A Dominação De Lâminas

13 All this bad blood here, won't you let it dry?


Notas iniciais
Oe, cap mais curtinho e com uma escrita mais diferente (?) bem, pelo menos eu vi a diferença xD Meus amores, estou indo para a praia nesse exato momento e respondo as reviews depois (eu gosto de respondê-las quando posto um novo cap pra vocês ficarem cientes que eu postei) Bem, aproveitem. Obrigada ♥

A Dominação de Lâminas

Katarina abriu seu olho direito com tremenda dificuldade, sua visão era embaçada e estava totalmente desnorteada. Não enxergava muita coisa devido à escuridão, mas mesmo assim tudo girava, como se ela estivesse em carrossel. Quando o atordoamento passou – depois de alguns minutos – percebeu sua posição. Estava jogava no chão de seu quarto, estirada no tapete. Os flashbacks do dia anterior confundiram a sua mente e a dor no corpo a atingiu como um raio. Ela chegara à mansão e seu pai torturara-a, não era a primeira vez que Du Couteau fazia aquilo, mas cada tapa começava a ser mais dolorido que o anterior. Lembrava-se de quando ele a soltara e como correra até seu quarto, ele veio atrás de si com passos calmos e a empurrara contra estante de seu quarto.

Passou a mão por sua testa e sentiu o sangue seco. Levantou-se com muita dificuldade, seu pé fraquejou, mas se apoiou nos joelhos ralados. Estava mancando e tateava a parede como forma de suporte. Passou pela porta do quarto de Talon, ela estava entre aberta. Katarina encostou, e com o seu olho direito espiou por ela. Seu peso voltou contra si e sentiu seu estômago revirar. Aquele vazio a vez se contorcer de dor, sua boca salivou enquanto sentia muita sede. Não comia nada há dois dias. Mas tudo foi esquecido por alguns segundos quando viu Talon beijando sua empregada. Ele a prensava contra parede e Mirian tinha a face ruborizada. Mal se podia ver o rosto dele, mas aquela silhueta era lhe familiar demais. Algo veio até a boca, e sangue foi cuspido no chão. Talon a olhou como se estivesse surpreso, e um sorriso sínico estava para nascer em seus lábios. As pernas de Katarina falharam e ameaçou cair, porém se segurou na estante igual a que ela tinha batido a cabeça. Quando se afirmou, levantou a cabeça e ainda só com o olho direito aberto, olhou para a lâmpada, buscando fôlego.

– Fico desacordada por um dia e você já me troca. – Ela debochou com uma voz que era para ser irônica, mas saiu mais magoada do que ela queria. Tentava se equilibrar em duas pernas, não aguentava seu peso e a sua fome era tamanha. – Se bem que cães deveriam ficar com cadelas.

– Senhorita Katarina, eu posso expli– Mirian foi interrompida pela gargalhada que Katarina dera, era claro que aquele olhar era de uma fúria incontrolável, mas a única coisa que ela poderia fazer era rir de sua desgraça.

– Você não vai a matar só por cau– Talon foi interrompido.

– É perca de tempo dar atenção para cães. – Ela novamente interrompeu e retirou a mão da base da estante. Com a cabeça ainda erguida, saiu do quarto sem mancar ou sem se apoiar em nada. Conseguiu ir até o corredor, mas depois caiu no piso branco, e via as gotas de sangue que escorriam por seus joelhos. Retirou a camisa azul de Talon e a jogou longe com raiva. Mas antes de ver onde ela caíra, a escuridão tomou conta da visão de seu olho direito e foi abraçada pelo sono.

O olho direito foi aberto, Katarina sentiu uma mão nas suas costas e em seu braço, logo depois vendo as pupilas castanhas de Talon.

– NÃO ME TOQUE COM ESSAS MÃOS IMPURAS! – Ela berrou e se afastou até bater com o pé de sua cama. Ele a estranhou, vendo o orbe verde reprimindo lágrimas.

– Katarina? – Uma lágrima solitária escorreu por seu olho direito apenas de ouvir seu nome ser pronunciado por ele. Começou a tossir e a vontade de vomitar estava dominando seu ser, porém não havia nada em seu estômago. Talon viu as gotas de sangue que saíam dos lábios vermelhos e em um movimento rápido, a abraçou.

Ela se debatia e o socava com suas mãos fracas. Cuspiu o restante de saliva misturado com sangue que ainda restava em sua boca e Talon a soltou. Ela se levantou e correu para o banheiro, passou a chave com velocidade, e sentou-se contra a porta. Viu a banheira e foi engatinhando até ela. Quando ligou a torneira, viu o gaze branco sobre seu olho esquerdo, era por isso que não conseguia ver. O retirou com calma e viu o seu fracasso. Bem ali, estampado na sua cara – literalmente. Enquanto via a banheira enchendo, sentiu uma vontade absurda de chorar. Mas estava cansada de lágrimas, estava cansada de como elas molhavam a sua face e estava cansada de sua fraqueza em chorar por tudo. Parecia que tudo estava conspirando contra ela: O fracasso da primeira missão, seu pai lhe batendo, Talon beijando sua empregada. Tudo isso estava desgastando com seu ser, mas tudo tinha uma explicação e consequência lógica: Fracassou porque realmente acreditou que conseguiria matar tanto o general, quanto o soldado demaciano. E isso resultou o maltrato de seu pai, soltou tudo aquilo que estava preso na garganta desde o dia que descobrira os planos dele com sua própria mãe. Sua própria mãe! A mulher que lhe deu a vida – mesmo sendo fútil – não merecia tal enganação! Não merecia ser enganada por seu pai, não merecia o que aquela família de sádicos lhe proporcionava! E Talon... Uma questão que há muito tempo era tão forte, mas ao mesmo tempo fraca, se tornou algo revoltante. Revoltante porque era ela que Talon deveria querer, e não uma merdinha de empregada.

Só que olhando a água enchendo, Katarina não tinha ideia de como sua cabeça estava errada. Não tinha ideia que aquilo tudo que aconteceu com Talon e Mirian era apenas um sonho criado por sua própria imaginação. Talvez no fundo, ela quisesse que ela mesma fosse tudo para o subordinado de seu pai. Talvez no fundo, aqueles beijos tenham se tornado algo mais. Algo que ela não estava preparada emocionalmente para lidar. Algo que até talvez ela nunca tenha sentido. Não era fácil fazer uma assassina se apaixonar. E sim, apaixonar era a palavra que ela tanto reprimia – mesmo sem saber – em sua mente conturbada. Se apaixonara, no máximo, duas vezes em dezoito anos. E essas duas paixonites foram todas influenciadas por sua adorável mãe, que não queria de jeito nenhum que sua filha se tornasse igual o pai. Porém, mesmo com a proteção radical, Katarina se tornou o que é: a cópia de seu pai. É claro que Marcus Du Couteau é rígido ao extremo e não é tão fraco como Katarina, mas os desejos são os mesmos. As loucuras feitas só pelo prazer de ver uma pessoa sofrer era o pequeno laço que os unia, o que mais tardar uniria ela também a Talon. Só que essa tristeza marcada em seu corpo não era característica dela. Ela podia muito bem ficar sofrendo por tudo o que aconteceu nesse curto tempo de espaço, mas Katarina acreditava que não deveria lamentar o passado. Mas também não deveria deixá-lo apenas nas lembranças.

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Talon estava frente a frente com Marcus Du Couteau. O general o encarava com um certo brilho divertido, misturado com um brilho curioso, como se quisesse saber quais seriam seus próximos passos. E isso, sem dúvida, interessava muito ao general. Em sua opinião, as presas que apareceram na sua frente no dia anterior, eram presas que precisavam ser muito bem cuidadas. Que precisavam ser muito bem moldadas. Marcus Du Couteau não olhava Talon com raiva ou com desprezo pela missão falha, mas olhava-o como um gavião olha para uma cobra. Du Couteau sempre tivera um fascínio enorme por aquele garoto que estava na sua frente. O general se via nele. Desde quando ele tinha vinte e um anos, e queria apenas matar tudo. É claro que ele não era pobre, e claro que tinha família. Mas, a mesma ânsia compartilhada por todos os assassinos sádicos os juntam, os fazem parecer ao mesmo tempo igual e diferente.

– Du Couteau, sei que interferi na batalha de Katarina e que as instruções dadas eram de apenas observá-la e trazê-la sã e salva, portanto, perdão. Mas se eu não interferisse, ela talvez estivesse morta. – Talon por fim declarou, enquanto sua saliva descia seca por sua garganta.

– Os erros de Katarina pertencem somente a ela, Talon. – O primeiro sorriso do escritório foi dado, não era falso ou alegre, era apenas um sorriso de satisfação: Marcus via a si próprio. – Mas eu que deveria pedir desculpas por bater em minha filha, não é?

– Você sabe quais as decisões a se tomar.

– Agradeço por essa frase, Talon. Às vezes você é muito gentil. – A risada divertida saiu, e o ambiente tenso foi, finalmente, descontraído.

– Realmente, só às vezes. – Ele riu junto, uma risada gostosa que Talon só conseguia dar na presença do general. Marcus se levantou e sentou em sua mesa, mais perto de Talon.

– Talon, eu sei que é complicado, mas vocês irão partir em outra missão. E essa sim, é extremamente confidencial.

– Outra missão, general?

– Sim, eu vou passar os detalhes para você e para Katarina quando ela melhorar. – Ele se levantou e andou até a sua estante com os livros. Colocou a mão no queixo, e procurava por algum livro. Depois de quase um minuto, ele levantou a sobrancelha e suspirou aliviado. Pegou um livro de capa dura verde musgo e entregou a Talon. – Dê isso a ela, e diga que a Cass vai voltar amanhã pela manhã.

– Sim, senhor.

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Katarina estava na banheira fazia quase uma hora. Seu cabelo era preso em um coque feito com grampos e seu olho esquerdo estava aberto. Enxergava nitidamente e parecia que o corte não havia deixado sequelas – físicas. Tinha visto a mudança de iluminação do ambiente no seu quarto e depois no banheiro, mas também havia voltado para o quarto depois que Talon saíra. Ela não queria o encontrar de jeito nenhum, não queria saber como deveria ser os olhos dele desejando outra mulher. Não queria saber o quão quente ele deveria estar enquanto beijava sua empregada. E não queria saber qual era o som que ele fazia ao pé do ouvido dela. Talvez esse último fosse apenas destinado à Katarina, e era isso exatamente o que ela queria. Ela queria sair de perto daquele a usava como se não fosse nada, queria manter muita distância daquilo que ela chamava de ‘manipulação.’ Manipulação porque foi tudo muito fácil, ela assim declarou quando parou para pensar em tudo. O companheirismo estava totalmente presente, mas tinha algo mais picante ali no meio dos dois, e aquilo era o desejo. Um corpo sedento pelo outro, só que Katarina não levava apenas para o lado do corpo. Ela tinha seus valores e seus conceitos.

Foi quando viu a porta abrindo, ficou alguns segundos perplexa com o que acabara de ver: a porta se abrindo. Poderia ter falado que era algum espírito ou fantasma – até o de sua mãe – mas era apenas ela se esquecendo de trancar. E quando viu a silhueta familiar, berrou socorro que poderia ser ouvido até do casebre onde ficava o arsenal. Como não queria ver Talon, afundou seu rosto na água, cruzando os braços sobre os seios submersos e pressionando as coxas uma contra a outra. Ela não veria ele, e ele não veria seu corpo. Mas a única coisa que aconteceu foi um pequeno estalo no chão, como se alguma coisa fosse colocada ali. Quando ouviu a porta se fechar novamente, levantou-se rápido da banheira e mesmo molhada – e com um perigo grande de escorregar – foi ver o que era. Mas a única coisa que encontrou foi a detalhada capa verde musgo, com letras douradas e cheiro de mofo. Era o seu livro favorito. E quando o pegou, um pequeno papel caiu, sendo molhado pelo chão com a água que escorria de seu corpo.

“Cassiopeia volta de Freljord amanhã de manhã,

quero você melhor.”

A primeira informação em si não a abateu em nada, mas a segunda lhe fez parar de respirar por alguns segundos. E também se preocupou com o modo com que ele se comunicou. Ele entrou sem dizer uma palavra e saiu assim, igual uma sombra. Seu coração batia mais forte e sua respiração era descompassa. Só que Katarina não sabia se isso era bom ou ruim.

Notas finais
It's been cold for years, won't you let it lie? (8)