A Dominação De Lâminas
23 'Cause I don't have a reason and you don't have the time
Notas iniciais
A Dominação de Lâminas
'Cause I don't have a reason
And you don't have the time
But we both keep on waiting
For something we won't find.¹
Oh, não... Não. Não. Não! Cacete!
Foram os primeiros pensamentos daquela manhã quente. A neve havia parado de cair e um fraco raio de sol insistia em sair. Katarina fitava o teto, impotente devido às lembranças da noite anterior. Talon não estava ao seu lado, ele nunca estaria. Acordar e vê-lo ao seu lado, além de ser uma ironia, seria uma doce ilusão. E um doce sonho também... Sacudiu a cabeça tentando não pensar. A lembrança dos dedos frios passando por seu corpo a fez estremecer, sacudindo ainda mais a cabeça. Definitivamente, ela rasgara seu próprio coração.
Estava submersa na banheira. O pequeno hábito de ficar poucos minutos de baixo da água sempre dava bons resultados, e naquele dia aquilo não seria diferente. Teria que ter muito fôlego para lidar com algumas pessoas, focando principalmente em Talon. Pensou que não deveria ter somente fôlego, mas calma e paciência. Só o primeiro era seu forte. Percebeu que aquele sentimento era uma merda em todos os sentidos. Xingava tudo que via ou esbarrava. Quando viu suas roupas jogadas pelo quarto, ela nunca amaldiçoou tanto um ser humano. Se sentia usada, ultrajada, como se fosse um brinquedo na mão daquele homem. Mas o que fazer? Ficar negando até a morte e continuar sendo ridícula em sua presença? Não. No momento em que aquela verdade ingrata atingira seu peito, Katarina percebera que não podia negá-la. Não iria ficar se enganando, como fizera uma vez em assuntos do coração.
Agora que parara para pensar, talvez todos tivessem algum... trauma guardado em seu coração. Juliete era o de Talon, e Katarina riu ao ter um nome em sua mente. Somente aquele nome para fazê-la rir naquele momento. Já havia passando tanto tempo... Aqueles dias faziam, definitivamente, falta. Mas Katarina sabia que Elliot não tinha jeito. Afundou a cabeça na água ao se lembrar do nome. Pensou nele como pensava há três anos. Pensou nele como se estivesse vivo. Mas ele estava... Levantou-se com pressa da banheira, encarando o pequeno espelho a sua frente.
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Talon estava sentado em um canto do sofá do escritório do general e Katarina no outro. Ambos estavam com os braços cruzados, encarando Marcus com uma expressão raivosa. O general se sentia levemente constrangido com aqueles olhares flamejantes.
– Seja qual for o problema de vocês dois hoje, eu espero que quando eu voltar vocês tenham o resolvido. — Ao dizer isso o general se levantou e foi calmamente até a porta.
Um longo silêncio se instalou no escritório. Katarina encarava friamente a típica garrafa de vidro de Marcus que sempre tinha whisky, sua boca salivara por um momento e se não estivesse esperando seu pai para saber sobre a próxima missão, ela tomaria todas. Já Talon apenas estava recostado olhando para o lustre como se fosse a coisa mais interessante. Se Katarina queria o silêncio, o silêncio ela teria. Talon começou a bater o pé, tentando que ele acompanhasse as batidas de seu coração, o tédio era uma coisa surpreendente.
– Dá pra parar? — Katarina falou irritada o olhando.
– Com o quê? — Ele acelerou um pouco o passo, ainda acompanhando seu coração, porém sem olhá-la.
– Com esse barulho irritante.
– A única coisa irritante aqui é você. — Katarina entre abriu os lábios e continuou o olhando, se parasse de fazê-lo, não sabia o que podia acontecer. Talon viu sua face pelo canto do olho e controlou sua curiosidade de olhá-la. Aquilo era uma guerra e havia ganhado uma batalha ontem, mas ele sabia que não era nada comparado as outras que viriam.
– Se resolveram? — O general entrou na sala e Katarina voltou a atenção toda para ele. Sentou-se e olhou para os dois. Sua resposta foi o silêncio, deu uma pequena bufada e cerrou os lábios. — Que maravilha. Vocês foram para Freljord, e agora irão visitar outra cidade. Adoraria estar no lugar de vocês.
– Vocês? — Katarina falou amarga.
– Decidi mantê-los juntos nas missões. Apesar de cada um trabalhar sozinho, ter uma equipe é sempre algo bom.
– Sempre trabalhei sozinho, Du Couteau. — Talon se manifestou ainda de braços cruzados.
– Eu sei disso. — Ele puxou o ar e deu um longo suspiro. — Você teve uma missão que era proteger Katarina. Teve outra junto à ela por causa de Cassiopeia. Aquela missão era inicialmente sua, mas ela interveio. — Talon pela primeira vez a olhou, com fogo nas pupilas castanhas. — E agora terá outra com ela e mais alguns soldados, não vou correr risco de perder meu melhor homem.
– Eu não sou o seu melhor homem, general. Você pode mandar muito bem outro em meu lugar.
– Pare de fugir! — Katarina falou sobressaltada, o olhando indignada com a atitude estúpida dele.
– Fugindo? — Talon voltou a olhá-la com um sorriso irônico. — Senhorita, na última missão você teve um ataque histérico.
– Eu não tive porra nenhuma! — Ela quase berrou, se controlando para não voar em Talon por causa da raiva.
– Parem vocês dois. — Marcus disse calmamente, tentando ignorar a discussão que presenciara. — Vocês dois são prioridades minha, sabem disso. — Ele olhou para Talon. — E a menos que você queira voltar para o subterrâneo e ser caçado, — Olhou para Katarina. — e você queira ocupar o lugar de sua irmã, vão ter que me obedecer.
– General, isso foi um golpe muito baixo. — Talon disse se levantando. — Me avise para mais informações.
– Talon, ainda não vá. — O assassino o olhou pelos ombros com um olhar de desdém. Marcus sorriu por dentro. — Katarina, você pode se retirar.
– O quê?! — Ela se levantou e meteu a mão na mesa do general, o olhando nos olhos, verde com verde.
– Se vocês insistem tanto em ficar... — Marcus riu de canto e girou a poltrona, olhando para a estante atrás de si. Pegou uma pasta preta e estendeu na mesa. — Vocês são uma equipe só, apesar de serem divididos em três grupos. — Talon pegou a pasta e a folhou, vendo algo parecido com currículo, cheio de fotos e descrições. — Nove pessoas. Três grupos. Um de ataque e dois de defesa.
– Dois? — Katarina sussurrou, fitando a pasta. — Qual é o nível da missão?
– Alto. — O general falou engolindo saliva.
– O quão alto? — Ela pegou a pasta e a folheou também. — Aqui estão os melhores assassinos de Noxus. — Olhou para Marcus sem entender.
– Nível vermelho, Katarina. Estamos em guerra.
– Eu estarei em qual grupo?
– Defesa. — Ele desviou o olhar.
– E eu? — Talon puxou a pasta de novo, e Katarina o olhou irritada.
– Ataque. — Marcus se levantou depressa. — Talon, você irá comandar a missão.
– O QUÊ?! — Katarina soltou um grito, encarando Marcus com ódio. — Como pôde, pai?
– Kat, ele é um ótimo ladrão. E você ainda nem sabe do que se trata a missão. — Marcus falou tocando-lhe o ombro. — E se caso a equipe de ataque tenha que dormir com algumas mulheres? — Deu alguns tapinhas de leve, e saiu do escritório.
Katarina fitou o nada e Talon não deixou de perceber a face desamparada dela. Sorriu ao vê-la demonstrar emoções que estava lutando para conter. Seu sorriso morreu ao se lembrar das palavras ditas na noite anterior. Talon queria ter rido na cara dela, mas apenas disse que sabia. Apenas a olhou nos olhos, mas não viu ali refletido Katarina. A única coisa que viera em sua mente foi um tronco velho, se despedaçando. Era ridículo pensar em felicidade, ou até mesmo estar com Katarina. Não que o sentimento que ela tinha fosse ridículo... Ou talvez fosse. Na verdade, ele não sabia mais de nada. Foi por isso que a noite anterior se resumiu em uma doce dormência, tão prazerosa e tão desejada. Talon sentiu sua sede de saciar, sentia como se aquele desejo pudesse por fim, ser controlado. E era isso que ele queria.
– Então você vai dormir com outras mulheres? — Katarina o tirou de seus devaneios. Ele a olhou com um olhar confuso, se perguntando se ela realmente havia falado aquilo.
– O que você disse? — Talon soltou a pasta na mesa e cruzou os braços, a encarando com raiva. Katarina soltou uma risada nervosa e voltou sua atenção para a porta.
– Você realmente tem vocação. — Ela lhe lançou um último olhar e andou para porta.
– Vocação? — Ele riu sarcástico, sabendo que deveria ter a ignorado.
– Pra ser idiota. — Ao dizer isso, saiu pela porta e a bateu com força.
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Talon andava pelas ruas noxianas com uma áurea irritante, e sua irritação era claramente percebida devido a quem estava atrás de si, andando com uma cara entediada. Ele não estava bravo com as últimas palavras de Katarina, e sim com o comportamento dela. De certo, ele tinha um pouco de culpa. Mas iria fazer o quê? Pedir desculpas por sair depois do sexo? Por não dormir com ela? Katarina não era nenhuma criança. Se ela não entendia que eles não tinham nada, logo ela perceberia isso.
Chegaram aos enormes portões que davam acesso ao palácio do Alto Comando. Talon congelou ao encarar um guarda. Ver homens fardados nunca foi seu forte, mas ao perceber que iria se tornar um, o fez rir. Katarina passou a sua frente esbarrando com força em seu braço. Cerrou seus olhos e a fitou irritado.
– Katarina Du Couteau, protocolo 110. — Ela disse com uma cara de desdém, olhando o soldado dentro da cabine.
– Autorizada. — Ele disse retribuindo o olhar. — Quem é esse?
– Protocolo 110. — O respondeu ríspida.
– Não autorizado.
– Soldado, — Ela encostou seu corpo na parede fria da cabine. — são ordens do general Du Couteau.
– Ele não consta no sistema — Katarina o olhou raivosa, e depois olhou para o céu nublado sem neve. — ainda. Entrada autorizada. — Ela arregalou os olhos.
– Como?
– Ordens superiores. — Ao dizer isso, o grande o portão se abriu e seguiram subindo aquele morro sem fim.
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– O que foi aquilo? — Talon quebrou o silêncio enquanto seguiam para as portas do palácio.
– Ah, você resolveu falar que nem gente.
– Não começa, Katarina. — Ele passou os soldados que guardavam as portas e começou a andar mais rápido.
– Eu? Olha quem tá falando! — Ela deu uma corridinha e Talon se estressou só ao ouvir o som do salto bater com o chão de mármore.
– Você tá me irritando. — Ele rangeu.
– Ontem você não parecia irritado. — Ah, aquilo foi golpe baixo. Por acaso aquilo era de família? Ele se virou, a olhando irado.
– Era só sexo. — Talon sentiu o veneno em suas próprias palavras. A vontade de feri-la se espalhou por todo seu corpo, sorriu internamente esperando que ela saísse correndo.
– Se era só sexo, por que você implorou? — Um sorriso nasceu nos lábios de Katarina, ela não parecia afetada com a crueldade das poucas palavras jogadas ao ar. — Você poderia ir muito bem para seus adoráveis bordeis, aposto que suas putas devem sentir sua falta.
– Isso é verdade. E ainda bem que elas não se declaram para mim, se não eu fugiria. — Ele decidiu entrar no jogo.
– Quer dizer que não era verdade? — Katarina se aproximou de sorrindo e tocou o braço onde anteriormente tinha empurrado com o ombro. — Já disse para parar de mentir, será que só sabe fazer isso? — O sorriso dela parecia congelado. Talon sorriu sínico.
– Difícil manter seu sorriso, Katarina? – Ele pegou a sua mão que ainda tava em seus ombros e a segurou com uma força desnecessária. – Você está agindo que nem uma criança. – Ele sentiu os olhares dos soldades e subiu a mão para o braço dela, a puxando com força contra si e encostando seus lábios na altura de seu ouvido. – Foi sexo e foi bom. Não foi a sua primeira vez, muito menos a minha. Então pare de agir arrogantemente antes que eu me arrependa.
– S-Se você parar. – Katarina abafou um gemido e olhou para a sua própria mão que Talon apertava contra seu braço. – Agora... Você tá me machucando.
– Desculpe. – Ele a soltou, e Katarina se lembrou de como era respirar. Talon continuou a seguindo, enquanto ela andava com uma expressão confusa em sua face.
No momento em que entraram no escritório de Swain, ambos instantaneamente prenderam a respiração. Havia oito pessoas na sala sem contar o próprio dono do escritório e sua secretária. Talon reconheceu o rosto da jovem de curtos cabelos platinados.
– Vocês estão atrasados. – Swain falou apontando para um sofá pequeno para que se sentassem.
– Um soldado seu o bloqueou. – Katarina inclinou a cabeça para Talon e ambos se sentaram.
– Que seja. – Um homem moreno de cabelos castanhos claros falou no canto da sala.
– Caleb. – Riven disse com um tom de reprovação.
– O general Du Couteau avisou para vocês que haveria uma nova missão, e ela será de alto nível. Talon, Caleb e Riven, grupo de ataque. Katarina, Daiki e Angus, grupo um de defesa. Aro, Cloud e Piega, grupo dois de defesa. Os primeiros nomes são os líderes, essencialmente Talon. A missão de vocês é seqüestrar um navio.
– Navio?! – Riven falou sobressaltada.
– Há hexplosivos que Singed precisa no navio de comércio de Ziggs. Porém, entrar em Piltover será difícil e seqüestrar um navio mais ainda. Distribua as pastas. – A secretária de Swain o obedeceu. – Na pasta que receberão está a planta do navio e onde os hexplosivos estarão. São mais de duzentos homens a bordo e quero o mínimo de mortes. O Céus Bombardeados é um dos navios mais conhecidos e o maior do porto de Piltover. Há três pessoas na missão que são essenciais. Talon, que irá liderar. Aro, que matará o capitão e assumirá o comando do navio. E Daiki, eu não quero um arranhão em você. – Ao dizer isso, Swain fitou um rapaz encostado na parede. Tinha sua cabeça cabisbaixa, mas via-se sua face. Os cabelos pretos eram longos e estavam pretos em um rabo de cavalo. O rapaz apenas suspirou e olhou para o lado. – Dispensados.
– Katarina. – Após saírem do escritório de Swain, ela ouviu seu nome ser chamado. Ao se virar, apenas encarou orbes negros como a noite. A pele era pálida, quase mórbida. Aqueles mesmos olhos eram puxados, e apesar de o cabelo estar preso em um rabo de cavalo, ele escorria pelas costas como uma cascata.
– Quem é você? – Ela tratou de falar após uma longa análise.
– Você não precisa saber. – Ele lhe estendeu uma carta. – Entregue ao general. – E quando disse isso, virou-se e Katarina o observou sumir no corredor, com os longos cabelos negros balançando.
Observou aquele papel tão impessoal. A folha era branca sem algum sinal de marcas ou manchas. O lacre era um símbolo da qual ela não conhecia. O nome Marcus estava escrito com uma letra galante, e a tinta não estava fresca. Ele parecia ser íntimo de seu pai. Mas quem quer ele fosse, ele não era um noxiano.
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