A Dinastia e o Destino
5 Rio Escarlate
O sol mal havia aparecido e Lizzy já estava pronta, apesar do sono pesado e sem sonhos, tinha quase certeza de que ninguém havia ousado invadir seu quarto durante a noite, pelo menos não ainda e quando o fizessem...
Estava com as habituais roupas, a diferença eram as armas expostas, além das adagas uma espada árabe na cintura, duas laminas gêmeas despontando dos ombros e uma besta presa ao antebraço direito, mas o que mais chamava atenção era que havia trocado o habitual capuz negro por um vermelho sangue com o brasão Solli estampado em dourado. Assim que terminou de verificar as armas escondidas pela roupa e o veneno nas botas saiu ao mesmo tempo que os outros, um leve aceno de cabeça e já estavam em formação.
Ninguém fez perguntas quando eles saíram do palácio e foram até os estábulos buscar os cavalos, na verdade, ninguém se atreveu a lhes direcionar o olhar. Como havia prometido, Lizzy estava de mau humor, mesmo com as três camadas de roupa, ainda sentia o frio enrijecer seus músculos, sem falar de como aquela camada de neve no chão a atrasaria se precisasse correr, e qualquer rastro da noite anterior, estaria apagado.
A neblina cobria totalmente o céu e mal dava para enxergar muitos metros a frente. Ela subiu em seu cavalo que assim como os outros quatro era magnífico, todos negros para serem sombras juntamente com os montadores
Haviam sido presentes do rei estavam com as mesmas montarias há dois anos e os animais pareceram se acostumar tão bem que acompanhavam as manobras, sabiam as posições e quem era o verdadeiro líder.
—Merda – Lizzy xingou ao sair do estábulo e entrar em contato com a neblina gelada – Alícia e Rick vão até a cidade e falem com os moradores, Francis vá até a casa que foi invadida e não houve vítimas – ela lhes entregou um papel com os endereços – Alcazar você vem comigo fazer o reconhecimento da floresta ao redor das montanhas no limite da cidade – Antes que um deles pudesse reclamar da tarefa recebida ela bateu com os calcanhares na lateral do animal que disparou para longe.
A respiração pesada do animal se condensava imediatamente, estava um pouco mais lento que o normal pela quantidade de neve, Lizzy sentiu pena por ter de levá-lo até lá, deu alguns tapinhas em seu dorso e se aproximou das orelhas ao dizer:
—Sinto muito, vou recompensá-lo quando voltarmos, nada de frio ou trabalho continuo para você, algumas guloseimas e talvez me perdoe – ela o acariciou antes de bater novamente nas laterais, o animal bufou em resposta, mas acelerou.
Quando chegaram à entrada da floresta, Lizzy entrou apenas o suficiente para que as árvores dessem alguma proteção contra a neve que logo voltaria a cair, desceu agilmente do animal, amarrou-o em uma árvore e buscou algo na bolsa em sua lateral e retirou um cobertor, que além de algumas maçãs, era a única coisa ali dentro, e jogou por cima dele.
—Eu volto logo – ela acariciou seu focinho antes de olhar para trás a tempo de ver Alcazar fazer o mesmo – Vamos
A floresta estava branca, a neve cobria tudo, parecia abafar até mesmo os sons dos pássaros, se é que havia algum, ambos andavam tão silenciosamente que nem pareciam estar ali. Lizzy era uma mancha de sangue fluida em meio ao puro branco, por algumas vezes ela se agachava para inspecionar o que fosse no chão, analisava marcas nas árvores, mudava de direção repentinamente, mas não dizia uma palavra sequer até simplesmente parar e perguntar:
—Não esta sentindo nada incomum, não é?
—Não
—Eu temia isso... – ela respirou fundo e quando expirou o ar aqueceu o interior da máscara– Essa criaturas são envoltas em escuridão, daria para sentir, deveria pelo menos, mas estão aqui, escute – ela se silenciou e se permitiu encarar Alcazar enquanto ele fazia uma careta
—Não ouço nada
—Exato, esse silêncio anormal, é a floresta e qualquer outra coisa que viva aqui nos avisando, avisando que há algo errado... — ela parou por instante – Esse não é o nosso tipo de trabalho, temos que ir — ela se apressou na direção de Alcazar, mas ouviu um estalo e parou imediatamente em pose defensiva.
Reduziu a respiração, com aquelas coisas não bastava um rosto neutro, todos os seus sentidos eram observados, estavam muito além dos humanos, precisava acalmar os batimentos do coração, evitar que seu cheiro se espalhasse por todo aquele lugar e o mais importante, encontrá-lo e como esperava, o som veio de uma direção completamente diferente do local onde ele apareceu, no entanto...
De trás das árvores um homem apareceu, o rosto inexpressivo com a expressão calma demais, movimentos calculados e graciosos, mas algo nele não era certo, os olhos eram amarelos, dourados em um tom intenso quase como brasa e quando a viu um sorriso feral se estampou em seu rosto que era belo, belo demais para ser humano
—O que faz nessas florestas? – o sorriso se alargou revelando caninos pontudos – É perigoso aqui
Lizzy tratou de sair da posse defensiva e arrumar a postura, controlando rapidamente a vontade de atirar as mãos as armas.
—E você? Imagino que seja um caçador então, já que esta aqui – ele não moveu um músculo quando ela passou a se aproximar lentamente, precisava analisar mais do que olhos brilhantes no meio da nevoa, se aproximar era o único jeito.
—Ah eu sou, um muito habilidoso se me permite dizer
Com forme se chegava mais perto ela podia ver melhor o que a nevoa antes encobria, várias cicatrizes, a barba e o cabelo grisalhos, detalhes, precisava de detalhes, as roupas, apenas uma calça e uma camisa de manga comprida, como suportava o frio? Mais um passo, precisava de mais alguma coisa, nenhuma arma a vista, bingo.
—Então quem sabe possa nos ajudar – ela sabia que Alcazar que era um muro de músculos estava bem atrás dela pronto para sacar o machado assim que ele respirasse errado, mas ele mantia o olhar apenas nela
—Sim?
Estava próxima o bastante para sacar a espada e lhe cortar o pescoço
—Também somos caçadores, será que teria alguma pista da alcatéia?
O sorriso dele se desfez imediatamente e o rosto tranquilo se tornou feral, ela sabia muito bem onde estava se metendo e queria brincar com aquela escuridão que logo apareceria
—Acho melhor que vocês dois saiam daqui
—Ou o quê? – ela se aproximou, estava perto demais
—Como é que os humanos te chamam mesmo? – ele teve de se curvar para ficar na altura dos olhos dela e encará-la – Morte cinza, Emissária da morte, são muitos os seus apelidos não me dei o trabalho de guardar todos
—O que acha que vai ganhar falando comigo? Tempo?
—Não, não, ouça querida – ele juntou as palmas das mãos, endireitou a postura, mas permanecia encarando-a, logo deveriam decidir quem era o predador ali – Sabemos quem você é
—Ah sabem? – ela cruzou os braços com um riso de escárnio – Você não tem nem ideia de quem sou ou de que sou capaz
—Estivemos te observando, tem até um apelido entre nós
—E onde esta a novidade além de não terem descoberto nada além do que todos sabem?
—Só usa esse capuz vermelho quando caça
—É a minha promessa de sangue – agora os olhos dela que se tornaram ferais
—Morte vermelha seria muito simples, então se tornou rio escarlate para nós
—Quanta criatividade vocês têm
—Não é? Tanto seu rosto quanto seu manto se mancham de rios escarlates por conta do sangue quando o veste, então eu vou lhe dar apenas um aviso rio escarlate, se afaste desse território, vá embora, nossa briga não é com você, ainda...
—E é com o Senhor deste continente? – ele rosnou
—Ele tem algo que nos pertence, então nada disso é da sua conta
—Bem, quando me pagam para resolver o problema se torna sim da minha conta
—Se tocar em qualquer um, vou destruir tudo o que ama – ela riu, um riso sem alegria e sombrio, se aproximou o bastante para apoiar a mão no ombro da criatura, era quente e sussurrou em seu ouvido:
—Chegou tarde para isso – por um instante achou ter ouvido a respiração dele falhar, então se afastou e começou a caminhar para longe, para a saída da floresta – Se essa é sua única ameaça contra mim, é melhor se preparar para o rio escarlate — ela riu e seguiu sem olhar para trás até chegarem aos cavalos, nada os impediu de sair.
Só quando finalmente chegaram à cidade que Alcazar se atreveu a perguntar, os cavalos andavam lado á lado, próximos para que ninguém pudesse ouvir
—O que foi... Aquilo? – Apesar da voz um pouco ofegante e parcialmente trêmula, o rosto severo permanecia, observando cada pessoa ao alcance dos olhos, qualquer possível ameaça.
No entanto a garota se demorou observando a multidão, o castelo no limite das montanhas, o sol que já chegava aos céus mandando aquela neblina inútil embora, então seu olhar se perdeu além, ela sacudiu a cabeça antes de responder ríspida e com o humor inabalado:
—Aquilo é o que nós caçamos – Alcazar a encarou incrédulo, mas voltou logo a observar o espaço ao redor, é claro que havia entendido as insinuações, mas aquilo era humano, ou ao menos se parecia com um, porém ela riu com desdém – É contratado e pago por um rei e não faz à mínima ideia do que caça? É realmente um tolo...
—Caçamos Bestas, criaturas enormes, descontroladas, envoltas em morte e criadas pela escuridão, não são humanos – ele ousou responder, desta vez sem falhar a voz e para a sua surpresa ela respondeu calmamente
—Não, não são, pelo menos as cópias baratas que caçamos não
—Cópias? – ela o ignorou ao bater com os calcanhares nas laterais do cavalo e disparar em direção ao castelo sem dizer mais nenhuma palavra.
...
Mal havia parado no estábulo e Lizzy já havia saltado do belo animal, aparentemente os outros não haviam chegado ainda, passou por Alcazar que havia acabado de chegar e disparou uma única ordem.
—Espere pelos outros aqui, depois mande-os direto para o meu quarto, vou dizer ao nosso anfitrião que partimos esta noite.
...
Os criados procuravam passar o mais longe de Lizzy que podiam, quando finalmente conseguiu encurralar um guarda para que respondesse onde o maldito rei estava os desgraçado mal falava uma palavra sem gaguejar e recuar um passo. Estava irritada, o modo como andava denunciava isso, as passadas largas, o manto que oscilava freneticamente atrás de si e o olhar nada amigável, o acontecimento de antes, o que encontrou naquela floresta, a fez pensar que o maldito que a mandara até lá sabia o que a esperava e isso fez seu sangue ferver.
Enquanto caminhava até o escritório do rei, que só então percebeu que não tinha se dado o trabalho nem ao menos de prestar atenção no nome do monarca, sentiu algo puxá-la, não como uma coisa física, mas como se uma coleira fantasma a puxasse para trás, ignorou completamente a sensação ao rosnar baixo fechando as mãos em punhos pela raiva que só aumentava ao ver os guardas do lugar se afastarem, o quão inúteis podiam ser? Ou será que só eram inteligentes o suficiente para manterem distancia? Não queria saber, pensar a deixava com ainda mais raiva. Mal percebeu quando chegou a porta do escritório, não bateu antes de invadir a sala, para sua sorte, quem precisava estava lá, o rei, seu capitão da guarda e o da guarda real Solli, por fim a garota que havia visto apenas uma vez no dia anterior a única que não se espantou com a intromissão ou apenas não se importava. Observou todos na sala encarando o fundo de seus olhos, se demorou mais na garota que ainda não conhecia bem as feições, os olhos azuis eram pequenos e um pouco puxados, eram sérios, mas não frios, o rosto delicado e jovem, a pele branca não chegava a ser pálida na verdade parecia tomar sol regularmente, teria de ir alto nas montanhas para isso no inverno, a boca era uma linha fina e o longo cabelo castanho escuro estava preso em um rabo de cavalo alto deixando a franja longa emoldurar o rosto macio. Do outro lado ela parecia avaliá-la da mesma forma parecia conter o desgosto conforme pressionava os lábios até ficarem brancos, os outros avoados não notaram, Lizzy sorriu por baixo da máscara.
Dessa vez por alguma consideração que ainda lhe restava ou talvez para deixar a atmosfera ainda mais tensa, ela trancou a porta e se recostou nela apoiou um pé e cruzou os braços sob o busto as armas despontando de todo o corpo, o único som era o crepitar da lareira que começava a amolecer os músculos dela enrijecidos pelo frio.
—Nós estamos partindo hoje a noite, no mais tardar amanhã de manhã – ela não olhava para ninguém em específico – Espero que tudo esteja devidamente preparado
—Já cuidaram das Bestas? – O monarca perguntou surpreso com um misto de sarcasmo
—Não é nosso tipo de trabalho – as feições dele se contorceram – Sabe o que habita suas florestas majestade? – Ela falou com um tom irreverente e sarcástico ele retrucou com raiva
—Sei, por isso esta aqui, agora trate de fazer o trabalho pelo qual esta sendo muito bem paga! – ela notou que os capitães levaram as mãos as armas
—Ah – emitiu um estalo com a língua balançando o indicador de um lado para o outro – Não você esta completamente alienado ao que esta te caçando neste momento – ela pode percebê-lo enrijecer na cadeira do outro lado da sala – É isso mesmo, majestade, estão atrás de você, como eu sei? Digamos que encontrei com um esta manhã – ela se desencostou da porta e caminhou até a ponta da mesa empurrando a cadeira para o lado ao espalmar as mãos ali todos agora estavam tensos do outro lado, os encarou por baixo do capuz e cuspiu as palavras
—Estou irritada desde o momento em que coloquei meus pés nessa maldita cidade! Mas me colocar para caçar aquela coisa foi a gota da água! – ela notou a expressão de surpresa do rei e entendeu algo – Você é realmente burro para um rei – ela se afastou da mesa endireitando a postura – Não há Bestas em suas florestas, por isso não há motivo para que eu permaneça – ela deu as costas, mas o som da cadeira sendo empurrada bruscamente a fez virar o rosto ainda sem expressão alguma
—Sua cadela! Esta aqui para fazer o que eu mandar! Chega desses joguinhos!
—Cadela? – a voz era parecida com a de uma criança curiosa, nada de raiva ou arrogância, isso o fez se espantar, ela inclinou um pouco a cabeça para trás antes de continuar com o mesmo tom de voz – Deveria tomar cuidado com o que fala, porque querendo ou não, majestade, sou a única capaz de mantê-lo vivo aqui – ele engoliu em seco ela virou completamente o corpo – Você me chamou aqui para matar Bestas, criaturas envoltas em morte e feitas de pura escuridão, completamente incontroláveis, por isso o nome – ela se aproximou pelo lado direito onde só o capitão da guarda Solli estava, inclinando um pouco a cabeça a cada passo – Mas o que você tem aqui é muito pior, sabe? Essas criaturas são sãs, tão poderosas a ponto de conter a escuridão e voltar à forma humana
—Voltar à forma humana? – ele recuou um passo e esbarrou na cadeira, estavam concentrados demais nas palavras e petrificados pelo gesto animalesco que ela exibia, que não notaram o perigo de deixá-la se aproximar
—Alguém não estudou história direito não é? Mas não sou quem vai fazer o seu trabalho – ela parou a dois passos dele – Eles dizem que tomou algo deles e que por enquanto não tem nada comigo, um problema a menos para mim, mas se estiver disposto a pagar o preço por um trabalho desse nível, então vou pensar se devo esquecer do modo como me chamou – ela recuou voltando as expressões neutras de sempre com o tom sarcástico – Se me dão licença a cadela precisa passear – e bateu a porta ao sair
...
Ao voltar para o quarto, Lizzy encontrou todos esperando por ela ainda armados até os dente, Alícia como sempre estava impaciente e se levantou assim que a viu
—Não vivam reclamando sobre seu salário? Bem esse mês vão ter um bônus ao que parece – ela se sentou na beira da cama, Alcazar a encarava da porta do banheiro com Francis um pouco mais a frente, Rick se mantia a janela e Alícia se aproximava aos poucos depois de ter trancado a porta
—Alcazar nos contou o que aconteceu na floresta, o que esta escondendo de nós? – A ruiva parecia mais nervosa que normalmente, Lizzy começou a se arrepender imediatamente da ideia de fazer duas “reuniões” seguidas, suspirou ao tirar a máscara e jogá-la na cama, o ar frio bateu violentamente contra o rosto abafado
— Não é segredo para ninguém, as pessoas que decidiram ignorar – ela deu de ombros – Na época da magia havia pessoas que eram um pouco peculiares... Nasciam na maioria no reino Luna ou em Penumbre
—O reino da Herdeira da Escuridão?
—Escuridão, noite, sombra, como queira essas pessoas tinham um tipo de magia diferente, tinham essa escuridão dentro de si que eles podiam controlar, para se transformar em Bestas – eles a encaram atentos – Na verdade eram apenas lobos gigantes e extremamente fortes e rápidos, mas acho que dá na mesma, eles diziam que a Escuridão os chamava e que a Lua os guiava, quanto mais tempo passavam naquela forma, mais parecidos com lobos ficavam, mas tinha um preço usar sua própria escuridão, ela lhes tirava a sanidade até se tornarem as criaturas que matamos, o mundo passou a temê-los então foram banidos das cidades e proibidos de ter contato com qualquer humano, foram taxados como bestas e para garantir barreiras mágicas os impediam de ter qualquer contato, mas então nos tornamos incapazes de controlar a magia e ela se foi, assim como essas barreiras, aquilo que vimos na floresta é humano apesar de não totalmente já que parte dele é lobo, os olhos brilhantes como os do animal são a prova, ele é mais forte que qualquer coisa atualmente já que consegue dominar a escuridão dentro de si, percebem no que nos meteram? Se continuarmos aqui exigi que no mínimo fossemos pagos adequadamente – ela desabituou o capuz deixando-o escorrer pelas costas – Agora que já tiveram a aula básica de história podem se retirar e voltar aos quartos, lamento que tenham trabalhado a toa essa manhã – não moveram um músculo, pareciam ainda estar processando as coisas que acabaram de ouvir – Eu sei que não é muita coisa, mas é simples de entender, não precisam fazer essas caras, não é nada lá muito surpreendente, nunca notaram porque não quiseram, agora, estão dispensados – eles a encaram por um instante e aos poucos começaram a se mover em direção a porta.
O dia passou sem que mais ninguém a perturbasse, pensou e repensou quais xingamentos do seu repertório seriam melhores para aquele desgraçado que a enviara até ali, a noite foi um pouco melhor, o mundo estava quieto lá fora, as nuvens enfim permitiram que a lua iluminasse um pouco seu quarto, observava da janela a silhueta das montanhas além, até que um uivo tomou sua atenção, a maioria das pessoas se sentiria assustada, ela apenas sorriu sem pensar muita coisa, quando finalmente decidiu dormir, alguém bateu na porta, baixo o suficiente para que só ela ouvisse.
Caminhou silenciosamente até a porta e esperou, nada, se aproximou e perguntou igualmente baixo:
—Quem é?
—Sasaki, Lucy Sasaki
—Não usa o sobrenome real, o do seu pai?
—Meu pai é estrangeiro nessas terras, o nome de minha mãe que é o verdadeiro representante dessas terras
A voz da garota era bem mais doce do que havia imaginado, apesar de não ser nada gentil
—O que quer a essa hora? – ela estava próxima a porta segurando a maçaneta sem nenhuma intenção de abri-la
—O rei concordou com seus termos, vai pagar qualquer quantia para se manter a salvo
—Ótimo – ela já havia começado a se afastar da porta
—Eu tenho que eles querem... – ela parou, paralisou para ser mais precisa, nem ao menos tinha pensado naquilo, a matança era a única coisa em sua mente, estava se tornando algo extremamente impulsivo ao que parecia e ainda de costas, por algum motivo, como se algo a pudesse ouvir buscou fôlego, pegou a máscara na cama e a colocou enquanto caminhava de volta a porta e abriu, Lucy estava vestida em trajes de couro preto em algumas partes enquanto outras pareciam kimonos e uma espécie de espada muito longa as costas – Preciso que confie em mim – Deveria ser muito idiota porque apenas concordou em segui-la, não tinha tantos problemas já que não tinha se trocado desde que chegara, a voz severa de Lucy parecia sincera e aparentemente aquilo foi o suficiente para deixá-la guiá-la para fora do castelo, para a noite.
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