A Dominação De Lâminas

26 There's a hole in my soul, I can't fill it I can't fill it


Notas iniciais
Oi! Rá! Esse capítulo está pra lá de grande! shaushsauhsusa Confesso que meus dedinhos estão doendo (e o meu pulso também!), mas acho que meu trabalho está feito :> Gostei de escrever o capítulo, e POR FAVOR, CLIQUEM NESSAS DUAS IMAGENS PARA TER UMA NOÇÃO DE COMO É O DAIKI E DE COMO É A MIWA. Daiki: http://galerie.nautiljon.com/05/55/hakuouki_shinsengumi_kitan_409255.jpg Sim, ele é baseado no lindo do Toshizou *_* Eu nunca superei o fim desse anime, na moral. Já a Miwa: http://s1.tsuki-board.net/pics/figure/big/131230.jpg É da Yukiji de Kamisama hajimemashita :D eu achei ela muuuito linda e muito fofa. É só pra ter uma ideia de como imaginar na cabeça. Não consegui pensar nos dois de outra maneira. Entããão... agora fiquem com esse capitulo enorme pra recompensar o atraso!

A Dominação de Lâminas

“General Du Couteau,

Venho por meio de carta dizer-lhe que já estou preparado. Aguardarei sua autorização.

A propósito, eu a trouxe. Não a traria se não estivesse pronto.

O.D.”

Os olhos verdes percorreram as poucas palavras daquela folha de papel. Eram realmente poucas informações para uma carta, mas Katarina sabia que o escondido estaria mais em baixo. Ela tinha que cavar, cavar assim como fizera com Talon. Aquele D era de Daiki, isso ela tinha certeza. O conteúdo sugeria algum tipo de trabalho que aquele traidor ioniano faria para seu pai, porém o mais vago – e mais curioso – era o que ele trazia. Uma nova mulher? Uma arma? Uma estratégia? Ela tentava pensar e raciocinar logicamente com tudo o que ela sabia sobre Daiki O.

Antes de qualquer coisa, ela deveria entregar a carta para seu pai. Mas quando andava pelo salão indo na direção do escritório de Marcus, algo chamou a sua atenção. Ela parou imediatamente e viu Talon dormindo em um dos sofás. A cabeça estava encostada no braço do sofá, e os braços cruzados sobre o peito. O cabelo castanho caía sobre os olhos e sobre os ombros. Ela sabia que o cabelo dele crescia, mas agora que parava para ver o quão grande estava. Andou até onde ele estava deitado e agachou até sua altura. Um sorriso fraco nasceu nos lábios da assassina. Ela podia ver seu corpo se movendo lentamente com a respiração fraca, podia ouvir as batidas calmas de seu coração. Realmente, enquanto uma pessoa dormia era a melhor hora para dar o bote. Talon nem imaginava que ela estaria ai, agachada o observando dormir.

O observando dormir como adoraria ter feito naquela manhã. Naquela manhã que não aconteceu, naquela manhã que a sua cama estava vazia e um pouco de seu coração também. Aquela lembrança a irritou. Estou sendo patética ecoava em sua mente. E com uma agressividade desnecessária, ela se levantou e entregou a carta a seu pai.

Quando saiu do escritório, ainda se encontrava com aquela irritação costumeira de uma manhã fria. E Marcus não havia a deixado mais calma. Fazia tempos que ela não via a face de seu pai surpresa, a última fez fora quando ela descobrira sobre Talon. No momento que os lábios cerrados se abriram e o general pode transparecer alguma coisa, ela sabia que Daiki era alguma coisa importante. E logo após tal ato, ele sussurrou para si mesmo um “já?” com uma voz surpresa. Daiki estava apressando alguma coisa. Ela só não sabia o que era, ainda.

Katarina subiu para seu quarto e procurou pelos documentos que haviam chegado para ela e Talon algumas horas antes. Quase não conteve um sorriso quando viu as fotos de todos os assassinos que estariam na missão. Rasgou o papel onde tinha a foto de Daiki. Ela o observou. Alguma coisa nele chamava muita a atenção. Não eram os olhos levemente puxados. Não era a pele branca. Não era a franja comprida e até mesmo o longo cabelo negro. Era algo em seu olhar. Algo assustador. Mas ela definitivamente não conseguia explicar.

Ela balançou a cabeça. Ele era apenas um homem, não havia nada a temer. Mas sentia que deveria ficar esperta na presença dele. Porém, deveria saber mais. Pegou um casaco pesado e saiu da mansão.

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– Claire... – Talon sussurrou ao ver a porta do quarto aberto. Há quanto tempo ela dormia? Aquela pose habitual de leito, aquele cobertor escuro e aquela iluminação fraca vinda da janela atenuava o seu rosto branco. Ele não sabia o nome daquilo que ele sentia ao vê-la dormindo daquele jeito. Só conseguia se lembrar daquele corpo gélido nos braços de Katarina. Não tinha a mínima ideia de como ela sobrevivera e o que estaria dentro de sua mente após isso. Ele só sentia que estava ligado a aquela criança de uma forma sutil.

Não se atreveu a entrar. A única coisa que fez foi ficar parado, olhando para o nada. Vendo em sua frente a janela que iluminava o quarto comum em todos os cômodos daquela mansão. Aquela mansão... Lembrou-se das palavras de Lear. Havia conhecido tantas pessoas no submundo. Havia tantos rostos em sua cabeça, tantas vozes que entravam por seus ouvidos. E todos ficavam. Ele não se importara. Nunca havia se importado com todas as pessoas, mas lá estava ele, sendo um exemplo do que ser para conseguir sobreviver. Seria mais fácil ser um exemplo do que não ser. Do caminho a não seguir. Dentro daquela mansão, daquela casa ele se sentia em uma rua sem saída. Mas Talon também nunca fugiria.

– Algo errado? – Ele ouviu a voz de Marcus. Se lembrou da conversa de ontem à tarde. Fechou os olhos e suspirou, olhando para o lado.

– Não. Eu só estava pensando que ela não acorda.

– Quem sabe Esme não a colocou para dormir? – O sorriso que Marcus lhe dava era o habitual sorriso indecifrável. Aquele sorriso que Talon sempre sabia que havia algo por trás, o mesmo sorriso que ele sabia ter uma lacuna.

– Ela por acaso é uma bruxa? – Respondeu sem se importar muito.

– Bruxa não. Bruxa é o modo como vocês falam no submundo. – O tom de voz do general foi de desdém, e pela primeira vez Talon sentiu repugno quando ele o englobava à todos do submundo. – Uma maga, feiticeira, como você quiser chamar... Menos bruxa.

– É tão depreciativo assim? – Talon o respondeu com rapidez, tentando não gravar em sua mente aquela maldita palavra que saíra da boca de Marcus.

– Eu já te disse sobre Venina?

– A sua antiga esposa? – Talon franziu a testa.

– Ela tinha poderes mágicos. O governo e a política de Noxus nunca gostaram muito dessas coisas sobrenaturais. – Ele riu amargo enquanto falava. – Ah, claro, a sociedade sempre gostou, visto como Zaum e Piltover se desenvolveram. Mas nunca foram muito bem aceitos. O meu casamento com Venina se baseou em cima dessa desconfiança do governo. Confesso que esta foi totalmente desnecessária.

“Meu pai se casou com Venina porque ela era uma maga bem habilidosa e uma ameaça para Noxus. Deveria ser sacrificada se houvesse alguma movimentação estranha, a qualquer hora, a qualquer momento.”

– O governo sempre agiu assim em cima daqueles que possuem esses poderes. Temos em observação uma garota que usa magia, uma criatura extremamente... curiosa. Mas eu duvido muito que ela conseguirá ficar em território noxiano sem vigilância.

“...Meu pai a matou e a criança dentro dela, Talon.”

Talon observou a parede branca por muito tempo depois que Marcus acabara de falar. Ele havia se lembrado daquelas palavras de Katarina. Algo invadiu o seu corpo, uma mistura de sede de saber e nojo. O general realmente havia matado sua esposa? Talon sorriu para a parede. Ele havia feito o mesmo. Ele matara Juliete e Kavyn. Mesmo sabendo a resposta que ligava aquilo que chamavam de alma com a alma de Marcus, ele não se conteve com o silêncio. E não percebeu que o general lhe observava.

– Você a matou? – Talon foi curto e grosso com a sua pergunta. Um sorriso diferente brotou nos lábios de Marcus.

– Você já matou alguém que amava, Talon?

Aquela pergunta ecoou dentro de sua cabeça. E continuava ecoando, olhando a parede atrás de Marcus, perdido em seus próprios pensamentos tentando reencarar o que tinha feito. Não só uma vez.

– Sim. – Marcus sorriu.

– Eu fico me perguntando como é essa dor... – Ao dizer isso, ele continuou seguindo seu caminho.

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Poucas informações. Algo como uma tradição, um casamento, uma traição e uma mulher. Katarina andava pelo submundo tentando recolher algo sobre aquele homem intrigante. A maioria falava a mesma coisa, e essa maioria não era grande. Na verdade, eram raras as pessoas que conheciam Daiki O. Vários lhe disseram para conversar melhor com o general Du Couteau, que era o homem que mais o conhecia. E sempre quando falavam isso para ela, sentia uma pulga atrás da orelha. Ela nunca havia visto aquele homem pisar em sua casa, mas todos lhe diziam que Marcus era quem melhor lhe conhecia. E assim sua curiosidade se inflamava mais.

Foi quando sentiu-se com fome e percebeu que havia gastado todo o seu dinheiro com informações. Porém, ela não repudia de forma alguma descobrir as coisas por meio de dinheiro. Ninguém em Noxus falaria nada só para ajudar alguém. Nem se fosse algo para salvar a própria pele. O individualismo daquela população era algo que a engrandecia e a diminuía.

Poucos minutos atrás havia visto uma mulher protegendo uma criança, provavelmente seu filho. Ela estava no meio da calçada de paralelepípedos, onde a neve começava a cair. As poucas roupas naquele inverno fizeram Katarina entrar em alerta, com uma vontade de retirar seu casaco e jogar em cima deles. Porém, todos desviavam seus caminhos dos dois, deixando-os como uma clareira naquela multidão. Eles cegavam seus olhos porque queriam. Não ajudavam aquela mulher que chorava porque queriam. Porque ela podia ser uma prostituta, uma ladra, uma aproveitadora. Não alguém que precisasse de alguém. Ela não sabia de certo o que na verdade aquela mulher era. E não queria saber. Katarina apenas observava a si mesma entrando no meio da multidão, sendo mais uma.

Quando percebeu a neve engrossar, já estava quase em sua casa. Um lugar perto das florestas, um lugar realmente bem privilegiado. Era belo o contraste do chão coberto de neve, as árvores verde-escuras e suas copas também com neve. Ela sentia uma leve calmaria. Lembrava o calor das costas de Talon quando foram para Freljord. Ela fechou os olhos por um segundo tentando lembrar-se daquele momento calmo, onde só havia os dois. Ela suspirou. Patética.

Foi nesse momento que, ao abaixar a sua guarda, sentiu um leve vento passar o seu lado. Ela olhou calma, sem preocupação, porém o que ela viu a fez arregalar os orbes verdes. Aquela doce sensação de ser pega no flagra.

– Daiki?

Ela se pronunciou. Seus olhos eram pidões, eles esperavam algo. Mas nada aconteceu. O homem que passou a manhã inteira procurando estava na sua frente, e ela não sabia como reagir. Apenas olhou fundo os orbes negros, e ela jurava que aqueles segundos passaram lentamente.

– Katarina Du Couteau. – Ele fez uma reverência com a cabeça. – Está indo para sua casa?

– Sim. – Ela falou com um tom de voz fraco, suspeitando de cada movimento dele. – Está indo para lá?

– Ah... Sim. – Daiki falou olhando para o céu. Ela olhou junto para ver o que ele tanto olhava. Porém, a única coisa que Katarina percebeu era que ele era alto demais para um ioniano.

Ambos continuaram andando vagarosamente em direção da mansão, Katarina não deixava de pensar em tudo o que sabia sobre ele até o momento. Sua cabeça parecia explodir com tantas informações. As roupas que ele usava eram estranhas. E elas não pareciam ser quentes o suficiente para o inverno. Franziu a sobrancelha. Por que diabos estava pensando nas roupas de Daiki?

Quando chegaram ao portão de entrada da mansão, ela pode ver com dificuldade o fundo de sua casa. Via um homem apenas com uma calça e o cabelo longo caindo pelos ombros. E claro, ele segurava uma katana.

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A neve voltara a cair. Noah, James e a outra estaca que Talon não sabia o nome estavam cobertas levemente pela neve que caía. Todas estavam com suas palhas rasgadas por todo o longo “corpo” criado. Talon segurava aquela espada de formato estranho e via seu reflexo nela. Facas, punhais, lanças, estiletes, revolveres e adagas faziam parte de seu arsenal. Mas uma katana era algo grande demais para se escondido. Mas por algum motivo que ele não sabia qual era, ele gostava de usá-la. Aquela noite no acampamento demaciano, aquela espada provara seu valor diante dele.

Depois que o general desaparecera daquele corredor, fora informado por Haydée que Marcus exigia que Talon treinasse um pouco mais com aquela espada. Não que ele não houvesse mais treinado com ela, afinal não dormira a noite porque o general havia pedido para treinar. Até mesmo dormira no sofá pela manhã. E era incrível como até mesmo o sofá daquela casa era mais confortável que a sua antiga cama.

Porém, o que mais o motivava a lutar contra estacas não era as ordens do general. Eram as palavras que ele dissera da ultima vez que o vira. Aquilo atormentou Talon. Ele não havia então matado Venina? Ele sentia algo se mover dentro de si quando essa pergunta entrava em sua mente. Ele não sabia responder. Katarina havia mentido para ele? Ou ela queria acreditar que o general havia matado a sua mãe? Ele também não entendia. A verdade estava escondida na mente de Marcus Du Couteau, e Talon não sabia como a descobrir sem magoar e sem levantar suspeitas. Mas, o que mais se mexia dentro de si era aquela inquietação.

Se nem mesmo o General Marcus Du Couteau havia matado alguém que ele amava, isso fazia de Talon um sádico?

No intervalo que ele mesmo se dava, Marcus apareceu com Katarina e Daiki. Talon estranhou aquilo. Primeiro, ele sabia que Marcus havia ido para o Alto Comando depois que eles se encontraram. Katarina também havia saído. E ela trazia uma jaqueta dele. Sorriu por dentro. Ela estava se preocupando com ele. Mas não deixou aquele sorriso transparecer. Porém, isso não era a segunda coisa mais estranha. E sim Daiki. O que o traidor ioniano fazia naquela mansão? E ainda mais com a mão esquerda na bainha de sua... katana?

– Vá.

Foi a ultima coisa que Talon ouviu antes de ver o cintilar das duas lâminas das espadas. Daiki o atacara, e ele o defendera espontaneamente. Ouviu uma risada e percebeu que quem ria era Marcus, porém não abaixou sua guarda ao o olhar. Movimentou sua espada rapidamente para a atacar Daiki, mas ele também o defendera. Por vários e longos minutos, o barulho das lâminas se chocando foi a música daquele ambiente. Ambos tentavam investidas diferentes, mas não adiantava. Nenhum sedia. Nenhum se machucava. Nenhum sangrava. Sempre defendiam. Foi quando Daiki se cansou e passou uma rasteira em Talon, o fazendo cair no chão. Ele apontou a katana para o olho de Talon. Katarina engoliu seco.

– Que pena, esperava mais de Talon. – Marcus falara enquanto aplaudia.

– Esperava? – Daiki sorriu e levantou um pouco o seu braço, mostrando onde estava apontando a ponta da katana de Talon: seu coração. Os olhos de Katarina se arregalaram. Daiki guardou a espada na bainha e se afastou de Talon.

– Agora não esperava que você quase fosse atingido, Ozaki. – O general andou até ele e lhe deu um sorriso fraco.

– Eu comecei a lutar com Talon da mesma maneira que as pessoas ionianas lutam, general. Porém, — Daiki olhou para Talon que já estava levantado e prendia seu cabelo. – no final, algo falou dentro de mim e não resisti em usar um pouquinho da força dela. – O ioniano sorrira.

– Força dela? – Talon falara. – Eu não quero que você lute comigo como os ionianos lutam. Eu quero que você lute comigo como você luta.

– Eu não posso te matar. – Daiki falou ainda com um sorriso no rosto. Talon queria enfiar aquela espada naquela porra de sorriso.

– Você vai me matar? – Talon riu sarcástico. – Eu poderia ter atingido seu coração.

– Eu deixei para que você parasse. E você parou, não foi?

– Ainda não sei qual é a força dela. Não responda uma pergunta com outra.

– Ah sim... Em breve você verá, mas se eu fosse você não gostaria de vê-la.

– Talon, coloca a sua blusa, tá nevando! – Katarina se intrometeu no meio da conversa, percebendo que estava virando uma discussão.

– E daí? – Ele se virou totalmente para ela, cruzando seus braços e fazendo cara de desdém. – Eu estava treinando, acha mesmo que tô com frio?

– Mas... – Ela olhou os orbes castanhos e viu que não tinha nenhum argumento. Porém, no momento que desceu de seus olhos para a sua boca e depois sua nuca, Katarina podia dizer que se o seu pai e Daiki não estivessem ali, ela teria o agarrado. – Mas! – Ela ainda tentou falar mais alguma coisa, porém, seus olhos continuaram percorrendo o peitoral levemente moreno e os músculos que Talon exibia. Sua boca secou.

– Será que dá pra parar de me comer com os olhos? Seu pai e uma visita estão aqui, tenha mais respeito. – Talon viu rapidamente a face de Katarina ganhar uma tonalidade vermelha. Não aguentou e riu.

– Você...! Você gosta de me ver embaraçada, não é? Aquele dia com a Claire e tudo mais... – As palavras saíram de sua boca sem ela perceber, e ela depois lembrou que seu pai estava ali.

Patética. Extremamente patética. Ela havia desligado completamente do mundo na presença dele!

– Vamos Daiki, deixa esses dois aí brigando. – Marcus falou divertido. – Talon, tome um banho quente e desça para almoçar. Vamos comer todos juntos. – Ao dizer isso, o general e o ioniano foram para dentro da mansão enquanto Talon procurava a bainha da katana.

– Que dia da Claire? – Ele não resistiu. Teve que perguntar só para que ela ficasse mais constrangida.

– Ah... Você sabe... – Ele a via ficar mais vermelha pelo canto do olho. – Lá na cabana... que é o arsenal...

– Ahh, sei. – Ele falou enquanto se aproximou dela. – Falar na cabana, eu não sei onde tá a bainha. Ache pra mim.

– Hehh! Você tá achando que eu sou sua escrava? – Katarina falou indignada, o olhando raivosa.

– Escrava não... Você pode ser minha serva. Afinal, a Mirian morreu. – Talon riu ao vê-la mais irritada.

– Mirian, Mirian, Mirian! Essa puta--

– Olha a boca garota. – Ele andou até a cabana e ela o seguiu.

– Ela já tá morta mesmo, pra que vou ter respeito pela a sua empregada gostosinha? – Ela tentou o provocar.

– Hum, então até você admite isso. – Ele falou abrindo a porta e acendendo a luz daquele lugar escuro.

– EI! – Ela deu um muro fraco nas costelas dele. – Eu não disse isso!

– Disse sim, retardada.

– Ei, olha como você me chama!

– Quer que eu te chame como? Você acabou de falar uma coisa e disse que não falou.

– Eu tava te imitando. – Ela o socou com mais força.

– Katarina, — Ele se virou para ela. – quando se trata de socos, você é tão fraca.

– Hnft. – Ela empinou o nariz pro outro lado. – Eu não ligo.

– Quer que eu te ajude a socar? – Ele fechou a mão e em um movimento rápido moveu sua mão até o rosto dela, parando poucos milímetros de distância.

– Talon! – Ele viu os olhos verdes arregalados e não resistiu em dar uma gargalhada gostosa.

– Qual é Kat, achou que eu realmente fosse te bater? – Ele continuou rindo da cara dela.

– Ahn... Eu não sei... Vai que você quer me matar... – Ela falou encabulada. Mas com a sua paixão explodindo dentro de si quando ele a chamara de Kat.

– Qualquer dia eu te ensino. – Ele sorriu para ela. – E não, não vou nocautear você.

– Eu agradeço. – Ela sorriu de volta. E riu depois.

– Agora me ajuda achar, eu estou ficando com frio.

Ela se lembrou da mulher protegendo a criança. Ela queria proteger Talon. Seu pai levara a blusa que ela pegou para ele. Então, como quem não queria nada, no momento em que ela procurava uma bainha nova, retirou o casaco pesado que usava e rapidamente o colocou sobre os ombros nus dele.

– Ei, por que tá me dando isso? Eu não sou seu cabide humano não. – Talon fechou a cara pra ela.

– Idiota. Eu não quero você com frio.

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Todos estavam sentados em uma mesa grande. O general no centro, Daiki ao seu lado esquerdo, e Katarina e Talon ao seu lado direito. Talon havia comido poucas vezes naquela mesa, já que ela era usada apenas para motivos importantes. E ele sabia que aquilo não deixava de ser.

O general e Daiki falavam sobre trivialidades, do qual nem Talon e nem Katarina queriam ouvir. Nisso ambos combinavam novamente. Eram do tipo de comiam quietos. E aí quando terminavam de comer, poderiam falar de qualquer assunto. Foi exatamente nesse momento que o general tocara o motivo da visita de Daiki.

– Eu só quis que você viesse aqui antes da missão para que você visse o potencial de Talon. – Marcus disse, e Talon se sentiu estranho com aquela sensação que brotava dentro de si desde que aquele homem pisara em sua casa. Em sua casa?

– Eu entendo. E sim, Talon está realmente na posição de ser o líder dessa missão. Acredito que ele nos guiará bem.

– Eu o vigiei por quase um ano até saber se era o que eu queria. E confesso que até hoje ele não me desapontou nenhuma vez.

– Fico feliz de ouvir isso, general. – Talon o agradeceu, mas também se lembrou da conversa que tiveram quando ele descobriu dele e Katarina. – No entanto, eu não entendo como você pode falar pra um ioniano vir e ver se sou qualificado o suficiente. Com Swain, eu até entendi, mas com ele não.

– Daiki é a nossa melhor chance contra os ionianos. Ele é de lá, conhece a cultura, os costumes, como lutam, quando lutam, o que protegem, qual é a força deles. Por isso, se você foi avaliado por alguém de lá, você não acha que será implacável?

– Talon, em Ionia, as crianças crescem aprendendo com seus mestres o que você aprendeu sozinho. – Daiki pôs se a falar. – Usar uma katana não é para qualquer um. Não é simplesmente uma arma que você deve carregar por aí para se proteger. Saber manusear uma katana é complicado, você viu como aquele aço é frágil. É uma das artes mais complicadas que existem, e o general me contou que você matou vários homens com ela no acampamento demaciano.

– Ela corta muito bem, eu consegui usá-la muito bem depois que a Katarina me instruiu como usar o gume. Porém, ela é grande demais pra mim.

– Grande demais? – Daiki riu. – E isso te incômoda?

– Eu sou um assassino. Eu não posso esconder uma arma dessas.

– É claro. Nunca se esconde uma katana. Afinal, é uma katana. Todos temos orgulho de carregá-las e saber usá-las.

– Ele é um assassino, Daiki. Não um guerreiro. – Katarina disse pela primeira vez. Daiki ficou quieto após esse comentário.

Uma grande diferencia de ionianos e noxianos estava bem ali, naquela mesa, um olhando para o outro com desdém.

– Daiki, acho que está na hora de contar para eles. – O general falou. – Caso contrário, vão ficar te tratando como um traidor comum.

– Suas ordens, general. – Daiki lhe respondera.

– Já contei que nós sabemos quase tudo sobre os ionianos pelas informações que ele nós dá, no entanto, vocês ainda não conhecem o valor de Daiki. O seu valor está justamente na sua espada. – O general o olhou. – Quer contar?

– Ah sim. – Ele sorriu e seu levantou. – Vamos para a sala.

Talon e Katarina o seguiram quietos, ambos curiosos pelo o que os aguardava. Quando se sentaram no sofá, Daiki permaneceu de pé, pegando sua katana pela bainha e a segurando com as duas mãos.

– O nome dela é Kushizashi. Uma espada passada de família pra família. Se me permitem, vou contar um pouco de como eu a obtive. Eu sou órfão, fui criado por uma família que protegia essa espada. O seu nome quer dizer Empalador¹. Conta a lenda que por ela ser tão comprida, ela consegue empalar. Eu ainda não tentei... – Daiki riu. – Mas, eu a consegui porque a família que eu cresci só tinha uma filha. A garota gostava de lutar, sabia como lutar, mas os pais dela nunca a permitiram. Porém, eles a deixaram ter a espada se ela se casasse com um homem rico, e a espada ficaria no poder dele. Porém, por eu ter permitido que ela se casasse, no dia do casamento, eles me deixaram tocar na espada. – Ele a apertou com força. – Talvez ela seja uma espada demoníaca. Mas só sei que eu matei todos aqueles que me deram um lar, que me deram um teto. Só deixei aquela garota viva. Ela está lá naquela casa, ainda com os fantasmas dos seus familiares.

– Como assim eles te permitiram tocá-la? – A curiosidade de Katarina falou mais alto.

– Eu a amava. Amava a filha deles. Eu fiz de tudo para que ela não se casasse, mas a espada era mais forte. – Ele riu ao falar disso. – É uma espada demoníaca, como eu te disse. Ela já havia tocado nela. Deve ser por isso que queria fazer tudo por ela...

– Quantas pessoas você matou aquele dia? – Daiki voltou a rir.

– Você nunca viu um casamento ioniano né? Vão quase centenas de pessoas... – Ele pareceu distante ao falar daquilo. – Eu matei todos. Só deixei a Miwa viva.

– Será que ela não se sente sozinha? – O general disse.

– Quem sabe? – Ele guardou a espada em sua calça.

– A propósito, preciso avisar vocês dois antes que partam depois de amanhã. – O general se virou para Talon e Katarina.

– O quê? – Ela falou sem se importar muito.

– Quando vocês forem para Bilgewater com o navio, vocês ficarão o resto do inverno lá. Quando ele estiver acabando e a temperatura subir, já irão para Ionia.

– Quer dizer que não vamos mais voltar pra casa depois disso? – Ela falou com uma voz fraca, pensando em Claire.

– Até lá ela vai acordar, Katarina. – Talon a respondeu como se soubesse seus pensamentos.

– Espero que sim. – Ela lhe mostrou um sorriso quente.

Notas finais
1. Tradução porca pelo google. Nem sei se é verdade, mas.. apenas considerem ok? Foi difícil achar um nome legal. Quem sabe não faço uma história desse casal que eu fiz? :D E apareceu um campeão ali no meio, quem descobrir quem é vai ter o próximo capítulo dedicado pra ele!