A Dor Nos Une

1 Capítulo I – As Ferramentas de Sunagakure


Notas iniciais
Boa leitura!

Capítulo I – As Ferramentas de Sunagakure

Gaara ficou no meio do deserto com seus irmãos a alguns passos atrás dele. Seus braços estavam cruzados sobre o peito, o rosto passivo como sempre, embora seus olhos revelassem o ódio intenso e a sede de sangue que estava dominando sua mente. Não era a primeira missão de rank-B dos irmãos. Era uma missão de assassinato. Eles tinham que matar um grupo de cinco shinobis que tentavam fugir de Suna após terem atacado alguns moradores comuns da vila. A missão era originalmente classificada como A, mas assim que a equipe de Gaara foi atribuída à missão, ela era reclassificada. Temari e Kankuro sempre se ressentiram as classificações das missões que o Kazekage designava quando se tratava de sua equipe. As missões eram sempre mais fáceis para Gaara, e o Kazekage as classificava como subalternas para que não lhes dessem muito credito. Eles também suspeitavam de que ele queria que fosse como se ele não estivesse enviando seus filhos em missões que eram muito avançadas para a classificação deles.

Gaara nunca parecia se importar com isso, ou pelo menos ele nunca expressou qualquer pensamento sobre o assunto. Ele havia feito várias missões com seus irmãos até o momento, e elas sempre eram fáceis para ele. Ou ele não percebia ou não se importava com a quantidade de estresse que estas missões colocavam em seus irmãos, e a quantidade de treinamento que eles tinham de se submeter em uma tentativa inútil de manter-se ao nível do irmão menor. Gaara particularmente nunca se importou por ser designado ao time de seus irmãos. Seus sentimentos por eles eram os mesmos que os seus sentimentos para com todo mundo — de ódio e indiferença. Ele nunca os viu como irmãos. Na verdade, ele amplamente ignorava as existências deles por completo. Ele era forçado a viver com eles, mas passava pouco tempo em casa, já que ele nunca se permitia dormir. A única vantagem que ele dava aos seus irmãos é que ele avisava que iria matá-los se eles entrassem em seu caminho.

Durante as missões, ele nunca se preocupou com a segurança deles. Ele nunca precisava deles, ele mal tinha consciência de presença deles ali. Sua areia era o suficiente para destruir tudo o que viesse em seu caminho. E as únicas missões sua equipe recebeu foram aqueles onde matar era necessário de uma forma ou de outra. A aldeia só sabia que matar era a única coisa em que Gaara era bom. Enquanto em missões, seus irmãos simplesmente ficavam para trás e tentavam evitar se machucar enquanto Gaara obliterava seus oponentes com um simples aperto de mão. As únicas vezes que ele lhes permitiu participar da batalha foi quando os adversários eram fracos demais para ele se preocupa. Gaara nunca teve de se preocupar com a sua segurança, e se ele se sentisse entediado com a luta ele poderia simplesmente recuar e assistir. Ele nunca tinha sido ferido, nem mesmo um arranhão ou uma partícula de sujeira em suas roupas, enquanto Temari e Kankuro tinham até agora conseguido se safar apenas com ferimentos leves.

Esta missão não foi diferente. Eles haviam facilmente apanhado seus alvos, usando a habilidade de Gaara para encontrar qualquer coisa ou qualquer pessoa no deserto. E agora Gaara ficou com os braços cruzados sobre o peito, a areia giravam em torno dele, ao mesmo tempo bloqueando todos os ataques que vinham em sua direção e ir em direção aos seus oponentes. Temari estava usando seu leque e Kankuro seus fantoches apenas para desviar os ataques que iam em direção a eles. Desta vez foi mais difícil para eles evitar lesões, já que o número de adversários era maior do que eles geralmente enfrentavam e também suas habilidades eram maiores do que as dos dois irmãos. Gaara, inconsciente da luta de seus irmãos, estava brincando com seus oponentes. Ele nunca tinha tido a chance de matar tantas pessoas de uma só vez antes e ele estava gostando da experiência. Ele permitiu que sua areia cercasse a um shinobi de cada vez, apertando sua mão o suficiente para esmagar seus ossos e fazer sangue escorrer para fora das rachaduras em suas peles — mas não o suficiente para matá-los.

Gaara estava distraído quando de repente ouviu um grito feminino de trás dele. Seus adversários eram todos do sexo masculino e por um momento que ele não conseguia entender de onde havia saído aquele grito. Ele fez uma pausa, como se estivesse analisando o som, lentamente, lembrando que seus "companheiros" estavam com ele. Enquanto a areia continuava a desviar os ataques que vinham para ele sem qualquer esforço consciente de Gaara. Ele virou a cabeça para trás lentamente, vendo Temari se agachando no chão. A loira segurava o ombro e ele podia ver um fluxo constante de vermelho escarlate escorrendo entre os dedos dela. Gaara a observou por um momento. Havia algo de estranho em vê-la sangrar, com o rosto contorcido de dor. Lentamente, Gaara se virou para os seus adversários. Havia apenas dois sobrando que ainda podiam se mover livremente. Ele estendeu a mão na direção deles.

– Sabaku Kyu – veio a voz fria, forçando a areia a cercar os outros dois shinobi ao mesmo tempo. Gaara assistiu-os lutar por um momento, saboreando seus gritos antes de apertar a sua mão. – Sabaku Sousou.

Os dois corpos sem vida caíram no chão. Gaara voltou seu olhar cheio de intenções assassinas para os três restantes, que imediatamente começaram a gritar, ao ver o destino de seus companheiros. Os dois comandos foram repetidos sem piedade por Gaara, nunca dando aos sobreviventes à chance de lutar enquanto a areia esmagou seus corpos irreconhecíveis. Antes mesmo dos corpos caírem no chão, Gaara se virou e a areia cheia de sangue correu de volta para sua cabaça.

Ele ficou parado, seu olhar fixo em Temari que ainda estava ajoelhada no chão. Kankuro tinha chegado até ela e estava verificando sua ferida enquanto Temari fazia uma careta de dor. Os olhos de Gaara se estreitaram, observando o fluxo de sangue. Mesmo estando a poucos metros de distância, ele podia sentir o cheiro de seu perfume, ouvir os batimentos cardíacos bombeando o líquido espesso para fora do corpo. Parecia um pouco diferente a partir do sangue que ele tinha visto antes. Havia quase algo doce sobre isso.

Lentamente Gaara se aproximou seus irmãos. Eles não haviam notado seu olhar intenso até o momento em que ele ficou apenas um passo longe deles. Temari suspirou quando ela olhou para cima, seus olhos encontrando os de Gaara. A expressão em seu rosto era ilegível, como sempre, os olhos ainda brilhando com a sede de sangue provocada pela luta. Gaara permaneceu imóvel enquanto Kankuro colocava o braço de Temari em torno de seus ombros, para ajudá-la a se apoiar. Ambos os irmãos estavam visivelmente abalados pela proximidade de Gaara, mas eles estavam com medo de dizer qualquer coisa para ele.

Gaara continuou a olhar para Temari, enquanto ela se levantava. Seus olhos moveram a atenção de seu rosto para a ferida em seu ombro. Ele inclinou um pouco a cabeça para o lado quando ele olhou para o sangue que continuava a pingar sobre a pele exposta. Seus irmãos permaneceram em pé no mesmo lugar, com medo de se mover, sem saber das intenções de Gaara. Depois do que pareceu uma eternidade, Gaara, finalmente, passou por seus irmãos, voltando na direção da aldeia, sem se preocupar em perguntar se precisavam de ajuda ou até mesmo se Temari seria capaz de andar. Os dois trocaram um olhar preocupado antes de começarem a seguir seu irmão mais novo, Temari ainda apoiada no ombro do Kankuro.

Quando voltaram para a aldeia, Gaara desapareceu. Ele nunca ia encontrar o Kazekage após as missões, e ele só recebia suas ordens indiretamente através de Baki ou de seus irmãos. Ele evitava qualquer contato com o pai. Kankuro levou Temari para o hospital antes de ir para o escritório do Kazekage para dar o relatório da missão. Ele deixou de fora o estranho comportamento de Gaara no final da missão, sabendo que não faria diferença. Dizendo-lhe algo que o faria se preocupar ainda mais sobre a existência de Gaara não beneficiaria ninguém.

Enquanto isso Temari estava deitado na cama do hospital. Seu ferimento foi curado e enfaixado. Quando ela olhou para o teto, ela não parava de pensar sobre a expressão de Gaara quando ele olhou para ela. Foi algo estranho. Ele nunca olhou para ela dessa forma antes. Na verdade, ele raramente olhava para ela. Ele nunca parecia se importar com sua existência. Por que ele agiu dessa maneira desta vez?

Será que de repende, ele estaria preocupado com segurança da irmã? Ele matou todos os shinobi imediatamente depois de ter visto que ela havia se ferido. Mas Gaara era mesmo capaz de se preocupar com alguém?

Temari franziu a testa, seus pensamentos confusos, incapaz de compreender o que aconteceu. Ela decidiu que provavelmente estava analisando a situação demais. O mais provável é que Gaara estava simplesmente despertado pelo sangue da ferida de Temari. Isso provavelmente não tinha nada a ver com ela.

Enquanto Temari relaxava em sua cama, ela nunca percebeu Gaara sentado em um telhado, oposto de seu quarto, enquanto observava-a pela janela. Ele olhou para ela com os olhos indiferentes, sua boca se contorceu em uma pequena careta. Ele realmente nunca tinha notado antes. Ela cresceu, ela se tornou uma mulher. Ela já não era a menininha que ficava ao lado do pai, escondendo-se dele como todas as outras crianças da aldeia. Algo nela parecia diferente. Gaara sabia que ela ainda tinha medo dele assim como ela sempre tinha sido. Mas ela não recuou quando ele ficou na frente dela mais cedo nesse dia. Ele se perguntava se caso ela não estava ferida, será que ela teria fugido dele?

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Temari estremeceu desconfortavelmente, a inconsciente sensação de que ela estava sendo observada. Seu olhar se voltou para a janela. Olhando para fora, viu apenas um último piso vazio e uma lua distante brilhando no céu da meia-noite.

No dia seguinte, Kankuro veio visitar Temari no hospital. Ele puxou uma cadeira ao lado da cama, sentando-se com um leve franzido no rosto. A porta estava fechada. Ele olhou para fora da janela para se certificar de que não havia ninguém lá.

– Então, o que você acha que aconteceu com Gaara? – ele perguntou em voz baixa.

Temari sentou-se lentamente, sustentando seu peso em seus travesseiros e encostado na cabeceira da cama. Ela suspirou enquanto olhava para Kankuro.

– Eu não tenho ideia – respondeu finalmente. – Eu fiquei pensando sobre isso a noite toda. A única coisa que posso presumir é que ele estava apenas olhando para o sangue.

– Eu também pensei nessa hipótese – Kankuro respondeu. – Mas ele parecia estranho. Mais estranho do que o normal, quero dizer. Ele não costuma olhar para suas vítimas desse jeito.

– Bem, não é como se ele estivesse me atacando – Temari comentou pensativa. – Talvez seja por isso que pareceu diferente.

– Talvez – Kankuro respondeu hesitante. – Mas ainda tenho calafrios quando ele está tão perto.

– Eu não consigo evitar em pensar... – Temari disse calmamente. – Como seriam as coisas se tivéssemos sido mais gentis com ele quando ele estava crescendo.

– Por quê? – o garoto perguntou surpreso. – Você de repente esta se sentindo culpada?

Temari deu de ombros.

– Você não acha que é errado que seus próprios irmãos fiquem apavorados com a sua presença? – ela questionou.

– Temari, não comece – Kankuro respondeu com firmeza. – Você sabe que ele não tem qualquer preocupação com nós. Ele nos mataria tão facilmente como qualquer outra pessoa, se acontecesse de entrarmos em seu caminho.

– Eu sei – respondeu com um suspiro. – Eu acho que isso só me deixa chateada.

– Nós não escolhemos isso. Não é como se quiséssemos que isso acontecesse – Kankuro encolheu o ombro. – Não é culpa nossa.

Temari balançou a cabeça com resignação, sabendo que essa conversa era inútil. Kankuro estava certo, eles não tinham escolha nestes eventos. Quando eles ainda eram crianças pequenas, de repente, se viram com um irmão bebê que nasceu com uma besta dentro dele, ao mesmo tempo em que tiveram sua mãe roubada deles. No começo eles começaram a ressentir-se com ele, porque ele era o filho preferido, aquele que recebia toda a atenção e todos os mimos. Eles nunca tiveram a chance de passar um tempo com ele, porque ele estava sempre treinando com o Kazekage, ou deixado sozinho em seu quarto cheio de brinquedos, enquanto eles eram orientados por seu tio e por outros a deixá-lo sozinho.

Mas quando ele completou seis anos, as coisas de repente mudaram. Todo mundo começou a perceber que Gaara não tinha controle sobre Shukaku. Kankuro e Temari foram avisados ​​para ficar longe de seu irmão mais novo. Kankuro e Temari nunca tiveram a chance de desenvolver qualquer tipo de relação com o seu irmão mais novo, e pelo tempo em que ele ficou livre de ser observado pelos olhos atentos de seus muitos servos, ele se tornou um monstro que vivia apenas para matar. Eles começaram a temê-lo verdadeiramente, ficar longe dele não apenas porque eles eram ordenados, mas porque eles estavam com medo de perder suas vidas sempre que ele estava por perto, mas isso era o que alimentava a raiva de Gaara.

Havia sido um choque para eles quando lhes disseram que formaria uma equipe com Gaara. Temari e Kankuro foram escolhidos como seus companheiros de equipe na esperança de que ele seria mais atencioso para com eles e não iria matá-los imediatamente quando eles chegassem muito perto. Isso mostrava o quão pouco o Kazekage entendia seu filho mais novo. Gaara só matava aqueles que por uma razão ou outra estavam em seu caminho, ou aqueles que despertavam o seu interesse por serem fortes. Não teria feito nenhuma diferença quem estava em sua equipe, desde que eles soubessem que deveriam ficar para trás e não chamarem a atenção para si mesmos.

Seus irmãos conheciam Gaara o suficiente para nunca se opor a ele e nunca falar discutir com ele, tentando o máximo possível para se misturar com o plano de fundo e nunca dar-lhe uma razão para querer matá-los. Embora Kankuro às vezes perdesse a paciência, esquecendo o perigo e tentando afirmar sua autoridade sobre Gaara como seu irmão mais velho, Temari sempre foi capaz de detê-lo antes que ele fosse longe demais. Ela divagava desculpas apressadas para Gaara por ambos, ela e Kankuro, e Gaara sempre foi embora em silêncio, nunca reconhecendo suas palavras.

Temari e Kankuro tinham crescido acostumado a viver em constante medo. Tinham vivido com Gaara, e agora eles tinham que trabalhar ao lado dele. Embora pareça que Gaara não iria matá-los sem motivo, Gaara era instável e imprevisível. Ninguém realmente sabia se um dia ele iria liberar a besta dentro de si e destruir toda a vila. Seus irmãos perceberam que a qualquer momento as suas vidas poderiam ser encerradas por um capricho de Gaara, e eles tinham sido forçados a aceitar esse fato, sabendo que não tinha escolha no assunto. Parecia uma existência patética, mas como um shinobi criado na impiedosa Sunagakure, não poderiam esperar nada mais.

Temari se acomodou nos travesseiros enquanto ela e seu irmão caíram em um silêncio pesado, aparentemente pensando a mesma coisa. Ninguém jamais poderia compreender verdadeiramente Gaara. Ninguém poderia saber o que poderia ter sido se eles tivessem agido de forma diferente. Gaara era um Jinchuuriki, ele era um monstro, e eles estavam presos com a sua existência até que ele ou alguém escolheu acabar com suas vidas.

14/02/14

Notas finais
Espero que gostem do capítulo! Este é bem leve e não muito detalhado, mas o próximo é melhor! Digam-me o que acharam... Se alguém realmente gostou. (=