A Dama Branca
6 Surpresa
Notas iniciais

Ficar tanto tempo submersa na água, era algo humanamente impossível!
Ao notar que Shiro não estava voltando a superfície para respirar, Ayato imediatamente salta da janela do segundo andar, em direção ao térreo onde se encontra a piscina, e pára frente a mesma tentando visualizar onde Shiro se encontra. Sem conseguir ver direito, ele mergulha na piscina.
Ele vê que Shiro se encontra encolhida, e de olhos fechados no fundo da piscina. Não haviam bolhas de ar saindo de sua boca ou nariz. Ayato a puxa pela cintura de modo que ela fique com o corpo colado ao dele, coloca a mão no rosto de Shiro, que abriu levemente os olhos. Imediatamente, após ela abrir os olhos, Ayato aproxima seu rosto do dela e a dá um beijo suave, parecia existir algum sentimento naquele beijo, deixando-a surpresa.
Ela o empurra com certa força e consegue se desprender dos braços dele.
“Não me force a ter que matar hoje!” disse a garota na mente de Ayato.
Então ela põe-se a nadar para longe dele. Ayato fica meio surpreso com aquilo, como se não bastasse ela ter força pra sair de seus braços, ela ainda falou em sua mente. Mas seus olhos deixam transparecer que aquilo só havia o atiçado mais. Então em um movimento rápido ele a agarra pelo braço e novamente a puxa para perto dele. Mas dessa vez ele a prende firmemente contra o seu corpo, mantendo seu braço envolvendo a cintura dela. Em seus lábios se abre um sorriso malicioso. Com sua outra mão Ayato a segura pelo maxilar, a garota se surpreende arregalando levemente os olhos, ele começa a se aproximar lentamente do rosto dela.
“Pare! Não quero voltar a dormir!” gritou a garota na mente dele.
Ela tenta se debater, mas em vão. Ayato não entendeu o que ela queria dizer. E ele se aproxima cada vez mais seus lábios dos dela, mas antes de beijá-la a garota desvanece em seus braços. Então ele a tira da piscina e pousa seu corpo desacordado no chão.
Acordei com o corpo dormente e uma dor muito forte na cabeça, mal conseguia abrir meus olhos. Com muito esforço os abri, mas minha visão estava extremamente embaçada, não consegui enxergar direito. Tentei levantar mas havia algo me segurando, parecia que alguém estava fazendo pressão em meu corpo, me pressionando para que eu ficasse deitada, ou algo do tipo. Aquilo me desesperou, tentei me debater mas meu corpo não respondia, e isso fez meu desespero aumentar ainda mais, minha respiração começava a ficar ofegante, e meu coração batia rápido. Senti um frio enorme percorrer meu corpo, então notei que eu estava toda molhada. Eu não me lembrava daquilo!
Aos poucos minha visão foi voltando, não via com clareza, mas pude ver que era Ayato que estava sobre mim.
— O-o-o que está fazendo? – murmurei quase sem voz.
— Você realmente acha que pode me ameaçar?! – disse ele com os olhos de uma pessoa travessa, ele realmente parecia tramar algo.
— Mas eu não fiz nada... – murmurei novamente, minha voz já soava um pouco melhor.
Tentei mexer meus braços e mãos, mas eles ainda estavam dormentes, lentamente levantei um dos meus braços e pousei minha mão sobre minha cabeça. Meus movimentos estavam realmente lentos. E minha cabeça doía muito.
— Aii... – murmurei baixo ao encostar minha mão em minha testa.
Fechei meus olhos, tentando me acalmar e me concentrar em outra coisa, quem sabe assim a dor não iria embora.
Senti que garraram meu braço e o colocara sobre minha cabeça, devia ser Ayato.
— Tsc... Não me ignore, Marshmallow! – disse ele com um tom imperativo.
Abri levemente meus olhos, ainda inebriada com a dor, e me assustei ao notar que seu rosto estava a poucos centímetros do meu. Em reação a isso, virei lentamente meu rosto para o lado, mas ele agarrou meu maxilar, e puxou bruscamente meu rosto de maneira que nossos rostos ficassem um frente ao outro.
— Aii... Por favor, minha cabeça está doendo muito! – supliquei fechando os olhos em resposta da dor que eu senti. – Sem movimentos bruscos, por favor...
— Acha mesmo que está no direito de impor as regras aqui, Marshmallow?! – disse ele com um sorriso malicioso.
— Eu estou no controle agora! – afirmou Ayato, alargando ainda mais seu sorriso.
— Me desculpe! – disse tentando amenizar as coisas, eu não me lembrava do que eu tinha feito, mas parecia tê-lo deixado furioso, e eu precisava me desculpar por isso.
— Punirei você, Marshmallow! – continuou Ayato, seu sorriso malicioso foi substituído por um travesso, e seus olhos ardiam de desejo imaginando o que ele podia fazer.
Eu realmente não gostei do que ele tinha dito. E ainda mais do sorriso dele, eu conhecia aquele olhar, ele nunca sinalizava algo bom.
Ayato estava perto demais, e não largava meu maxilar. Notei que suas roupas também estavam molhadas, igual as minhas. Realmente, quanto mais tempo eu passava ali, pior ficava a situação.
Me sentia constrangida por ele estar tão perto. Sentia meu rosto quente, eu sabia que estava ruborizada, mas queria muito não estar, isso o deixava mais animado. Fechei meus olhos novamente para não encará-lo e quem sabe assim, todo o mal-estar passar.
Senti minha blusa ser aberta, me assustei e abri meus olhos o mais rápido que eu pude. Ainda me encontrava dormente e inebriada com aquela maldita dor de cabeça. Nunca havia sentido uma dor de cabeça tão forte.
— Ayato... – murmurei – Por favor...não!
— Garanto que sua punição será bem prazerosa. – disse ele olhando em meus olhos e com aquele sorriso travesso nos lábios.
Sua mão alisou a área perto da minha clavícula, arredando minha blusa para o lado e deixando minha pele a mostra. O toque de Ayato havia mudado um pouco, estava mais suave. O caminho percorrido por seus dedos me causavam reações, comecei a ficar mais ruborizada e meu coração batia freneticamente, sabia onde ia acabar aquilo, mas eu não queria pensar nisso. Ele soltou o meu braço, que estava preso acima da minha cabeça, fiquei um pouco aliviada. Então Ayato deslisou a mão que acabara de soltar meu braço, pela minha cintura, levantando minha blusa. Aquelas carícias, faziam meu corpo formigar, não era uma sensação ruim do ponto físico, mas o que elas significavam, isso sim era algo ruim. Eu realmente não queria sentir prazer com o toque dele, mas parecia ser inevitável. De algum jeito Ayato sabia muito bem como me tocar, bem até demais.
Seus olhos se voltaram para minha pele exposta.
— Você é realmente branca, como Marshmallow... – disse se encaminhando para a meu pescoço. – Isso realmente abre meu apetite – Ayato passou sua língua em meu pescoço e começou a descer em direção ao meu seio. – Prometo comê-la de todas as maneiras possíveis!
Aquela fala me deu um frio na barriga. Minha respiração estava ofegante, meu coração frenético, minha visão ainda um pouco embaçada, meu corpo dormente e formigando e minha cabeça doendo muito. Acho que eu não poderia estar pior. Sabia que algumas dessas reações deixam ele ainda mais excitado, mas não conseguia controlá-las.
Ayato parou sua língua um pouco abaixo da minha clavícula. Eu já sabia o que aconteceria, eu não conseguiria reagir naquele estado. Mesmo assim tentei contê-lo. Tentei ser o mais rápida possível, então coloquei minha mão em sua bochecha, tentando evitar que ele me mordesse, mas minha força não vinha.
Sua mão começou a se mover da minha cintura para a parte interna de minha coxa direita.
— Por favor... Ayato! Pare... – implorar era a única coisa que eu conseguia fazer naquele momento.
Senti minha pele ser perfurada por suas presas. Dizem que uma dor se sobrepõe a outra, mas somente quando é mais forte. Eu esperava que a dor da mordida se sobrepusesse a dor de cabeça, mas infelizmente isso não ocorreu. Enquanto me mordia ele acariciava meu seio direito. Fazendo um misto de sensações percorrer meu corpo.
A mão que estava na parte interna de minha coxa começou a subir. Eu realmente não gostava de imaginar onde aquela mão pararia, se continuasse daquele jeito ele iria me tocar em um lugar extremamente pessoal. E foi como eu pensei, sua mão foi subindo, até encostar em minha intimidade, um calafrio percorreu meu corpo dormente, tentei me debater, mas em vão.
Aquele corpo maldito não me ajudava em nada.
— A-a-yato! Por favor...não – murmurei ofegante.
Me assustei ao ouvir alguns passos atrás de nós.
— Já lhe disse algumas vezes, Ayato... – disse uma voz que parecia muito ser Reiji, e tenho certeza que era ele. – Resolva seus assuntos em seu quarto!
Eu poderia não ver, mas tinha certeza que era Reiji.
Ayato descravou suas presas de minha pele, e pôs se olhar para Reiji, mas sem sair de cima de mim.
— Tsc...Vocês são realmente enjoados! Sempre me atrapalham... – disse Ayato irritado.
A dormência do meu corpo havia passado um pouco, mas ainda estava presente. E a maldita dor de cabeça persistia sem fraquejar.
— Ande... está na hora de voltarmos para casa. – continuou Reiji.
Assim Ayato saiu de cima de mim para que eu pudesse levantar. Comecei a erguer aos poucos, bem lentamente. Eu com certeza cairia se eu tentasse levantar bruscamente. De deitada passei para a posição sentada, para assim poder levantar aos poucos. Mas ainda sentada, eu estava meio mole, não conseguia ficar com uma postura fixa. Pousei minha mão sobre meu rosto, tentando juntar forças para levantar.
— Nossa! Ela é bem lenta... – murmurou Reiji com indignação. – Espero vocês na entrada do colégio. – disse indo embora.
As palavras de Reiji só me deixavam mais mal por estar daquele jeito. Mas não era culpa minha, e eu realmente não entendi o porquê de eu estar assim. Quando olhei para os lados, notei que eu estava perto de uma piscina, haviam roupas um pouco distante de onde eu estava, e elas estavam secas. Elas pareciam ser minhas, pois eram as peças que faltavam em mim, mas não me lembro de tê-las tirado. Imediatamente olhei para Ayato, que me encarava. Será que ele havia me agarrado, tirado minhas roupas e se jogado na piscina junto comigo?! É... Essa ideia não parecia muito absurda se for pensar nas atitudes dele.
— Vai ficar aí?! – indagou ele de pé olhando para mim que estava sentada.
— Desculpe... – murmurei tentando me levantar.
E novamente aquele maldito corpo não dava respostas. Parecia fazer só o que ele queria, para minha indignação. Tive um pouco de raiva de mim mesma nesse momento.
Apoiei minha mão no chão, de maneira que eu tivesse pelo menos alguma sustentação para levantar. Comecei a me levantar lentamente, eu cambaleava para um lado e para o outro. Tentei firmar meu corpo para pelo menos não cair.
— O que você bebeu?! – debochou Ayato, sorrindo.
Eu realmente parecia mais uma bêbada cambaleando. E o pior é que não havia bebido nada, me sentiria melhor se eu soubesse a causa de eu estar assim, mas tinha a impressão de que eu nunca descobriria o que me deixou desse jeito.
— Seria muito mais fácil você me embebedar, do que eu beber por mim mesma! – retruquei enraivecida.
E o que eu disse era realmente verdade, seria muito mais fácil mesmo!
Consegui ficar de pé, me senti um pêndulo daqueles relógios antigos, que ficam de um lado pro outro sem sair do lugar. Eu tinha que dar pelo menos alguns passos. Ayato me fitava esperando que eu andasse, ele estava sorrindo, parecia se divertir com minha situação. E isso me deixava ainda mais apreensiva a respeito de dar o primeiro passo. Eu tinha quase certeza de que eu cairia.
Estiquei minha perna e tirei o pé do chão, pronta para dar o primeiro passo, quando o pousei no chão o impacto que meu corpo sentiu foi tão forte que novamente cambaleei, e quando fui em direção ao chão, Ayato me segurou. Tentei afastá-lo com a mão. Eu não queria ajuda dele, poderia precisar, e muito, mas não queria. Além do mais ele debocharia de mim ainda mais por ter me ajudado.
— Você está realmente mal, heim Marshmallow?! – disse ainda rindo de mim. – Será que Marshmallow com álcool é gostoso? – indagou lambendo os lábios e novamente debochando do meu estado.
Em um movimento rápido ele me pegou no colo e pôs-se a andar me carregando em seus braços. Fiquei totalmente envergonhada com a situação. Queria sumir.
— Não preciso que me ajude! – disse deixando meu orgulho transparecer, e sim meu orgulho era maior que minha necessidade.
— Tsc... não estou lhe ajudando! – retrucou ele – E não estou fazendo isso pelo seu bem... – fez uma pausa – Se demorarmos muito, Reiji com certeza iria falar bastante. E eu odeio a ladainha dele! – disse ele por fim.
Assim, Ayato caminhou comigo no colo até a limousine e lá me colocou sentada perto da janela.
Ele realmente era detalhista, não havia esquecido que eu tinha ficado maravilhada com a cidade. E assim ele sentou ao meu lado. O fato de ele ter lembrado disso, me deixou um pouco feliz e com mais vergonha, pois eu tinha feito uma cena bem grande quando vi a cidade.
Todos os Sakamaki olharam sem entender muito o que haviam presenciado. Laito só deu um risinho. E todos eles permaneceram em silêncio.
Enquanto íamos para a mansão começou a chover, eu gostava da chuva, sempre pensara nela como um choro do céu. Ele parecia chorar por algum motivo, mas eu realmente achava bonito, não o fato de o céu estar chorando, mas sim a água caindo. Era gostoso sentir a chuva percorrendo meu corpo, me sentia viva quando sentia isso. Quando limousine passou do portão pude ver da janela a silhueta de alguém na porta, não consegui identificar quem era. Só faltava ser alguém daquele maldito lugar. A limousine parou então em frente da porta principal, todos saíram e novamente Ayato me pegou em no colo. Senti um frio na barriga, e meu rosto começou a esquentar, e novamente sabia que me encontrava ruborizada. Saímos da limousine, Ayato parou de repente como se tivesse levado um susto. Notei então que todos os Sakamaki estavam parados, parecendo perplexos. Olhei na direção do olhar deles, e vi uma garota de cabelos loiros cacheados e olhos cor de rosa, parada em frente a porta.
— Yui... – murmurou Kanato.
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