A Dama Branca
7 Meu Novo Brinquedo
Notas iniciais

Então aquela era a Yui que eles tanto falavam. Se bem que nem tanto assim, só comentaram uma vez ou outra, mas sempre que eles falavam dela me sentia uma intrusa que roubara o seu lugar. Ela era bem bonita, sempre a imaginei diferente, e parecia perplexa ao me ver dentre os Sakamaki e ainda mais no colo do Ayato, e isso me deixou ainda mais desconfortável. Pensei em me esconder, virar meu rosto, mas sei que seria pior, pois eu ia de encontro ao corpo de Ayato. E isso seria gratificante pra ele e bem vergonhoso para mim.
— Você por acaso quer ser morta, Yui? – indagou Reiji ajeitando os óculos.
— Pois é! Você foge de nós, e ainda tem a audácia de voltar? – completou Subaru.
— Nós realmente podemos matá-la?! – indagou Kanato sorrindo e seus olhos transpareciam que ele realmente queria fazer aquilo.
Ao ouvir isso sua expressão facial demonstrou que ela ficou meio assustada, mas ela se manteve de pé em frente a porta. Olhei para todos e eles estavam com os olhares fixados nela. Subaru a olhava com certa raiva, já Reiji, Laito e Shuu com indiferença, Kanato parecia realmente gostar da ideia de matá-la, não consegui decifrar ao certo o olhar de Ayato, que parecia conter também algum tipo de raiva.
— Tsc... Saia daqui Yui... aproveite nossa gentileza e saia! – disse Ayato com firmeza olhando para ela.
Quando ele disse aquilo olhei para ele, e o cutuquei para que me colocasse no chão. Ele olhou para mim com uma cara séria que me fez estremecer de medo.
— Não lhe soltarei, Marshmallow! E não adianta insistir... – disse ele olhando para mim e me apertando contra ele com seus braços. – Deixarei você no seu quarto, só não garanto que ficará sozinha. – disse Ayato por fim, com um sorriso um pouco diferente de sempre, ele parecia tentar disfarçar sua raiva.
Não me sentia confortável com aquela situação, e não queria ficar no meio daquele clima ruim entre eles. Queria ir para o quarto que Ayato disse ser meu, embora agora não achasse que ele me pertencia, nem antes e muito menos agora.
— N-n-ão vai me chamar de Panqueca, Ayato?! – indagou ela, olhando para ele e depois para mim.
Não entendi bem o motivo de ela ter olhado depois para mim, será que ela estava tentando provar algo? Imediatamente olhei para Ayato, e também não entendi o porquê de Panqueca. Ele gostava tanto assim de comida que não havia apelidado só a mim? Fazia certo sentido, pois humanos não eram nada mais do que comida para todos eles. Fiquei um pouco curiosa para saber se havia acontecido algo entre eles e a tal Yui, pois ela parecia bem íntima deles. Mas algo bom veio com a chegada dela, eu finalmente teria uma amiga naquela casa. Ao pensar nisso uma certa alegria me invadiu e não pude conter que esse sentimento ficasse visível, ainda bem que eu não era o foco dos olhares naquele momento.
No momento em que ela disse isso Ayato a expressão facial dele mudou, parecia estar realmente furioso pelo que ela tinha dito.
— Resolvam isso como quiserem... – respondeu Ayato olhando para seus irmãos, e indo em direção a grande porta frontal da casa.
Olhei para ele que ainda estava com a mesma expressão.
— Ayato... acho que seria uma boa ideia ela ficar... – fiz uma pausa analisando a expressão dele, que parecia esperar eu terminar a frase para ver o quão grande seria a besteira que eu ia dizer. – Pelo menos assim terei uma amiga na casa. – conclui não contendo minha empolgação.
Vi que a expressão dos Sakamaki permanecia a mesma de antes.
— Acho uma boa ideia ela ficar... – disse Kanato – Assim no fim poderei matá-la, tenho certeza que Shiro se cansará dela, e quando isso acontecer... – disse Kanato por fim, mas sem terminar a frase, rindo psicoticamente.
Apesar de Kanato não ter terminado sua frase consegui entender muito bem o que ele queria dizer, e o que aconteceria, segundo ele.
— O mal que quiserem fazer a ela, podem fazer a mim...eu não ligo! – conclui decidida.
— Hum...isso deixa as coisas mais interessantes... – disse Laito com seu risinho de costume.
Me sentia meio receosa sobre a relação entre Yui e os Sakamaki, mas faria por ela tudo que eu pudesse. Eu não entendi o porquê desse sentimento com relação a Yui, mas vi nela um pouco da Número 05. E não deixaria que nada de ruim acontecesse com ela, eu não cometeria o mesmo erro que cometi no passado!
— Que seja então... mas tenha consciência de que você está aqui viva, porque alguém intercedeu por você, pois se dependesse de nós estaria morta! Como dissemos quando você chegou aqui. – disse Shuu por fim.
Depois que Shuu disse isso, todos eles simplesmente desapareceram, em um piscar de olhos. Aquilo me deixou extremamente assustada, me acostumei com eles aparecerem do nada nos lugares, mas nunca tinha visto eles sumirem. Assim ficamos Ayato, Eu e Yui em frente a porta. E eu continuava a sentir um pouco de medo e um desconforto extremo, tanto por estar no colo de Ayato quanto por estar naquele clima ruim. Olhei para Yui e sorri amistosamente, eu realmente queria me tornar amiga dela, ela parecia ser uma pessoa boa. De repente apareci no quarto em que eu sempre ficava.
— Pronto! Está entregue. – disse Ayato me deitando sobre a cama. – Como se sente, Marshmallow?!
Ao dizer isso ele se debruçou sobre mim, e afagou meus cabelos.
— Está preocupado comigo? – perguntei meio confusa.
Todos sempre demostravam se preocupar um pouco comigo, o que me deixava feliz, mas a preocupação deles sempre era indireta.
Ayato arregalou levemente os olhos e desviou seu olhar dos meus, acho que o peguei de surpresa com essa pergunta.
— Tsc... espero que fique bem. – disse ele por fim desaparecendo como os outros, em um piscar de olhos.
O meu mal-estar estava passando aos poucos, queria muito ir até Yui para podermos conversar e tudo mais, mas o máximo que eu conseguia fazer era fica sentada sobre a cama.
Me sentia meio cansada, meus olhos estavam bem pesados. Resolvi deitar já que não ia conseguir andar mesmo. E assim o sono começou a me invadir, até que me tomou por completo.
Acordei com a luz do dia, abri levemente meus olhos, a luz estava bem forte então fiquei com meus olhos cerrados, até que eu me acostumasse com a claridade, e então tentei mover minha mão. Finalmente, meus movimentos tinham voltado ao normal, então mais que imediatamente me levantei da cama, escovei meus dentes e sai correndo pela casa a procura de Yui. Passei pelos longos corredores da casa, até que me deparei com uma porta aberta, resolvi parar na porta para ver de qual cômodo se tratava.
Ao chegar na porta me deparo com um quarto bem amplo, de paredes roxas na parte superior e de madeira com detalhes na parte inferior, e do lado direito pude ver uma porta e uma lareira. O chão era de madeira corrida, e possuía em seu centro um tapete em forma circular com alguns detalhes bem requintados, havia também uma cama de casal, um lustre de cristal no teto, dezenas de brinquedos espalhados por todo o quarto, e a janela estava aberta, as cortinas voavam com voracidade ao entrarem em contato com o vento frio. Ali tinha brinquedos de todos os tamanhos, desde minúsculos até brinquedos que eram do meu tamanho, por volta de 1,63 metros de altura, ser baixinha é bem ruim! Pensando bem até que eu possuo um tamanho ideal para minha idade, era melhor eu pensar assim, assim eu não abaixaria tanto minha autoestima.
Havia alguém deitado na cama de casal, e o vento que entrava no quarto era realmente frio, seja quem estivesse deitado ali, um vento desses faria muito mal para a saúde. Encolhi-me toda devido ao frio, então resolvi entrar no quarto, fechar a janela e sair. Não incomodaria quem estivesse no quarto.
Fui entrando me esquivando dos brinquedos no chão. Realmente hoje eu tinha acordado meio ninja, minha esquiva estava bem boa até, sempre me considerei uma pessoa bem desastrada. Ao pensar isso dei uma pequena risadinha, e olhei para a cama, pude ver então que quem estava dormindo era Kanato. Ele parecia emergido em um sono profundo, sua expressão era de serenidade, ele era realmente fofo dormindo. Ele se encontrava descoberto e abraçado com Teddy. Cheguei perto da cama onde Kanato se encontrava dormindo, o cobri até os ombros e fui em direção a janela, com cautela comecei a fechá-la. No exato momento em que a fechei, vi de relance a sombra de duas pessoas nas árvores que cercavam a casa e elas pareciam conversar sobre algo. Fiquei um tempo observando, até que Yui saiu de lá. Ela saiu olhando para os lados, parecia verificando se havia alguém a vendo sair dali. Mas a segunda pessoa que devia estar lá não saiu, ou saiu e eu não consegui ver.
De repente ouvi algo rangendo atrás de mim, e vagarosamente me virei, para não esbarrar em nenhum brinquedo no quarto. Me virei e me deparei com Kanato em minha frente, aquilo tinha sido muito repentino, soltei um gemido de susto, e em reflexo tampei minha boca. Meu coração disparou e minhas pernas ficaram bambas.
— Você realmente se preocupa comigo, não é? – disse ele se aproximando de mim.
— C-c-omo assim? – indaguei meio confusa, não consegui pensar direito no que falar, eu ainda estava sobre o efeito do susto.
— Foi você que me cobriu, certo? – concluiu apertando Teddy, que estava envolvido por seus braços.
— S-sim... – disse ainda gaguejando um pouco.
— O que está fazendo no meu quarto? – sua voz tinha mudado, agora estava com algum tipo de raiva, e ao dizer isso ele deixou o Teddy de lado, e veio para cima de mim.
Kanato saltou para cima de mim, o que me fez bater contra a janela, bati minhas costas na mesma e soltei um gemido de dor.
— Responda! – disse ele aos gritos.
— M-m-me desculpe... – fiz uma pausa tentando recuperar meu folego, o grito dele me pegou ainda mais de surpresa, me deixando ofegante de medo – Mas a porta estava aberta e eu vi a janela aberta, e você descoberto... – fiz outra pausa olhando para baixo. – O vento estava muito frio, eu realmente não queria te acordar. – murmurei baixinho, e olhando para baixo.
— Você será meu brinquedo hoje... – disse Kanato abrindo levemente a boca.
Coloquei minhas mãos em seu tórax tentando impedi-lo de se aproximar ainda mais de mim.
Meu corpo foi tomado pelo pânico, meu coração batia frenético e minha respiração estava bem mais ofegante que antes. Tentei impedir que ele se aproximasse mas ele simplesmente agarrou meu braço, e o apertou me fazendo contorcer de dor, Em reação aquela dor, e na tentativa de me livrar dela, eu fui ao chão, e assim ele soltou meu braço.
— Me desculpe... prometo ser mais gentil, assim como minha mãe me disse. – disse ele vindo e deitando sobre meu corpo estirado no chão.
— Kanato...por favor pare! Por favor pare! – implorei tentando me debater.
Imediatamente ele prendeu agarrou meus braços e os prendeu contra o chão, puxou e arredou minha roupa com sua boca, e me mordeu com voracidade. Meu corpo foi invadido por uma dor inebriante. Kanato sugava meu sangue com ferocidade, parecia estar com muita fome. De repente senti suas presas descavarem de minha carne, e ele pôs a olhar em meus olhos, me deixando envergonhada por tal situação.
— É bem melhor do que eu esperava... – disse lambendo os lábios – Seu sangue é muito melhor do que eu jamais pude sequer imaginar! – completou com um sorriso em seus lábios, e seu olhar transparecia algo medonho.
Tentei mover meus braços para me livrar de seu enlace, mas não tive sucesso.
E novamente suas presas perfuraram meu pescoço, e a mesma dor voltou a percorrer meu corpo.Em resposta a dor fechei meus olhos.
Após sucessivas mordidas e um tempo sugando meu sangue, Kanato parou, olhou na direção do Teddy, que se encontrava ao nosso lado no chão. Então ele levantou, o pegou e simplesmente saiu do quarto. Achei extremamente estranho ele não ter dito nada, mas eu não disse uma palavra, não queria que ele voltasse e me mordesse novamente, eu já me sentia suficientemente fraca.
Levantei ainda meio dormente por causa da dor que as mordidas me causaram, olhei de relance pela janela. O que Yui estava fazendo ali? E quem seria a outra pessoa? Uma curiosidade começou a invadir meus pensamentos, e comecei a pensar nos Sakamaki, e um sentimento estranho começou brotar em meu coração. Eu nunca senti aquilo, não sabia o que significava, e muito menos qual nome aquilo tinha.
Então sai do quarto e fechei a porta. Resolvi ir até o jardim admirar as rosas vermelhas, gostava bastante delas, não entendia o porque mas eu realmente me apaixonei por elas desde o dia em que as vi quando sai para ir ao colégio. Sua cor era belíssima, um vermelho, parecido com meus olhos. Talvez esse era o motivo de eu gostar delas. Não que eu amasse meus olhos, mas não os odiava, acho que esse era o motivo de eu ter me apaixonado por elas.
Em algum lugar do Japão:
Havia alguns Homens trajados em Branco e outros em Preto, os de preto se encontravam fortemente armados, e seguiam os de branco, eles totalizavam 23 pessoas, 5 estavam de branco e 11 de preto . Eles caminhavam por um corredor de metal bem polido. Até que após passar por vários corredores e alguns elevadores, eles pararam em frente uma gigantesca porta de metal. Um dos homens de branco, olha para o mais imponente dos de preto.
— Preparem-se, caso ele tente algo podem abrir fogo. – disse o homem de branco.
E assim o de preto fez um sinal para os demais que possuíam armas, e eles as engatilharam se preparando para o pior.
Então o homem que havia dado a ordem se afastou do grupo e puxou para baixo uma alavanca que se encontrava a direita da enorme porta dupla, e assim o gigantesco portão se abriu diante deles. A sala se que se seguia após o portão se encontrava imersa na escuridão, e de lá emergiu uma voz ameaçadora.
— Finalmente... – fez uma pausa caindo em gargalhadas. – Vieram me fazer uma visita?! – indagou a voz.
— Viemos fazer um acordo... – disse o Homem de Branco que parecia liderar os demais.
— Acha mesmo que vou aceitar? – disse a voz ainda mais ameaçadora do que antes.
— Com a morte da Número 01 no incidente com a Número 00, você subirá de ranking. – continuou o de branco.
— Isso não me interessa... digam logo o que querem e saiam! – resmungou a voz.
— Continuando... lhe enviaremos para resgatar a Número 00. E caso você tenha êxito, você está livre para fazer o que quiser. – disse o Homem de Branco.
Uma risada do homem que estava emerso no escuro invadiu a sala, ecoando por toda a base onde eles se encontravam. Sua risada era histérica e doentia.
— Então finalmente poderei vê-la... – pronunciou a voz em meio as risadas.
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