disse James. — E Holly ajude Amelie com a bolha, você tem um grande potencial.

— Obrigada — disse Holly, corada.

— Isso está pior do que aqueles romances de Charles Dickens, Jim — zombou Amelie.

James ignorou o comentário infame de Amelie e prosseguiu para dentro da carruagem, junto as damas.

James observou Amelie e Holly colocando os anéis lado à lado. Uma vivacidade irrompeu a carruagem. Era como se estivesse dentro de um grande aquário, porém respirando. Hilton deu partida com os cavalos. O príncipe viu o fogo se afastar ao tocar a bolha, ele se contraía para não ser afetado pela tal.

A carruagem parou com a porta para o beco Street Animal. James e as damas desceram da carruagem e olharam para o beco; frio e sem saída.

— É aqui o caminho para Zookos? — perguntou Holly, abismada.

— Tenha calma, bela dama — disse Oliver após sair da área do cocheiro.

Hilton deu partida novamente nos cavalos e irrompeu saindo dali. Holly olhou para James com certa confusão. James sabia que ela tinha muitas perguntas e estava disposto à respondê-las.

— Por que ele foi embora? — a garota perguntou.

— Hilton não é zookaniano. Ele não pode entrar no nosso território — explicou James.

— Se não é zookaniano, então, ele é o que? — Holly insistia em perguntar.

— Um Chrigon. Uma espécie mercenária que serve os Zookanianos desde sempre. A única exigência deles é um zuki por ano e conforto.

— Pronto pra atravessar, senhor? — perguntou Carter.

— Prontíssimo, mas irei por último. Quero instruir a senhorita Holly — disse James em resposta.

— Então, irei junto com meu irmão Oliver. Até Zookos — afirmou Carter.

— Até. — James acenou antes de Oliver e Carter se transfigurarem em duas belas águias. James notou a surpresa de Holly quando as duas águias sumiram ao tocar a parede. Para James era de se esperar, já tinha visto os seguranças se transfigurarem em águia em outras ocasiões e também sabia que os seguranças faziam parte da família Cornflowereagle.

— Sua vez Amelie — disse James.

— Certo Jim, até Zookos. — Amelie assentiu para o irmão. Ela se posicionou bem a frente e começou a transfigurar-se ao final do processo, era uma bela Equina. Ela trotou de forma majestosa e atravessou a parede.

— Por que temos que nos transfigurar para passar? — Holly perguntou.

— Antigamente, quando usavamos portais simples. Houve algumas invasões de caçadores, então, resolvemos mudar o método. Agora, a magia está regulada para aceitar apenas transfigurados — explicou James. — Agora se concentre e libere seu lado animalia. Libere ele.

— Eu vou tentar — prometeu Holly.

James segurou sua mão com força e fechou os olhos junto à ela. Sentiu o seu lado animalia lhe invadir e deixou. Deixou que se tornasse real. Ele abriu os olhos e viu que estava transfigurado assim como Holly estava. A forma animalia de Holly era diferente da sua, enquanto ele era um cavalo negro, ela tinha a pelagem branca. Como o pecado e a divindade. Como o amor e o ódio. Como a vida e a morte. Holly trotou, trotou como mais cedo na Arena. De uma forma majestosa, eles atravessaram o portal; simultaneamente.

Notas finais
O que acharam, meus queridos leitores? Deixem seus reviews/comentários. Até o próximo capítulo e beijos animalios!