A Dama Solitária

27 A Jornada da Imortal - Parte I


Notas iniciais
Heeeeeey! Como estão vocês, galera? Fiz esse capítulo com muito ânimo e mal posso esperar pelos reviews, hehehe. Ouçam! https://www.youtube.com/watch?v=vymtWjOrSgI

Não há como sair daqui. Por favor, nos salve.

A mensagem de Brian era clara o suficiente para todos. Diana levantou-se de seu trono, havia terror em seus olhos. Maya, Alanis e Mirty afastaram-se para que a dama do ar se aproximasse do paralelepípedo. O objeto tremeluzia, perdendo sua magia rapidamente.

– Nossos elementares foram pegos — Diana disse. Sua pronúncia soava devagar e incrédula. Ela esticou o braço para tocar no paralelepípedo pela última vez antes que ele se desfizesse no ar.

Quando se desfez, a dama baixou seu olhar. Maya olhou para Alanis e Mirty. Nenhuma delas nunca vira Diana tão abatida, nem Gabriela. A garota estava inerte, incapaz de dizer qualquer coisa.

– E agora, o que faremos? — Maya questionou, sua voz quase sumindo. — Nossos elementares mais poderosos estão presos na Terra das Sombras, sabe-se lá com quem...

Alanis ergueu as mãos.

– Acha que Gwen pode tê-los pego?!

Não houve resposta. Mirty também mantinha-se calada.

– Quem enviaremos? Não podemos entrar na Terra das Sombras. A trégua que temos com os irmãos será desfeita por nós mesmas. — Maya argumentou. — Mas não há ninguém melhor que eles para essa missão.

Alanis concordou.

– Não restou ninguém... — ela interrompeu-se. Olhou para Maya e então para Mirty. — Espere. Restou, sim. — A dama do fogo balançou a cabeça. — Ainda há um bellator.

Maya arquejou.

– Está sugerindo que soltemos Scorpia? Scorpia?! Ela é uma traidora! Além do mais, Scorpia está presa no Deserto da Morte. Não podemos ir até lá. V-v-vocês sabem quem está lá — a dama ponderou, nervosa.

– Scorpia é a única boa o bastante para adentrar a Terra das Sombras, irmãs — Alanis disse. — Se enviarmos qualquer outro, será suicídio.

Mirty observava a discussão das duas com cautela.

– Pretendem mesmo soltar Scorpia para recuperar os outros bellators? — perguntou, séria.

Alanis afirmou, mas Maya, não.

– Não podem estar falando sério! — Maya elevou seu tom de voz. — Scorpia não é apenas boa o bastante! Ela é uma assassina! Estão ouvindo a si mesmas?

– Maya, quem poderemos enviar? James, Tevon? Sahé? Precisamos dos nossos líderes aqui! Se eles morrerem, quem cuidará de tantos elementares? — Alanis perguntou.

Diana virou-se para as três irmãs.

Ela ergueu seu olhar e respirou fundo. Pequenos feixes de eletricidade percorriam a órbita de seus olhos, que brilhavam mais azuis que nunca.

Esperaram sua sentença.

– Aceito essa missão — Diana disse. — Enviaremos Scorpia.

Mirty colocou-se à frente das Damas.

– Diana, pense bem no que está fazendo. Tem certeza disso? Scorpia é a pior assassina que conhecemos em Cineres. Ela pode fazer coisas muito piores que salvar nossos elementares.

Diana deu de ombros.

– Então temo que teremos de arriscar.

A mentalista suspirou.

– Como libertaremos Scorpia? — perguntou. — Quem enviaremos ao Deserto da Morte?

– Não há ninguém que possa voltar vivo de lá — Maya avisou. — Diana, você sabe. Sabe quem também está preso no deserto.

Diana olhou para os lados, pensativa. Era visível o conflito interno da líder em arriscar a vida de tantos pela de poucos.

– Há uma pessoa — ela disse. As três irmãs entreolharam-se, curiosas, no entanto, uma delas já sabia de quem se tratava.

A Dama do Ar aproximou-se de Gabriela, perto do último trono, o trono vazio de Ashley.

– Você irá ao deserto libertar Scorpia — Diana falou. Sua voz soou tão alto como um trovão, fazendo com que a garota estremecesse.

Mirty arregalou os olhos.

– Espere, ela?!

Diana olhou para trás com as sobrancelhas erguidas.

– Você pensa em alguém melhor? — perguntou.

– Não pode mandar Gabriela! Ela é apenas uma garota! — Maya protestou, incrédula.

Diana voltou-se para a garota.

– Posso, sim — disse, mordendo o lábio por dentro. Seu cenho estava franzido, numa expressão desafiadora. — Ela não é apenas uma garota. Ela é... A Imortal. — Diana encarou Gabriela. — Não é?

A garota ergueu a cabeça ao nível da dama.

Maya balançou a cabeça.

– Ela ainda não está pronta para isso. Não sabe como usar seus poderes.

– Posso ver que ela está muito pronta, sim. E saberá como usá-los quando precisar deles. — Diana contra-argumentou.

– Espere, Diana! — Maya implorou. — Se vai mesmo enviá-la para o Deserto da Morte, ao menos dê a ela tempo para ser ensinada por Mirty! Tenho certeza de que ela pode ensiná-la — a dama curvou as sobrancelhas, preocupada.

Diana abaixou a cabeça e levantou-a novamente, irritada. Um raio cortou toda a Sala do Trono, causando um clarão que deixou-as levemente cegas.

– Chega! Não temos tempo! — Diana gritou. Mirty tremeu. A dama do ar estava furiosa. — Gabriela, você já teve muito tempo para se acostumar à imortalidade. Agora, prove seus poderes. Mostre quem é a Imortal. — Diana suplicou.

Gabriela franziu as sobrancelhas, pressionada. Sentiu sua respiração acelerar. O que diria? O que faria? Como negaria aquela chance, mas como aceitaria?

Mirty olhou para a garota com algo nunca visto antes em seus olhos.

Medo.

Se a Mentalista está com medo, como poderei fazer isso?!

Diana ainda a olhava com esperança no rosto.

– Você é o elementar mais poderoso que temos — ela disse. — Sei que consegue fazer isso. Então, Gabriela, você irá salvar nossos elementares? — Diana perguntou.

Gabriela abriu os lábios. Estava hesitante. Uma bola formou-se em sua garganta, impedindo-a de dizer o que queria dizer.

A maldita covardia... Agora, não.

– Sim. — Gabriela respondeu, surpreendendo-se consigo mesma. Um imperceptível sorriso cruzou os lábios de Diana, que levou-a até o centro da Sala do Trono.

Só agora que estava realmente ali, Gabriela percebeu como o lugar estava destruído. No entanto, o cenário combinava, de certa forma, com a situação. As damas provavelmente não teriam tempo para arrumar tudo em meio ao que estava acontecendo.

– Irmãs — Diana chamou-as. Todas elas fizeram um círculo ao redor de Gabriela. — Não somos mais tão poderosas quanto você, mas ainda temos algo que você não tem.

Gabriela franziu o cenho, confusa.

– Há um objeto que surgiu juntamente com a Dimensão... Ele está aqui há muito, muito tempo. É conhecido como a arma mais poderosa já vista. — Diana disse. — Antes mesmo que eu caísse aqui, alguém já o tinha. Alguém extremamente perigoso e poderoso. A Rainha das Fadas.

A garota arquejou. Aquela mulher, não. Era muito mistério para uma pessoa só.

– A Espada Celestial — Diana explicou, abrindo um leve sorriso. — Veio com Levi quando ele amaldiçoou os céus. Era sua espada quando ainda era um anjo da Primeira Legião. No entanto, ele a perdeu ao cair no sono na Floresta Cinza. Foi quando a Rainha das Fadas a roubou.

– E como você conseguiu-a? — Gabriela perguntou.

Diana sorriu.

– Algum dia você saberá. Mas agora, o que importa é isto. — A dama do ar juntou as duas mãos como quem segura algo.

E, de fato, ela segurava. Um objeto dourado reluziu em suas mãos, criando forma rapidamente. Gabriela afastou-se, assustada, cobrindo os olhos. Aquilo brilhava tão intensamente que doía sua vista.

– A Espada — Alanis admirou-se. — Você nunca nos mostrou.

– Era para circunstâncias extremas — Diana rebateu. — Agora, esta espada pertence à você.

– E-eu... — Gabriela aproximou-se, tocando na espada. Era a coisa mais bela que já vira na vida. Certamente, Levi deveria ganhar muitas batalhas com ela. Sua lâmina era grande e levemente curva, totalmente dourada. Seu punhal, também de ouro, possuía duas asas douradas nas laterais e uma pedra de diamante vermelho incrustada em seu centro. Na extremidade do punhal havia anéis dessa mesma pedra.

A beleza daquela arma era incomum para o mundo humano ou até mesmo para um mundo mágico como a Dimensão. Só poderia ter sido forjada no céu.

– Não acho que esta espada seja necessária — Gabriela disse, constrangida. — É apenas uma viagem ao deserto.

Alanis e Diana gargalharam de sua inocência.

– Ah, querida, acredite, você irá precisar disto. — Alanis recomendou. — Te darei uma bainha mágica para guardá-la. — Com um movimento rápido das mãos, Alanis fez surgir uma bainha na cintura da garota. — Qualquer um que tentar tocar na espada, será queimado. Só você poderá tirá-la e guardá-la.

– Obrigada — Gabriela disse, olhando para o objeto em sua cintura. Imaginou o que aconteceria com qualquer um que esbarrasse nela acidentalmente.

– Não se preocupe. Sei o que crio — Alanis piscou, assegurando-a.

Maya juntou as mãos e fez surgir um pequeno vidrinho azul.

– É um elixir de cura — ela sorriu, seus olhos verdes marejando. Mirty rolou os olhos e suspirou. — Poderá usar sempre que precisar, mas é pouco, então use com moderação, certo?

Gabriela assentiu.

– Mirty, é sua vez. — Diana falou.

A Mentalista ergueu uma sobrancelha e olhou a garota dos pés à cabeça.

– Você não pode ir de jeans e suéter encontrar a morte — disse. — Melhor assim.

Gabriela olhou para baixo e mal acreditou no que viu.

Havia uma armadura negra em seu corpo. Recebera um par de botas de couro escuro e corselete de mesmo tecido e cor.

Pela primeira vez na vida, Diana deu um sorriso verdadeiro ao vê-la.

– Preto fica bom em você, Imortal.

Gabriela sorriu. Estava mesmo bem naquela armadura. Apesar de ser uma armadura bem diferente do que pensara ser uma.

– É mais eficaz do que parece — Mirty explicou. — Esse couro é de pele de ogro.

– O-o que?! Ogros? Na Dimensão?

– É por isso que te dei uma armadura. — Ela disse, sarcástica.

Diana pôs uma mão no ombro de Gabriela.

– Você está quase pronta. Mas ainda falta uma pessoa.

***

Ashley abriu os olhos.

Podia sentir a presença da morte tão perto como um suspiro.

Rapidamente levantou-se e tentou recobrar seus poderes. No entanto, sem sucesso. A raiva logo lhe invadiu, mas Ashley obrigou-se a manter a calma. Nunca seria solta se desse lugar a seus surtos de raiva.

– Ashley — uma voz a chamou.

A loira olhou na direção da voz — a cabine de vidro que a separava de suas irmãs. E era exatamente quem estava lá. Suas irmãs.

Diana a chamara.

Mas trazia mais alguém junto com ela.

– Gabriela — Ashley concluiu. — Agora sei porque o cheiro de morte.

– Já estou ignorando — a garota falou antes que Diana lhe dissesse para o fazer. — É bom vê-la, Ashley. Sinto muito... Pelo que fiz.

Ashley cruzou os braços e franziu a testa.

– Por ter sugado meus poderes? Ah, não, vá em frente. Sugue o resto que há em mim — a loira retrucou, olhando magoada para Diana.

Diana baixou a cabeça e balançou-a.

– Ashley, viemos aqui porque precisamos de sua ajuda. — Explicou.

– Já percebi – Ashley sorriu, irônica. — Presumo que estejam enviando Gabriela para alguma... Missão suicida.

Mirty reprimiu um sorriso. Ashley sempre fora muito esperta, e mesmo sem seus poderes, aquilo mantinha-se intacto.

– E querem minha bênção — a loira fez um sinal de aspas com as mãos.

Diana assentiu e olhou para Mirty. Instantaneamente, as paredes da Sala de Contenção desapareceram em meio a uma fumaça negra.

Ashley tocou no vazio ao tentar tocá-las. Aliviada, deu um longo suspiro.

– Sei exatamente do que você precisa — a loira se aproximou de Gabriela. Com um gesto rápido, fez algo surgir em suas mãos. — Você pode ter pegado meus poderes, mas não meus truques. E estou lhe dando um deles agora.

A dama da água lhe entregou um vidro negro.

– Tenha, muito, cuidado com isso. É tinta de lula... Mas não qualquer tinta. É mágica. Pode destruir qualquer coisa, de simples cadeias de aço à uma floresta inteira. — Ashley explicou. — Mas acho que você já sabe para quê vai usá-la.

Gabriela assentiu. Precisaria mesmo destruir uma cadeia.

Diana olhou para Ashley com tristeza.

– Obrigada, irmã — agradeceu. Então, olhou novamente para Mirty.

A Sala de Contenção já a prendia outra vez.

Ashley observava as irmãs indo embora da Sala do Trono enquanto assegurava-se do que tinha em mãos.

Assim que todas as damas se transportaram para outro lugar de Cineres, Ashley respirou fundo.

– Desculpe, Diana — disse. — Mas não sou seu animal de estimação.

Com agilidade, derramou o outro vidro negro na cabine de vidro.

***

Gabriela encarava seus pés com medo e ansiedade. Estava nervosa. O próximo passo que desse definiria o futuro de seus amigos.

As Damas haviam levado-a para o ponto final de Cineres, o lugar de onde começaria seu caminho até o Deserto da Morte. À sua frente, havia uma planície prateada que sumia no horizonte, impedindo-a de ver o que vinha depois.

– Aqui é seu ponto de partida — Diana avisou. — Você irá trilhar um longo caminho até entrar no deserto. No entanto, não irá adentrá-lo facilmente. Há certos... Moradores invisíveis nos arredores. Eles protegem o deserto, não sabemos o porquê.

– É por isso que me armaram para a missão? — Gabriela perguntou.

A dama assentiu.

– Sim. Haverá uma luta. Mas não se preocupe, eles podem ser facilmente ganhados. Você só precisa descobrir o que querem e então conseguir. Caso não... Acredito que poderá, enfim, liberar toda a fúria que deve haver dentro de você. — Diana fez uma careta.

Gabriela respirou fundo, e então deu um passo a frente. Porém, alguém puxou-a.

– Espere aí, garota — Mirty falou. — Uma vez que adentre as Planícies de Prata, não conseguirá mais ver o que deixou para trás.

Ela arqueou as sobrancelhas.

– Por que?

Mirty deu de ombros.

– A Dimensão é um lugar misterioso. Além do mais, as Planícies já não fazem parte de Cineres. Estará na própria Dimensão. Não poderá chamar ninguém. Estará sozinha.

– Ótimo — Gabriela riu. — É realmente uma missão suicida.

– Você ainda não sabe do que é capaz — Mirty ponderou, séria. — Se for para temer algo, tema um reencontro com Freia.

Gabriela mudou sua expressão de sarcasmo para pavor.

– Eu não havia pensado nisso!

Mas antes mesmo que pudesse se arrepender, Mirty já a havia empurrado para as planícies. Quando olhou para trás, tudo o que pôde ver foi mais planícies.

– Boa sorte, Imortal. — Foi tudo o que ouviu antes de iniciar sua trajetória.

Naquele momento, o sol começava a se por. Gabriela se perguntava se podiam vê-la e se a ajudariam sem que soubesse.

Sua mente estava tomado por dúvidas e perguntas sufocantes, mas nada disso se comparava ao que estava em seu coração. Saudade.

Desde que ele desaparecera junto com os outros elementares, Gabriela não havia deixado de pensar em Angelo.

Será que ele também fora pego?

Será que ele ainda pensava nela?

Notas finais
E então???? Gostaram??? Please, comeeentem!!!! Muitas surpresas virão no próximo capítulo, mal posso esperar!!! Alice