A Dominação De Lâminas

12 I would bleed for her


Notas iniciais
Cês gostam de coelho? HEUEHEUHEUHEUEHUE Não me ataquem pedras. :( Ahhhhhhhhhh, espero que ninguém tenha diabetes porque viu?! HEUEHUEHEUHE quanta fofura em um cap só! (Sim, estava muuuuuuuuito mais doce, mas eu resolvi tirar algumas coisas) Por favor, não odeiem o general! Ele ainda é uma boa pessoa! :( E.. Uma última coisa... Pro próximo capítulo, eu estava pensando em fazer um porquê do Talon querer fugir tanto da Katarina, (spoiler o.o) contando a vida dele com uma menina que ele gostou. x: Mas, isso só se vocês quiserem. Lembrando que isso não vai interferir em quase nada no rumo da história, só nas decisões do Talon com a Katarina. Mas, qual é?! Até parece que ele vai resistir ao charme dela u_u Por favor, me respondam! n_n Obrigada por lerem! ♥

A Dominação de Lâminas

Talon ainda estava parado no acampamento, travado por não saber o que fazer. Mataria Garen e os dois soldados facilmente, porém essa não era sua missão. Cerrou o punho de cabeça baixa, estava furioso. Furioso pelo fato de que não poderia fazer nada, tinha que levar Katarina sã e salva. Não obteria vingança pelos machucados dela, não conseguiria matar aquele cretino com suas próprias mãos. Tremia de raiva, os cabelos castanhos caiam pela sua face, tampando-lhe a visão. Correu tentando afastar aqueles pensamentos, desaparecendo na floresta procurando a quem ele deveria proteger. Encontrou Katarina jogada no chão, aquilo doeu. Parecia um punhal cravando seu peito. Pegou-a no colo e saiu floresta adentro, ambos os corpos pingando sangue e exaustos.

Não sabia por quanto tempo vagara naquela mata fechada, já estava claro e Katarina não acordava. Tentava se lembrar do caminho, não conseguia pegar o mapa na mochila. O sangue nas roupas já estava mais do que impregnado e pela primeira vez aquele cheiro lhe deu aversão. Talon colocou Katarina no chão e pegou uma garrafa. Arrancou a capa e retirou a blusa, lavando-a. Colocou novamente a capa e pendurou a blusa em seu ombro. Continuou caminhado com Katarina em seus braços, andaria por mais muitas e muitas horas com seus passos pequenos.

Estava com fome e para sua sorte o tempo estava nublado, pelo menos nem ele e nem Katarina queimariam com o sol. Em sua mente uma batalha era travada. Não sabia se havia feito a coisa certa. Era a missão de Katarina matar todos aqueles soldados, não era o trabalho dele. Mas porque hesitara em matar Garen e os outros? Por que vê-la assim tão fraca doía? Aquele dia foi ao bordel apenas para esquecer os beijos de Katarina! Mas havia sido apenas um ciclo, foi para lá por causa dela e continuou lá pensando nela. Comendo a puta que ele chamava de Katarina enquanto estocava cada vez mais fundo. Aquele sexo abriu seus olhos, fez o enxergar o que aconteceria se não tomasse cuidado. Talon não se apaixonaria. Seu orgulho não permitiria se importar com alguém que não fosse ele mesmo. Não ficaria preso a ninguém que não fosse o general. Mas aquele corpo gelado em seus braços, que hora ou outra sussurrava gemidos fracos o fazia hesitar. Como se houvesse certezas. Não havia. Mas havia lacunas onde poderia fugir daqueles olhos verdes. Então percebeu que talvez não fosse mais alguém ali e apenas um corpo. Ficou estático. O que faria se Katarina estivesse morta?

– Frio... – A pequena palavra sussurrada fez com que a adaga que estava em seu peito saísse lentamente, como se a ferida depois sarasse instantaneamente. A blusa azul já estava seca e Talon estirou Katarina na margem de um riacho perto. Poderia estuprá-la. Balançou a cabeça negativamente. Olhou para o céu nublado e quis socar alguém. Como poderia pensar isso da filha de seu dono? Olhou para a água corrente do riacho e depois fechou os olhos. Iria limpar aquele corpo. Deitou-a reto, acomodando sua cabeça na capa dobrada ao lado da mochila, tomando cuidado para que nenhuma lâmina a machucasse. Com sua blusa seca, rasgou-a no capuz com o facão de sua bota. Molhou o pequeno pedaço de pano azul naquela água fria. O inverno estava chegando. E depois do inverno... Viria a guerra.

Cuidadosamente retirou a pequena jaqueta preta que cobria os ombros brancos, foi passando o tecido úmido pelos braços e ombros dela. Molhou novamente o capuz e passou pela barriga nua e lisa, se alertando toda hora com seu nível de sanidade. A calça que usava estava rasgada nos joelhos e os dois estavam esfolados, Talon não mexeria ali. Limpou o sangue das botas e sorriu. O corpo estava limpo, só faltava seu rosto. Sem acordá-la, colocou sua blusa azul nela e retirou a cabeça de sua capa e encostou-a em sua coxa. Riu. Não conseguia diferenciar o cabelo e o sangue. Pegou novamente o tecido úmido e limpou as bochechas e testa dela. Franziu o cenho, o sangue estava fresco. Ao passar seu capuz no canto esquerdo dela, Talon sentiu uma relevância. Gemeu frustrado e fechou seus olhos enquanto continuava limpando, seguindo o caminho daquela relevância. Ela ainda continuava na sobrancelha e ia para a pálpebra. Engoliu seco e abriu as pupilas castanhas. O que viu fez seu sangue ferver. Um corte. Bem no meio dos olhos. Bem profundo. Da testa até a bochecha. Terminou de limpar o resto do rosto com a cabeça baixa, tentando controlar sua raiva. Observou-a. Sentia um ódio inexplicável, sua mão tremia e sentia sede. Sentia falta de algo, apalpou seu bolso procurando seus cigarros, mas apenas encontrou um maço vazio. Aquele desgraçado havia a machucado. Ficaria uma cicatriz. Sua mão tremula foi enfiada na terra, puxando a grama violentamente. Berrou em frustração. Se tivesse interferido, isso não teria acontecido. Katarina não teria se machucado. Grudou novamente a mão na terra e só não a arrancou de novo porque Katarina abriu os olhos.

– Talon... – Ele escutou a voz fraca, porém ele continuou olhando as águas se movimentando. Seu corpo ainda estava frio. Não conseguia olhá-la. Não queria olhá-la. Fugia.

– Não morra em meus braços, Katarina. – O assassino falou com uma voz amarga e sem emoção enquanto continuava observando o riacho.

– Não vou morrer. – Ele instantaneamente a olhou. – Só quero algo pra comer. – Katarina abriu um sorriso fraco. Talon sentiu seu coração acelerar e sorriu junto. Atirando seu facão em um coelho que estava do outro lado do rio.

Viu o coelho e se martirizou em pensamentos. Teria que atravessar o riacho. Tirou as botas pretas e ficou apenas com a calça, cruzando aquela água gelada. Ela batia em seu umbigo e lhe causava arrepios. Não demorou um minuto para que tivesse as orelhas brancas do coelho em suas mãos. Atravessou novamente a água e retirou a calça encharcada, deixando que ela secasse em uma árvore. Estava bem frio para estar apenas de cueca, ainda mais naquela floresta densa. Mas Talon não se importava, Katarina tinha que comer. Com o facão em sua outra mão, cortava alguns galhos pequenos e os juntou em um montinho. Pegou seu isqueiro e queimou a madeira, fazendo uma pequena fogueira. Arrancou os pelos brancos ensangüentados e arrancou-lhe a cabeça, jogando no riacho. Enfiou um galho na carne branca fazendo o sangue escorrer como se fosse um suporte. Colocou em cima de dois galhos que estavam em pé e deixou lá, queimando a comida.

Olhou para Katarina, ela dormia encostada em sua mochila enorme. Era incrível como dentro daquela mochila cabia coisas bem úteis: a cabeça de Sion, garrafas de água, mapa, bombas de fumaça, uma pistola e as balas para carregá-la. A calça continuava molhada, porém foi vestida mesmo assim. Colocou as botas pretas e procurou outra coisa para caçar, um coelho médio não encheria Katarina. Olhou a sua volta e viu alguns pássaros. Não poderia atirar neles, se houvesse alguma tropa demaciana perto, sua localização seria descoberta. Foi quando viu um veado. Era a presa perfeita. Os olhos de Talon encaravam os negros do animal. O assassino prendia sua respiração e sem fazer barulho, lançou o facão novamente, acertando um das pernas do animal. Andou rapidamente até ele e viu o sofrimento do pobre veado. Mas não tinha escolha, mais uma cabeça foi jogada no riacho.

A noite logo chegaria e o veado queimava no fogo. Talon havia comido o coelho e deixaria o maior para Katarina. Ele estava acostumado ficar sem comer, mas só de ver aquela carne dourando, seu estômago embrulhou e de pedaçinho em pedaçinho foi comendo o animal. Havia algo diferente enquanto Katarina dormia. Mas, ele não a olhava por muito tempo. Desviava o olhar. Olhá-la era como ver estampado o seu fracasso. Era como ver o quão inútil ele fora. A cabeça de Sion estava na mochila, e tudo isso foi por causa de uma arma noxiana. Mas a batalha de Katarina foi gloriosa. Haveria de ter sido. Retirou o veado do fogo e esperou um pouco. Pegando a face de Katarina e lhe dando a carne. Colocou para trás um fio que estava insistindo em cair. Ela abriu os olhos, o esquerdo com dificuldade. Pelo menos ela não estava cega.

– Come. – Talon se levantou e observou a noite que chegara. O som das corujas lhe causava arrepios e inquietação. Não gostava muito de insetos e animais noturnos. Na escuridão já bastava ele. Virou de frente para o riacho, porém viu de raspão os olhos verdes de Katarina. Quando a olhou de novo, paralisou. Ela estava tão mais bela. Mas doía seu peito, lhe tirava o foco, confundia sua mente. O olhar era prepotente, dominante. Em um movimento espontâneo, riu. Mas a ruiva ainda estava séria, o encarando como se fosse um inimigo. Estremeceu. Talon estava com medo. Sentiu-se novamente inútil. Pisou no fogo já de botas e andou até uma árvore larga. Suspirou frustrado. Havia feito tanto por ela e recebera um olhar medíocre. Eram essas futilidades que faziam com que Talon perdesse a calma. Encostou-se na árvore e deslizou pelo tronco até sentar no chão com as pernas abertas. A visão estava pouca por não haver luz e olhava para o nada, para o escuro. Tentando receber alguma resposta do vazio.

– Tem água na mochila. – Talon falou seco. Ouviu o zíper ser aberto e a água passar pela garganta da ruiva. O assassino estava cansado, a noite caíra e só queria dormir. Olhou a sombra de Katarina e a viu perto do riacho, tentando se ver refletida na água. Talon observou o sofrimento silencioso. Ela tocou seu olho esquerdo e uma lágrima solitária escorreu dele, o fazendo ficar vermelho. Talon abaixou sua cabeça. Não queria vê-la assim. Não queria ser o culpado daquele corte. Não queria que ele existisse. Não queria que nada machucasse Katarina. Passou se um tempo e Talon pegou no sono, Katarina acordada não dependia dele. Largado no chão e encostado no tronco sem a camisa naquela noite fria.

Katarina se recompôs, viu um borrão em seus olhos que ardia e impedia sua visão plena. Se lembrou como conseguira aquele corte, Garen tentou perfurar seus olhos, mas ela abaixou a espada dele antes. Era estúpida. Desobedecera a seu pai matando um general demaciano. Porém, sua presa era Garen Crownguard e quando foi matá-lo, as tropas haviam dobrado. Não que isso importasse, mas não conseguiu matar justamente Garen. Estúpida era a única palavra que conseguia a descrever no momento. Havia dormido por quase um dia e já sabia que seu pai já deveria saber. Suspirou em derrota, aceitando o erro. Observou Talon dormindo no tronco e foi até seu encontro. Agachou-se e colocou-lhe a face fria.

– Seu idiota, você vai ficar resfriado. – Falou para o vento, Talon ainda tinha uma face serena dormindo. Sorriu e se aconchegou entre as pernas dele, encostando sua cabeça no peito gelado. Inalando aquele cheiro que a deixava tão desnorteada, que a fazia por alguns segundos, esquecer do que viria.

Observava-o, não tinha sono. Os cabelos castanhos já estavam maiores, a respiração era calma e com o tempo o corpo dele foi se esquentando. Mas ao continuar o observando, seu desejo foi maior. Selou levemente seus lábios nos dele, frios e agressivos. Porém, isso o fez acordar. Talon sentiu o gosto de Katarina e hesitou em abrir os olhos. Não queria ter que olhá-la, mas mesmo assim a encarou. O que acontecera a seguir foi apenas um erro de um homem no seu estado mais primitivo. Não viu quando a pegara pelos cabelos e a beijara, ou quando arranca a blusa azul e o top preto. Apenas sentia o sabor da pele da ruiva misturado com resíduos de sangue. Beijava-a com volúpia, seu desejo era tão intenso, tão recíproco. Não se lembrava de ter desejado tanto alguém quanto Katarina Du Couteau. Passava a mão e apertava todos os lugares possíveis. Ela mordiscava seus lábios e brincava com os fios negros. Uma dança frenética em busca de posse. Ouvia e sentia ela gemer contra seus lábios, enquanto empurrava delicadamente o ombro nu de Talon. Os gemidos não eram prazerosos, e sim dolorosos. Talon sentiu o líquido da ponta de seus dedos e a soltou pelos ombros imediatamente, a olhando nos olhos sem entender. Olhar a nudez de seu colo era como perder a sua sanidade, caso contrário, não se importaria com as feridas em seu corpo.

– Esquece. – Talon pronunciou tentando se conter, olhou para o sangue em suas mãos e o lambeu seus dedos. Katarina ainda o olhava com uma expressão perdida. Não vou esquecer, era o que passava por sua mente. Ele pegou o top preto e a blusa que estavam jogadas ao lado e lhe entregou de cabeça baixa. Ele a desejava tanto, queria tanto possuí-la. Então ele percebeu que não havia usado a palavra sexo, e sim possuir. Continuava sendo patético. Porém, alguma coisa o impedia. Se fosse qualquer outra pessoa, ele não se importaria com o baque emocional ou com as feridas. Sentiu ser forçado a encostar-se no tronco e um arrepio passou por seu corpo inteiro quando Katarina encostou os bicos de seus seios rígidos no peitoral de Talon. Ele gemeu frustrado e pegou os punhos dela, erguendo os braços dela sobre a cabeça. Aproximou-se de seu ouvido e sussurrou: — Você está machucada.

Colocou o top e a blusa no corpo dela e alinhou-a entre suas pernas, a abraçando. Como nunca havia feito com Katarina antes. Encostando os lábios em sua nuca, percebendo o quão magoada ela estava. Talon a recusara. Duas vezes. Não importava se estava machucada, queria ter ele. Encostou a cabeça em seu ombro, e permitiu ser abraçada enquanto observava uma gota de suor solitária escorrendo pelo rosto do assassino. Talon pegou a face de Katarina e a beijou calmamente, com um carinho desconhecido até então. Um toque singelo misturado com arrependimento. Ela tocou-lhe a face com os dedos e o beijou como resposta, um beijo quente e selvagem, que fez Talon hesitar em fugir.

– Que diabos, Katarina! Quero ouvir sua voz! – Por fim declarou, retirando o peso de seus ombros, e confessando o desespero que era estar em silêncio.

– Eu não tenho sono. – Ela sorriu fraco e encostou novamente nele, fechando seus olhos e sentindo o cheiro embriagante.

Talon abriu seus olhos com a claridade fraca, os primeiros raios solares o atingiam como se aquela fosse sua única salvação. Ao tentar se mover, percebeu sua posição. Nunca havia entrelaçado seus dedos com os de ninguém, mas parecia propício a fazer isso com Katarina. Estirados na grama, um ao lado do outro com apenas as mãos unidas. Aquilo poderia ter sido o cúmulo. Poderia ter sido o estopim para sua fuga daqueles olhos. As memórias invadiram sua mente. Os beijos... Aqueles lábios eram a sua perdição. As carícias... Os toques eram como se fossem sua entrada para o inferno. Seria tão mais fácil fugir, e fugiria. Mas queria aquele corpo, queria sentir o hálito quente dela novamente, aqueles lábios tão sedutores.

Retirou sua mão calmamente e a observou. Estava em constantes erros. O corte deixou seu olho um pouquinho mais fechado, um sorriso brotou em seus lábios. Ela não conseguia arrancar aquela beleza. Havia quase morrido, mas aquilo se tornaria uma lição. Talon a cutucou tentando acordá-la, se levantou e sentiu a subida vontade de espirrar. Ignorou como se não fosse nada, mas depois que as pupilas verdes se abriram, a vontade voltou e por fim, espirrou. Katarina sabia que ele iria ficar gripado e ameaçou retirar a blusa azul, porém o olhar que Talon lhe lançara a paralisou. Era um olhar raivoso, mas que não deixava de ter seu brilho próprio. Katarina sorriu de canto. Talon havia lhe repreendido.

– Retirar a blusa não vai mudar que estou com gripe. – Sua voz saiu mais seca do que ele gostaria enquanto checava se tudo estava na mochila.

– Retirar a blusa vai te fazer ficar quente. – Katarina respondeu no mesmo tom. Ela esperou ele se virar e retirou a blusa, ficando só com o top preto. Segurou a blusa azul nas mãos e quando Talon começou a andar, ela entrou em sua frente colocando a blusa ao redor do pescoço. O olhar que Katarina lhe lançara era quase protetor. Porém, Talon apenas pegou a blusa e jogou na cabeça de Katarina. Aceitando a derrota, ela colocou novamente o tecido azul.

Andavam lado a lado, de cabeças baixas e passos lentos. A chuva que caía era fina e silenciosa, mas o suficiente para molhar ambos. O silêncio era quebrado pelo piar dos pássaros e dos grilos. Cada um escutava a respiração ofegante do outro, porém não trocavam nenhuma palavra. Molhados, já sabiam o que o esperavam. Ao reconhecer a floresta, se preparavam psicologicamente para o que viria a seguir. Quando a mata cessou, Katarina engoliu seco ao ver a mansão. Apenas apressou o passo, deixando Talon para trás. Cerrou o punho e a cada novo passo, a confiança exalava. Ela precisava assumir seu erro.

– Se quiser, eu vou com você. – Escutou a voz de Talon longe, e olhou para trás.

– Tá tudo bem! – Gritou com tudo o que tinha, tentando acreditar nas próprias palavras.

Quando chegou perto da mansão pode ver o general de frente com a janela de seu quarto, de mãos para trás, observando o vidro molhado. A expressão era impassível como sempre, mas Katarina conhecia aqueles olhos. Os mesmo olhos que demonstravam a decepção. Aquilo iria doer. Entrou na casa e pensou ir para seu quarto, porém suas ordens eram de ir direto para o escritório de Marcus. Talon apenas observou quieto. Sabia que não estava tudo bem, sabia que ela seria repreendida. Mas o que poderia fazer? Brigar com o general pelo erro de Katarina? Não, aquilo além de ser patético seria como provar a si mesmo que não fugiria dela. Mas, faria isso. Tinha de fugir.

Katarina estava em pé observando os livros na prateleira de Marcus quando ele entrou. O general olhou fundo em seus olhos e sentou-se em sua poltrona. Analisou de baixo para cima Katarina. Estava toda molhada, suada, ensangüentada, tinha um corte no olho esquerdo, sua calça estava rasgada nos joelhos e ela vestia a blusa de Talon.

– É isso o que eu chamo de filha? – Marcus enfim falou após sua análise. – Sente-se!

Katarina engoliu seco e apenas fez o que era mandado. Quando ela se sentou, os braços da cadeira lhe prenderam nos pulsos em uma forma de bracelete. Seus olhos se arregalaram, as pupilas dilataram e sua única reação foi um olhar raivoso para seu pai. Eles se olhavam com tanto desprezo, com tanto ódio. Eram os mesmo olhos se encarando, a diferença era que o esquerdo de Katarina estava mais fechado por causa do corte. Marcus em um movimento rápido levantou a mão direita e lhe deu um tapa. Katarina sentiu o rosto formigar, olhou incrédula para Marcus, não acreditando no que havia acontecido.

– Não acredito que teve a decência de me bater! Vai fazer o que agora? Torturar a própria filha ou matar logo de uma vez? – Um outro tapa foi virado em seu rosto com as palavras soltas no ar.

– Não falte com respeito comigo, Katarina! Você acha que eu sou quem? Ou melhor, quem você acha que é para desobedecer ao Alto Comando?

– Eu só vi uma presa maior! Que direito você tem de tentar ter a razão, visto que eu matei alguém do seu mesmo cargo? Que direito você acha que tem sobre minhas escolhas? Só porque eu sou a sua filha? – Katarina falou com uma voz chorosa, sentiu as lágrimas virem e balançou a cabeça. – Filha, ? A filha que você tanto deve ter odiado quando nasceu, já que você se casou com Venina só para depois matar ela! Quem você pensa que é além de uma marionete do Alto Comando, General... Marcus Du Couteau?

– Basta! – Marcus berrou e dessa vez não foi um tapa, ele acertou Katarina em cheio com um soco que a fez seus lábios sangrarem, sua visão ficou turva e não conseguia abrir o olho esquerdo. – Você não sabe nada sobre mim e sua mãe! Não diga coisas das quais você não sabe, Katarina!

O general Marcus Du Couteau nunca havia perdido o controle, mas Katarina fizera por merecer. Ele se sentia tão frustrado, achava que estava criando a melhor assassina de Valoran enquanto recebe a notícia de que o alvo não estava morto. Parecia uma criança brincando com uma faca.

– Você tem idéia do que isso causou para Noxus? Do que isso causou para a família Du Couteau, Katarina? – Marcus continuava berrando enquanto chutava os joelhos de Katarina. Novamente ela reprimia as lágrimas, não choraria por seus erros. Apenas juntou toda a saliva que tinha em sua boca e cuspiu na face de Marcus. Ele a olhou indiferente, como se não a reconhecesse.

– Vamos ver esse corte. – Ele falou com um sorriso sádico nos lábios depois de limpar a saliva em seu rosto. Sentou sem cima de Katarina e lhe tapou a boca com um lenço. Com as duas mãos ele abria o olho esquerdo de Katarina cada vez mais enquanto ela se debatia, em vão.

Notas finais
nha, tá com frio? vemk, te esquento!