A Dama

5 Capítulo 5: Desconfiança.


Notas iniciais
Esse capítulo ficou curto, mas foi porque quis manter um certo mistério...

Na semana seguinte, o relógio marcava quase meio dia. Clary e George discutiam os termos sobre a sociedade com a Intercom quando a porta se abre, entrando por ela, Robert, o marido de Clarice.
_Amor! Demorou mais do que deveria para retornar.
_Os russos estavam inflexiveis. Olá Collins. — cumprimenta Robert com frieza.
_Oi.
_Fiquei sabendo que os dois abrilhantaram o baile beneficiente na Casa Branca. Espero que não tenha tirado muita casquinha da minha esposa George.
_Ao contrário do que as revistas dizem Robert, eu sei respeitar uma mulher. Principalmente quando ela própria — fez enfase no ela — já se dá e muito ao respeito.
_Bob, não deveria sentir ciúmes do George. Vamos almoçar juntos?
_Sim.
_Até mais George.
Clarice ia pegar no braço direito de Robert para eles sairem da sala, mas ele se desvencilha dela, dando o outro braço para que a loira segurasse, o que fez George olhar para ele intrigado e ajeitar os óculos.
George fica olhando sua melhor amiga e Robert através de uma pequena abertura na porta que era de vidro. Ele fitava a nuca do homem. Ele o achava lindo, nunca escondera isso de Clary, mas o que ele escondia era uma certa disconfiança naquele homem. Como pode? Um homem até então tido como solteirão pelas revistas e tablóides de repente se encantar tanto por uma mulher ao ponto de levá-la ao altar em quatro meses? Ele investigara Robert sem Clarice saber, porém, frustou-se ao descobrir apenas que ele fora preso uma vez por protestar contra pesquisas em animais. Até onde ele sabia, Robert era tão perfeito quanto Clary... Contudo, Clarice não era tão perfeita assim, não?
O moreno fica perdido em seus devaneios e nem ao menos sai para o almoço. Clarice retorna quase duas horas mais tarde e ao entrar na sala com o marido, faz George fechar o laptop e enfiá-lo em sua maleta com segredo. Ele olhava as fotos dos planos das bombas atentamente fazendo calculos matemáticos, conferindo as anotações de montagens das mesmas.
_George se importaria em acompanhar Robert até a Intercom para resolver o acordo de sociedade com eles?
_Sim senhora. — diz ele formalmente.
Robert faz questão de dar um beijo de tirar o fôlego em Clarice que faz George revirar os olhos. Os dois seguem cada um para o seu carro. O de Robert era uma ferrari preta conversível e o carro que George usava hoje para trabalhar, era um Buggati vermelho sangue, algo que Robert apelidara de "carro de pegador" para um nerd mulherengo.
Os dois chegam ao prédio da Intercom e sobem até o vigésimo andar com Robert soltando farpas de ciumes sobre George que simplesmente respondia com educação e frases curtas.
Os dois saem do elevador no mesmo instante em que três excutivos entram. Um deles esbarra em Robert, o que o faz gemer de dor ao ter o braço direito tocado. Ele nem ouve direito o pedido de desculpas do senhor, pois apertava o braço com os olhos em lágrimas.
O esbarrão havia sido algo casual, mas parecia que estavam enfiando ferro em brasa no braço de Robert dada sua reação. Ele respira fundo e controlando a voz se volta para George.
_Vou ao banheiro, me espere por favor.
George concorda com a cabeça e vê Robert se virar de costas. O executivo abaixa a mão esquerda e George pôde ver na palma algo que parecia e muito com...
_Sangue... — murmura ele.
"Sabe da mira que tenho George! Acertei aquele desgraçado de raspão no braço e ele fugiu feito uma menininha com medo de trovoada!" — recorda-se George da fala de Clarice.
"Não..." — pensou. "Ele não... Ou será que..."
George é retirado de sua discussão mental pela secretária do presidente da Intercom, que pediu que ele entrasse, pois era aguardado pelo patrão dela.
_Eu estou a espera do sr. Schnneider.
A ruiva oferece gentilmente um café, que George prontamente aceita. E no banheiro, Robert jogava água no rosto na tentativa de acalmar suas feições que se torciam de dor contra a vontade dele. O homem tinha um ferimento no braço, próximo ao ombro que ardia sob o blaser de seu terno de vinte mil dólares. Ele respira fundo e olha o braço a procura de alguma mancha em seu blazer negro, saindo do banheiro em seguida.
A reunião tem o seu desenrolar, a sociedade havia sido aceita pelo sr. Cage em concordância com os termos pré estabelecidos por Clarice.
_O que houve com seu braço? — disparou George quando eles adentraram o elevador.
_Nada demais. Dei uma leve torção devido a uma batida de carro na Rússia. — diz ele sem abalo na voz, mas mirando o contador dos andares do elevador. — Peço que não diga a Clary. A preocuparia a toa.
_Não direi... — concorda George o olhando de esguelha.

De volta a Ethelvyse S. A. George digitava em seu laptop o que era útil na reunião de acionistas da empresa de publicidade. Do outro lado da mesa, Robert o olhava, mas desviava o olhar sempre que a esposa ou George o olhava. O secretário prometera a si mesmo que fosse o que fosse que Robert tenha aprontado para ferir o braço, ele o vigiaria de perto.