A Dama Branca
8 Os Leões e a Lebre
Notas iniciais

Ao chegar no jardim, me deparei com as maravilhosas rosas. O vento soprava com o aroma doce das mesmas. Eu realmente gostava daquele cheiro. Agachei perto do canteiro onde as belas flores se encontravam, fiquei as admirando por um tempo. Estar ali me fazia bem, me deixava de mente limpa. Após um tempo as admirando imagens estranhas começaram a vir em minha mente. Flashes, de poças de sangue.
Em surpresa aquilo arregalei meus olhos, e balancei a cabeça tentando afastar tais pensamentos. Eu nunca tinha visto aquilo, porque parecia ser tão real?! Me encontrava meio ofegante, e extremamente confusa. Passei a mão pelo meu rosto tentando afastar aqueles flashes horríveis. Respirei fundo, e novamente olhei para as rosas. Sua cor vermelha realmente lembrava muito sangue, me sentia hipnotizada por isso. O que eu não entendia era o por quê?!
Comecei a ouvir um som semelhante ao toque de um piano, ou melhor, uma melodia. Era realmente linda. Ela parecia vir de um dos cômodos do segundo andar da casa, e pela intensidade do som que eu ouvia, com certeza era desse lado da casa, provavelmente saía de uma dessas janelas que eu podia ver.
A bela melodia fez aqueles flashes sumirem de minha mente, para o meu alívio.
Resolvi colher algumas rosas para levar para meu quarto. E assim o fiz. Debrucei-me, ainda agachada, sobre as rosas, quebrei o galho de umas quatro, tendo cuidado para não espetar meus dedos. Fiquei as admirando em minhas mãos, enquanto passava meus dedos pelas pétalas aveludadas.
A melodia ainda ressoava firme ao fundo.
Uma sensação estranha começou a me invadir. Poderia jurar que havia alguém me observando. Era uma sensação extremamente desagradável. Levantei-me rapidamente, e comecei a procurar o tal observador. Olhei para as janelas da casa que eu conseguia ver, mas não havia a silhueta de ninguém nelas. Virei-me e comecei a olhar as árvores que cercavam a mansão. Até que vi uma sombra se mexendo. Resolvi ir lá checar quem era.
Disparei a correr na direção em que a via, e quando comecei a me aproximar ela sumiu da minha visão. Entrei no meio das árvores apressadamente, os galhos e folhas de alguns arbustos batiam em minhas pernas, enquanto eu ia atrás da misteriosa sombra. Quem seria?!
Quando me vi dentre as árvores onde a Sombra se encontrava da última vez que a vi, notei algumas pegadas no chão de terra, pareciam ser de botas. Cerrei meus olhos procurando pela Sombra, e novamente pude vê-la me observando de longe. Um medo começou a me invadir, não gostei daquela situação, mais parecia uma brincadeira doentia.
Mas mesmo assim resolvi ir atrás daquela pessoa. E assim, novamente disparei a correr na direção dela. Minha respiração estava ofegante, e eu coração acelerado, a Adrenalina corria mais uma vez em minhas veias.
Meus pés batiam firmes no chão, até que em um momento pisei em falso, e fui de encontro ao chão. Em reflexo a queda abri minhas mãos para conter o impacto contra o chão, mas uma delas estava ocupada com as rosas. Gritei ao sentir a dor dos espinhos perfurando minha mão. Fechei meus olhos e me encolhi deitada na terra batida. Comecei a tremer por causa da dor e do susto. Minha respiração estava mais ofegante do que nunca, meu coração frenético, e meus olhos mergulhados em lágrimas. Meu corpo inteiro pulsava. Olhei para minha mão, respirei fundo, tentando tomar coragem e puxei as rosas que estavam cravadas nela, e assim soltei um murmuro de dor.
— Droga! – murmurei indignada com a situação.
Alguns espinhos cravaram bem fundo em minha carne, e ao ver aquilo eu senti um calafrio de medo. Não ia conseguir tirá-los naquele estado, eu estava tremendo muito. Assim, tentei ao menos me certificar de que aquela sombra não estava por ali. Resolvi, então, mudar de posição, de deitada, passei para sentada.
Olhei aos arredores, e felizmente não havia ninguém. Suspirei aliviada, mas minhas feridas ardiam e doíam muito, e também havia muito sangue.
Realmente a cor rubra das rosas se assemelhava e muito com o sangue. Era realmente bonito.
De repetene ouvi algumas folhas se mexerem. Meu coração apertou, e me encolhi toda.
Um medo extremo começou a me invadir e tomar conta de mim. Eu não conseguia pensar em quase nada, em nenhuma possível reação. "Ir para longe, ir para longe!" Era só isso que vinha a minha mente.
Assim, comecei a me arrastar para longe do som das folhas.
Vi uma silhueta esguia surgir dentre as árvores. E quando a luz a alcançou pude ver que era Subaru. "Que alívio!" pensei suspirando aliviada.
— Ah... É você! – murmurei.
— O que está fazendo aqui? – disse Subaru parecendo estar zangado.
— Tinha alguém aqui... – disse apontando com a mão ensanguentada para onde a sombra estava da última vez que a vi.
O olhar dele se voltou para minha mão em vez de olhar na direção que eu estava apontando. Nessa hora percebi que tinha feito besteira.
E imediatamente tentei esconder minha mão. Mas antes que eu pudesse fazer isso ele já estava em cima de mim e agarrando meu pulso.
— Pare! Por favor! – disse um pouco mais alto, tentando puxar meu pulso.
Ao tentar mover meu pulso, senti uma dor tremenda. Meus olhos começaram a se encher novamente de lágrimas, não queria que ele me visse naquele estado, então fechei meus olhos por um instante.
Quando os abri vi que ele começou a aproximar sua outra mão da minha ferida.
— Não faça isso! Não tem como, eles estão profundos. – tentei alertá-lo.
Não adiantou de nada. Subaru começou a tentar tirar os espinhos da minha mão. A cada vez que ele mexia nas minhas feridas mais sangue saía, e mais eu me contorcia de dor. Por fim, fechei meus olhos, e apertei forte minha outra mão tentando não pensar na dor que eu sentia.
Após um tempo de tortura, ele conseguiu tirar três dos sete espinhos que estavam cravados. Sua mão direita estava completamente suja com meu sangue, e os dedos da sua mão esquerda se encontravam no mesmo estado.
— Já chega! – disse tentando fazer ele parar.
Quando eu disse isso Subaru me olhou nos olhos.
— Parece ser realmente saboroso... – disse olhando para minha mão ferida.
Os olhos dele ardiam em desejo de sangue. Novamente eu estava naquela situação de caçador e caça, que parecia ser entre um leão e uma lebre, e claro eu seria a lebre. Aliás um leão não, eram vários leões, seis pra ser mais exata.
Sua boca começou a se aproximar da minha mão. Tentei puxá-la mais uma vez, e dessa vez tentei ignorar a dor. Consegui mover meu braço um pouco, mas não adiantou de nada. Seus lábios tocaram meu sangue, e em resposta a isso ele começou a lambê-lo.
A sensação do contato de sua língua fria sobre minhas feridas amenizavam um pouco da dor, mas quando ele a deslisava a dor voltava mais intensa e com certa ardência.
— É muito melhor do que pensava... – fez uma pausa, olhando para minha mão e lambendo os lábios – É extremamente quente e doce. – disse Subaru por fim, indo de encontro a minha mão novamente.
— Por favor...não! – murmurei novamente fechando meus olhos.
Enquanto estava de olhos fechados, pude ouvir o som de um pequeno galho estalando perto de nós. Imediatamente abri meus olhos, e pude ver um homem vestido com vestes militares pretas. Arregalei meus olhos, meu coração disparou e um medo tremendo me invadiu por completo.
— Ss-subaru... – tentei murmurar apontando para algo atrás das costas dele.
Ele parecia não me ouvir. O desespero tomou conta de mim. Tentei empurrá-lo para longe mas não consegui, eu não tinha força o suficiente, ele era muito mais forte do que eu, além de ser o mais forte de todos os Sakamaki.
— Subaru! – gritei. – Atrás de você!
O homem parecia portar uma Arma MP5. Não sei porque mas já havia visto aquela roupa em algum lugar. Senti uma leve fincada em minha cabeça. Definitivamente agora não era hora para minha cabeça doer.
Quando Subaru começou a se virar para ver o que estava atrás dele o homem o surpreendeu com uma pancada na cabeça. Assim, Subaru caiu inconsciente sobre mim. Meu desespero aumentou, tentei fazer Subaru acordar, mas a pancada parecia ter sido forte o suficiente para que qualquer esforço meu fosse em vão.
— O que você quer?! – gritei desesperada.
O homem abriu um sorriso psicótico, e ao ver isso um frio percorreu minha espinha. Aquilo definitivamente não era um bom sinal.
De repente ele chutou o corpo de Subaru para longe de mim. Coloquei-me de pé sem me importar com a presença do homem, e comecei a correr na direção do corpo de Subaru. Enquanto corria escutei um tiro, senti uma queimação aguda seguida por uma dor imensa em minha coxa, e assim caí no chão.
Sem conseguir ficar de pé me arrastei até Subaru, e ignorando parcialmente a dor que sentia, me ajoelhei perto dele o colocando em meu colo.
— Acorde! Por favor... Acorde! – gritei aos prantos.
Minhas lágrimas caiam sobre o rosto dele. Comecei a passar a mão em seu rosto na tentativa de acordá-lo, mas de nada adiantava. Sangue...quem sabe isso não o acordaria. Assim apertei os espinhos que estavam em minha mão para que pudesse sair sangue das feridas, e quando o sangue escorreu o passei pela boca dele.
Aqueles segundos pareciam uma eternidade, eu queria poder salvá-lo, mas eu não parecia ter esse dom. O único dom que eu possuía era de trazer dor, desgosto, tristeza e desespero para as pessoas que me cercavam. Aquele momento era um exemplo disso. Reiji tinha toda a razão, eu não passava de uma humana fracassada.
O sangue parecia não ter funcionado.
De repente senti um puxão em meus cabelos. E urrei em resposta a dor que senti.
O homem havia me agarrado pelos cabelos e começou a me arrastar para longe de Subaru.
— Subaru! Subaru! – gritei desesperadamente.
Estiquei minha mão tentando alcançá-lo, mas o homem me puxava para longe dele.
Eram tantas dores que uma se sobrepunha a outra. A dor de meus cabelos sendo puxados era extrema e se sobrepunha até a dor do tiro.
— O que você quer?! – gritei novamente para o homem.
Agarrei o braço que me puxava pelos cabelos, quem sabe assim conseguiria me livrar daquele maldito homem. Nesse instante ele simplesmente riu e me jogou contra o chão. Quando bati meu corpo contra a terra escura tornei a olhar na direção do Subaru. Ele estava com os olhos entreabertos. Ele estava vivo! Eu havia perdido tantas pessoas de maneiras absurdas que pensei que ele poderia ter morrido com aquela pancada.
Uma certa felicidade me invadiu, pelo menos eu consegui salvá-lo. Ao sentir essa emoção esbocei um leve sorriso.
Voltei meu olhar para o homem, e ele começou a se abaixar em minha direção, parando por fim agachado ao meu lado, e novamente ele agarrou meus cabelos e bateu minha testa contra o chão duro. Aquilo tinha sido extremamente repentino.
— Pare! Está doendo! – gritei. – Por que está fazendo isso?!
E assim ele continuou batendo minha testa contra o chão, várias e várias vezes seguidas até que notei que o chão começou a se sujar com meu sangue, olhei na direção de Subaru. Será que eu poderia morrer dessa forma?
Pancada após pancada, fui perdendo aos poucos a consciência. A última coisa que vi foi os olhos inebriados do Subaru.
Fale com o autor