A Descoberta Da Semideusa

3 Uma surpresa inesperada.


Notas iniciais
Aqui estou eu novamente com mais um capítulo,
espero que gostem...

Eu tinha certeza de que estava dormindo e de aquilo era um sonho, mas ainda assim era real demais e por um momento, realmente pensei que tudo aquilo estava acontecendo.Estava em um lugar totalmente diferente, ali não era a minha casa e muito menos era o meu quarto. Estava em uma colina pelo o que pude perceber, dali eu podia ver uma estranha construção de chalés e alguns outros lugares que eu não sabia ao certo o que eram. Não me pergunte que lugar era aquele pois eu também não sabia, mas tinha a sensação de que logo iria descobrir. Olhei melhor para a colina aonde eu me encontrava e vi que não muito longe havia um enorme pinheiro, em seu galho mais baixo algo brilhava mais não sabia dizer ao certo o que era aquilo, só sabia que sentia uma grande energia emanar daquele objeto brilhante. Estava absorta demais tentando descobrir o que era aquilo quando algo chamou minha atenção, enroscado no pinheiro havia um dragão, sim isso mesmo, um dragão. Não me pergunte como eu não havia percebido ele ali antes, simplesmente eu não o tinha visto. Não era a primeira vez que estava naquele estranho lugar em sonho, mas senti que algo havia mudado, não sabia o que era e pela primeira vez queria muito descobrir. De repente eu estava ali na colina sozinha, então de uma hora para a outra eu já não era a única pessoa ali, haviam duas pessoas ali,um garoto e uma garota. A garota era mais alta e também era claramente mais velha do que eu, seus cabelos eram castanhos e estavam presos, seus olhos também eram da cor cinza assim como os meus, e ela usava uma blusa laranja, uma calça jeans e tênis. Estava com uma espada presa a sua cintura o que eu achei meio estranho, mas não fiquei com medo por causa disso. O garoto também era mais alto e também era claramente mais velho do que eu, seus cabelos eram pretos e bem cortados e seus olhos eram verdes. Assim como a garota, ele usava uma blusa laranja, calça jeans e um tênis, ele tinha uma espada presa a sua cintura também e estava segurando um tridente.

– Em breve você descobrirá toda a verdade — disse o garoto.

– E enfim tudo fará sentido para você — disse a menina com um pequeno sorriso no rosto e um estranho birlho nos olhos.Não fazia a menor ideia do que eles queriam dizer com tais palavras, mas nesse momento eles saíram correndo colina a baixo e o dragão que até então estava dormindo acordou. Assim que ele me viu, se levantou e rugiu, infelizmente eu senti seu terrivél bafo e aquilo quase foi o suficiente para me fazer sentir vontade de desmaiar, mais então quando ele abriu novamente a boca lançou uma coluna de chamas em minha direção e foi então que eu acordei.Me sentei na cama e percebi que eu estava ofegando, estava um pouco assustada ainda. Aquele sonho havia sido muito real e eu jurava ter sentido o calor das chamas. Fiquei sentada ali não sei por quanto tempo pensando nas palavras do garoto e da garota me perguntando o que aquilo queria dizer, foi só então que com um sobressalto percebi outra coisa. O garoto do meu sonho era o mesmo que eu havia visto no Central Park quando eu estava com os meus amigos. O que isso queria dizer afinal? Não sabia dizer ao certo, mas algo com certeza estava pra acontecer.

– Foi só um sonho, não foi nada demais... — falei comigo mesma enquanto tentava normalizar minha respiração novamente.

– Isso mesmo, foi só um sonho, então para de pensar nele e se arrume logo antes que você se atrase para a escola. A Lisa e o Rafa já estão aqui.- escutei e dei um pulo ao perceber que era meu pai.

–Ei me assustou, não podia ter batido não? — perguntei meio carrancuda, ele havia mesmo me assustado.

– Deixe-me ver... bater na porta e deixar de te dar um belo susto? Hum... não acho que não. — falou ele rindo.

–Ah tá, agora some daqui e deixa eu me arrumar logo ! — falei, e meu pai saiu rindo do meu quarto.Sinceramente, odiava quando ele fazia aquilo.Era irritante.

Me levantei e arrumei minha cama, peguei então uma muda de roupas e fui para o banheiro. Tomei um banho rápido e vesti minha calça jeans preta, minha blusa roxa de botões sequei meus cabelos e os deixei soltos como sempre, voltei ao meu quarto e calcei meu tênis, peguei meu notebook e o botei dentro da minha mochila, meu pai não se importaria se eu o levasse para o colégio hoje não é mesmo? E além do mais, ele não precisava saber que eu o levaria. Saí do meu quarto e fui para a sala, e lá estavam a Lisa e o Rafael me esperando como meu pai falara, a Lisa usava uma calça jeans normal, uma blusa branca de mangas e tênis, estava com sua mochila nas costas e ao meu ver fez uma careta, mas apenas ignorei. O Rafael também usava uma calça jeans, uma blusa verde com gola em V e tênis, estava com sua mochila nas costas.

– Bom dia Mariazinha. — falou o Rafa e eu apenas o olhei com uma cara de " me chama assim de novo e eu juro que te mato".

– Rafa se eu fosse você não tinha feito isso, parece que ela não está de bom humor hoje. — falou a Lisa.

–É a Lisa tem razão Rafa, não me chame assim de novo. — falei calmamente enquanto saíamos da minha casa. Meu pai já tinha saído para trabalhar a algum tempo e pelo visto hoje não teríamos a costumeira carona para o colégio. Durante todo o caminho o Rafael tentava de alguma maneira me irritar, mas pelo visto ele não estava com muita sorte pois eu apenas ria das gracinhas dele, tentei ao máximo parecer normal como em qualquer outro dia, e também tentei parecer animada para as férias, mas infelizmente a Lisa não se deixou enganar, ela me conhecia muito bem para saber que havia algo errado, mas durante todo o caminho não perguntou o que havia acontecido, e eu também não falei nada. Quando finalmente chegamos na escola, percebi que não estávamos tão atrasados assim, fui com a Lisa e o Rafael até aonde o Renato, o Leandro e o Gabriel estavam. Fiquei parada ao lado da Lisa enquanto ficávamos observando eles conversando, eu não estava entendo nem metade do que eles falavam, com certeza era algo relacionado a um jogo ou algo parecido. Olhei para a Lisa e percebi que ela também estava entendo nada, apenas dei de ombros e me sentei em um dos bancos ali no pátio, a Lisa se sentou ao meu lado e na mesma hora eu soube que ela iria me perguntar o que havia de errado, eu não queria conversar com ela sobre isso mais sabia que era preciso, afinal ela iria me ajudar a descobrir o que esse estranho sonho significava.

– E então, o que houve Malu? — perguntou ela.

– O mesmo sonho de novo — falei e olhei para ela um pouco perdida e confusa.

– Vamos dar um jeito nisso... — falou ela sem terminar a frase e logo percebi que ela queria falar algo mais, mas não sabia como.

– Mas? — falei a encorajando, ela apenas suspirou e falou.

– Mas parece que não é só isso, você ficou meio estranha ontem depois que saímos do Central Park. — falou ela estreitando mais os olhos, e eu revirei os olhos.

– Ah Lisa, ai você já está imaginando coisas demais. — falei sorrindo, eu não queria falar com ela o que havia acontecido no Central Park, não queria lhe dizer que havia visto o garoto que sempre aparecia em meu estranho sonho pois sabia que isso só iria deixar ela mais preocupada ainda.

– É deve ser, ultimamente ando enxergando coisas demais mesmo. — falou ela dando de ombros e quando ia perguntar o que ela queria dizer com isso o sinal para a aula tocou.

– Vem vamos, não queremos nos atrasar. — falou ela enquando me arrastava para a primeira aula as presas.

*

Aquele era o último dia de aula e para meu azar alguns professores resolveram passar algumas avaliações orais, nem preciso dizer que não me saí muito bem né? E para melhorar o meu dia, fui expulsa da sala na aula de Sociologia só porque não estava prestando muita atenção na aula, mas tudo bem isso já era uma rotina e eu já estava acostumada a ser expulsa das aulas, isso não ia fazer a menor diferença mesmo logo no último dia de aula. Assim que as aulas acabaram não senti o alívio que eu pensei que iria sentir por saber que já estava de férias. Foi diferente, me senti um pouco mais angustiada e mais confusa ainda — se é que isso era possível — mais não deixei transparecer. Meus amigos queriam sair depois da aula, então como não tinha muito o que fazer saí com eles depois da aula. Não fazia a menor ideia do lugar para onde íamos, segundo o Rafael e o Renato, eles iriam nos levar a uma lanchonete que ficava ali perto, eu a Lisa, o Leandro e o Gabriel não fazíamos a menor ideia de onde ficava essa lanchonete então deixamos que o Rafael e o Renato nos guiassem, a Lisa foi com eles na frente e eu fiquei mais para trás com o Leandro e o Gabriel. Não fazia a menor ideia do que eles conversavam mais me parecia que eles estavam falando algo sobre música, apenas fiquei escutando sua conversa, então só para poder zoar um pouquinho falei.

– Ei Justin o que você vai fazer nesse verão? — perguntei ao Gabriel, tentando não rir assim como o Leandro.

– Isso não teve graça Malu. -falou o Gabriel e eu tive de tentar não rir novamente.

– Teve sim, para mim e pro Leandro teve muita graça. Né Leandro? — perguntei.

– Sim, sim. Muito engraçado. — falou ele sorrindo.

Depois disso passei a andar ao lado do Leandro, sei lá vai que o Gabriel aprontasse algo comigo, e isso não ia ser muito legal. Durante o caminho fiquei em silêncio apenas escutando a conversa do Leandro e do Gabriel, finalmente chegamos a tal lanchonete e ao entrarmos percebemos que não estava muito cheia. A lanchonete era simples e com mesas que cabiam até seis pessoas. Nos sentamos em uma dessas mesas, e acabou que a Lisa ficou entre eu e o Renato, o que para mim foi um alívio pois não queria ter que ficar escutanto aqueles dois provocando um ao outro. Estava sentada na ponta do banco quando de repente algo em uma mesa ali perto chamou minha atenção. Havia um garoto sentado ali com um casaco e seu capuz puxado sobre sua cabeça, ele parecia ser bem mais velho do que eu, e com ele estavam mais duas pessoas. Pude perceber que era um menino e uma menina, mas não pude distinguir seus rostos pois eles estavam com o cardápio levantado como se estivessem se escondendo, mas não foi isso o que chamou minha atenção, por um momento o tênis do garoto que estava de casaco saiu de seu pé e o que eu vi ali não foi um pé, era um casco. Fiquei muito confusa e olhei para ele, percebi que ele também me olhava e eu logo fiz uma careta, sabia muito bem que não devia ter visto aquilo e logo virei a cara, mas com o canto do olho notei enquanto ele falava com o menino e a menina que lhe acompanhavam, ambos abaixaram o cardápio e sem conseguir conter minha curiosidade olhei para ver quem eram aqueles dois. Esse foi o meu erro. O menino e a menina eram aqueles do meu sonho, não havia dúvida alguma e para piorar a situação eles estavam usando as mesmas roupas que eu os vira usar em meu sonho. Calça jeans, blusa laranja e tênis, mas dessa vez eles não tinham arma alguma a vista. A garota e o garoto me olharam, ele falou alguma coisa para ela e ela apenas assentiu uma vez e ao me olhar novamente sorriu calmamente para mim, como se nó duas soubéssemos algo, seus olhos cinzas brilhavam quando ela me olhou. Sem nem mesmo perceber minha respiração acelerou e isso fez com que meus amigos me olhassem um pouco preocupados.

– Malu o que foi? — perguntou o Renato, olhei para a Lisa em busca de ajuda e ela respondeu por mim.

– Renato não deve ser nada, a Malu só deve estar tentando chamar a atenção. — falou a Lisa dando de ombros, então falou baixinho para mim.- O que aconteceu Maria?

– Lisa... não sei, eles... o menino e a menina que aparecem no meu sonho. Estão aqui, bem naquela mesa. — falei apontando com a cabeça para a mesa aonde eles estavam e os olhos dela se arregalaram.

– Ai minha nossa, o que isso quer dizer? — perguntou ela.

– Não sei Lisa, mas temos que descobrir. E rápido. — falei tentanto não parecer muito nervosa.

Acabou que eu e a Lisa pedimos apenas uma coca-cola enquanto os meninos pediam tudo o que tinham direito a comer. Eu achei que eles iam acabar passando mal depois de comer tanto mais pelo visto eu estava enganada. Assim que eles terminaram saímos da lanchonete e logo tive outra pequena surpressa. Meu pai estava ali fora encostado em seu carro, não sei como ele havia me encontrado, mas ele parecia muito agitado e pelo o que percebi ele já estava me esperando a um bom tempo ali. O garoto e a garota que apareciam em meu sonho saíram junto com o seu amigo e assim que meu pai os viu ficou mais agitado ainda.

– Filha vamos, temos que ir para a casa logo. — falou ele e eu não entendi porque tinhámos de ir para a casa logo.

–Ahn... está bem. — falei meio confusa. — Até mais gente, depois a gente marca alguma coisa de novo.

– Até mais maninha. -falou a Lisa me abraçando, me despedi dos meus amigos.- Vamos logo filha. — falou meu pai ao dar a volta e entrar no carro, ele abriu a porta para mim e eu entrei.

Joguei a minha mochila no banco de trás, nem deu tempo para eu poder botar o cinto, meu pai já havia arrancado com o carro e em pouco tempo já estávamos seguindo para casa. Estava muito confusa com a sua reação e toda aquela pressa para podermos chegarmos em casa logo, mas nada falei e fiquei calada até chegarmos em casa. Assim que chegamos eu peguei minha mochila e desci do carro, então entrei em casa com meu pai logo atrás de mim. Assim que entrei em casa deixei minha mochila em cima do sofá e me sentei ali, olhei muito séria para meu pai e por fim falei.

–Está bem, o que está acontecendo? — perguntei séria, algo estava acontecendo, eu havia deduzido aquilo pelo jeito como ele estava agindo.

–Filha acho que nós já não temos muito tempo, já está na hora de você saber toda a verdade — falou ele respirando fundo e aquilo me deixou confusa.

– Que verdade? — perguntei.

– Sobre sua mãe... sobre você — falou ele, e logo escutamos a campanhinha tocar, então ele suspirou meio que aliviado e disse. — Eles chegaram.

– Eles quem? -perguntei, estava começando a ficar irritada.

– As pessoas que lhe levaram em seguraça para um lugar mais seguro do que aqui. -falou meu pai enquanto abria a porta.

Assim que eu vi quem era prendi a respiração, era a garota e o garoto do meu sonho e o amigo deles que estavam ali, e pelo visto meu pai os conhecia.