A Dominação De Lâminas
15 Would you help me to carry the stone?
Notas iniciais
A Dominação de Lâminas
Um grande silêncio se formou no ambiente. Talon assim como o general prendeu a respiração, esperando a reação de Katarina. Ela olhou bem nos olhos de Marcus, como se quisesse arrancar o coração dele com as mãos. Talon sentiu um frio na espinha só de presenciar aquele olhar, e ficou feliz por não ser dirigido a ele. Antes que qualquer um fizesse movimentos, da porta entrou uma mulher de estatura mediana e cheia. Ela tinha diversas ruga e a pele branca era flácida, e seus cabelos grisalhos denunciavam a velhice. Sua face foi de espanto imediato ao ver todo o sangue no chão. Mas sua reação não foi como a expressão de uma pessoal normal. Ela apenas entrou desviando dos membros e ajoelhou-se ao lado de Cassiopeia, olhando Marcus em um tom de reprovação.
– Governanta Haydée, meus perdões por esse incomodo. – Marcus falou indo até Katarina e retirando a pastas de suas mãos.
– Não há de ser desculpar, Marcus. — Ela lhe respondeu seco. Talon ergueu as sobrancelhas ao perceber que aquela não era uma criada comum, havia certa intimidade entre os dois. – Já limpei muitas das suas sujeiras.
– General Du Couteau. – Katarina falou em um tom indecifrável, mas Talon percebeu o leve tom venenoso em seus lábios. – Irá me explicar quando?
– Se você esperar a limpeza. – Marcus disse olhando Haydée que retribuía o olhar desapontada.
– Eles não tem tempo para isso, pai. – Cassiopeia falou ainda com uma voz chorosa.
– Anda, general. Pegue o material e venha comigo. – A voz de Katarina foi fria como uma lâmina, não olhou nos olhos de Talon nem de ninguém. Andou entre os corpos com mastreia e parou ao lado de Talon. – Você também, cão.
– Eu não irei obedecer alguém que não segue ordens! – Marcus disse em voz alta, quase gritando.
– E eu não vou ficar aqui sentindo o cheiro dos mortos! — Mentiu com uma resposta rápida. Katarina não se importava de ficar ali no meio daquela sala que fora pintada de vermelho, a verdade era que queria ficar longe de qualquer contato com o general, mas aquilo não poderia ser feito uma vez que sua curiosidade havia se inflamado.
– Vejo que não é a sádica que todos pensam.
– Melhor do que matar a própria mulher! — Ela retrucou enquanto o fuzilava seu pai com os olhos. Sentiu uma mão tocar seu ombro e a tensão do seu corpo passou no mesmo momento. Olhou para aquela mão fria e com os dedos longos, se contraiu e ficou mais tensa ao reconhecer a mão de Talon, a retirou com estupidez enquanto saía do escritório.
– Katarina sempre consegue o que quer. — Marcus falou antes de lançar um último olhar para Cassiopeia. — Haydée, cuide da Cass. Vamos, Talon.
Os dois saíram atrás de Katarina em silêncio. Talon andava tentando entender tudo o que havia acabado de acontecer. Recapitulou as informações digeridas, Cassiopeia se transformara em uma espécie de serpente, Katarina e ela tinha uma irmã e essa era a nova missão. Tentou ligar os pontos, sabia que havia uma ligação com essa transformação bizarra de Cassiopeia. Sentiu dó da jovem, ela era tão bonita e parecia progredir tanto como a prostituta da casa Du Couteau. E pensou também na pilha que Katarina deveria estar, tinha que falar com ela antes que ela explodisse.
Eles seguiram até um quarto no primeiro andar da mansão, era um típico porão com direito a teias de aranha e tudo mais. Havia uma lâmpada solitária que os iluminava e moveis cheios de pó. Um deles era uma mesa que tinha as rotas dos mares e atrás dela, um mapa de Valoran na parede.
– Pode começar explicando. – Pegou a pasta amarela da mão de Marcus e a jogou na mesa, fazendo o pó levantar. Ouviu Talon tossir e lhe olhou rapidamente com um olhar que poderia ser até considerado preocupado naquelas circunstancias.
– Explicarei a missão de vocês dois e depois façam as perguntas que quiserem. — O general falou abrindo a gaveta da mesa e pegando uma caneta vermelha grossa. – O objetivo é chegar a tribo Nivic. Não é uma das tribos das três irmãs, mas não deixa se ser uma tribo freljordiana. Sim, irão para Freljord. Seguiram o caminho das montanhas Ironspike, passarão pelo rio Serpentina e pelo pântano Howling¹. Não terão facilidade de lutar com a neve começando a cair mais intensamente nessa época. Quero apenas que retirem Claire Yvori da casa principal, a casa Nortidks. Dez anos, branca de cabelos pretos e olhos azuis. Não deve ser muito difícil convencê-la a vir. – Ele riscou com a caneta o mapa do trajeto. Abriu a pasta e deu uma cópia da foto de Claire Yvori para cada um. Pegou uma folha dobrada e a abriu, estendendo um mapa em cima das rotas. — Ele é o mapa junto com a planta da casa. Nesse quarto isolado é que vocês querem chegar. Claire é trancada lá dentro. São cinquenta soldados armados e revestidos com armaduras da cabeça aos pés. Vocês não querem lutar contra eles, serão massacrados caso isso aconteça. Quero que usem roupas quentes e que dêem para vocês escaparem sem dificuldade. Irão utilizar um transporte peculiar. Espero que saibam cavalgar. Na ida terão uma pausa a noite em um hotel – Oudin Hotel –, e na volta não terão tanta sorte e farão uma viagem de dez horas. A missão de vocês é trazer Claire Yvori para o território noxiano sã e salva.
– Eu me recuso! – Katarina protestou assim que Marcus acabara de falar. – Você me enganou a vida toda. Escondeu de mim que eu tenho uma... irmã! Como eu vou confiar em você?
– Essa não é questão, Katarina. Eu não sabia que tinha outra filha até o Alto Comando me falar. Essa também é uma missão a mandato do Estado e você como um boa soldada irá executar!
– Caso o contrário serei dada como traidora? – Ela riu. – Quero ouvir sua história com Alba Yvori antes de dizer o meu não.
– Certo. — Marcus engoliu seco e começou a andar em círculos pelo porão. – Há quase onze anos eu fui para Freljord como um diplomata noxiano. Fiquei... Uma semana, no máximo naquelas terras gélidas. Me lembro exatamente de cada casa, de cada árvore, de cada pessoa. Mas, foi assim que eu cheguei lá, conheci uma bela mulher. Não me leve a mal, o casamento com Venina já estava mais do que fracassado e não foi fácil resistir aos encantos daquela bela mulher. – Ele riu amargamente, se lembrando de como Alba Yvori era. Os cabelos platinados eram iguais a neve, a pele branca era tão fria e os olhos tão azuis, tão vivos. – Ela nunca foi algo que houvesse muita importância, sendo sincero. Foi apenas um caso, não houve promessas perdidas ou até mesmo esperança, tanto que Alba Yvori era casada. – Ele por fim declarou, olhando Talon, esperando que ele entendesse o que ele dizia. – Agora quero que vá para Freljord e encare isso apenas como um resgate, e não como um desaforo para seus valores, Katarina.
– Colocar meus valores de lado? Eu não consigo deixar tal ofensa de lado, isso sim. Eu não suporto ser um pau mandado, ou até mesmo um fantoche!
– Não se trata de você, Katarina! O mundo não gira ao seu redor e você melhor do que ninguém sabe disso! Agora, amadureça e se porte como uma Du Couteau, caso contrário você sabe onde fica a porta. – Marcus disse sentiu uma pontada no coração, mas sua raiva foi maior. Saiu pela porta, batendo-a com força e deixando Katarina irada.
– Aceite a missão e não reclama. – Talon falou pela primeira vez em um tom ríspido. – Não se trata só de você. Ou de eu e você. Ou até mesmo de suas irmãs. É uma missão e devemos cumprir.
– Mas que diabos...? – Katarina franziu o cenho e o fitou de braços cruzados.
– Eu não posso dizer que você está brigando com o seu pai por causa de nada, mas deixar que o lado pessoal interfira em uma missão é bem falta de profissionalismo. – Ele também cruzou os braços e a encarou com um olhar irritado.
– Está querendo dizer que não sou uma profissional? – O olhar de Katarina se tornou algo mais raivoso.
– Você pode interpretar como quiser. – Ele olhou novamente a foto de Claire Yvori. – Mas nós vamos trazer essa menina para cá. – Um pouco da raiva de Katarina passou quando ele disse nós. Seus batimentos cardíacos deram uma pequena acelerada, mas Katarina preferiu ignorar. – Pare de ser tão orgulhosa!
– Eu não sou orgulhosa! – Seus batimentos aceleraram mais rápido ainda com o comentário. – Estou apenas me defendendo.
– Você deveria parar antes de acabe com tudo. – Talon disse encerrando a conversa e também saindo do porão.
Katarina engoliu seco, e depois suspirou lembrando da última frase. Odiava ter que admitir, ainda mais nessas circunstancias, mas Talon estava certo. Saiu do porão e foi para seu quarto, deitando em sua cama e processando as informações. Ela tinha uma irmã... Uma irmã! Mais nova que provavelmente nem sabia da existência da família Du Couteau! Ela não sabia se podia confiar em Marcus quando ele dizia que ele não sabia da existência dela, de um homem que mata a mulher grávida pode se esperar tudo. Só que ela não entendia como Cassiopeia entrava na história. É claro que ela também era sua irmã mas... Ela se transformou em metade serpente. Apesar de sempre brigarem, ela não odiava Cassiopeia. Katarina sentiu uma dó tão grande pela irmã que a única coisa que seria capaz de motivá-la a ir era apenas matar o desgraçado que havia a amaldiçoado. Ele me fez fazer um juramento sobre uma espada de serpente era a única frase que a havia motivado. Até que Talon falasse: Você deveria parar antes que acabe com tudo. Ela entendeu rapidamente onde ele queria chegar. Poderia acabar com todo o amor que sentia por seu pai, mesmo não demonstrando esse sentimento nunca. Poderia acabar com tudo que havia entre ela e Cassiopeia, apesar de ter uma enorme barreira que a protegia da irmã, Katarina e ela eram irmãs e ela acreditava que família era algo que deveria suportar. Poderia acabar com algo que nem havia começado: Claire Yvori. E poderia acabar com o nós que Talon havia falado. Era realmente aquela hora que ela deveria colocar os pingos nos is e parar de ser tão orgulhosa. Jogou o peso para cima e se levantou, disposta a dar uma chance para algo novo.
Andou até o quarto de Cassiopeia, olhou pela porta entre aberta e a viu fitando o espelho. Algo revirou dentro de Katarina, não era nojo ou algo do tipo, era apenas rancor. Aquilo que parecia mais uma bola de pelo do que saliva ficou entalado na garganta, como palavras que nunca foram ditas. Katarina sabia que era tarde para se desculpar de qualquer coisa que ela tenha feito. Mas, se sentia na obrigação de ir ver como sua irmã estava, apesar de ter algo em sua garganta.
– Já faz um tempo que não piso aqui. – Ela falou batendo na porta. Cassiopeia lhe olhou imediatamente com uma expressão surpresa e Katarina foi até ela, ficando atrás de si enquanto se olhava no espelho.
– De todos nessa casa você é a única que eu esperava não ver aqui. – Ela falava ainda com uma voz de choro.
– Eu... – Aquela maldita coisa em sua garganta prendia suas palavras, não a deixava colocar seus sentimentos para fora. – As coisas estão difíceis aqui, sabe?
– Eu nem imagino como. – Cassiopeia falou seca, mas Katarina sabia que ela não queria ter falado assim.
– É... – Katarina insinuou tocar um dos fios do cabelo de Cassiopeia. Sua mão parou no ar, dobrando seus dedos trêmulos parados a centímetros dos fios.
– Eu não vou te morder, Katarina. – Ela falou com uma voz divertida enquanto tentava sorrir. – Você pode se abrir comigo.
– Eu não acho que seja necessário. – Katarina olhou para sua mão no ar e virou-se para fora novamente.
– Você irá, não é? – Cassiopeia parou de se olhar no espelho e a olhou de um jeito terno. Katarina sentiu uma sensação calorosa em seu corpo, e inevitavelmente sorriu.
– Claro. – Ela continuou andando até a porta e lançou um último olhar a Cassiopeia que voltava atenção ao espelho. – Você ainda é linda. – Ela sussurrou baixo antes de sair, mas Cassiopeia havia escutado e o primeiro sorriso nasceu nos lábios da meio-serpente.
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Não havia sol, mas as roupas que Talon e Katarina usavam os torravam. Katarina estava com uma blusa de gola alta de lã marrom e um sobretudo preto. A calça era uma legging preta revestida de lã e usava uma bota marrom de cano alto. Talon estava vestido de cores escuras, mas não estava todo de preto. A calça era de lã e um cinza escuro, quase preto. A bota era revestida por dentro feita para andar no gelo, usava duas blusas largas e por cima um echarpe verde musgo que o cobria até a barriga. Antes de uma blusa, havia um moletom preto com capuz que lhe escondia os cabelos castanhos.
Olhavam para um cavalo marrom que estava com uma espécie de manta antes da cela, o pobre animal também tinha frio. Talon voltou seu corpo para a mansão e viu Marcus lhe lançando um olhar acolhedor, como se lhe dissesse boa sorte. Olhou para Katarina indo montar no cavalo e não conteve uma risada.
– Não quer que eu comande? – Ele debochou enquanto a via balançar levemente as rédeas do cavalo.
– Não. – Ela parou pra pensar e riu. – Depois nós trocamos. Agora sobe aí. – Talon percebeu que não era um pedido, e sim uma ordem. Pegou a mochila que estava no chão e colocou em suas costas. Subiu no cavalo e olhou para Katarina na sua frente. Ele abriu as duas mãos e as bateu com força na coxa dela, a fazendo dar um pulo. Ele gargalhou quando percebeu que ela estava tensa e retirou a mão, colocando nas próprias coxas.
– Não que eu goste da ideia de ter você atrás de mim. – Ela disse enquanto puxava as rédeas e fazia o cavalo começar a andar.
– Confesso que eu não me importo nenhum pouquinho com essa visão. – Talon disse por fim enquanto olhava a silhueta bem definida de Katarina. Ele só quer o meu corpo, é um tarado! Foram os pensamentos de Katarina antes de ela dar partida para o cavalo ir mais rápido enquanto Talon gargalhava.
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