A Dama Escarlate
3 Parte 3
Estava satisfeito com o que conseguira produzir e James ficara em êxtase com o retorno que o jornal recebeu devido ao conto. Segundo ele haviam inúmeras cartas de leitores elogiando e se dizendo ansiosos pela continuação. Alguns até chegavam a dar palpites do que poderia acontecer.
Mas a verdade era que nem mesmo eu sabia o que aconteceria. Então voltei ao pub duas noites depois, na esperança de reencontrar minha musa inspiradora.
Sentei-me em uma das cabines e coloquei no papel a base que havia criado para continuar a história.
Na manhã seguinte, Jean Paul — um francês emburrado e perito chefe da polícia de Londres — encontrava-se agachado em uma ruela fétida, examinando o corpo de um pobre rapaz que fora apunhalado pelas costas.
– Coitado. Não deve nem ter visto quem fez isso com ele — ele murmurara retirando a faca que estava presa ao corpo.
– Assalto, talvez? — um policial sugeriu
– Assassinato, sem dúvida — ele respondeu, tirando a carteira e o celular do bolso da vítima.
Depois de interrogar o dono e os funcionários do bar e procurar saber mais sobre o que podia ter acontecido, tudo o que tinha era o nome — Adam — e as poucas informações que um dos garçons lhe dissera.
– Ele veio comemorar o aniversário com um grupo de amigos, mas saiu bem antes deles. Foi atrás de uma gata de vermelho que tava por aqui — ele dissera.
John olhou à sua volta. O movimento no pub havia crescido. Voltou seus olhos ao lápis que deslizava pelo papel quando não viu sinal da loira.
Depois daquele dia Jean Paul voltou mais duas vezes, na mesma semana, à mesma ruela para dar de cara com outros dois corpos, mortos da mesma maneira.
O investigador sentia-se frustrado. Não havia ligação entre os assassinatos, apenas o fato de terem ocorrido no mesmo local e da mesma forma. Precisava entender melhor o que estava acontecendo por ali, então decidiu ir ao pub aquela noite.
O garçom interrompeu a escrita de John, colocando um copo de uísque à sua frente.
– Eu não pedi isso! — John protestou.
– Com os cumprimentos da moça no balcão que se diz sua fã, senhor.
John olhou para o balcão, esperançoso de ser a loira misteriosa, mas logo se enganou. Acenou com a cabeça para agradecer a gentileza da mulher. Deu um gole e deixou o copo de lado.
Jean Paul sentou-se em uma das cabines e esperou por algum movimento suspeito. Pediu uma cerveja e esperava algum sinal diferente, algo que lhe chamasse atenção. Olhava impaciente para o relógio.
John olhou o próprio relógio.
1:30h
Pelo que sabia todas as mortes ocorreram entre 2 e 3h.
Já aguardava por um bom tempo quando a porta abriu e uma jovem loira trajando um sobretudo vermelho sentou-se na mesa em frente à sua cabine.
Pediu um uísque, retirou sua luva, bebericou a bebida e depois sorriu para ele. Jean Paul sentiu-se lisonjeado com o flerte e, ainda admirando a loira, lembrou-se do que havia dito o garçom após a morte do primeiro garoto. Chamou-o até sua mesa.
– Aquela é a mulher de vermelho da qual falou? — ele perguntou apontando a moça com um movimento de cabeça.
– Sim, ela mesma. Linda, não?
– Ela vem muito aqui?
– Passou a vir. É a quarta vez que vejo ela por aqui só essa semana. Sempre o mesmo casaco e a mesma bebida.
A loira virou o resto de sua bebida, se levantou, colocou a luva preta e caminhou em direção à saída. Jean Paul a seguiu, certo de que seu palpite era correto.
John levantou os olhos para chamar o garçom quando viu. A loira de sobretudo vermelho. Sua musa. Entrou no pub, caminhou até o balcão. Olhou para ele, sorriu. John achava que ela iria embora mais uma vez, mas a loira foi em direção à mesa em frente à dele e sentou-se.
John sorria, feliz por reencontrá-la. Ela tirou as mãos dos bolsos, expondo suas luvas de couro preta. Tirou uma delas no exato momento em que o garçom chegara com seu uísque. Estava agindo exatamente como a personagem de seu conto. John ergueu seu copo vazio, brindando a ela.
Ela encarava-o enquanto virava a bebida. Terminou, levantou-se, colocou sua luva, olhou uma última vez para John e saiu.
John se ergueu, pronto para segui-la. Seu coração batia acelerado.
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