A Dama Solitária

22 Livros Falantes e Lebres Envenenadas


Notas iniciais
Heeey! Desculpem a demora pra postar (se bem que quase ninguém tem comentado :x ). Eu viajei, e também andei chateada porque os leitores têm sumido, mesmo eu postando com freqüência. Agradeço à Mrs.Fitz (Hanna) que é a minha leitora mais fiel, linda, maravilhosa *-* Espero que gostem! Ah, leiam as notas finais.

Gabriela jogou Potencializando Sua Vidência na mesa de madeira fosca e bufou, cansada e irritada.

– Como diabos Mirty deseja que eu leia tudo isso em UM dia?! — Ela se perguntou.

Livros. Estava rodeada deles há cerca de doze horas e meia. E estavam por todo lugar. O pior é que Gabriela não fazia ideia de como sair dali. Mal sabia como realmente entrara naquela biblioteca, quem dirá como sair.

Estantes. Gigantes. Cheias de livros. Dos mais variados tipos. E, francamente, Gabriela se sentia muito mais atraída por aqueles que não deveria ler do que os que deveria ler. Em quatro horas, conseguiu terminar A Arte da Vidência. O livro mais chato que já lera na vida. Esperava encontrar fórmulas mágicas — algo assim — métodos de enxergar outros lugares, coisas legais. Mas não. Tinha de ler sobre a história da vidência. O nascimento da primeira vidente; obviamente, uma mulher. "Para os humanos, tratou-se do instinto de mãe. No entanto, para os mágicos, sabe-se que é um caso de vidência. O primeiro, na verdade. Seu nome é desconhecido, afinal, é uma mulher tão antiga quanto se pode lembrar do nascimento do mundo. Sua primeira ocorrência vidente foi quando concebeu um filho. Ela teve um sonho com seu bebê, onde via-o brincando com uma cobra. Quando acordou, a pequena criança havia se arrastado até um bosque perto da caverna onde sua mãe passara os últimos meses, e por pouco ele não foi envenenado por uma cobra-rei. O ocorrido foi na atual África, onde hoje alguns mágicos realizam pesquisas e experimentos. "

Gabriela não sabia como aquilo poderia ajudá-la. Exceto, claro, se Mirty pretendesse aplicar uma prova.

– Doze horas — ela resmungou, apoiando o braço numa das estantes e abaixando a cabeça. Sentia-se levemente zonza, com os olhos doendo e cabeça latejando. Era claro o amor que a mentalista tinha por ela — "não cansa de ser estúpida?", "você só sabe reclamar", "garota mimada", etc — mas trancá-la numa biblioteca por 24 horas era mesmo a melhor forma de demonstrar isso?

A ampulheta em cima da mesa indicava que faltava apenas onze horas para que o dia acabasse. Se não conseguisse terminar tudo até lá, falharia não só com Mirty, mas com todas as damas. E pior do que isso, com seus amigos. Bem, apesar de terem simplesmente desaparecido sem nem contatá-la, Gabriela não poderia considerar isso um ato de traição, um fim de amizade. Ainda mais porque eram as únicas pessoas que realmente a conheciam e que estavam o tempo todo com ela, mesmo depois do que virara. Uma imortal. E de acordo com seus conhecimentos, a única da Dimensão.

Mas ainda faltavam mais dois livros. E acredite, eram gigantes. 1500 páginas em cada um. E os nomes... Já eram motivo o suficiente para desanimá-la. Além do mais, sua mente estava muito cansada para aquilo. O que era irônico, levando em conta o fato de que desde que se tornara uma pessoa tão poderosa, seu corpo nunca cansava. Não precisava arrumar energia; era uma fonte dela.

Infelizmente, aquilo parecia não se aplicar à sua mente. Será que Mirty a observava, divertindo-se à sua custa?

– Hum... — Gabriela reergueu a cabeça e passou os dedos por alguns livros. Será que estava mesmo tão cansada? Repentinamente, sua cabeça parou de doer. Mas os olhos ainda doíam, quase como uma sensação de sono.

Naquela estante, os livros tinham capas douradas, que reluziam como ouro. Por que Mirty não pedira que lesse aqueles?! Por Deus! Eram tão atraentes!

– O que é isso? — Ela puxou um deles. Era bem grande, como os que devia estar lendo, mas tinha algo de muito diferente nele. Talvez, beleza. O que reluzia vinha atraindo sua atenção assustadoramente nos últimos dias. Quem sabe por isso se sentiu tão atraída por Angelo.

Gabriela jogou o livro na mesa, fazendo a poeira surgir outra vez. Com delicadeza e curiosidade, passou os dedos por sobre ele. A sensação de sentir aquela capa fria e dourada era ótima, sem as luvas para atrapalhar o contato.

De repente, o livro se abriu na metade. Página 750. As folhas eram de papiro, e estavam... Em branco?

– Interessante — Gabriela curvou uma sobrancelha. Curiosamente, algumas palavras começaram a surgir nas folhas enquanto ela passava as mãos por elas.

Foi quando uma luz escura começou a surgir das bordas do livro. Gabriela afastou-se instintivamente.

"O que é isso?!" pensou.

" À Imortal " dizia a saudação. Aparentemente, tratava-se de uma carta. Uma voz feminina e animada lia as palavras.

– Um livro falante — Gabriela fez uma careta, grudando-se à estante, tentando ficar longe do objeto.

" Finalmente, é uma prazer conhecê-la! Francamente, achei que nunca fosse vê-la com meus próprios olhos!"

A voz parou de falar repentinamente.

" Oh, querida! Não fique com medo, por favor. Não vou machucá-la. Na verdade, nem tenho como. E também acho que ninguém ousaria fazer isso" a voz pareceu assustada.

Gabriela engoliu e seco e deu um passo em direção ao livro.

– Quem é você? — perguntou. Não costumava sentir medo de nada. Então, o que diabos estava acontecendo com suas pernas, que não paravam de tremer?

"Haha! Não, não, querida. Uma coisa de cada vez. "

– Geralmente, as apresentações vêm primeiro. — Gabriela tentou.

"Bem... Não na Dimensão!" a voz riu, com graça. Gabriela respirou fundo. "Desculpe, não tenho muito tempo. Estou gastando muita energia para falar com você através desse livro. Venha mais perto, por favor. Não gosto de falar alto assim", pediu.

Gabriela aproximou-se, cautelosa.

" Assim está melhor! Bem, vamos a elas. Fiquei sabendo de você. Na verdade, todos nós. As coisas correm rápido, sabe como é... Ah, não. Estou enfraquecendo. Terei de ser rápida " a voz avisou, aflita. " Desde que você surgiu, Imortal, nosso mundo tem mudado. A Dimensão tem mudado. E nós, geralmente, sabemos bem das coisas. Somos espertos, por assim dizer. No entanto, há um mistério que não conseguimos solucionar, e já faz um tempo. "

Gabriela franziu o cenho e se permitiu respirar normalmente. Talvez não fosse alguém mau, na verdade.

– Mas por que está me dizendo isso? — perguntou. — Por favor, seja direta.

A ampulheta começava a diminuir mais rapidamente.

"Ah, certo, certo" a voz apressou-se. "Nossa rainha está preocupada com seus súditos. Eles têm desaparecido misteriosamente e não sabemos por que. Achamos que você, por ter uma ligação com Freia, o olho de tudo, poderia ajudar-nos."

A garota ergueu as sobrancelhas, completamente surpresa. Estava esperando uma notícia ruim, uma profecia maligna. Ou, talvez, um xingamento. Sabe, coisas normais.

– Desculpe, não estou entendendo — ela riu, irônica. — Não sou uma heroína, se é o que parece.

A voz suspirou.

"Achei que fosse agir assim. Imortais, sempre tão arrogantes."

– Ei! — Gabriela defendeu-se. — Não é questão de arrogância. É apenas a verdade. Não sou mesmo uma heroína — enfatizou, olhando para as próprias mãos.

"Ah..." lamentou. "Você ainda está na fase de autodepreciação?"

– C-como é? — ela gaguejou.

"É, definitivamente está. Mas não se preocupe, isso passa. Isso aconteceu com todos os imortais antes de você. Faz parte do pacote. Muito poder, muita dor" a voz explicou, como se fosse uma palestra.

Gabriela se aproximou do livro e pôs as mãos sobre as bordas.

– O que sabe sobre dor? — perguntou, entre os dentes.

"Ah, senhorita... Se soubesse o quanto eu sei. E o quanto meu povo sabe. Por favor, precisamos de sua ajuda! Diga que vai nos ajudar a encontrar nossos irmãos. " a voz implorou, chorosa.

"Irmãos?" Gabriela pensou. "Só me faltava essa. Aposto que são uma versão dos sete anões para este lugar horroroso."

– Bem. — Suspirou. — Talvez eu possa fazer algo. Mas você tem que explicar melhor essa história — Gabriela olhou para a ampulheta. — E ser rápida.

A voz deu um gritinho de animação.

"Ah, isso! Posso ajudá-la com isso, senhorita! Os livros."

– Pode, é? — Gabriela ergueu as sobrancelhas.

A voz riu.

"Sim! Sou uma historiadora. Cuido da biblioteca de minha rainha. Então, é claro que posso ajudá-la. Mas só se prometer nos ajudar."

– Mirty voltará em sete horas — Gabriela avisou, irritando-se com a trapaça da ampulheta. — Então, temos um trato.

"Ah!" a voz arquejou. "Mirty! Ela... Ela é assustadora."

– Eu sei — Gabriela comentou. — É por isso que vou confiar na sua ajuda.

"Então, coloque as mãos no livro." A voz instruiu. Gabriela hesitou. "Ande, não tenha medo! Mas sem as luvas, senão, não funciona."

Gabriela obedeceu, retirando as luvas que colocara de volta há poucos minutos. A garota pôs as mãos dentro do livro, que ainda estava aberto na metade.

De repente, uma luz branca surgiu das folhas, cegando-a por completo.

Quando abriu os olhos, estava na biblioteca.

Mas, outra biblioteca.

– Bem vinda, senhorita — a voz cumprimentou-a, sorridente. — É uma honra finalmente conhecê-la!

Levou alguns segundos, mas quando finalmente pôde retomar a visão, acreditou que o que vira em Cineres, na verdade, não era nada.

Aquela voz pertencia à uma mulher. Baixa, e magrinha. Fina como uma folha. Só tinha uma questão.

Ela possuía asas.

***

Brian não estava contando as horas desde que Logan e Elizabeth foram embora para Cineres, mas sabia que já se havia passado muito tempo por causa da cor do "céu". Estava finalmente escurecendo.

O mágico resolvera mudar seu percurso. Desde a invasão, sabia que não era seguro andar pela Floresta Cinza. Estava em território inimigo, e tinha muito com que se preocupar. Nunca havia encontrado Gwen pessoalmente, mas mesmo assim conhecia os talentos da bruxa. Na verdade, Gwen estava mais para uma ilusionista que para bruxa. Até porque seus poderes mais terríveis baseavam-se nas ilusões. No entanto, e de qualquer forma, ela era poderosa e cruel o bastante para ser considerada uma bruxa. Brian apenas se sentia meio desconfortável com o termo.

Ninguém ali sabia o que realmente era uma bruxa. Achavam as damas poderosas, cruéis? Achavam Gwen maligna? Ha! Brian já vira seres muito mais terríveis.

Ainda podia se lembrar daquela mulher.

Décadas atrás, assim que caiu na Dimensão. Ao contrário do que muitos pensam, a Dimensão não é composta apenas pela Terra das Sombras, Cineres e os desertos mortíferos, espécies de prisões para onde Diana manda os traidores e outros criminosos — pessoas que não aprendem a ser pessoas nem mesmo num mundo diferente.

Brian não caíra em nenhum desses lugares. Na verdade, caíra num lugar completamente desconhecido e aparentemente inóspito.

– Olá? — ele gritou, seus olhos negros à perscruta de movimentos.

Por causa do barulho, e por ser um ótimo observador, Brian presumiu que havia um estreito córrego cortando a floresta do lado esquerdo. Mas não podia enxergá-lo, pois estava coberto por árvores, grossas e altas, negras. Quase um borrão. Aquele lugar parecia muito a Floresta Cinza, mas algo no ar revelou que não. Não havia sombras, nem medo. Apenas um mistério que pairava ali.

Brian andou até o córrego, esperando encontrar algo ou alguém. Quando o alcançou, deparou-se com grandes pedras no que se revelou ser, na verdade, um cristalino riacho.

– Olá?- ele chamou novamente, mas desta vez com mais cautela.

Num piscar de olhos, uma mulher apareceu à sua frente. Na verdade, uma garota. Aparentava ter por volta de 18 anos, uma adolescente.

Brian apaixonaria-se por ela facilmente, não fosse sua idade. Tinha vinte e oito anos. Perdera aquele encanto da paixão quando saiu da casa do dois.

– Quem é você? — tornou a perguntar.

Ela era linda. Linda, mesmo. Mas não linda como uma modelo — o tipo que Brian dormiu com metade da população. Linda como... Um ser angelical.

A garota sorriu gentilmente, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Ela se aproximou um pouco, mas sem ultrapassar o outro lado do riacho.

– Olá — respondeu. — Sou uma amiga. Vim ajudá-lo.

Brian ergueu as sobrancelhas.

– Ah, mesmo? — questionou, aliviado. — Que ótimo! Eu preciso sair daqui, nem sei que lugar é esse — Brian riu. — Mas você deve conhecer. Então, onde estou? É algum tipo de parque arqueológico?

A garota deu uma risadinha baixa.

– Como se chama?

– Brian — ele respondeu.

– Ah, sim. Brian. É um belo nome — a garota comentou. — O que é um parque arqueológico?

Brian virou a cabeça a balançou-a, confuso.

– Qual é — brincou. — Adoro garotas misteriosas, admito. Mas é só que não é uma boa hora, sinto muito. Talvez possa me dar seu telefone, para um outro dia. Agora, tenho de ir pra casa. — Brian deu um sorriso malicioso. — Sabe como é essa vida de milionário, não é? Há alguém me esperando em casa. Na verdade, três pessoas — ele riu consigo mesmo.

A garota franziu o cenho.

– Não entendo — disse. — Onde acha que está?

Brian balançou a cabeça.

– Ora, em algum parque, floresta. Enfim, já que você não sabe muito, vou ligar para meu motorista, com licença — ele se retirou da margem e tirou o celular do bolso. No entanto, no momento em que o tocou, sentiu um calor próximo de seu corpo.

Brian ergueu os olhos e se deparou com a mesma garota à sua frente.

– Ei! — ele exclamou, afastando-se. — C-como fez isso?

A garota riu com deboche. Seus olhos azuis claros estavam franzidos, com as sobrancelhas erguidas. Ela certamente estava se divertindo com aquela situação.

– Sabe — ela falou. — Há algum tempo que não encontro homens por aqui. Quero dizer, homens de verdade. — Aproximou-se de Brian, tocando seus bíceps.

– Querida, vá com calma — ele afastou-a. — Quantos anos tem? 15?

A garota gargalhou.

– Achei que gostassem desse tipo.

– Bem, é. Mas também tenho uma queda por latinas — Brian desconversou. — Quem é você?

A garota tocou em seus braços novamente, mas desta vez, com uma força descomunal.

– Você pode me ser útil, Brian — ela sorriu.

De repente, tudo era apenas um apagão.

Brian balançou a cabeça, tentando afastar essas lembranças repentinas. O rosto daquela garota lhe dava pavor. Ela era bela, mas um monstro! Não sabia como aguentaria viver depois de ver sua verdadeira face; a face interior, o terror que a alimentava. Se Diana não o tivesse encontrado, já estaria morto. Em pedaços.

Um barulho na floresta fez com que o mágico parasse a caminhada.

– Onde foi que aconteceu? — alguém perguntou. Era a voz de um homem. Era grave e severa, e parecia vir de poucos metros atrás dele.

– Aqui — outra pessoa indicou. Desta vez, uma voz feminina. No entanto, esta era familiar. — Eles invadiram há cerca de dez horas, senhor. Não sei como conseguiram...

– Eu não sei como Gwen não previu isso — o homem a interrompeu, rude. A garota se calou. — E onde está Daniel?

– Hum... Ele... Se foi. — Ela respondeu. — Daniel morreu em combate.

– Nosso estrategista. — O homem disse. — Morreu. Em combate? Com... Invasores?! MORTO POR UM ELEMENTAR? — gritou. — Quem? — tornou a falar, agora com uma calma controlada.

– A transmorfa — a mulher respondeu. — Seu nome é Elizabeth.

Brian estremeceu, esbarrando numa raiz de árvore acidentalmente.

– Ei! — o homem exclamou. — Ouviu isso?

A garota murmurou que sim.

– Vá checar o perímetro pra mim — o homem ordenou.

Enquanto a mulher — que Brian logo presumiu ser a garota que desaparecera em meio ao combate, a mensageira — checava o lugar, Brian não pôde deixar de sentir-se tonto com as voltas velozes e vultuosas que ela dava. Então, era esse seu poder. A mensageira das sombras podia se transportar nas sombras. Definitivamente, bem inteligente.

Mas o mágico também tinha alguns truques na manga. Afinal, ele era um mágico.

Brian encolheu-se na árvore e juntou as mãos num círculo. Em questão de segundos, uma bolha invisível formou-se ao redor dele.

Não fora visto.

– Não há nada, senhor — ela respondeu.

Mas o homem ainda estava desconfiado.

– Fomos atacados — ele falou. — Mataram um dos nossos. E ainda estão em nosso território.

– Quer que eu peça para os servos vigilantes reforçarem a patrulha? — a mensageira sugeriu.

O homem murmurou algo inaudível, então sua voz voltou ao tom normal.

– Falarei com Gwen. Faça o que achar melhor, Jennifer. Mas seja cautelosa, esses elementares... São diferentes dos que estou acostumado a conhecer.

Brian enrugou a testa. O que ele quisera dizer com aquilo?

Depois que os dois foram embora, o mágico soltou o ar dos pulmões.

A missão cada vez ficava mais difícil ainda. Com a patrulha reforçada, precisaria de ajuda para alcançar o castelo dos irmãos das sombras.

Brian respirou fundo, sentindo as más probabilidades se acumularem.

***

Angelo teria morrido de fome não fosse a lebre morta que Gwen jogou pela janela. Por necessidade, ele teve de comê-la. Fora extremamente burro e descuidado ao não levar nada para comer para aquela missão suicida. Angelo pensava que, se fosse pra morrer, que fosse pelo menos por uma morte honrosa.

Morrer de vomitar as tripas por causa de um animal envenenado não parecia nada honroso.

Ele apoiou uma mão na árvore e abaixou a cabeça novamente, sentindo a bile voltar.

– Droga — praguejou baixinho.

Mas antes que pudesse por "o mal pra fora", algo chamou sua atenção. Uma luz roxa surgiu pouco acima do chão.

Um paralelepípedo luminoso brilhava ali.

– Brian? — Angelo perguntou, juntando as sobrancelhas numa expressão confusa e surpresa.

O objeto veio em sua direção, e Angelo tocou-o. Instantaneamente, a visão de Brian surgiu do paralelepípedo.

– Angelo! Você está bem? — o mágico perguntou ao ver seu rosto pálido. — Cara, você tá meio verde

Angelo rolou os olhos e bufou, cansado.

– Caso não tenha antídoto para lebres envenenadas, então é melhor pular esse assunto. — Respondeu. — O que te traz... Bem, o que você está fazendo?

– É uma transmissão arriscada — Brian explicou.

– Isso é magia? — Angelo perguntou. — Não sabia que você podia fazer isso.

Brian franziu o cenho.

– Eu tenho meus truques, certo? Mas isso não importa agora. O que importa é que eu preciso de ajuda. A mensageira está reforçando a patrulha na Terra das Sombras e eu não sei se conseguirei chegar até o castelo sozinho.

– O que quer dizer?

– Preciso da sua capa — Brian respondeu. — Tenho um plano, e é simples. Você me entrega a capa, vai embora, e eu termino isto.

Angelo arregalou os olhos.

– O que?! — sussurrou. — Você enlouqueceu?! Não pode ficar sozinho nesse lugar! É suicídio, Brian. Sei que e um mágico excelente e poderoso, mas... Você não faz ideia do que encontrará por aqui. — Angelo primiu os lábios para reprimir a ânsia só de relembrar tudo o que vira nas últimas 48 horas. — Tenho um plano melhor.

Brian ergueu as sobrancelhas.

– Eu já estou no castelo, Brian. Posso continuar sozinho. Além do mais, tenho a capa da invisibilidade. Ela vai me manter a salvo. Pegarei o pergaminho sagrado e voltarei para Cineres em menos de uma semana — Angelo assegurou.

O mágico negou.

– De jeito nenhum, Angelo. Não posso fazer isso com você, não é certo! Eu te coloquei nessa e...

Angelo rolou os olhos

– Brian. Sou um anjo. Dificilmente serei morto. Sabe que posso dar conta. — Disse. — Agora, por favor, volte para Cineres. A coisa está, na verdade, pior do que você imagina — Angelo deu uma olhada rápida para a varando do quarto de Gwen. O castelo de pedras deixava tudo mais Drácula ainda. — Gwen anda testando novos feitiços. Temo que esteja recuperando seus poderes.

Brian arquejou.

– Mas Mirty aniquilou parte deles!

– Eu sei, eu sei — Angelo falou. — Mas ela está ficando mais forte. De alguma forma. É o que quero descobrir.

Brian balançou a cabeça e suspirou, vencido.

– Tudo bem, Angelo. Mas... Não concordo com isso. Eu estava determinado a correr o risco!

–Sei disso! Mas todos nós estamos, Brian.

O mágico resmungou.

– Só com uma condição. — Impôs. — Não vou embora.

– Como assim não vai embora? Precisam de você em Cineres.

– Angelo — Brian se aproximou um pouco do paralelepípedo mágico. — Eu... Não disse nada antes porque esperei que ela tivesse se salvado. Mas Serena não deu sinal há cerca de dez horas. Só tem uma explicação.

– Serena foi raptada — Angelo concluiu, inerte. Seu corpo, de repente, ficou gélido.

– E eu irei encontrá-la — Brian assegurou. — Custe o que custar.

Notas finais
Bem, recadinhos. Este é o último aviso que dou para todos os leitores que possuem personagens na minha história e que não tem comentado. Olha, também sou uma leitora, sei que é chato ouvir essas coisas, mas nós que escrevemos fics interativas nos esforçamos para agradar vocês que têm personagens. Gosto de interativas porque gosto de interagir com meus leitores, adoro personagens diferentes, que não foram criados por mim, mas que vão adquirindo uma parte de mim e de outra pessoa. Comecei ADS com muitos leitores, mas ironicamente, conforme os acompanhamentos subiam, os comentários diminuíram! Então, é o seguinte. Vou postar o próximo capítulo apenas com 5 comentários. E, honestamente, é bem pouco, levando em conta os 30 acompanhamentos e mais de mil visualizações. Entendo que alguns não queiram comentar porque não terminam de ler ou algo assim, mas pelo menos os que têm personagens na fic, vocês precisam comentar. De qualquer forma, ADS vai virar um livro, então postando aqui ou não, não faz diferença. Caso os donos de personagens não comentem, já no próximo capítulo começarei a tear o fim deles. Ok? Alice