A Dama Solitária

23 Uma Rápida Viagem No Tempo


Notas iniciais
Hey pessoas! Fantasmas e Hanna, quero dizer. Cof cof. Sei que disse que ia postar só com 5 comentários, mas quer saber? Não aguentei. Adoro escrever e postar aqui, e com ou sem reviews vou continuar do mesmo jeito. Não vou mais pedir por comentários, comenta quem quiser e a vida é assim. A gente se vê nas notas finais!!!

Levi acordou com um barulho estranho. Um zumbido que zunia no quarto. Abriu os olhos rapidamente e levantou-se.

Eram quatro da manhã, e o vento assobiava alto do lado de fora.

Levi aproximou-se da janela e semicerrou os olhos. Algo o incomodava.

– Isso não está normal — ele comentou consigo mesmo.

O anjo puxou seu sobretudo cinza do cabideiro e abriu a porta com força. Detestava despertar no meio da madrugada, ainda mais se isso significasse sofrer outra ilusão de Gwen. Por algum motivo, a bruxa vinha brincando com Levi ultimamente. Na verdade, desde que ele se encontrou acidentalmente com Gabriela. Levi assegurou-se de que ela não sabia de nada, mas isso não mudava o fato de que seu comportamento mudara. Começara a agir como uma adolescente mimada, dando em cima de Levi e envolvendo-o em ilusões assombrosamente sensuais.

Levi desceu as escadas de pedra do castelo até chegar ao salão do térreo. Abrindo os portões do castelo, saiu para fora.

O bosque dos arredores era muito parecido com a Floresta Cinza. Na verdade, sua continuação. Havia um pequeno lago um pouco ao leste, e pedras enormes e pontudas erguiam-se dele, cobrindo parte do castelo. O lugar era estratégico. Quase impossível de se achar.

O frio estava intenso naquela madrugada, o que Levi estranhou. Será que aquilo era alguma aprontação de Gwen, a leviana, ou de algum elementar?

O anjo andou cautelosamente para fora do castelo. Então, tirou seu sobretudo e deixou que as asas se abrissem.

Sua desconfiança estava firme o bastante para levá-lo a uma caçada no bosque àquela hora da noite. Mas Levi estava determinado. Secretamente, desconfiava que algum elementar estivesse por perto. Ouvira sobre a invasão, e se Angelo tivesse mesmo a capa da invisibilidade, então ele poderia muito bem estar sendo observado naquele momento.

"Só de imaginar que há uma fadinha brilhante me observando com uma capinha invisível... Argh. Sinto vontade de vomitar" Levi pensou.

Então, a caçada começou.

***

A mulher com asas que a recebera em sua biblioteca tinha orelhas levemente pontudas e uma pele extremamente branca. Gabriela demorou a se acostumar.

– Então, senhorita, como é ser... Uma imortal? — a mulher perguntou.

Gabriela fez uma careta de surpresa

– É, bem... Francamente. Desgostoso.

– Oh! — exclamou. — Bem, como a fada historiadora e cuidadora da biblioteca.... Devo dizer que sei como se sente.

– Já disse isso — Gabriela comentou. — Espere. Fada? Eu não sabia... Que havia fadas aqui. Vocês são elementares? — Perguntou, meneando a cabeça levemente em desconfiança. — Ou... Será uma serva das sombras?

A pequena mulher gesticulou com as mãos, apavorada.

– Oh, não, não! Não sou nada disso, senhorita. — Explicou. — Eu e todas as fadas não pertencemos à nenhum lado. É claro que algumas fadas revoltadas e más fazem uns trabalhos para as sombras, mas, fora isso, somos um povo independente. Temos nosso próprio território e líderes. A nossa rainha.

– Quem é essa rainha? — a garota questionou.

A fadinha alegrou-se repentinamente, mas logo conteve-se.

– Bem... — ela juntou os pequenos e delicados dedos. — Somente pessoas de confiança da rainha sabem seu nome de verdade. Mas você pode chamá-la de Rainha! Afinal, é como todos aqui a chamam.

Gabriela engoliu em seco e tentou sorrir. "Pessoas de confiança". É claro que ela não era uma pessoa de confiança. Mas, mesmo assim, queriam sua ajuda, certo?

– Como posso ajudar? — Gabriela perguntou. — Senhorita...

– Ellya! — A mulher estendeu a mão. — Chamo-me Ellya. Não é assim que vocês, humanos, se cumprimentam?

Gabriela assentiu, achando graça.

– Certo, Ellya. Me diga o que fazer, que direi o que posso fazer.

Ellya arrastou-a pela manga da blusa, tendo cuidado para não tocar em suas mãos, até uma pequena e alta mesa no centro da biblioteca. Havia uma bola de cristal em cima dela.

– Você foi marcada por Freia — Ellya disse, seus olhinhos negros brilhando, ansiosos. — A única Imortal que recebeu a maior bênção e também maldição.

Gabriela assentiu. De maldição, entendia muito bem.

– Presumo que você seja vidente? — Ellya perguntou. A garota assentiu novamente. — Excelente! Ouça bem. Essa bola de cristal é extremamente poderosa, no entanto, nós, fadas, não conseguimos usá-la. Foi roubada de uma pessoa muito perigosa. — Ellya olhou para os lados. — De Gwen, a bruxa.

Gabriela arqueou as sobrancelhas, completamente surpresa. Não poderia imaginar que seres tão pequenos e delicados pudessem fazer algo deste tipo. Fadas? Roubar?

– Como conseguiram roubar Gwen?

Ellya deu um sorriso malicioso, como de quem sabe das coisas.

– Já faz muito tempo, quase um século. A nossa própria rainha quem pegou. Ela diz que foi uma pequena vingança — a fada explicou. Ao contrário do que muitos pensam, suas asas eram discretas, transparentes, escondiam-se dentro do vestido apertado e florido que vestia. — Essa bola de cristal pode ver coisas presentes. Por isso, já que você se mostrou uma vidente iniciante em simulcognição, achei que pudesse nos ajudar.

Gabriela coçou a nuca e se aproximou do objeto. Era tão arcaico quanto parecia. Esperava que não tivesse um GPS nele, ou qualquer outra coisa que ativasse quando o tocasse. Algo assim. Suspeitava que nem sendo Imortal poderia derrotar Gwen, caso esta viesse atrás dela. Ouvira falar de coisas terríveis a respeito da bruxa.

– Há alguns anos, nossas fadas vêm desaparecendo misteriosamente. E são sempre as mais pequeninas, tão frágeis, mas tão puras. Essas fadas são seres mágicos, possuem certos poderes, não são como nós. Por isso, nós as protegemos mais que tudo. Mesmo assim, elas vêm diminuindo em número drasticamente. Se essas fadas morrerem, nossa rainha cairá. Talvez — Ellya interrompeu-se por um instante, assombrada pelo que diria — até sejamos encontradas. E mortas.

A garota franziu o cenho, confusa e preocupada.

– Mas por que alguém faria algo assim com vocês? — questionou.

Ellya curvou os lábios numa expressão triste.

– Essas fadas podem tornar qualquer um como você. Bem, não exatamente como você, mas qualquer pessoa que as mate e... E... — Ellya deixou uma lágrima escorrer — Se alimente de seu sangue, torna-se como invisível para a morte.

– Está me dizendo... Que essa pessoa que aparentemente está matando essas fadas está se tornando... Imortal?

Ellya apressou-se:

– É mais ou menos isso. Só que sem os poderes — explicou. Então, apontou para a bola de cristal. — Vá em frente. Teste. Se conseguir enxergar algo, me diga. Eu anotarei tudo, e então poderemos resolver esse mistério de uma vez por todas. — Ela suspirou, aliviada.

Gabriela sentiu-se secretamente furiosa. Como alguém era capaz de fazer aquilo com seres tão frágeis? Ela queria tanto poder ajudar. Mas não sabia se conseguia. Desde o início, parecia se dar melhor com os elementos que com coisas místicas, como a mente. Todo aquele poder, aquelas emoções fora de controle — a deixava cansada e enérgica. Um paradoxo vivo. E o mais engraçado era que ela não fazia ideia de como usá-lo. Pior ainda ajudar uma FADA! Como Ellya pudera cometer o erro de por toda sua esperança em alguém que repentinamente sentia-se atraída por... Matar?

– Bem — Gabriela aproximou as mãos do objeto, hesitante. — Vou tentar. O que eu tenho que fazer?

Ellya sorriu.

– Não faço a mínima ideia! Você terá de descobrir. Vamos, você dá conta.

Gabriela fez uma careta de medo, enrugando a testa de forma engraçada. Ellya realmente acreditava que ela poderia encontrar suas irmãs perdidas. O que fadas tinham na cabeça?

A garota finalmente tocou na bola de cristal. Era gelada, como um bloco de gelo, e o contato com suas mãos causou leves raios elétricos no interior do objeto.

– Oh! — Ellya exclamou. — É isso! Está funcionando!

– Vá com calma — Gabriela avisou. — Isso acontece com minhas... Mãos.

Os pequenos raios continuaram por alguns segundos. No entanto, nada mais além disso funcionou.

Ellya baixou a cabeça, frustrada.

– Ah, não — murmurou, com voz chorosa. — Não está dando certo.

Gabriela afastou-se da bola de cristal e levou as mãos à cabeça, limpando o leve suor que acumulara-se por causa do nervoso. A maldita ansiedade que sempre tivera acentuou-se debilmente junto com a imortalidade.

Antes que pudesse perceber, sua língua já havia dito palavras que NÃO eram delas. Definitivamente, não eram.

Por Deus, quanta covardia para quem tem tanto poder.

– Posso tentar de novo — Gabriela anunciou. Ellya ergueu os olhos para a garota de mechas onduladas e levemente douradas, meio cobre.

No instante em que tocara o objeto, Gabriela instantaneamente lembrou-se de Angelo. Se ela conseguisse ver as fadas, talvez também conseguisse ver o anjo!

– Acho que encontrei a motivação certa — disse, com um leve sarcasmo magoado.

Ellya abriu os braços, indicando que tentasse, então, outra vez.

De repente, algo aconteceu.

Quando Gabriela tocou a bola de cristal, uma imagem deformada começou a transluzir na superfície. Era uma sensação estranha. Sentia que suas mãos estavam sumindo junto com a névoa. Assustou-se quando subitamente parou de senti-las. Mas continuou inerte, pois a visão que tinha daquele objeto prendeu toda sua atenção.

Dentro da bola de cristal, a imagem enfim tornou-se nítida. Havia um bosque escuro e um grande castelo de pedras, um pouco parecido com o Castelo Bellator, mas no estilo super Drácula. Corvos sobrevoavam a área, e alguns caíam mortos no chão, eletrocutatodos

– Acho que suas mãos... — Ellya apontou, franzindo os lábios numa expressão meio de nojo.

Gabriela assentiu.

– É, eu sei — ela rolou os olhos. Detestava que a olhassem como se fosse uma aberração. Mas, talvez, ela fosse isso mesmo. De qualquer forma, estava fadada à isso, não era? Em algum momento, sabia que seu lado mais obscuro iria encobrir a pouca luz que restara. — Então, o que estamos vendo aqui?

Ellya se aproximou com cuidado.

– Oh... — admirou-se. — É a Terra das Sombras. O castelo de Gwen e Kyle! Consegue... Aproximar mais?

Gabriela suspirou. Não fazia ideia de como fazer as coisas. Ellya pedia como se a garota tivesse o controle. De qualquer forma, Gabriela esforçou-se.

Entre algumas árvores, um brilho peculiar chamou a atenção de Ellya. A fadinha pôs-se na ponta dos pés para ver melhor.

– Ah! — ela gritou. — Não!

– Meu Deus, o que foi?! — Gabriela perguntou. Ellya começou a chorar. E a garota, a se desesperar.

– S-são... — Ellya gaguejou. — São elas. As nossas fadas.

Gabriela enfim tirou as mãos da bola de cristal, fazendo a imagem sumir.

– O que você viu que eu não vi, Ellya? — perguntou, segurando nos ombros da fada.

– Estão mortas — Ellya explicou, com a respiração entrecortada. — Foram capturadas por alguém e... Mortas. M-mortas.

Gabriela arregalou os olhos, sentindo os dedos faiscarem.

– Quem dos irmãos faria isso? — Ellya perguntou-se, limpando as lágrimas na gola do vestido.

A garota sentiu seu coração acelerar velozmente. A adrenalina de repente tomou seu corpo.

– Quem você acha, Ellya? Só há uma pessoa tão sedenta por poder que eu conheço — Gabriela engoliu em seco. — Gwen.

Ellya arquejou e arregalou os olhos.

– Acha que Gwen... Está matando as fadas?

Gabriela balançou a cabeça. O ódio que sentia por aquela mulher agora estava incontrolável.

– Eu tenho certeza. — Afirmou. — Mas deve haver algum motivo por trás disso, Ellya. Pense bem. Por que Gwen se alimentaria do sangue dessas fadas? Por que Gwen quer ser imortal?

Ellya balançava a cabeça incessantemente, como se assim pudesse pensar de forma mais clara.

– Ela deve estar retomando seu poder. Sabe o que acontece se Gwen voltar a ser tão poderosa quanto era antes de Mirty aniquilar parte deles? — Ellya perguntou. Gabriela negou com um aceno de cabeça. Uma sombra de medo correu os olhos da fada. — As sombras vão contaminar toda a Dimensão.

– Mas pensei que Kyle fosse o, de fato, dono, senhor, sei lá, das sombras. — Gabriela argumentou.

– E é, realmente. Mas você não conhece Gwen de verdade. Ela o controla. E antes de ser uma bruxa, Gwen na verdade era uma ilusionista. E os truques de um ilusionista — Ellya respirou fundo — são os piores que existem.

Gabriela franziu as sobrancelhas. Certo. Agora Ellya a deixara realmente aterrorizada.

– E o que você vai fazer, Ellya? Porque eu ainda não posso te ajudar com qualquer outra coisa — a garota lamentou.

Foi quando Ellya lembrou-se da ampulheta. "Ah! Os livros!"

– Nós fizemos um trato — Ellya recompôs-se, batendo levemente as mãos no rosto. — E agora, é você quem precisa de minha ajuda.

– Mas e quanto à...

Ellya puxou a garota de volta para um canto da estante.

– Há um truque antigo, que somente as fadas mais inteligentes conhecem — ela anunciou, sussurrando. — Se você fizer direitinho, vai assimilar tudo o que precisa em menos de três horas.

Gabriela arqueou as sobrancelhas, curiosa.

– Mesmo? E que truque é esse? — perguntou.

– Os livros que você tem de ler são todos mágicos. E livros mágicos não são escritos da forma tradicional como você conhece. Eles possuem memórias. Viajam no tempo. — Ellya explicou, deixando-a mais confusa ainda. — E o truque é esse. Viajar no tempo.

Gabriela curvou os ombros

– E como é que eu vou fazer isso?!

Ellya sorriu, esperta.

– Também é algo que só as fadas mais espertas conhecem. Tome, aqui — ela puxou um vidrinho do tamanho de um terço de seu dedo do bolso do vestido e entregou para Gabriela. — Esta areia é mágica, você só precisa esfregá-la em cima do livro certo e PÁ!, logo estará numa viagem alucinante sobre ele.

Gabriela pegou o vidrinho, hesitante.

– E se eu ficar presa em algum lugar do "tempo"? — perguntou.

– Ora, isso é impossível. As viagens são rápidas e você será como uma observadora, apenas. No entanto, no fim da viagem, se lembrará de tudo. Será como se o tivesse lido. — Ellya explicou.

A garota deu um sorriso malicioso.

– Isso me soa um pouco como trapaça.

Ellya devolveu o sorriso, preparando Gabriela para voltar à sua biblioteca.

– Somos fadas, não anjos!

Num piscar de olhos, Gabriela estava no mesmo lugar. Em frente à mesa de madeira fosca, observando o livro dourado.

Mas, desta vez, tinha algo de diferente consigo.

"Um pouquinho de mágica" ela pensou, abrindo o vidrinho e deixando cair um pouco daquela areia esbranquiçada sobre um dos livros "não faz mal a ninguém".

Notas finais
Eu sei que muitos têm se irritado ou fatigado com a Gabriela, porque ela é "muito poderosa", tem poderes demais, etc, então, por isso, gostaria só de dizer umas coisinhas. Muuuuita coisa vai acontecer com a personagem, e logo logo algo de muito misterioso vai acontecer com todos os seus poderes!!!! Se isso fosse um livro, vocês continuariam lendo para descobrir do que se trata não é? Bem, ADS já está em planejamento de livro, portanto, continuem acompanhando! Lembram-se de Freia, a neta da Dimensão? Alguém aí faz ideia de quem ela realmente é e do que planeja fazer com Gabriela? E de Kyle, vocês se lembram, certo? Logo logo Kyle dará as caras, desta vez sem o domínio de Gwen sobre ele, e um mistério sobre ele será revelado! Aaaahhh, só mais uma perguntinha: sabem a rainha das fadas, de quem Ellya vive falando? Pois bem, ela também logo aparecerá, porém já vou avisando: ela pode não ser quem diz ser! Será que há impostores na Dimensão?!?! U.U Let's see soon!!! Alice