A Dama
6 Capítulo 6: Segredos.
Notas iniciais
Clarice estranhara a distancia do marido dela nos dias seguintes. Ele inventava desculpas para trabalhar até tarde em seus próprios negócios. Robert era dono de uma imobiliária. O executivo e advogado trabalhava até tarde no escritório da mansão e só ia se deitar após Clary estar ferrada no sono.
Robert suspira e olha para uma fotografia de Clarice sobre a mesa. Ela sorria e o angulo que a foto fora tirada, parecia que a loira olhava diretamente para os olhos do marido.
_Merda... Como ela teve a coragem de me enganar!? Terei que dar um jeito... Mas não agora... Não por enquanto. Vou me fazer de desentendido! Na frente dela e daquele babaca do George. — resmunga ele virando o porta retratos na mesa. Robert desliga o computador e se dirige até o quarto dele e de Clary, mirando a esposa que dormia serenamente na cama, fracamente iluminada por um abajur.
O empresário entra no banheiro e se despe para tomar um banho. Havia um curativo no braço de Robert, que ele tira, colocando a mostra o corte no braço dele que cicatrizava.
_Se Clarice ver isso, vai querer saber onde eu arrumei tal ferimento e se eu contar, vou estar bastante encrencado! Apesar de que ela também tem lá seus segredinhos, não é mesmo amor... — diz ele emburrado olhando Clary pela fresta da porta que ele tranca em seguida.
Na casa de George, ele falava com Joseph pela webcam. Via-se um homem com bom porte físico na tela, olhos castanhos claros, pele clara e cabelos cor de fogo.
"Você está bem George? Eu aqui falando, falando e você quietinho... Tão longe... Eu peço mil perdões por ter viajado sem te avisar amor. E o pior, foi que me prenderam aqui em Paris por umas três semanas.
_Nossa! Isso, somado ao tempo que você está fora, dá mais de um mês.
"Sinto muito por não ter esperado você retornar com Clarice, mas..."
_Eu sei, eu sei... O desfile! Você tem que avaliar tudo e resolver tudo. Sem problemas, espero você voltar.
"Espero que seja logo amor."
_Eu também.
Eles se despedem e George resolve que iria jogar um pouco, mas desiste. Estava avoado e intrigado em como Robert havia se machucado. Se fosse somente um acidente de carro, porque não dizer a Clary?
_Aí tem coisa!
Clarice desperta na manhã seguinte e abre os olhos devagar, deparando com a cama vazia. Ela se vira de barriga pra cima e ao olhar para a direita, vê Robert amarrando a gravata.
_Bom dia bela adormecida! — diz ele de um jeito debochado.
_Bom dia Bob. De pé tão cedo?
_Problemas na imobiliária. Preciso resolver. Marquei uma reunião para as oito.
Ele dá um beijo em Clarice e sai em seguida. Clary mira o relógio digital a sua direita, ainda eram sete e meia da manhã de uma sexta feira. O expediente só iniciaria as nove na Ethelvyse S. A. Mas se ela quisesse estar pronta a tempo, teria que se por de pé.
George corria pelo quarteirão para manter-se em forma. Fazia a risca os exercícios passados por Clarice a ele havia anos e como resultado, estava em forma e com músculos definidos. Nada muito exagerado, mas o que o fazia sedutor. Ele corria distraído e atravessa a rua sem olhar e pula pro lado quando Robert freia o carro em cima dele.
_Tá querendo me matar Robert?!
_Até que não seria má ideia George!
_Tá me ameaçando? Olha que posso voltar atras na promessa que te fiz e contar a Clarice sobre seu "acidente" — fez aspas com os dedos. — na Rússia.
_Não pode falar nada de mim Collins! — rebate Robert com raiva. — Sei muito bem o que você e Clarice andam fazendo! Sei muito bem do que rolou na Casa Branca!
Robert saiu cantando os pneus do carro com raiva, deixando George boquiaberto e paralisado no meio da rua. A buzina de um táxi o faz voltar a si com um sobressalto.
_Sai da rua seu doido! — grita o motorista.
George ainda olhava atônito para a esquina onde Robert virara com o carro e sente certo desespero correr pelo seu corpo. Robert estava na Casa Branca. Ele sabia. Claro que sabia! Vira o rosto de Clarice. Sabia que ela era a famosa Dama.
Tudo se encaixava. O ferimento no braço de Robert, e a frase dele: "Sei muito bem o que você e Clarice andam fazendo!" Aparentemente Robert também não era burro, somara dois mais dois e deduziu que ele estava ajudando Clary na Casa Branca.
"E se ele a machucar? — perguntou-se — Clary nunca dormiria armada ao lado dele... Ela sabe se defender, mas se Robert a atacar na covardia, enquanto ela dorme?"
George se abaixa na calçada e puxa de leve os próprios cabelos em sinal de preocupação. O secretário estava a ponto de surtar. Ele sempre se preocupava com Clarice e desde que ela batera de frente com um homem que quase a deixara surda de um ouvido durante uma missão há três anos, ele traçava e retraçava as rotas dela. Jamais permitiria que ela saísse machucada de suas missões.
Clary era sua única família, lembrou-se ele. Seus pais e sua irmã não aceitaram bem a opção sexual de George, o que acabou com o pai dizendo que ele deveria morrer, sua mãe o desprezando e sua irmã se proibiu de falar com o irmão mais velho.
Clarice assumiu os negócios da família mesmo a distância e contratara George como seu secretário pessoal. Ela pagava George a exorbitante quantia de trinta mil dólares por mês, entretanto, ele ganhava muito mais pelos outros serviços que ajudava Clarice, era óbvio. Ela dava metade do que recebia. Certa vez, George recebeu meio milhão de dólares, dinheiro esse, que ele "maquiava" as contas da Ethelvyse S. A. E conseguia fazer com que parte do dinheiro fosse entendido como lucro da empresa, já outra parte, estava em paraísos fiscais.
Clarice estava em sua sala e batia a caneta de ouro na mesa e os saltos no chão, num tamborilar irritante. A loira enrolava o cabelo nos dedos e mirava a porta. Passavam das onze da manhã e a mesa de George estava vazia. Ele abre a porta e entra, ouvindo Clarice o xingar.
_Bom dia pra você também Clary.
_Estava preocupada com você! — diz ela o abraçando. George a aperta nos braços dele. Gostava quando Clarice o abraçava daquele jeito. Sentia-se querido e sabia que sua falta seria sentida por pelo menos uma pessoa.
_Me perdoe Clary, deveria ter avisado. — pede ele ainda abraçado a amiga.
Os dois se soltam de súbito ao pigarro de Robert que entrara na sala. Ele olhava os dois de cara feia e de braços cruzados.
_Talvez fosse melhor se George tivesse uma sala só dele. — deixou escapar.
_Talvez fosse melhor você não abrir a boca quando seu ciúmes quer falar! — dispara Clarice de mau humor, o que surpreende Robert. Ela jamais falara daquele jeito com ele, mesmo quando estava muito zangada. — Ele é meu secretário particular! Fica comigo. Acostume-se.
Ele suspira com raiva, mas nada diz e apenas concorda com a cabeça olhando para George de um jeito bem ameaçador. Robert se vira para a porta para sair, mas George sinaliza com os olhos para Clarice ir atrás dele. Ela faz um gesto raivoso mudo e obedece. A loira segura a mão de Robert e se desculpa, desfazendo a cara feia dele.
_Eu ando nervosa e preocupada com umas coisas Robert, me perdoe.
_Tudo bem.
Robert beija Clarice e acaricia os cabelos dela com delicadeza. Ele a olhava de um jeito amoroso, o que fazia George quase querer vomitar pela falsidade dele com a amiga.
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