A Dama Escarlate
2 Parte 2
Na manhã do dia seguinte, lá estava, na terceira folha — logo após as notícias principais — a primeira parte do conto que mudaria minha vida.
"A Dama Escarlate
por John Levy
Era madrugada de frio, mas isso não desanimou as habituais presenças no pub da Rua 7. O cheiro de álcool era forte e misturava-se com a fumaça dos cigarros aqui e ali. A conversa alta se sobrepunha à música que tocava no ambiente.
Adam estava rodeado de seus amigos, comemorando seu aniversário, quando ela entrou vestindo seu sobretudo vermelho e com o cabelo loiro escondendo o rosto. Passou direto pelo cabideiro sem pendurar seu casaco e se sentou na mesa de frente para ele. Tirou as mãos de dentro dos bolsos e pôs sobre a mesa. Adam acompanhava, curioso, cada movimento da estranha.
A loira ergueu um dos braços chamando a atenção do garçom. Levantou o rosto para ele, sussurrou seu pedido e depois olhou ao redor. Caçando. Procurando sua presa.
Seus olhos encontraram a cara de surpresa de Adam e ela deu um pequeno sorriso. "Bingo!". O garçom voltou com seu uísque; ele também ficara encantado com a beleza da mulher, mas ela já havia escolhido sua presa de hoje.
Mirando Adam, a mulher retirou uma de suas luvas de couro e pegou o copo de uísque que estava a sua frente. Deu um bom gole e depois baixou o copo, jogando o cabelo para trás, flertando com o rapaz.
Adam estava sem acreditar que aquilo estava acontecendo com ele. Estava absorto da conversa à sua volta. mantinha sua atenção presa aos olhos penetrantes e desafiadores da mulher.
A mulher virou o resto do uísque, deu uma última olhada para Adam, pôs a luva novamente e caminhou em direção à saída. Estava certa de que Adam a seguiria. E assim ele fez.
Saiu às pressas de sua cabine, empurrando um de seus amigos para que saísse da frente. Correu rapidamente até a porta e saiu. Olhou para os lados da rua à procura dos longos cabelos loiros e foi então que reparou num borrão vermelho entrando na ruela lateral ao pub. Seguiu naquela direção.
– Olá — ele sussurrou para o escuro, ainda na entrada da ruela, sem obter resposta. Decidiu arriscar e se embrenhou na escuridão, esperando encontrar seu anjo misterioso.
Andou até metade da ruela, e já conseguia ver a claridade do outro lado, quando ouviu uma respiração forte. Virou-se. Nada.
– Olá? — ainda sem resposta. Decidiu caminhar, acreditando que a loira estaria o esperando do outro lado da ruela.
Em meio ao silêncio — perturbado apenas pelos seus próprios passos abafados — ouviu um assovio. Era um assovio lamuriento, uma canção melancólica. Uma canção de morte. Adam procurou desesperado a fonte daquele som arrepiante. E, da mesma forma repentina como começou, o som cessou.
Adam virou para voltar ao pub e, de repente, caiu no chão. Morto. Com uma faca presa às costas, atravessando-lhe o coração.
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