Notas iniciais
Heeeeeeeeey! Eu sei que demoro pra caramba pra postar, mas eu estou incrivelmente ocupada esse ano. Sem contar que a inspiração vem e vai inconstantemente, e como sem ela não sou nada... Eu não consigo produzir nada! Me desculpem, mesmo! Agradeço aos poucos que ainda continuam com A Dama Solitária! Vocês são demais! Provavelmente vou postar de tempos em tempos, mesmo, mas não abandonarei! Espero que gostem desse capítulo, não pude escrever muita coisa porque precisei estudar bastante hoje, mas tentei hehe. Alice

"– Você ainda não sabe do que é capaz — Mirty ponderou, séria. — Se for para temer algo, tema um reencontro com Freia.

Gabriela mudou sua expressão de sarcasmo para pavor.

– Eu não havia pensado nisso!

Mas antes mesmo que pudesse se arrepender, Mirty já a havia empurrado para as planícies. Quando olhou para trás, tudo o que pôde ver foi mais planícies.

– Boa sorte, Imortal. — Foi tudo o que ouviu antes de iniciar sua trajetória."

Seus pés doíam.

A agonia no corpo era, porém, um alívio para a alma. Sentir algo intenso que não viesse de seus conflitos internos a fez sentir-se viva pela primeira vez depois de muitas semanas. Desde que recebera o fardo da imortalidade, sua mente não parava quieta. Eram milhares de pensamentos — sempre os piores e mais aterrorizantes — e dúvidas, angústias, sentimentos explosivos e mudanças de humor que nunca se estabilizavam. Os pesadelos também não davam trégua. Enfim, um inferno interno do qual sempre que tentava se libertar, acabava afundando ainda mais.

Mas agora que mal conseguia andar, depois de tantos quilômetros caminhando, quase sentia os lábios curvaram-se num sorriso. Finalmente, um pouco de humanidade voltando.

Não podia contar há quanto tempo andava. Não havia tempo na Dimensão, só o que tinham em Cineres era as ilusões de dia e noite por que as damas eram responsáveis. Isso quase a enlouquecia, não fosse a sensação de que simplesmente não precisava ter pressa. A paciência veio no pacote. Afinal, como suportaria viver para sempre sendo imediatista?

Há indeterminado tempo caminhava por planícies prateadas. Parecia uma infinidade, como se estivesse correndo numa esteira. Nada mudava. Via a mesma coisa sempre — o mesmo horizonte. Perguntou-se por um momento se não estaria andando em círculos. Contudo, instintivamente sentia que ia na direção certa. O instinto tornara-se sua melhor arma desde que virara imortal. Tinha uma teoria para isso: como estava ligada a Freia, a neta da Dimensão, talvez sentisse que conhecia por onde andava. Ou talvez... Alguém estivesse apenas brincando com sua mente.

O desejo de que todos aqueles dias vividos ali fossem, de repente, um sonho louco, era a única coisa capaz de enlouquecer Gabriela.

Preferia ignorar e manter-se focada em sua missão.

***

Morgan respirou fundo antes de dar mais um passo. Sentiria falta das sombras como os anjos sentem falta de suas asas ao serem jogados do céu... Para o inferno.

"Ninguém me conhece" ela pensava. Repetia a frase para si mesma; uma forma de não se amedrontar antes de adentrar terras estrangeiras. E inimigas.

Fechando os olhos, tocou o chão pela última vez. As sombras rastejaram e desapareceram quando levantou.

– Adeus, Kyle — ela despediu-se, sabendo que ele a ouvia de onde quer que estivesse. Com um sorriso maligno, completou: — Mas eu voltarei. E, quando voltar, te trarei um belo banquete.

Uma risada grave ecoou o ar, causando-lhe calafrios.

Determinada, Morgan saiu da Terra das Sombras.

A partir dali, não era mais uma espiã. Era apenas...

– Uma p-pobre andarilha.

***

Escurecia rapidamente em Cineres, o céu tornando-se negro em questão de minutos. Maya, a Dama da Terra, sentia-se fatigada. Seu corpo ficava mais cansado e fraco a cada hora, mas ela não falara sobre isso com ninguém. Havia muitos problemas no momento para que se preocupassem com mais uma irmã... Maya sabia o quanto Diana estava preocupada por causa de Ashley. Já Mirty, mal aparecia. Provavelmente pesquisando seus mistérios em suas bibliotecas.

– Irmã? — uma voz a chamou.

Maya estava deitada em sua cama, uma espécie de tábua de madeira acolchoada com folhas entrelaçadas em cima de seu trono em meio ao caos que a Sala do Trono virara. Ela apenas virou a cabeça para ver quem era, mas não conseguiu enxergar nada por causa da tontura. Sua cabeça doía intensamente, cada vez mais.

Era Alanis. Pôde sentir pelo calor repentino com sua aproximação. Maya sorriu suavemente, feliz por tê-la ali.

– O que há com você? Nunca dorme. — Alanis riu. Ao ver a reação da dama, porém, sua expressão tornou-se preocupada. — Maya...? Está tudo bem?

– Eu... Me sinto fraca. Tão... Fraca. — Ela respondeu, sua voz minguando a cada palavra pronunciada.

Alanis tocou em seu corpo.

– Bem, nós não adoecemos — ponderou, sorrindo. — E tampouco nos apaixonamos. Então, o que deu em você?

Maya riu de sua piada.

– Minhas forças estão acabando. Eu não sei o que tenho.

– Vou procurar Mirty. — Alanis apressou-se, contudo, Maya a puxou de volta.

– Por favor, não. Já temos muitas preocupações. — Pediu.

Alanis fez uma expressão incrédula.

– Você é nossa irmã, uma de nós, Maya! Você é prioridade. É nossa família.

– Não somos exatamente isso. — Maya comentou.

– Bem, podemos não ser geneticamente irmãs, mas somos... Somos, sim, uma família. O que poderia se ter de melhor na Dimensão?

Alanis falava quando subitamente sentiu seu corpo incendiar.

– Ah! — gritou, tentando conter o calor. Seus olhos arregalaram-se — ela havia sentido algo. — Logan está aqui.

Maya esforçou-se para sentar, temendo o pior.

– Como sabe disso? E o que houve com você? — perguntou, exasperada.

– Quando nossos bellators se aproximam e estão pedindo socorro, é essa... Sua forma inconsciente... De nos chamar. — Alanis respondeu, perdendo o fôlego.

– Então corra! Vá encontrá-lo! — Maya ordenou, empurrando-a da Sala do Trono.

Num segundo, Alanis havia sumido dali.

***

A Dama do Fogo quase esbofeteou-se no gramado em frente ao Castelo Bellator devido a rapidez de sua teletransportação.

Assim que avistou Logan, correu ao seu encontro. Ele trazia alguém nos braços. Quando Alanis conscientizou-se de quem era, levou um susto.

– É por isso que Maya está fraca. — Alanis constatou.

Logan esforçou-se para não cair ao entregar a transmorfa nos braços de Alanis.

– A-Alanis, me ajude — ele arquejou. — Nos leve até Maya.

A dama segurou seu ombro, mantendo-o em pé.

– Tudo bem com você? — perguntou, cautelosa.

– Sim. — Respondeu. — Mas com ela, não.

– Ótimo. Menos um problema — Alanis disse, transportando-os imediatamente para a Sala do Trono.

***

Maya saltou de sua cama instantaneamente ao ver Elizabeth. De repente, sentiu suas forças voltarem.

– É por isso que você estava fraca — Alanis falou. — Ela a estava chamando.

A dama assentiu, aliviada, indicando que a colocassem em sua cama. Alanis deitou a transmorfa com cuidado. Ao ver sua situação, Maya cobriu a boca para não gritar.

– O que houve com ela?! — perguntou. Foi então que viu Logan. Rapidamente, o abraçou. — Logan! Você está bem?

Ele assentiu, soturno, fixando os olhos em Elizabeth. Ela estava desacordada e pálida, como morta. De baixo do busto até a linha da cintura havia sangue escorrendo, descendo até seus pés. Ele não prestara atenção nisso enquanto a trazia, mantendo-se focado em tê-la salva. Mas agora, com Elizabeth a sua frente, completamente machucada, Logan controlou-se para não incendiar seu próprio corpo. A raiva o estava dominando rapidamente. Ele podia sentir. Alanis, também, pois olhou-o com uma expressão estranha.

– Logan — ela o chamou, balançando os ombros, incomodada. — Pare com isto. Sua raiva está me... Contaminando.

– Saiam — Maya ordenou.

Com cuidado, passou as mãos sobre a faixa de seu abdômen, tomando noção do que acontecera. Havia fuligem por aquele local, o que a dama estranhou. Foi então que tocou em algo protuberante na região próxima de seu ventre.

Metal.

Abaixo do corselete marrom da bellator, havia uma adaga.

Maya compreendeu tudo ao ligar os pontos. Abaixou a cabeça e suspirou, sentindo os olhos marejarem.

– Ah não, Liza. — Lamentou. — As sombras, não.

Quando estava prestes a sair da Sala do Trono para dirigir-se ao seu jardim em busca de um antídoto, Alanis e Logan surgiram novamente.

– Espere — Alanis pediu, interrompendo-a. — Logan e Elizabeth estão ligados. Precisamos desfazer isso antes que ele também seja contaminado. Não sabemos se eu posso ser atingida, também.

Maya arquejou e ergueu as sobrancelhas, empalidecendo rapidamente.

– Logan está ligado a Elizabeth? Eu... Compreendo que foi a melhor das intenções. Mas, Alanis, acredito que isso não possa ser desfeito. Segundo o que sei, ligações vitais envolvidas com elementos são inquebráveis. Não se preocupe com você. As damas não estão tão ligadas assim aos seus elementares. Se ele se contaminar, isso não poderá te atingir. No máximo, talvez você enfraqueça um pouco. Já você, Logan — ela olhou para o bellator — temo que não possa escapar dessa vez.

Logan não disse nada.

Não havia o que dizer.

Se Maya não encontrasse algum antídoto para retirar as sombras de Elizabeth, os dois bellators estariam fadados à morte.

Ele não sabia se estava pronto para isso...

Estaria pronto para morrer por e com Elizabeth?

Notas finais
Eeeeeeeeeita! Que treta gente! O que acharam??? Comenteeeem! Ahhhh, só para atiçá-los: lembram-se do capítulo em que Kyle teve uma visão na clareira? Logo, logo, vou retomar aquele mistério! Fiquem atentos, então! Kisses, eu!