A Dor Nos Une

11 Capítulo XI – Razões


Notas iniciais
Boa leitura, minna!

Capítulo XI – Razões

Temari esperou até ouvir Kankuro entrar em seu quarto e fechar a porta antes de subir as escadas. Ela não sabia se Gaara realmente estava ou não em casa, mas ela decidiu que qualquer que seja o caso, seria estúpido tentar se aproximar dele agora. Se ele realmente quisesse algo dela, ele poderia vir até ela. E com Kankuro lá e já percebendo mais do que ela teria gostado que ele percebesse, ela não queria ser visto em qualquer lugar perto do quarto de Gaara ou do próprio Gaara. Então, ela decidiu arriscar desagradar potencialmente seu irmão mais novo e foi para seu quarto imediatamente e permaneceu lá.

Quando Temari acordou na manhã seguinte, ela não viu qualquer indicação de que seu quarto tinha sido de alguma forma invadido e então ela se convenceu de que Gaara não veio até ela durante a noite. Ela tomou banho e se arrumou com suas usuais roupas, mas ela não se atreveu a sair de seu quarto até ouvir a porta do quarto, que pertencia a Kankuro, se abrir, seguido pelo som dos passos familiares que desciam as escadas. Com medo de um novo confronto, Temari esperou até o momento em que ela achou que ele já havia saído de casa e então ela se deixou sair de seu quarto, mas em vez de descer, ela foi direto para o quarto de Gaara.

Quando ela estava na frente de sua porta, ela não sabia por que ela estava fazendo isso. Agora, já havia se passado dois dias e ela nem sabia se ele ainda queria que ela voltasse. Mas havia algo mais que a obrigou a ir até ele, algo que a obrigou a procurar por aquela proximidade de antes. Mesmo que ela nunca fosse admitir isso para si mesma, nas profundezas de sua consciência, ela havia percebido o que aquele convite tinha significado. No entanto, ela ainda queria aquela conexão que era tão errada, tão antinatural e tão completamente doente que nada mais poderia se comparar com isso.

Quaisquer que sejam as razões, momentos depois Temari estava batendo na porta de Gaara. Se ele estivesse lá, ele estava escondendo seu chakra, porque ela não podia sentir a sua presença. Ela esperou por alguns instantes, incerta. Ela tinha quase decidido que ele deveria estar fora, quando a porta se abriu de repente para revelar Gaara. Seus olhos se encontraram e a pergunta que ela iria fazer morreu em seus lábios. A expressão dele revelava a resposta sem a necessidade de palavras e era quase o suficiente para fazer Temari se virar e fugir. Seria inútil, ela sabia que ele iria pegá-la e provavelmente matá-la por causa da tentativa. Em vez disso, ela simplesmente adentrou o quarto quando ele se afastou para deixá-la passar.

Estava escuro como sempre, as cortinas puxadas sobre as janelas, bloqueando toda a luz. Quando a porta se fechou atrás dela, Temari teve a súbita sensação de estar preso no covil de um monstro. O sentimento cresceu exponencialmente quando ela sentiu a areia envolveu-se ao redor dela em um movimento tão rápido e suave que ela não teve tempo de reagir antes de estar presa com as costas contra a parede do quarto. A areia cercou seus pulsos, abrindo os braços amplamente e fixando-os na parede, em seguida, procedeu para restringir seus tornozelos também. Gaara não estava nem olhando para sua irmã, enquanto ela lutava inutilmente contra suas restrições. Continuou de costas para ela, caminhando em direção a sua cama.

Ele sentou-se na beira da cama lentamente antes de, finalmente, olhar para ela. Os olhos de Temari mostravam seu pânico quando suas tentativas de escapar da aderência da areia acalmaram-se sob o olhar penetrante de Gaara. Presa de tal forma contra a parede, ela irresistivelmente se lembrou de contos antigos sobre virgens sacrificadas ao demônio, a fim de salvar sua aldeia.

– O que você está fazendo? – Temari perguntou com pânico mal disfarçado enquanto tentava discernir a expressão de Gaara através da escuridão.

– O que você quer que eu faça, Temari? – ele respondeu preguicosamente, sua mão se estendendo em direção a ela, os dedos se contraindo levemente, fazendo trilhas de areia rastejar até as pernas dela.

– Eu... Eu não sei... – ela respondeu com a voz trêmula, estremecendo involuntariamente com a sensação áspera em sua pele. A sensação era distintamente desagradável e Temari cerrou os dentes para impedir-se de mostrar sua repulsa.

– Então, talvez eu devesse apenas matá-la – ele afirmou indiferentemente, obrigando a areia a ir mais para cima, enrolando-se preguiçosamente ao redor dos joelhos dela.

– Não! – Temari respondeu imediatamente, os olhos se arregalando de medo.

– Por que não? – Gaara perguntou calmamente, outro empurrão de sua mão impulsionando a areia para cima e fazendo-a deslizar sob a saia de Temari.

Ela ficou sem palavras, o movimento dos grânulos contra sua pele estava distraindo seus pensamentos já dispersos. Que resposta que ela poderia dar que seria remotamente aceitável? Apenas alguns dias atrás, ele tinha a coagido a pedir-lhe para matá-la. Que argumento ela poderia criar agora para mostrar que ele deveria de fato fazer o contrário? Gaara não parecia disposto a esperar até ela recolher seus pensamentos quando ele moveu a mão de novo, fazendo com que a areia começasse a cortar através da roupa de Temari. Isso provocou um suspiro alto de sua irmã e uma resposta que foi ainda menos satisfatória do que o seu silêncio.

– Porque... Eu sou sua irmã.

O pânico a impedia de pensar em qualquer coisa melhor, mas ela soube imediatamente que esta resposta estava longe de ser bom o suficiente. Os dedos de Gaara se contraíram mais uma vez e Temari gritou quando uma longa espiral de areia criou um corte profundo em sua coxa e imediatamente fez um fluxo de sangue escorrer sobre sua perna.

– Resposta errada – Gaara disse friamente.

A areia subiu mais alto e os restos esfarrapados da saia de Temari caíram no chão.

– Porque eu te amo?

Suas palavras foram muito menos incertas desta vez e ela percebeu tarde demais que esta incerteza, provavelmente, o faria pensar que ela estava mentindo. A mão dele moveu novamente. Extraindo outro grito dela, a areia cortou através de sua barriga, logo acima da ferida de seu último treino.

– Tente outra vez – Gaara chiou.

Temari permaneceu em silêncio enquanto a areia continuava a destruir suas roupas, Gaara olhava com aparente desinteresse enquanto a blusa foi facilmente rasgada. Lágrimas brotaram nos olhos de Temari quando a areia começou a cortar simultaneamente através do pano em torno de seus seios e sua calcinha, descuidadamente dilacerando sua pele ao mesmo tempo. Em poucos segundos, ela ficou completamente exposta, nua sob o olhar frio do irmão, com apenas hitai-ate inútil restando em seu corpo. A sensação da areia ainda deslizando ao longo de sua pele misturada com o calor do sangue escorrendo, fazia Temari estremecer involuntariamente.

– Porque você não tem nenhuma razão para me matar – ela murmurou desesperadamente.

Gaara simplesmente zombou, dando a essa afirmação nenhum reconhecimento quando ele permitiu que a areia fizesse um corte ao longo de seu esterno, provocando mais um grito de protesto de sua irmã. Temari podia ver a mão dele se mover em uníssono com a areia que deslizava ao longo de seu corpo, traçando suas curvas, como se ele a estivesse tocando. Ela só podia assistir em horror e em silêncio enquanto a raspagem contínua da areia fazia sua pele arrepiar mesmo enquanto ela lutava para esconder seu desconforto. Ela sabia que demonstrar medo ou tentar lutar só iria enfurecer Gaara e, em seguida, ele teria todos os motivos para cumprir sua ameaça. Mas, ao mesmo tempo, ela não tinha ideia do que ela poderia dizer para detê-lo, quando ela nem sequer sabia o que ele estava pensando ou o que havia mudado seu humor em primeiro lugar.

– Porque eu posso te dar algo que ninguém mais pode – Temari sussurrou desesperadamente, realmente não acreditando que isso importasse agora.

Ela não pôde reprimir o suspiro de surpresa quando Gaara apareceu de repente na frente dela, em um redemoinho de areia. O arranhão em sua pele foi abruptamente substituído pelo toque de seus dedos, com o rosto tão perto que seu nariz roçou contra a dela. Temari estremeceu com a reação espontânea que seu toque trouxe, apesar de seu medo crescente.

– Como o quê? – ele respirou contra ela. – Tudo que eu quero é a morte.

– Nande? – Temari suspirou.

– É tudo o que eu conheço – Gaara respondeu com fervor súbito. – É a única coisa que me faz sentir vivo.

A voz dela morreu em sua garganta quando as mãos de seu irmão se moviam graciosamente por trás de seu pescoço, desvinculando com cuidado incomum seu hitai-ate antes de lançá-lo para o lado, no chão. Temari se perguntou por que ele destruiu tudo, menos aquilo, por que ele mostrava cuidado com este símbolo que ela poderia dizer que tinha certeza de que não havia significado algum para ele, e por que ele se daria o trabalho de preservá-lo, se ele pretendia matá-la.

– Há outras coisas que podem fazer você se sinta vivo – ela conseguiu dizer, finalmente, vacilando instintivamente enquanto as mãos dele percorriam os cortes que sua areia tinha feito nos seios e na barriga dela.

– Como o quê? – ele perguntou de novo, agora, o desespero em sua voz.

– E o sangue? – Temari sussurrou, com medo de trazer o assunto em questão, mas não encontrando qualquer outra resposta que ela estava cognitivamente capaz de lidar, no momento.

– Não é o suficiente – Gaara quase rosnou, enquanto seus dedos manchavam a pele dela com o líquido vermelho. Ele inclinou-se em direção a ela, seus lábios se movendo contra sua bochecha. – Eu quero mais. Eu quero a sua vida.

– Mas se você me matar, você não terá nada – ela respondeu, tentando impedir seu tom de voz de se tornar suplicante.

– O que eu tenho agora? – ele perguntou cuidadosamente, quase como se a questão não fosse realmente dirigida a ela.

Sua boca se moveu para o pescoço dela, os lábios roçando a linha latejante de sua veia, sentindo a pulsação frenética. Suas mãos deslizaram através de seu corpo, não mais parecendo procurar as feridas, simplesmente deslizando ao longo de sua pele, sondando, explorando, sentindo. Ela teria dito que o toque era suave, se não fosse a maneira descuidada e individual com que ele acariciava seus seios e coxas. Ela não se atreveu a protestar. Eles haviam atravessado muitas linhas já e tentar detê-lo agora seria inútil, tanto quanto perigoso. Ainda assim, ela não estava preparada para enfrentar as implicações de suas ações, nem suas perguntas.

– O que você quer? – Temari perguntou com um ligeiro tremor.

– Tudo – Gaara sussurrou em seu ouvido, de repente suas mãos pressionando em seus quadris, as unhas cravando-se na pele.

– Gaara... – Temari chamou baixinho. – Me solte. Eu não vou fugir.

– Você não pode fugir, Temari – ele respondeu, ainda respirando em seu pescoço, uma mão subindo para deslizar ao longo de seu braço estendido. – Eu vou matar você, se você tentar fugir.

– Isso quer dizer que você não vai me matar se eu não fizer isso? – ela perguntou com cautela, ousando contrariá-lo.

Gaara se afastou para olhar para ela, seus dedos traçando ao longo da areia envolvida em torno do pulso dela. Ele inclinou a cabeça para o lado um pouco, considerando-a um momento.

– Isso depende – disse ele finalmente.

– Do que? – Temari perguntou, sua respiração engatando quando ela o viu sorrir com escárnio e maldade.

– Mostre-me o que mais pode fazer com que eu me sinta vivo – Gaara declarou simplesmente.

– Nani? – a voz dela veio como um suspiro. – Eu já permiti que você fizesse mais do que qualquer outra pessoa em seu perfeito juízo teria permitido. Não é o suficiente?

– Eu disse que não é – ele rosnou, a agressividade evidente em seu tom.

– O que mais você quer? – ela quase gritou.

O olhar predatório nos olhos dele a fez se arrepender imediatamente da questão e ela esperou pela resposta inevitável, mas a única resposta que obteve foi a mão de Gaara traçando um caminho para sua perna, deslizando para acaricias sua coxa. Temari tomou fôlego, as lágrimas que permaneciam em seus olhos, agora, começaram a deslizar pelo seu rosto. Ela não conseguia parar o tremor que atravessou seu corpo enquanto os dedos de seu irmão arrastavam-se lentamente ao longo de sua coxa.

– Naze? – ela respirou. – Você não pode querer isso.

Ela viu o sorriso maligno lentamente se espalhar nos lábios dele, distorcendo suas feições. Seus dentes estavam à mostra, o brilho demoníaco nos olhos atestando para a insanidade dele.

– Porque quero ver a dor em seus olhos – ele murmurou, sua voz suave como uma carícia, fazendo as palavras soarem ainda mais depravadas. – Eu quero ver você quebrar.

Tudo o que ele disse há poucos dias voltou para ela como uma onda de lembranças desconexas e seus olhos se arregalaram quando as peças se encaixaram. Ela havia caído em direto em sua armadilha. Ele a levou até este ponto, feito-a se curvar diante a sua vontade com quase nenhum esforço. Ela tinha vindo até ele, lhe ofereceu tudo, e agora havia apenas uma coisa que restava para ele tomar e ele queria isso também. Ele não deixaria nada para que ela pudesse dizer que era dela, somente dela.

– Não! – desta vez, ela gritou, o grito estridente reverberando pelas paredes e ressoando seu desespero. – Você não pode. Isso é errado, isso é tão errado...

O som que Gaara fez quase poderia ter sido uma risada. Suas unhas se enterraram nas coxas dela, a outra mão levantando para descansar contra o pescoço delicado.

– Minha existência é errada – ele disse friamente.

– Eu sou sua irmã – ela argumentou desesperadamente.

– Eu nunca pensei em você como uma irmã – Gaara respondeu com a indiferença de costume, a frase tão bem ensaiada, que saiu de seus lábios automaticamente.

Temari estremeceu quando os dedos dele cercaram lentamente seu pescoço, não o bastante para restringir a respiração, mas o suficiente para mostrar que ela não tinha nenhuma chance de escapar.

– O que você vai fazer? – ela perguntou amargamente. – Você vai...

– Não – ele sussurrou, interrompendo-a imediatamente. Inclinou-se perto o suficiente para deixá-la sentir seus lábios se movendo contra os dela. – Eu vou fazer você implorar. Você vai querer isso tanto quanto você ira querer que eu te mate depois.

Temari não podia conter seu soluço angustiado, o som parecendo ecoar sem parar na sala. Ela não tinha certeza do que a incomodava mais — o que, obviamente, seu irmão pretendia fazer com ela ou com o fato de que ele queria que ela desejasse sua própria morte depois. Ela não fez nenhuma tentativa de lutar contra ele quando os dedos de Gaara se moveram para seu queixo, inclinando o rosto dela lentamente. Ela não pôde deixar de saltar de surpresa quando ela sentiu a língua contra sua bochecha, provando suas lágrimas, um sibilo baixo escapando de sua garganta.

– Por favor – ela murmurou a palavra, fazendo apenas o menor do ruído.

– Por favor, o quê? – Gaara sussurrou, virando a cabeça novamente para correr a língua ao longo da outra bochecha dela.

– Por favor, me solta... Ototou – Temari murmurou, apertando as mãos em punhos, tentando bloquear a sensação da língua contra sua pele, a mão acariciando sua coxa.

– Se é isso que você quer...

O sussurro só registrou na mente dela quando ele já tinha se afastado, seu hálito quente ainda persistente contra sua pele. A areia caiu abruptamente, soltando-a e permitindo que seus braços caíssem para os lados antes de ela sequer perceber que ela estava livre. Temari olhou para Gaara em confusão, muito perdida para sequer tentar pensar no que fazer agora. A única coisa que ela conseguia entender era a insanidade dessa situação — nua na frente de seu irmão mais novo, com toda força de vontade que ela tinha para se obrigar a parar de tremer, a ordem dele ainda pairava no ar como uma ameaça terrível. Ela teria dado qualquer coisa para fazer este pesadelo desaparecer.

Gaara ficou imóvel, olhando para ela de braços cruzados, quase cautelosamente. O silêncio parecia se estender para sempre. Temari se perguntou se ele estava testando ela, esperando para ver se ela iria correr. Ocorreu-lhe que esta era provavelmente a única chance de escapar. Ela queria que ele parasse, ela queria poder sair dessa situação. Qualquer outra pessoa teria corrido há muito tempo. Mas mesmo ela estremecendo com a ideia do resultado inevitável se ela permanecesse lá, ela sabia que não poderia sair dali e voltar ao que era antes, quando ele nunca falava com ela, nunca reconhecia sua existência. Com Gaara, não parecia haver qualquer meio feliz. Era tudo ou nada, sim ou não. E ela tinha que fazer esta escolha impossível, e tinha que fazer rápido.

– Eu disse que não iria correr – Temari disse, finalmente, se só para acabar com o momento de tensão, de adiar a decisão pelo tempo que fosse possível.

– Por que eu deveria me importar? – Gaara respondeu, de repente frio, odioso. – Por que eu deveria quero qualquer coisa de você?

Temari não tinha resposta para isso. Ela mordeu o lábio, levantando a mão trêmula na direção dele, não inteiramente certa do que ela estava tentando fazer ou como ela queria que ele reagisse. Gaara apenas observou enquanto ela estendeu a mão para o ombro mais uma vez. Mas quando seus dedos estavam milímetros de tocá-lo, ele deu mais um passo para trás. Temari deixou escapar um soluço suave e deixou sua mão cair para o lado, abaixando a cabeça e olhando para o chão.

– Por que você quer me tocar? – ele perguntou, estreitando os olhos.

– Você é meu irmão mais novo – Temari respondeu, olhando para ele. – E eu nunca sequer te toquei.

– Eu não preciso da sua pena – Gaara disse com desprezo.

– Não é pena – ela sussurrou através de suas tentativas fúteis de sufocar as lágrimas. – Eu te amo.

– Você ama? – ele perguntou sarcasticamente.

Temari não conseguia encontrar voz para responder. Quando ela olhou para cima, um minuto depois, o meio-sorriso de escárnio, meio-sorriso malicioso no rosto dele mostrava que ele tinha tomado o seu silêncio como negação. Ela engoliu em seco, sem saber o que fazer. Palavras não significavam nada para ele, ele simplesmente não acreditaria nela — especialmente agora. Mas ela não podia se imaginar fazendo o que ele estava pedindo. Era muito, muito errado. Havia muitas consequências devastadoras que ela estava totalmente despreparada para lidar. Temari pensou que a única possibilidade de conciliar isso, era mostrar-lhe que ela se preocupava com ele como uma irmã, que poderiam ser uma família, apesar de tudo o que havia acontecido. Respirando fundo para se firmar e obrigando-se a ignorar o seu corpo exposto, ela deu um passo para frente e estendeu a mão para ele novamente.

– Por favor – disse ela em voz baixa. – Deixe-me...

Gaara não respondeu, mas ainda sim se manteve parado enquanto Temari se aproximava mais. Depois do que pareceu séculos, os dedos finalmente roçaram o ombro dele. Ela viu os olhos dele se estreitarem imediatamente, mas desta vez ele não fez nenhum movimento para impedi-la. Temari respirou fundo antes de se mover em direção a ele e, lentamente, permitir que seus braços cautelosamente envolvessem ao redor dos ombros dele. Ela só exalou a respiração que estava segurando depois que ele já estava envolto em seu abraço, o corpo dela pressionado contra o peito dele, a roupa esfregando grosseiramente contra sua pele nua, seu rosto descansava um pouco abaixo do ombro dele. De alguma forma, isso não a fazia se sentir melhor. Ele estava rígido, inflexível, completamente indiferente à tentativa de afeto da parte da irmã. Estar tão perto parecia apenas acentuar a distância entre eles, apontando sua alienação, sua frieza em relação a ela.

Temari podia sentir seu corpo tremendo, o soluço aparentemente inevitável escapou de sua garganta novamente. Foi diferente quando ele tinha “abraçado-a”. Quando ele havia feito isso, não tinha sido um gesto vazio, aquilo significava alguma coisa. Havia uma conexão entre eles, não importava o quando doentio era. Ela sabia que deveria ser forte, agir como uma irmã mais velha deveria agir — dar a ele orientação, apoio. Mas o que ela poderia fazer, quando ele era nitidamente desinteressado em qualquer coisa que ela estava disposta a oferecer, quando ele não parecia se importar nem um pouco sobre como ela se sentia em relação a ele? Inconscientemente Temari encontrou-se desejando a intimidade dos momentos anteriores que passara com ele.

– Por favor, Gaara – ela sussurrou, sua voz abafada enquanto ela escondia o rosto no peito dele, odiando-se por tentar encontrar compaixão na indiferença do ruivo. – Apenas me abrace.

A velocidade com que os braços dele se fecharam em volta dela surpreendeu-a, fazendo-a ofegar instintivamente. Ela deveria ter esperado sentir os dedos dele traçando-lhe a espinha dorsal, a boca pressionando contra seu pescoço, mas ela se chocou mais ainda, quando sentiu o sorriso maligno e malicioso se formar nos lábios dele enquanto ele chiava contra sua pele, suas palavras cortando através de sua consciência como uma lâmina afiada.

– Eu disse que faria você implorar.

07/05/14