A Dominação De Lâminas

24 To face the fear, I once believed the tears of the dragon for you and for me


Notas iniciais
Quem é vivo sempre aparece (?) Capítulo dedicado à TayLemon, que quase me matou do coração com tanta ansiedade! A Shi me disse que a minha história foi considerada abandonada. Olha, ela não foi huahauhaah Eu amo esse casal, nunca vou parar de escrever sobre eles! Mas sim.. Eu demorei. E demorei muito. Mil perdões. Mas acho que o capítulo ficou até que grandinho vai... Ou não. Não sei. aproveitem!

A Dominação de Lâminas

Talon olhava o nada. Seus olhos não o fixavam, apenas estavam ali, abertos, dilatados. Sentia-se castrado. Sentia-se um perdedor. Havia uma palavra travada em sua garganta, mas jogado aos pés daquela porta, ele não conseguia pronunciá-la. Não conseguia nem sequer achar um sinônimo para aquela maldita palavra, tão pouco para aquela sensação.

Ele fechara a porta, de certo. Ele quis sair do quarto dela. Ele a quis matar. Ele queria matar Katarina e depois morrer. Não estava arrependido... ainda. Mas sentia que em breve esse sentimento chegaria... E Talon adoraria a matá-la.

Era uma simples verdade. No momento em que a possuíra, ele viu nitidamente, clara e grandiosa, a submissão. Oh não, não era somente a dela. Ele sentia-se castrado. Um escravo. Talvez aquela fosse a palavra. O sexo com Katarina o tirou do limite, e ele teve vontade de matá-la. Porque o fraco era ele. Ele não conseguiu se conter, ele a seduzira. Não sentiu vontade de matá-la porque ela estava apaixonada. Sentia vontade de matá-la para eternizá-la. Ela e aquele momento.

Talvez fosse oficial, ele havia virado um sádico. Ou até mesmo se perdido na loucura que sua cabeça lhe implantava. Mas uma coisa era certa... O limite do desejo e da paixão já não era mais diferenciado, era apenas uma quente movimentação dentro de si, lutando para ser liberada. Mas Talon era fraco demais para deixá-la florescer.

.

.

.

– Vamos para a mansão. – Talon falou se aproximando de Katarina com a carta na mão. Os orbes verdes encaravam o escuro de um corredor. Estava perdida em pensamentos. – Katarina.

– Hm. – Ela apenas grunhiu sem se importar.

– Quem era ele? – Talon cerrou os olhos. – Daiki?

– Daiki?! – Ela o olhou imediatamente com os olhos os olhos arregalados. – Esse nome não é noxiano.

– Sim, mas esse cara tava na reunião. Swain mesmo disse que não queria um arranhão nele.

– Daiki... Daiki... Daiki! – Ela por fim concluiu, pegou o braço de Talon e saiu do palácio o arrastando.

Katarina segurava Talon pelo pulso, e a única coisa que ele fizera foi deixar-se levar pela assassina de cabelos vermelhos. Quando a olhou depois de saírem do escritório de Swain, Talon se lembrou do frio contato da porta contra suas costas naquela noite. Indo um pouco para o fundo, ele começava a gostar dela. Sem dúvida, gostava de ser guiado assim, de deixar seus pés livres para que alguém o mostrasse o caminho, era uma singela forma de mostrar que alguém se importava com a existência inútil dele. Gostava de aprender com ela. Gostava de vê-la reagir diante de alguns obstáculos. A admirava em segredo, e odiava isso. Uma hora, queria matá-la. Outra, a seguia como se sua vida dependesse disso. Colocava em sua cabeça que aquilo era só sexo, e que seu desejo estava muito bem saciado. Porém, por que ele sentia calor apenas com aquele toque? Ela apenas tocava seu punho.

– Katarina, não íamos para a mansão? – Talon quis afastar seus pensamentos. Ele reconheceu o lugar onde estavam como o velho e conhecido centro de Noxus. E imundo também.

– É, mas... Preciso ir a um bar. – Ela lhe respondeu ansiosa. Não era possível que aquele cara havia a deixado assim, era?

– Um bar às três horas da tarde? – Ele tentou descontraí-la e assim saber o que estavam fazendo ali.

– Eu preciso de uma informação... – Ela o soltou e o encarou. Ficou poucos segundos o olhando, mas Talon sabia que ela não estava ali. – Você trouxe dinheiro?

– Quanto é essa informação? – Talon riu com deboche. – Você sabe, eu sou pobre.

– Era. — Talon voltou a rir. – Se for um homem... – Katarina pensou alto, olhando para o céu que começava a fechar. Tinha que ser um homem. Caso contrário, seria Talon...

– Vai trepar com ele por uma informação? – Ele tentou a completar e assim a retirou de seus devaneios.

– Trepar? Você ta achando que eu sou o que? – Katarina pegou a gola de sua blusa e se aproximou.

– Não sei. Me diz você. – Um sorriso falso nasceu nos lábios dele e ela conseguiu o reconhecer. O soltou e continuou andando.

Aquela era a coisa que Katarina mais odiava. Tanto Talon como seu pai sabiam de seu ponto fraco. Porém, Talon o dizia como se não soubesse, e por incrível que aquilo podia parecer, Katarina não queria magoá-lo ao jogar na cara dele suas próprias lembranças.

Ao chegarem ao bar, Katarina pediu para que Talon ficasse longe dela. Ela podia jogar um charme no homem, mas dormir com ele não. E se Talon estivesse ao seu lado... Bem, ela queria que ele estivesse.

Sentou-se em uma mesa iluminada por uma luz fraca. Do seu lado estava um homem maior que a média dos noxianos, a barba negra era longa e lisa, e os cabelos negros estavam curtos. Ela conseguia ver os cabelos brancos nascendo. Katarina soube que era ele. Tinha que ser ele. Jogou um pouco de charme barato e ele caiu que nem um pato. Homens daquele jeito eram uma vergonha pra sua nação, mas ela agradecia por eles existirem. Ela ria por dentro e sabia que a informação estava próxima. Ela pedia doses de algumas bebidas que ela nem sabia o nome. Sua risada deixava a sua boca por vontade própria a cada palavra que aquele homem falava. Ela ria como se a sua vitória estivesse perto. Mas ela estava, não negaria.

– A mulher é realmente muito bonita. – O homem atrás do balcão disse para Talon que olhava Katarina de cinco em cinco minutos. O assassino não entendeu.

– O que disse?

– Disse que a mulher que olhas é muito bela. – O homem era magrelo e seus cabelos grisalhos denunciavam a sua idade. Talon riu, reconhecendo aquela pose habitual.

– Realmente, em tantos lugares que ela poderia ir, ela me traz justo aqui... – Talon disse baixo para si mesmo. Olhou o homem encostado na prateleira cheia de bebida atrás de si. – Há quanto tempo não te vejo, Lear...

– Achei que você tinha sido morto, moleque. – Talon forçou uma risada enquanto tomava seu whisky. – Mas aí me falaram que você agora trabalha para o Alto Comando... Eu fiquei chateado. – Os olhos castanhos do homem o fitaram com um brilho venenoso. – É verdade?

– Por que não seria? – Ele colocou o copo com apenas gelo na mesa de madeira e pegou o cigarro que estava cinzeiro. – Vieram vários homens. Fui brincar e acabaram acertando as minhas costas...

– Quer dizer que implorou por sua vida? – Lear riu alto. A boca faltando dentes foi uma visão desagradável para Talon.

– Eu nunca faria isso. – Tragou o cigarro em silêncio. – Parecia o contrário.

– O contrário? – Ele continuou a rir. – Não minta, garoto. Nós, homens, temos vergonha de assumir quando se implora a vida.

– Eu não tenho vergonha. – Ele disse soltando a fumaça em direção ao homem. – O general Du Couteau me quis como soldado. Não pude negar.

– O cachê é bom? – Talon não sabia do que ele tanto ria. Olhou para os lados para ver se estava sendo observado, mas ninguém prestava atenção naquela conversa.

– Por que quer saber?

– Não se ofenda, garoto, mas a maioria aqui não tem a mesma sorte que você... Então, andar por esses lados pode se tornar meio perigoso.

– Sorte? – Foi a vez de Talon rir amargo. – A maioria desses assassinos e mercenários não passaram nem por um terço que eu passei.

Ele olhou uma ultima vez para Katarina. Havia uma leve irritação ao vê-la sorrir daquele modo vulgar. E havia também uma leve embriaguez em suas veias. Era ele que iria pagar as bebidas. As suas. A dos dois. Aqueles dois vermes de mereciam. Katarina agia como uma meretriz. Mas Katarina virou sua salvação no momento em que o olhou e silabou “pague”. Ele quis atacar o copo de vidro nela.

.

.

.

– Conseguiu o que queria? – Talon lhe perguntou quando já se encontravam fora do bar e caminhavam até a mansão.

– É um nome ioniano. – Ela disse com um sorriso bobo nos lábios.

– E o que mais... ? – Ele esperou por uma resposta. E ela foi a mais decepcionante.

– Eu só queria saber isso mesmo! – Katarina disse com uma voz de quem descobria o mundo.

– Você me fez gastar 130 coaus¹ pra isso? – A ira transpareceu nos orbes castanhos. – Está bêbada, Katarina. Vamos para a mansão.

– Talon, mas eu—

– Chega. – A ira se transformou em algo que Katarina achava ser a indiferença. Mas não era. Talon estava irritado. O tom de voz que usara foi idêntico ao de seu pai. Ao perceber isso, seu sorriso morreu.

– Eu precisava saber. – Ela tentou dizer algo inteligente, ou o suficiente para não ser rotulada como idiota.

– Saber de quê? A origem de um nome? – Talon deixou transparecer a sua frustração. Katarina estava errada. Aquilo não era ira, muito menos indiferença. Ele estava frustrado.

– É claro! É um ioniano Ta—

– Se você quer sair pra beber, pega a porra do seu dinheiro e vá sozinha.

– Tá com ciúmes?! – Katarina parou e tocou seu ombro para que ele a olhasse. Se arrependeu no segundo seguinte quando o castanho cruzou com o verde por milésimos de segundo. Talon continuou andando com as mãos no bolso da calça, a ignorando. – Responda quando alguém perguntar algo pra você!

Aquilo o provocou. Quem Katarina achava que era para falar com aquela voz pra cima dele?

– Ao contrário de você, eu não tive uma mãe pra me ensinar. Eu decido o meu certo e o meu errado. E decido se quero te responder ou não.

– Você acabou de admitir! – Talon riu. Ela estava bêbada.

– Se você achar isso te faz melhor. Só devolva o meu dinheiro depois.

.

.

.

Batidas foram ouvidas por Katarina. No momento em que as ouviu, ela percebeu que havia caído no sono. Estava no seu quarto, mas não estava em sua cama. Foi quando levantou a cabeça e viu com dificuldade o seu reflexo no espelho a sua frente. Sua garganta estava seca. As batidas não continuaram e Katarina olhou para a porta para ter certeza que não era uma alucinação. Pulou na cadeira e quase caiu quando viu Talon, encostado na porta aberta, a olhando.

Ela não conseguia ver-lhe a face, o cabelo que já estava comprido e seu quarto sem luz a impedia de vê-lo. Seus batimentos cardíacos aceleraram. Há menos de um dia, ambos encontravam-se nesse mesmo quarto, na mesma cama ao seu lado, desfrutando a luxúria que cada um podia proporcionar ao outro. Katarina ainda sentia aqueles dedos frios em seu corpo, apertando sua pele. Ouvia aquela voz sussurrando seu nome. Um arrepio passou por seu corpo com as lembranças. Mas os lábios de Talon eram completamente opostos à aquela arrogância. Se Talon era arrogante em quase tudo, seus beijos também seriam. Mas não eram. E Katarina sabia. Eram quentes, sedentos, como se ele precisasse dela.

– Vai ficar quanto tempo me encarando? – Ele disse em bom tom. Ela apenas via sua silhueta. A luz que vinha do corredor apenas contribuía para que Talon fosse visto como uma sombra. E ele era, pensou.

– Eu não consigo te ver. – Katarina sussurrou com uma voz manhosa. Se Talon fosse um pouco mais flexível, ele teria deixado aquelas palavras entrarem em sua mente naquele momento e fazerem um estrago. Mas ele não deixou. Ele sabia o que aconteceria.

– Acenda a luz. – Sem mais delongas, ele mesmo acendeu, percebendo que ela não se moveria. A visão de Katarina escureceu com a luz e depois ela se recuperou.

Talon a pôde ver melhor. Riu baixo ao perceber que ela havia dormido em cima da escrivaninha. A face sonolenta o amoleceu um pouco. Era a mesma face que ele não quis ver quando esse dia amanhecera.

– Vá se trocar, se você for com essa roupa, passará frio.

– Ir onde? – Ela se despreguiçou e viu a malha fina que usava.

– Temos uma reunião, Katarina.

– Reunião? – Katarina tentou raciocinar. Ou ao menos ligar os pontos. Sua cabeça começava lentamente a doer. A ultima coisa que se lembrava era chegar em casa acompanhada de Talon. Katarina sorriu com a lembrança. Para quem horas antes a tratava como uma vadia qualquer, ele estava até que se preocupando bastante.

– Para decidir como vamos entrar no navio. – Ele revirou os olhos, irritado com aquela lerdeza desabituada de Katarina. – O seu pai não te avisou? Riven ligou a pedido de Darius. Achei que Swain não nos faria atravessar o continente no meio do inverno. Eu estava errado.

– Espere tudo de Swain. – Ela lhe respondeu se levantando e abrindo seu guarda roupa, retirando uma jaqueta de couro e a vestindo.

– Sem banho? – Ele riu. – Você está com cara de ressaca.

– Heh, não estamos atrasados? – Ela disse fazendo pouco caso enquanto prendia seu cabelo em um rabo de cavalo alto.

– Dentro da hora.

– Eu não quero me atrasar de novo.

– Você que se atrasou aquela hora ao começar a falar. – Katarina o ignorou. Estava satisfeita com a falta de palavras arrogantes. Aquela harmonia a surpreendera, e de um jeito estranho, a confortara. Não queria estragar o clima.

– Você tem algum cachecol? – Ela foi aleatória. Talon não conteve o riso.

– Você não tem? – Ele lhe respondeu, prevendo seus atos.

– Vou pegar um no seu quarto. – Ela se esquivara completamente de tudo o que Talon poderia falar. Passou por ele com tranqüilidade e foi até aquele quarto.

.

.

.

Katarina abriu um guarda roupa igual o seu. Seus quartos eram bem parecidos. Talon tinha a mesma vida que ela. Riu de seu pensamento. Ele era marcado por tudo o que ele tinha vivido. E por tudo que ele não havia vivido também. Suas vidas eram diferentes, mas cruzaram pelos mesmos motivos mercenários. Quem dizia que laços chamados de imorais, cruéis, não formavam laços afetivos? Apesar de tudo o que acontecia, ela se sentia ligada a ele de algum jeito e até mesmo antes da noite anterior. Mas, se antes ela se sentia assim, quando o dia amanhecera ela achava que aquele buraco entre os dois havia aumentado. Não se cansava de dizer a si mesma que estava surpresa com aquela atitude descontraída que Talon havia tomado. Mas ela sabia que ela logo passaria.

O cheiro de cigarro bateu quando ela abriu as portas. Aquele cheiro entrou em suas narinas e a arrepiou dos pés a cabeça. Katarina se lembrou de quando o seguiu até o casebre que ele morava anteriormente. Sorriu. Aquela casa emanava cigarro e whisky barato. Katarina notou que desde que Talon chegara, ela não conseguia desgrudar dele. Ele havia sido o rompimento com a monotonia. Eram raros os momentos que agora voltava a sua solidão antes tão costumeira. Talvez fosse aquele um motivo para estar apaixonada.

Tocou em suas roupas escuras. A tonalidade era semelhante ao de seu guarda roupa. Ela não entendia aquela sensação que estava travada em seu peito. Bastava ele soar sem arrogância – e sem gentileza – para que ela quisesse gritar. Mas estava travado em sua garganta. Fitava as roupas. Queria se trancar naquele guarda roupa e aspirar aquele cheiro até que o sangue que corria por suas veias fosse misturado com ele. Assemelhava-se com um vício. Sentia-se uma viciada. E precisava. Precisada daquele cheiro levemente entorpecedor.

Olhou de baixo dos cabides e achou um pano cinza que havia sido jogado de qualquer jeito. Ela reconhecera aquele ato. Aos poucos, ela começava a decifrá-lo. Enrolou aquele pano macio em seu pescoço. Virou-se com um sorriso no rosto, mas ele se perdeu no momento que viu seu pai parado na porta.

– Há quanto tempo está aí?

– Faz pouco tempo, Katarina. – O general esbanjava um sorriso enigmático nos lábios. – Você vai acabar se atrasando.

– Por que não me avisou?

– Achei que gostaria que Talon fosse te avisar. – Sua voz era irreconhecível. Marcus sabia como não ser decifrado.

– Obrigada de qualquer jeito. – Ela fingiu educação para conseguir se esquivar novamente. Saiu pela porta demonstrando indiferença ao que Marcus dizia. Mas aquilo ecoaria mais tarde. Talon a esperava a menos de um metro de onde estavam. Ela esquecera completamente da carta.

Notas finais
1. Coaus - "coos" Inventei uma moeda. 1 coau é o mesmo que 1 real.