Notas iniciais
Confesso que vou dedicar esse capítulo para a pessoa que me fez fazê-lo em um dia e postar nesse mesmo dia: Talon Du Couteau (HUHUHUHUHUHUHUHUH) Cara, eu amei amei amei amei a sua recomendação. (depois vou te chamar em off querido aheauehueh) E isso me fez perceber que eu tenho que parar de ser egoísta, e não achar que só porque ainda são poucas as pessoas que ainda a acompanham (pq eu sou enrolada) que eu devo parar de postar. Eu tava muuuuito desanimada, eu confesso. Confesso porque eu não gosto TAMBÉM da minha Katarina. (Não, eu não to fazendo ela me baseando em qualquer coisa) Quem fala comigo sabe que a personagem que eu mais quero que evolua é ela, e não o Talon. Então, deixando claro que o mimimi de Katarina está sendo infantil é proposital, e olha: vai continuar sendo. Porque eu quero fazer assim e pronto. O ponto é, eu não posso ser egoísta e deixar vocês na mão. Então, me perdoem pelo atraso. Eu pretendo (SIIM) arrumar os primeiros capítulos mas quando eu tiver com calma e ânimo. Eu prometo que vou tentar postar mais capítulos em breve e não ficar enrolando tanto a história né vei (27 capítulos), já que é meio massacrante. Enfim, me perdoem por tudo (sei que não consigo resumir muita coisa, mas o que vale é a intenção), e fiquem com esse cap delicious ai. Vlw

A Dominação de Lâminas

Quando Daiki saíra da mansão, entre o céu nublado de inverno, um fraco sol se escondia no horizonte.

Talon o observou ir, como nunca havia feito antes. Da janela de seu quarto era possível ver a entrada, e ele achava estranha aquela sensação. A sensação de olhar uma pessoa pela janela. Aquele era um homem sagaz, ele soube disso no primeiro momento. Ao vê-lo partir, aquela sensação entrou na porta de seu coração e o fez bater mais forte. Não que ele relacionasse seus sentimentos com aquele órgão que bombeava sangue, mas sabia que ele estava mais acelerado que antes.

Sempre fora sensato. Podia até se dizer responsável. Tinha seus dois pés bem colados ao chão, um punho fechado e uma mente impenetrável. Era assim que havia sobrevivido até aquele momento, reprimindo as suas emoções e deixando fluir o instinto. Sempre considerava-se um animal, um lobo solitário, um ótimo caçador. Até Marcus Du Couteau cravar a maldita espada em sua barriga. Aquilo doera mais do que fisicamente, seu próprio orgulho estava sendo espetado pela lâmina.

Uma lâmina inimiga.

Não importava quem quer que ele fosse. Havia jogado mais do que sujo... Mas ele conhecia o mundo, sabia que se não jogasse contra as regras do jogo, ele também perderia. Dançava conforme o ritmo daquela música deturpada que era a vida que conhecia. Talvez não houvesse salvação para o seu mundo, o amanhã sempre era o talvez. Mas aquele maldito homem no mesmo dia que cravara a sua espada nele, cravara a sua existência. E uma cicatriz na região do abdômen ficara. Era um tipo de marca.

Como ser demarcado como um cavalo.

Animal ou homem, isso no fim não importava. Talon ainda tinha aquele colar que o general lhe deu. Um presente ou não, deixava clara a dominação. E o diabo que fosse aquela dominação. No momento que vira Daiki sair, ele se tocara.

De sua dependência, de seu gostar pela submissão, da clareza da dominação e não querer ser livre.

Afinal, ser livre daquele jeito era quase suicídio. Só os mais fortes sobreviviam naquele submundo.

Quando Daiki saíra, aqueles fracos raios solares ofuscaram a sua visão. Tão fracos que quase eram invisíveis, mas seus olhos não viram mais nada. Uma veia saltou em seu rosto. Não, aquilo não poderia ser o que ele achava que era. Se fosse, Talon queria morrer em vez de ter aquela estranha sensação dentro de si. Aquela estranha sensação que tinha uma propriedade tão rídicula quanto o próprio nome. Mas que nunca se quer sentira.

Ciúmes.

Ele não gostava da ideia de alguém tão próximo do general. Não que não fosse ele mesmo. Não gostava de lutar corpo-a-corpo com alguém tão forte quanto ele, gostava de fracos. Eram mais fáceis. Não gostava do jeito como Marcus o tratava, não gostava daqueles olhos pequenos tentando enxergar a sua alma.

Não gostava do jeito como Marcus e ele se pareciam.

Daiki o olhou profundamente que nem o general fazia, da mesma forma que ele próprio não conseguia fazer com ninguém. Talvez com Katarina, mas só de olhar as pupilas verdes, ele sabia o que elas queriam dizer. Porque ela não queria esconder, nunca quis. Mas, justo com ele? Ele que trancava a sua mente de estranhos, que construíra uma muralha a cima de seus olhos para não ver ninguém além de si. Ele que fundia seu instinto com o aço da lâmina, ele que respirava ego. Justo ele que não conseguira matar? — Até mesmo vencer.

Ele e aquela merda de espadinha empaladora.

Grande bosta, a katana que ele usava também estava em um ponto crítico. Mas Daiki era alguém que não poderia matar. E alguém que também não queria matar.

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Ao cair da noite, a neve estava estagnada na grama. Com o tanto que nevava ao passar dos dois, aquele imenso gramado verde havia sido coberto com aquela camada branca.

Eram raras as lâmpadas fora da casa, mas uma sempre era mantida acessa. Ela dava de frente a janela do quarto que Claire estava. Katarina tinha empurrado a cortina e observava os insetos em torno da luz amarelada. Estava sentada ao contrário em uma cadeira e sua cabeça era apoiada em suas próprias mãos no encosto das costas.

Suspirou.

Tinha perdido a conta de quantas vezes fazia aquilo. Não estava entendiada, mas tinha algo estranho dentro de si. Ela não gostava daquele quarto, aquela luz que vinha da janela sempre atrapalhava seu sono. Mas porque diabos até mesmo viu quando insetos e mais insetos começaram a se aglomerarem em torno da luz?

Sabia que já estava algumas horas naquela mesma posição, apenas olhando o nada e esperando que ele lhe olhasse de volta. Não que Katarina percebesse com clareza e precisão a situação que se encontrava, mas conseguia ver vários filamentos. E quando os prolongava...

De certo, pensar e refletir não era algo que ela estava acostumada a fazer. No entanto, desde o dia que Cassiopeia voltara, ela se obrigou. Se obrigou tanto que conseguiu contar a história de sua mãe para Talon. Aquilo não era uma tortura. Ir aos confins de sua mente não era tão doloroso como ela achava que era. Era verdade que sentia certa repulsa por aqueles que só ficam pensando em seu bel prazer e em seus estúpidos sentimentos. Por isso, ecoava em sua mente: Por que estou ainda aqui?

Entrara no quarto algumas horas depois de Daiki ir embora e ficara estagnada, igual aquela neve. Não olhou um minuto sequer para a cara de Claire, apenas puxou a cadeira e sentou daquele jeito estranho. Algo parecia travado em sua garganta. Era a mesma sensação de quando viu Cassiopeia transformada. E naquele momento, Katarina rachou um pouco de seu orgulho para tentar se entender.

Ela começava a criar afeto com aquela maldita criança.

Afinal, a culpada foi ela. Não adiantava jogar a culpa em Talon, pois era só dela. Ela conseguia ver claramente naquele momento. Desde que esse homem chegara, uma linha vermelha de erros estava sendo cruzada. Erros que antes ela não admitia para si.

Também não seria infantil de repudir seus sentimentos em relação a esse homem. Era tão claro que isso ia acontecer, mas Katarina nem cogitou a hipótese de se apaixonar. Afinal, nada acontecia em sua cabeça. Era um tipo de máquina de uma geração passada — ainda funcionava bem, mas não estava em sua potência máxima. Não conseguia ver a si mesma antes, mas naquele momento, refletia como fazia há meses.

Marcus era um assunto intocável. A relação com seu pai era uma montanha russa, mas Katarina percebeu que talvez todas as suas relações fossem assim. O que apontava diretamente à alguém: ela mesma. Como estava sendo tão idiota ao ponto de ficar sentada naquele quarto, observando aquela maldita luz que sempre odiava?

Mas também não se sentiu fraca. Ela encarou os últimos meses como um telespectador distante, como se não dirigisse somente a ela. Afinal, ela tinha influência. Alguém fazia a sua cabeça, mesmo tal pessoa não querendo. Ela estava apenas apaixonada, e aquilo não deveria mudar seu rendimento e seus ideais. Mas mudara, mudara ao ponto de fazê-la ter uma reflexão. Não era aquela palavra que classificavam como amor, ela sabia que aquilo passava longe. E também sabia diferenciar, só que antes não queria.

Parecia uma criança mimada com medo de perder as coisas.

Perder o quê?, ecoou em sua cabeça. A única coisa que era sua se tratava de sua vida e sua habilidade com a lâmina.

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Nos canteiros das ruas noxianas, conseguia se ver a neve empurrada para passagem. Não nevava, mas o ar continuava frio. Talon e Marcus andavam com as mãos nos bolsos das calças, cada um soltando ar gelado em quanto andava. Pareciam duas sombras, equidistantes uma da outra, mesmo assim sedentas em mesmo nível. Afinal, para ser um bom assassino, ser sádico é essencial.

Ambos estavam agasalhados com roupas pretas, não combinaram assim si. Talon soltara seus cabelos mas colocou uma touca cinza. Os fios castanhos balançavam leve com o fraco vento que vinha do oeste sendo acompanhados pelo cachecol de mesma cor.

Ele tinha um cheiro peculiar.

Era a primeira vez que o general Du Couteau não tinha seus cabelos presos em um pequeno rabo rente a nuca, como era o habitual. Os cabelos castanhos, um pouco mais claros que os de Talon, estavam soltos e ainda jogados para trás. No entanto, Talon reparou naquilo.

Logo após escurecer, Marcus fora até onde ele ainda treinava — de raiva, apenas de raiva, tinha que superar aquele homem– e o convidara para dar uma volta. Talon não conseguiu decidir se ele havia feito aquilo com medo de seu soldado não voltar, ou simplesmente para passar um tempo mais com ele.

Qualquer uma das duas opções mostrava que Talon era importante, e um pouco de sua incerteza fora embora com aquele gesto.

Foram ao contrário do subterrâneo, indo em sentido ao leste e perto de algumas fábricas. Talon já havia se aventurado por aquela região, mas sua segurança forte o impedira de cometer coisas que ele adoraria fazer.

Naquele lugar também não havia muita vegetação, apenas rochas, morros e grama por nascer, todas cobertadas de neve. Vista de cima, a fumaça que saía das fábricas se uniam e se misturavam com a névoa. Andavam cada vez mais e Talon até cogitou a hipótese de irem parar na praia que ele tanto gostava. Se Marcus Du Couteau conhecesse aquela praiazinha, Talon entraria em alguma daquelas fábricas sem medo de morrer.

Chegaram a frente de um restaurante e Marcus parou. Talon achou estranho haver um lugar daquele jeito nessa região, visto que as casas eram raras. Mas ele imaginou que aquelas fábricas não se moviam sozinhas. Entraram em silêncio, como havia sido o caminho inteiro. Houve alguns palavreados devida a indignação que Marcus sentia ao ver Talon nem mesmo perguntar onde iam.

"Eu irei ir até onde você quer que eu vá." Foi o que ele respondera. Tanto Marcus como ele próprio se surpreenderam com o que foi dito, mas Talon não se importava com a verdade.

O restaurante não era sofisticado como o da noite anterior, mas também não era um restaurante caindo aos pedaços. Era um lugar estranhamente comum, sendo de um jeito que Talon nunca havia visto antes.

Nem extremamente rico como começava a conhecer, nem extremamente pobre como há estava acostumado. Ele se sentia no meio das extremidades, em um lugar comum.

Estranhamente comum.

Marcus falou com um homem que Talon não deu atenção. O general se dirigiu à uma escadaria de madeira, e ele apenas o seguia. Deram de cara com o segundo andar, onde havia algumas pessoas. Sorrateiramente, Marcus andou até a sacada do lugar e contemplou a paisagem.

Não que aquilo fosse lindo ou até mesmo digno de um quadro, mas o que Talon via não deixava de ser surpreendente. As fumaças saindo pelas chaminés e se mesclando com o céu escuro era de tirar o folego. Ele nunca havia visto algo parecido, e uma sensação de nostalgia invadiu seu corpo.

Por que aquela peculiar região definia Noxus muito bem?

A resposta estava dentro e si mesmo, e Talon quis descobri-la. No entanto, de uma torre grande que estava um pouco longe deles, fogo foi solto em direção aos céus. Os olhos castanhos de Talon se contraíram ao ver aquilo.

Milésimos de segundos depois, o fogo cessara. E logo depois, se erguia aos céus novamente.

Ele não conseguiu desviar os olhos, encarava o movimento das chamas sem piscar. Via desde o amarelo mais claro até as brasas laranjas e fumaça preta que saíam. A chama se apaga e se acendia, repetidamente.

– Chegamos no tempo certo. — Marcus falou ao andar até o suporte de madeira e se encostar nele.

Olhou para Talon esperando uma resposta, mas apenas viu o ar saindo de sua boca. Marcus se permitiu dar um fraco sorriso.

– Gostou? — Ele voltou a olhar para as grandes chamas que iam até o céu. — É a queima de gás. Bonito, não?

As palavras de Marcus demoraram para fazer sentido em sua cabeça. Estava tão atordoado com aquela chama que houve um atordoamento. Bem parecido com o de Esme Bayle.

– Sim. — Foi o que conseguira responder, ainda estava levemente entorpecido.

– Eu gosto de vir aqui para pensar um pouco. — Talon encostou-se perto de Marcus, prestando atenção em suas palavras mas não deixando de se fascinar pelo fogo.

– Essa paisagem é típica de Noxus. — Talon sorriu ao falar. — Eu já tinha vindo algumas vezes para esse lado.

– Você passar a primeira fábrica já é um grande feito. Essa área restrita é o podre de Noxus.

– Por isso me trouxe aqui? — Ele sorriu. — Eu vou acabar por encontrar podres nessa guerra?

– Isso você já encontrou. No momento que você colocou seus pés na mansão, nós já ficamos vulneráveis e você se tornou cúmplice.

Talon apenas suspirou.

– Se eu fosse dizer para você ou Katarina, os podres que irão encontrar nessa guerra... — O brilho dos olhos verdes de Marcus foram amedrontadores.

– Eu confesso que é melhor do que quase morrer de fome. — Marcus riu.

– Ah é... — A luz das chamas clareavam e escureciam as faces de ambos. — Você não acha que elas são da mesma frequência de um batimento?

– A maneira como eles soltam as chamas? — Talon encarou aquela luz perto de si. Não tinha parado para pensar naquilo, mas era bem parecidos.

Será que tentavam imitar os batimentos? Ou será que seus corações tentavam se igualar a aquele momento conturbado e perverso?

Não importava, Talon percebeu que era lindo e que era digno de um quadro.

Afinal, aquela era a beleza noxiana. A beleza na desgraça, na tragédia, no imundo, no piamente quebrável. Não se tratava de máscaras fugazes ou de ideais hipócritas — se tratava de uma essência conturbada. Aquele lugar, aquela chama, talvez fosse o coração de Noxus. Bombeando sangue e inspiração para aqueles soldados que em breve iriam para a guerra.

Talon conseguia ver claramente o porquê de estar ali. Estava sendo tratado como um noxiano, e não como um rato que sobrevive naquela cidade. Era a primeira vez desde que nascera que mudara de opinião ao ver uma paisagem. Antes era apenas surpreendente, agora era linda.

– Realmente...

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O dia amanhecera nublado, como era de costume naquela época do ano. Coisa que os assassinos encaravam de forma positiva. Todos se encontravam em uma ala do quartel general que ficava ao lado da entrada na montanha. Havia um portão gigante que bloqueava a entrada, e era isso que os nove assassinos estavam esperando abrir.

Não tiveram muito tempo para despedidas ou recapitular o plano. Quando Talon e Katarina chegaram, só estava faltando Riven chegar para que abrissem o portão. Ao ver ela chegar acompanhada de Darius, Talon não achou necessário dar uma atenção mais enfadonha no comportamento dos dois, visto que ambos tinham saído pelo palácio do Alto Comando. Não achou necessário pois se Swain tivesse outros planos, eles tomariam precaução em não serem vistos.

O que fazia Talon rir, pois o jeito que Katarina contava isso para ele a tornava uma espécie de perseguidora.

Marcus estava lá. Na verdade, havia várias pessoas que não eram os assassinos que estavam lá. Apesar de ser uma missão para aqueles nove, Talon percebeu como cada pessoa que corria de um lado para o outro depositava confiança neles.

Cada um dos assassinos levava seu arsenal particular e mais prático. O general Du Coteau era um dos responsáveis por essa missão, ele distribuíra fones de ouvido onde cada um poderia ouvir os outros, e também um mapa do navio.

O portão foi aberto e eles puderam deslumbrar as três motos pretas e os três carros pretos. Sem muitas delongas, Taynana e Cloud entraram no carro e saíram por uma estrada que contornava a montanha. Aro os seguiu depois de alguns minutos, e assim começava uma camuflagem.

Piltover era sem dúvida a Cidade-Estado mais evoluída tecnologicamente em Valoran. Havia estradas que não eram tão movimentadas, mas quando se aproximavam de Piltover, elas ficavam bem cheias. Esse era o motivo para haver uma diferença razoável de distância entre as motos e os carros.

Talon aprendeu na marra como controlar uma moto. O general e Katarina lhe falaram como se freava e como acelerava, mas aquilo na prática não serviu de muita coisa. Com o tempo, foi percebendo que não podia sair acelerando com tudo se não ele mesmo ia acabar caindo. Não era tão difícil como imaginava. E o vento colidindo contra seu corpo era uma sensação gostosa.

A dificuldade foi mediana, e Talon ria. Era muito melhor que um cavalo.

Foram três horas sem pausa até passarem as montanhas Ironspike. Depois, Zaun foi vista por muito tempo e seria nesse momento onde a camuflagem entraria. As estradas entre Zaun e Piltover eram bem movimentadas, o que não era para menos se tratando das duas Cidades-Estado mais evoluídas.

Chegaram em Piltover quatro horas depois, Taynana e Cloud chegaram ao porto principal. Deixaram seu carro em um lugar onde os outros não veriam, e começaram a arrumar os equipamentos para escalar o navio.

Os Céus Bombardeados era realmente o maior navio do porto, tendo alguns outros comparados a ele. Entretanto, era óbvio só de vê-lo. Ele era gigante. A mulher morena começou a espiar a movimentação dentro do navio enquanto Cloud arrumava os sapatos e as luvas para subir. Quando acharam um bom momento onde as pessoas dentro do navio estavam distraídas, eles começaram a escalar.

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Katarina saiu primeiro que Talon. Em vez de seu carro sair na frente, quem saiu foi ela. A ordem era não deixar os veículos muito próximos, e foi isso o que ela fez. Quando viu que estava chegando ao porto, ela virou em uma rua sem saída e deixou a moto lá. De qualquer forma, eles voltariam de navio.

Talvez fosse apenas uma coincidência ou talvez simplesmente o destino, mas nada disso mudava o fato que tanto Talon como Katarina eram bem parecidos. Ele foi o último a sair e teve a mesma ideia que a ruiva. Quando viu uma rua boa para virar, deu de cara com Katarina, quase a atropelando.

– É melhor deixar em outro lugar. — Ela falou se desviando da moto.

– Quem está atrasado não sou eu. — Ele respondeu estacionando a moto ao lado da de Katarina.

– Assim vão desconfiar que estamos juntos. — Talon retirou o capacete preto e encarou o brilho das pupilas verdes.

Elas não estavam raivosas, só estavam indiferentes. No entanto, indiferença não era o forte de Katarina.

– Então você vai gostar. — Katarina ouviu ele tentando lhe provocar, mas apenas afrouxou mais o cinto em sua cintura.

Ela lançou mais um olhar para Talon que já estava quase ao seu lado e apenas falou no pequeno microfone:

– Guepardo em campo.

– Águia em campo. — Talon falou logo depois. Katarina novamente o olhou com um brilho obscuro no olhar, e apenas seguiu em direção ao porto, sem se importar.

A única coisa que ele fez foi engolir seco enquanto pensava que também não conseguia mais a decifrar.