A Dama Solitária

21 A Arte da Vidência e a Lenda da Bruxa


Notas iniciais
Estou postando com pressa, desculpem por não poder falar muito kkk. Sei que disse que demoraria mais para postar, mas como estou inspirada, resolvi postar agora mesmo. Aproveitem!

Na Sala do Trono, as três damas esperavam ansiosamente pela chegada de Gabriela e Mirty. Haviam iniciado uma discussão antes da mentalista sugerir que buscassem a Imortal, e há algumas horas, começavam a ficar impaciente. Diana segurava-se para não ir atrás da irmã.

De repente, duas mulheres adentraram a sala. Mirty em sua capa branca que contrastava com seus longos cabelos e olhos negros, e Gabriela, em calças jeans escuras, suéter vermelho vinho e jaqueta preta. A gola de seu suéter subia até o pescoço, mas ela não parecia se incomodar muito com aquilo.

Gabriela fora teletransportada pela dama no exato instante em que concordou ir com ela (não que precisasse concordar para seguir uma ordem de Mirty). Não sabia definir como fora chegar à Sala do Trono; era algo como passar por um túnel negro ilusório — a sensação da teletransportação — e subitamente pisar os pés num chão branco, quase uma névoa. A sala era grande, possuía cinco tronos que organizavam-se em direção horizontal, sendo o de Diana o que ficava no meio. O trono de cada uma das damas indicava características de seu elemento: o de Mirty, por exemplo, o último à esquerda, era igualmente alto e majestoso como os de suas irmãs, mas havia uma colcha preta que descia de cima do trono, indo até os pés. O de Alanis era o mais assustador: os pés do trono pegavam fogo.

– Finalmente! — Diana exclamou, levantando de seu trono e indo em direção às duas. — Por que demoraram tanto?

Mirty estreitou os olhos.

– Tive um contratempo — ela respondeu, lembrando de ter de resgatar Gabriela antes que ela pulasse a cratera e entrasse em território inimigo.

A Imortal engoliu em seco; pelo menos, Mirty guardaria aquele segredo entre as duas.

Diana observou Gabriela por alguns segundos; seus olhos azuis elétricos fitavam cada parte de seu corpo, parecia conseguir analisar cada célula, cada pensamento, os desejos — e o magnestimo fatal que havia dentro dela. Mas depois de confiscá-la, pareceu decidir que havia coisas mais importantes no momento.

– Mirty diz que você pode nos ajudar a encontrar os elementares perdidos — Diana anunciou.

Gabriela tentou não parecer tão amedrontada quanto estava.

– E eu quero saber o motivo disso, — a dama de olhos elétricos falou — portanto, comece a falar. Você pode ver o presente... Em qualquer lugar, como Freia?

Diante daquela pergunta, Gabriela quase tombou para trás. Agora todas as damas olhavam-na fixamente, esperando pela resposta. Mirty permaneceu calada, sem olhar para ela, mas seu silêncio era o perfeito indicador do que fazer. Como se pudesse ler sua mente, Gabriela disse:

– Não sei.

Diana arqueou as sobrancelhas.

– Como não sabe? E sou eu que sei, minha querida? — ela riu, com desdém.

Gabriela suspirou. Já estava tão acostumada com aquele tipo de reação das pessoas que nem a afetava mais. Desde que se tornara aquilo, a repulsa tornou-se um instinto para qualquer um. Exceto Mirty. Ela era a única pessoa que permanecera imutável com a mudança de Gabriela. Na verdade, as duas pareceram se aproximar mais. O que havia em comum entre elas agora? Talvez, a maldade reprimida.

– Nunca tentei visualizar o presente antes — ela respondeu, calmamente. — E eu realmente acho que não sou capaz disso. Acho que a vidência não veio no pacote.

Diana revirou os olhos e passou as mãos no rosto, tentando controlar-se. Algumas faíscas elétricas escapuliram de seus dedos finos.

– Então que raios de... Oh, droga! Como iremos achá-los? — Diana gritou. — Como, iremos, achá-los?

– Mas eu tenho uma coisa! — Gabriela apressou-se. Diana levantou uma sobrancelha, curiosa. — Apesar de não ser vidente, eu ganhei certa... Sensibilidade. Não sei como chamar isso, mas é como uma intuição. Posso sentir quando algo de ruim está acontecendo.

Diana cruzou os braços.

– Ah, mesmo? Porque todas nós aqui temos sentido isso há algumas horas, Imortal.

Gabriela olhou para o teto, cansada. Se ela não poderia ajudar, então por que Mirty apostava nela?

– Ela está certa — Mirty falou de seu trono. Como ela havia chegado lá tão rapidamente? — O que Gabriela está dizendo ter chama-se simulcognição. É a capacidade de ter conhecimento da realidade presente. No entanto... Esse poder não está no nível avançado o bastante para que consigamos saber exatamente onde nossos elementares estão.

– Então como vamos usar ele? — Alanis perguntou.

Mirty reprimiu um pequeno sorriso que surgia em seus lábios.

– Sei como usá-lo para o que precisamos — ela disse. — Porém vou precisar de tempo.

Diana fechou os olhos e respirou fundo.

– Tempo? — ela perguntou. — Tempo? Os elementares desapareceram há um dia, irmã. Como poderei esperar por isso?

– É a única forma, Diana. Você tem alguma ideia melhor?

A dama do ar franziu os lábios, pensando em todos os prós e contras. Incluído nos prós estava a chance de não só encontrar os elementares como também de tornar Gabriela um ótimo objeto de vidência. Já os contras... Envolviam perder os três melhores elementares de Cineres — Logan, Elizabeth e Serena.

– Tudo bem — Diana cedeu, mordendo a língua. — Mas só temos três dias.

Mirty ergueu as sobrancelhas.

– Três? Acha que Gabriela é o que? Uma máquina? — ela sorriu e balançou a cabeça, irônica. Um comportamento digno de Ashley. Aliás, onde estaria Ashley? — Quem dera se fosse.

– Acho que posso fazer isso em três dias. — Gabriela informou.

Diana sorriu.

– Excelente! Então vão, comecem já o que tiverem de fazer. Sabe-se lá o que está acontecendo com... — com Brian– Os Bellators.

Mirty desceu de seu trono e tirou seu capuz.

– Irmã, peço permissão para me ausentar por três dias para treiná-la com seus poderes — ela pediu. Diana assentiu brevemente.

– Cobriremos sua ausência — ela falou. Gabriela percebeu uma sombra de preocupação correr por seus olhos ao dizer aquilo.

– Está... Tudo bem? — ela perguntou à mentalista enquanto desciam as escadas — que, claramente, surgiram do nada — para algum lugar desconhecido.

– Como assim? — Mirty esquivou-se. — Os elementares sumiram, é pra estar tudo bem?

– Não estou falando disso — Gabriela explicou. — Espere... Sabe que eu não estou falando disso. Por que se esquivou? Onde está Ashley?

Mirty suspirou e não respondeu.

– O que aconteceu com ela? — a garota insistiu.

A mentalista respirou fundo e virou-se para Gabriela.

– Ashley está muito bem para você — respondeu, ríspida.

– Tudo bem. Entendido. — Gabriela encerrou o assunto. Estava claro que algo havia acontecido com a dama da água, algo que deveria ficar bem guardado do conhecimento de qualquer um. Mas por que? Por que Mirty estava escondendo isso dela? Sabia que Gabriela acabaria descobrindo. E seria tão fácil quanto descobrir onde os elementares estavam. — Por onde começamos?

As duas haviam chegado a uma grande biblioteca. Não era a biblioteca do Castelo Bellator — com seus livros de estratégias de luta, magia e outras coisas — era outro lugar. As estantes se fechavam num círculo, eram altas e obscuras.

– Onde estamos? — Gabriela perguntou. Por que Mirty sempre me leva a livros? Ela pensa que eu sou tão burra assim? — Mirty?

Ao olhar para os lados, não havia mais ninguém. Mirty deixara-a só.

– Que ótimo — a garota murmurou, se aproximando de uma das estantes e correndo os dedos pelos livros. Eles estavam incrivelmente empoeirados. — Livros velhos, teias de aranha... Uau, isso é tão a cara da mentalista.

Um livro caiu da estante no momento em que Gabriela disse aquilo.

– Opa — ela sussurrou, abaixando-se para pegá-lo. — A Arte da Vidência? — Gabriela franziu as sobrancelhas. — Que incrível. Terei aulas com Snape, ou algo assim?

– Você não cansa de ser estúpida? — Mirty perguntou. Gabriela virou-se rapidamente na direção da voz.

– De onde você veio? — ela arregalou os olhos. Seu coração palpitava por causa do susto.

– Não posso desaparecer cinco minutos e você já surta desse jeito — ela comentou. — Agora tenho de dar satisfação para você de todos os meus passos?

Gabriela abriu o livro "A Arte da Vidência" na primeira página. "A vidência é a arte mais antiga que existe. Antes mesmo dos seres humanos aprenderem a dominar o fogo, algumas mulheres já haviam adquirido essa habilidade. Conhecido como intuição no mundo humano, para os mágicos chama-se vidência. Pode também ser entendido como um instinto aprimorado. Apesar de comum entre a espécie humana, seus níveis são baixos. Limitam-se a intuição materna e habilidade com negócios (dinheiro, bolsas de valores, vendas e mercado)."

– Isso é interessante, mesmo. Mas por que preciso ler...

Mirty colocou mais três livros grossos em seus braços. Gabriela curvou os joelhos, preparada para que caíssem, mas incrivelmente o peso deles não pareceu fazer diferença nenhuma.

– Você quer ser uma vidente de verdade ou quer apenas fazer esse trabalho para nós? — Mirty questionou. — Ótimo, era o que eu esperava. Esses livros vão te ensinar tudo o que precisa saber. Depois de lê-los, vamos treinar na prática. O seu dom é único em Cineres, talvez até mesmo na Dimensão, e é preciso explorá-lo ao máximo. Já é ruim de ser apenas simulcognição, mas... Quem sabe possamos aprimorá-lo?

Gabriela deixou o queixo cair. De repente, Mirty se transformara numa professora de poderes psíquicos. Bem, o pensamento seria hilário se não fosse verdadeiro. Ela era a mentalista — não qualquer mentalista, a Dama — e reinava sobre o elemento mental, o mais forte que existe. Talvez houvesse um motivo para que Mirty fosse uma dama, e não uma mentalista como James. Talvez ela devesse mesmo ensinar.

– Não sei como lerei isso em três dias — Gabriela curvou os ombros.

– Não vão ser três — Mirty informou, fazendo-a suspirar de alívio. — Será um dia. Preciso de você amanhã.

Gabriela arregalou os olhos e olhou para os quatro gigantes livros que teria de ler em um dia.

– Espere, como?

Mas Mirty já havia sumido.

***

Era noite na Terra das Sombras, pois o sol de Cineres já havia descido do horizonte. Após a Floresta Cinza, depois de um grande território de todo tipo de bosque, estava o castelo dos irmãos das sombras. O castelo localizava-se atrás de um lago, entre pinheiros altos e negros. Gwen devia estar fazendo algum feitiço, pois a Lua, antes em eclipse total, começava a surgir atrás das altas paredes de pedras, grande e amarela.

Angelo arrepiou-se com o clima do lugar. A lua cheia era um péssimo indicativo vindo de pessoas que mexiam com bruxaria, como Gwen. Além da Terra das Sombras já ser um lugar horrivelmente obscuro, ainda havia Gwen para piorar tudo. A sensação era de que mais alguns passos e veria o inferno com os próprios olhos.

– Como as pessoas conseguem viver aqui? — Angelo sussurrou para si mesmo.

Estava sozinho. Sozinho, e invisível. A capa da invisibilidade que somente ele tinha o impedia de não só ser visto, como também de ser atingido por algum feitiço contrário — coisa que Gwen poderia estar fazendo nesse exato momento.

Dois dias atrás, enquanto vigiava Cineres junto a um soldado de Sahé, Brian precisou falar com Angelo. Ele disse que se tratava de algo muito sério.

E agora ali estava ele, sobrevoando o castelo de Gwen e Kyle para vigiar as ações de cada um. Apesar de ser um anjo, evitar o medo era simplesmente impossível. Angelo tentava não fazer muito barulho com as asas, mas já começara a ficar cansado depois de dois dias voando por aquelas terras obscuras e decidira andar em terra firme. Ele tinha cuidado com o cascalho, que fazia mais barulho que tudo, e esgueirava-se por entre as sombras das árvores para observar os irmãos melhor.

O plano de Brian era muito ambicioso. Uma grande aposta. E o dever de Angelo era ficar de olho em Gwen e Kyle caso os irmãos ficassem sabendo da invasão as suas terras. Quem dera isso fosse uma das minhas brincadeiras de espião, Angelo pensou. Se Gwen suspeitar de minha presença, ela não hesitaria em me matar no mesmo instante.

Só de pensar em encarar aquela bruxa, um arrepio percorreu sua pele. Quando estava perto o bastante da janela do quarto de Gwen, Angelo escorregou numa parte de terra úmida e caiu.

Gwen estava na janela, observando a lua crescer, quando ouviu o barulho. Instintivamente olhou para baixo, perscrutando o local em busca de alguém.

– Hum... — ela balbuciou depois de um tempo, então voltou para a lua. Aquela atração era tão horripilante que Angelo fez uma careta.

Ufa, ele suspirou aliviado. Mas quando foi se levantar, sentiu algo prendendo sua mão direita. Ele olhou para baixo e viu outra mão o segurando.

Angelo arregalou os olhos e empurrou aquela mão com força. Na verdade, aquele resto de mão. Com um impulso firme ficou em pé novamente — foi então que viu do que se tratava aquela parte de terra úmida.

– Não pode ser — ele sussurrou.

O chão estava coberto de seres minúsculos, alguns ainda em carne, outros, só em ossos. Os seres possuíam asas quase que transparentes, e os que pareciam recém-mortos tinham uma branca azulada.

Angelo arquejou ao perceber do que se tratava.

Havia vários daqueles seres, tantos que ele nem podia contar. E a mão que o havia prendido era apenas ossos amontoados daqueles serezinhos. Se fossem mesmo o que Angelo imaginava, então a lenda era verdadeira.

Angelo virou a cabeça. A imagem daquilo era insuportável.

– Preciso sair daqui — ele encontrou uma brecha entre os pinheiros e deixou que as asas elevassem-no do chão.

Aqueles seres foram assassinados, exatamente como conta a lenda.

Mas uma pergunta importunava a mente do anjo: seriam os únicos existentes? Haveria mais deles? Se sim, onde estavam?

Notas finais
Gente, eu estou com muuuuuitas visualizações, muitas mesmo, mas pouca gente comenta. Na verdade, só a Mrs. Fitz e a B Angel tem comentado. Leitores, onde vocês estão????? Alice