A Dominação De Lâminas

20 Why do we waste time hiding it inside?


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores! ♥ Ok, atrasei 24 dias, eu acho. Mas... Eu gostei desse cap até. Abri o word e tentei pensar em algo. SIM! O SEGUNDO CAPÍTULO ESCRITO NO WORD! Apesar de eu mesma sentir até um pouco de repugno por isso, já que eu amo o meu caderninho de dragões onde eu escrevo. Acho que todos sabem que os "três pontinhos" que eu coloco são passagens de tempo. Talvez seja desnecessário falar isso, mas é que nesse capítulo eu usei mais do que o normal. Eu estou lendo vários livros onde não há a união de cenas com outras cenas. Antes eu sempre tentava ligar e a minha criatividade ia pro lixo. Agora, que eu aprendi a deixar as coisas um pouco mais 'frias', digamos assim. Gosto disso, apesar de indicar falta de criatividade. Bem... Vamos ao cap em si, não em sua estrutura. É inverno e como nós, meros mortais E brasileiros, não presenciamos a neve. Sim, eu nunca vi neve, e nem sei como deve ser. Eu estou indo pelo meus desejos internos e pelo o que eu leio sobre esse 'efeito'. E nesse inverno noxiano - que não é tão rigoroso quanto o freljordiano óbvio - vai acontecer várias coisas. Eu tenho a minha listinha (^^') de coisas que eu quero que aconteçam durante esse período, e quanto mais eu escrevo, mas coisa aparece. (Ainda bem!) Esse capítulo NÃO estava nos seus planos, foi algo que surgiu do nada só pra complementar a história da Kat com a relação de 'irmãs' em sua antiga lore, vulgo, Claire. Eu sei o que estou fazendo com ela, confiem em mim. :~ Espero que vocês gostem.

A Dominação de Lâminas

A neve continuava caindo incansavelmente. Não havia raios solares ou uma claridade, e Talon não diferenciava a noite do dia. Mas naquele momento em que abrira os olhos, ele não pensou no tempo. Não pensou no frio que fazia, e não pensou em nada além do que havia sido aquela noite. Uma noite que parecia ter sido dedicada somente a ele e Katarina. Não que Talon fosse o tipo de homem romântico, mas com certeza aquela noite havia quebrado correntes que foram colocadas dentro de seu coração há muito tempo.

O olhar de Katarina naquela noite havia sido leve, havia sido tão suave quanto uma pluma deslizando pelo ar. Seus olhos eram uma imensidão verde no qual Talon se perdeu diversas vezes, do qual não conseguia desviar o olhar, como se estivesse hipnotizado. Ele nunca havia olhado por tanto tempo dentro dos olhos de alguém. Katarina havia decifrado cada linha dos olhos castanhos de Talon, ela havia visto lá dentro algo bem mais nobre do que um assassino sádico. Ela viu a corrupção, clara e bem definida, dentro de seu ser. Era como se entrasse em sua pele e sentisse em cada fibra de seu ser, e visse o como era difícil para ele apagar as memórias. Memórias que Katarina saiba que não sairiam nunca.

Ela chegou a conclusão que Talon não era um homem marcado apenas por cicatrizes superficiais, como havia pensado. Havia muito no fundo, e ela olhava dentro do abismo que Talon havia criado. E por alguma razão talvez especial, ela não havia se perdido. Ela não havia se corrompido com ele, só alguém já corrompido para entender o que é a corrupção. Mas a corrupção de Talon veio gradativamente em sua infância, assim como a de Katarina. Ambos não foram necessariamente corrompidos, e sim moldados. Moldados a margem de uma doutrina controversa, onde não há fracos. Mas, seja o que ambos fossem, naquela noite eles tinham se encontrado.

.

.

.

Katarina andava apressadamente pelas ruas noxianas. Com a neve caindo não havia quase ninguém exceto ela, Claire e um Talon mais afastado. Katarina segurava a mão de Claire e quase corria, arrastando a garota junto. O assassino vinha atrás, olhando perdidamente aos flocos que dançavam pelo ar. Seus cabelos castanhos caíam pela sua face e balançavam conforme a brisa gélida passada por si. Não prestava atenção nas duas em sua frente, na verdade, prestar atenção era a única coisa que não havia feito nas últimas seis horas.

Quando Talon acordou, sua cama estava vazia. Mas não que ter a sua cama vazia fosse sinônimo de ter sua alma vazia. Quando seus olhos se abriram e viu lentamente o ambiente em sua volta, não houve pontadas no seu coração, não houve desolações, e sim um alívio. Um alívio porque Talon sabia de sua covardia, ele não sabia como olhar Katarina. Ainda em sua cama, o lençol claro que a governanta Haydée prezava em manter, destacou algo que não propriamente acalmou o mar dentro de si, como também lhe deu uma sensação confortante. Um fio de cabelo vermelho. Aquele fio longo que fazia quase um formato musical em seu travesseiro, quase desvendava seus olhos. Mas Talon não estava preparado para aquilo que viria em um futuro breve.

Lágrimas saíam dos olhos de Claire Yvori enquanto Katarina acelerava os passos. Ela se esforçava para que não largasse a mão gelada da ruiva, mesmo de luvas, Claire conseguia sentir a temperatura amena que Katarina podia lhe proporcionar. Depois de alguns minutos, Claire não conseguia mais ver Talon, a única coisa que via era os fios vermelhos que voavam em sua direção.

– Chegamos! – Katarina parou em frente a uma casa grande de madeira e de aparência velha, olhou para Claire e viu o quão vermelha estava a garota. – Eu corri demais?

– Não... – Claire ruborizou mais ainda. – Eu só não estou acostumada em correr.

– Se quer ser uma Du Couteau, tem que aprender pelo menos isso! – Katarina disse por impulso, e viu Claire morder os lábios. Ela não escolheu isso, foi o pensamento que invadiu a sua mente depois. Mas o que havia sido dito, estava dito. – Talon, eu vou entr– Ela se virou para trás, mas não o viu.

A brisa junto com a nevasca gelou sua espinha, Katarina sentiu o ar faltar por alguns segundos e pensou rápido. Tocou a aldrava, e colocou os dedos na boca. Uma mulher de meia idade saiu na porta e olhou Claire com desdém.

– Esme, eu tenho que ir. – Ela se virou para Claire: — Eu já volto. – Ao dizer isso, correu pela neve.

.

.

.

As pegadas na neve indicavam Katarina para onde ir. Aquele lugar que não tinha nem civilização direito, a deixava atordoada simplesmente pelo fato de ter sido ali onde criara suas piores lembranças. Estavam em um ponto mais afastado de Noxus, onde os habitantes não eram tão hostis quanto os do subterrâneo, mas eram mais rígidos que estes.

Apesar da confiança adquirida, Katarina aprendera a nunca confiar plenamente em qualquer pessoa – Isso valia até para si própria. Talon podia ser o assassino que era, mas ela conseguia o entender em um certo ponto. E depois de muita neve no rosto, e até mesmo alguns escorregões, ela o encontrou. Encostado em um muro caindo aos pedaços, sentindo a neve caindo em seus ombros.

– Por um segundo achei que você tinha fugido. – Ela disse em um tom reprovador ao se aproximar dele, ficando um metro de distância.

– Por que eu fugiria, Miss Du Couteau? – Ele lhe respondeu amargo. Katarina não conseguia ver seus olhos, a franja os cobria.

– Eu me fiz a mesma pergunta.

– Não há outro lugar que eu queira ir. – Ele desencostou do muro. – Estou definitivamente bem confortável na mansão Du Couteau.

– Claire quase perdeu o horário marcado. – Katarina desistira de tentar o olhar, e fixou os olhos verdes na grama coberta de neve.

– Isso não dependia de mim em momento algum.

– É, mas de mim sim. – Ela suspirou. – Eu preciso voltar. – Katarina se virou e saiu andando até a casa de Esme.

.

.

.

Havia se passado vinte minutos, e Katarina estava entediada dentro daquela sala escura. Pelo o que ela conhecia de Esme, não sairiam dali tão cedo. Katarina observava agora atentamente aquela sala, ela não parecia ser tão assustadora desde quando tinha sete anos. Na verdade, aquela sala que tinha bem marcada a presença do vermelho escuro e do marrom, era bem bonita até. Tinha o cheiro de chá de maçã, e o vidro das janelas era pintado de vermelho e amarelo.

Não havia ficado meia hora dentro daquela casa e já saíra à procura do assassino que ela naquela altura já conhecia muito bem. Andou com passos leves e ele continuava no mesmo lugar, encostado no mesmo muro como se as lembranças lhe torturassem. No fundo, Katarina sabia que não saíra da casa porque estava entediada, e sim porque ela precisava vê-lo. Era como se sentisse que Talon estava lhe chamando, como se ele rogasse para não ser deixado sozinho.

– Ainda é de tarde, né? – Ela disse colocando as mãos geladas no bolso do sobretudo. – Eu conheço um café aqui perto.

– Isso é um convite? – Ele se desencostou e a olhou raivoso.

– Uma tentativa. – Ela engoliu seco. Deu um passo a frente e simulou tocar no ombro de Talon. Katarina mesma viu sua força morrer, deixando sua mão parada no ar, como uma vez já havia acontecido. Ela olhou a pele branca quase se misturando com a neve no chão, fechou o punho e olhou friamente para Talon. – Eu posso ficar o dia inteiro nisso, Talon.

– Nisso o quê? – Ele piscou com desdém.

– Posso ficar o dia inteiro inflamando a sua covardia. – Katarina cuspiu as palavras sem dó.

– Eu estou sendo covarde? – Talon riu ironicamente.

– Você está fugindo de mim. – Ela falou quase em um sussurro, como se enfim admitisse uma verdade única.

– Isso é ser covarde? – Ele arqueou uma sobrancelha.

– No meu modo de ver, sim. – Katarina apertou mais seu punho, tentando não demonstrar raiva. – Está fugindo só porque agora eu sei sobre seus medos? Talon, isso é patético!

– Patético é você tentando dar uma de boa menina! Por que diabos trouxe a Claire aqui? Por que diabos foi ontem no meu quarto? Eu não precisava de você! – Ele explodiu.

– Que eu bem me lembre foi você quem apareceu na minha porta como um cão sem dono!

– Porque você foi até lá! Você podia muito bem ter apenas me ignorado como se não fosse nada.

– Assim como você faz com tudo? – Ela engoliu seco com o que acabara de dizer. Fixou o olhar dentro das pupilas castanhas, e suspirou pesado. – E-Eu... Eu... Me desculpe. Aqui não é um bom lugar para discutirmos.

– O que é Esme Bayle? – Depois algum segundos de silêncio, ele perguntou.

– A corrupção em forma humana. – Por fim, declarou.

.

.

.

– Não sou fã de café, Katarina. – Talon disse amargo enquanto entravam em um bar.

– Eu prefiro chocolate quente, mas estamos em Noyon. – Ela se sentou em um banco de couro, e Talon sentou ao seu lado.

– O que essa vila tem de tão importante? – Ele a olhara sem rancor pela primeira vez naquele dia.

– O que Noyon tem de tão importante? – Katarina riu. – Talvez seja porque meu avô nasceu aqui.

– O que tem seu avô nascer aqui?

– É um berço de assassinos. – Ela se virou para o homem atrás do balcão e fez um dois com a mão. – Não confie em alguém dessa vila. Nunca.

– Por que deixou Claire nas mãos de uma assassina?

– A Esme não vai matar a Claire, Talon. – Ela falou isso como se fosse algo óbvio.

– Você mesma disse para não confiar em ninguém, Katarina.

– Esme não colocaria uma corda em seu próprio pescoço, a menos que tenha ficado louca de vez! – Ela falou um pouco alto e riu.

– Você fala dela como se fosse um parente próximo.

– Passei bastante tempo aqui. Conheci muita gente.

– Tinha quantos anos?

– Sete, mas eu fiquei até os meus doze anos vindo para cá. Quando fiz dez anos fiquei bastante tempo, quase um ano. – Ela disse amarga, e o homem trouxe dois cafés médios. – No tempo! Continua com o mesmo processo, Claud?

– Sim. – O homem lhe respondeu seco, e se virou e foi até o balcão, onde desapareceu por uma cortina preta.

– Senti uma hostilidade. Todos os habitantes são frios assim? – Talon tomou um gole do café e fez uma careta. – Quente.

– Queimou sua língua é? – Katarina riu. – Ah, não... Claud tem seus motivos. – Ela cerrou os olhos e riu, tomando um gole também. – Se bem que essa vila ficaria muito bem em você, arrogante e frio.

– Sabe que só sou assim quando você merece.

– Heh! Eu mereci alguma coisa por ontem? – Ela fez um muxoxo. – Você não sabe o quanto... – Ela parou ao sentir sua face ruborizar. – Eu estava com sono ontem. – Concluiu, tentando não deixar escapar as palavras que queriam sair.

– Voltasse para seu quarto. – Ele deu uma risada de lado, percebendo o constrangimento dela.

– Eu não podia... – Katarina sussurrou enquanto tomava mais um café. – Mas Claud tinha uma paixão platônica por mim.

– Por você? – Talon riu nervoso. – Uma paixão platônica? – Sua risada se controlou, e Talon se acalmou.

– É. Uma paixão. Platônica. – Ela cerrou os olhos. – Sabia que a sua risada te entregou, Talon? – Ela tomou mais um pouco de café.

– Me entregou, Kat? – Ele riu sarcástico. – Como?

– Você riu muito rápido. Ficou com ciúmes é? – Ela apertou as bochechas dele.

– Cadê as suas luvas, Katarina? – Talon falou sério.

– Eu não peguei... – Ela desviou o olhar para a ponta dos fios de Talon. Ele, em um movimento rápido, retirou as luvas pretas que usava e deu para Katarina.

– Coloca. – Sua voz foi rouca e dominador.

– Não preciso. – O único erro de Katarina nessa hora foi olhar dentro dos olhos de Talon. As íris castanhas eram intrigantes e intimidadoras, um belo olhar de assassino.

– Coloca, Katarina. – Ele disse novamente e Katarina sentiu um frio na barriga. Colocou as luvas em suas mãos frias delicadamente, e pegou a mão de Talon, entrelaçando seus dedos.

.

.

.

– TALON! PÁRA! – Katarina berrava entre os risos. – TÁ FAZENDO CÓCEGAS!

– Então você desiste? – Ele disse com uma voz rouca ao pé de seu ouvido.

Ambos estavam deitados na grama coberta de neve. Um ao lado do outro, e Katarina atacara uma bola de neve em Talon assim que saíram do café. Apesar de gostar do frio, Katarina não gostava de sentir o contato da neve com a sua pele nua. Talon colocava um montinho de neve na nuca de Katarina quando ela estava distraída. Katarina começava a rir e assim tinha início o derretimento do gelo.

– Pára... Assim não vale. – Ela se arrepiou e riu, virando-se para encostar a cabeça no braço de Talon.

Você está me dizendo que isso não vale? A trapaça em pessoa?

– Heh, eu trapaceira? – Ela agarrou o braço dele, se aproximando cada vez mais.

– Ainda se faz desentendida.

– Se eu confirmar, você para de ficar colocando essa mão gelada na minha nuca?

– Ahn, não. – Ele gargalhou e pegou mais um pouco de neve e colocou na nuca dela.

– EI, PÁRA! – Katarina se sacudiu retirando a neve. – Isso queima! – Ela fez um cara de dó. – Parecemos duas crianças que nunca viram neve.

– Não gosto de neve. – Ele se levantou e olhou para o céu, tentando enxergar a lua que começava a aparecer.

– Não gosta de neve, mas nunca vi você tão espontâneo. – Katarina ainda ficou sentada no chão, olhando para cima e vendo a neve que começava a cair. – Voltou a nevar.

– Tinha parado é? Nem percebi.

– Por que não gosta da neve? – Ela perguntou curiosa.

– Já quase morri de hipotermia. – Talon continuava olhando para a lua como se tentasse encontrar um tempo perdido.

– Adoraria saber essa história. – Ele a olhou quando ela disse isso. O sorriso nos lábios de Katarina deixava claro que saber o porquê de Talon quase morrer de hipotermia não era sua verdadeira intenção.

– Por quê? – Ele se virou novamente para o céu. – Você é sádica.

– E você não é? – Katarina se levantou e em um movimento rápido, abraçou Talon pelas costas. – Diga que você não gosta da neve agora.

– Como consegue fazer isso, Katarina? – Talon sussurrou com uma voz dolorosa. – Isso aconteceu a mesma coisa ontem à noite.

– Isso o quê? – Ela perguntou. Talon se virou rápido e a pegou pela nuca, quase colando os rostos, fazendo ambos não conseguirem desviar o olhar.

– Saber o que está lá dentro. – Katarina ruborizou com o que ele havia falado e um calor tomou conta de si.

– Somos parecidos. – Ela sussurrou constrangida. Talon desviou o olhar e Katarina viu refletido dentro das pupilas castanhas o fogo.

Não era desejo. Não era a vontade pelo corpo dela, ou algo parecido. Era fogo. Katarina demorou alguns segundos para ligar todas as informações, mas quando viu o olhar de Talon sobre ela, teve certeza. Era fogo. Alguma casa estava queimando, e Katarina esperava com todas as suas forças que sua intuição estivesse errada.

Só que a intuição de Katarina nunca errava. E quando os dois correram até o lugar de onde as chamas se espalhavam, ela viu bem nitidamente como a destruição começava com pequenos detalhes. Talon continuava observando a lua, recapitulando todos os acontecimentos daquelas últimas vinte e quatro horas e quase se perdia em pensamentos. Toda sua desolação, toda a sua ira e toda a sua arrogância, eram derretidas por aquela mulher ao seu lado. Aquela mulher que assistia a casa de Esme Bayle pegar fogo. Aquela mulher que havia o consolado durante uma noite inteira. Uma mulher que agora não era mais chamada de garota. Katarina o fazia romper com todos os seus conceitos, com todo aquele mundo – que não era pequeno – do qual ele pertencia. Talon se sentia em um outro universo, como se estivesse oscilando entre a realidade e a fantasia. Mas quando Katarina apertava forte a sua mão, quando ele via as lágrimas que escorriam pelos olhos dela, Talon via: aquela era sua nova realidade.

– Diga o que é isso, Katarina. – Ele disse após longos segundos de dilemas.

Guerra.

Notas finais
Xiiiii...