A Dama

7 Capítulo 7: O Telefone.


No sábado, Clarice estava trancada no escritório de sua mansão. Ela olhava o album de casamento de seus pais. Marise e Clarck sorriam abraçados com a visão do mar de Angra dos Reis no Rio de Janeiro ao fundo. Tanto o casamento, quanto a lua de mel dos dois fora no lugar, o que fez com que a já falecida mãe de Marise a praguejasse por ter escolhido um lugar tão quente para se casar. Angra sempre fora o refúgio favorito de Marise Ethelvyse. Sempre que desejava pensar, a também loira se retirava para o Brasil, para Angra. Num rodapé de uma das fotos, a letra dela destacava: "O melhor lugar do mundo!"
Clarice chorava com a visão da felicidade dos pais. Depois de tantos anos ela sentia falta deles de uma maneira que doía. Era como se alguém tivesse feito um rombo no peito dela. As vezes ela se perguntava se fazia sentido fazer o que fazia em busca de tentar afundar os Estados Unidos, afinal de contas, nenhuma vingança jamais os traria de volta. Se fazia sentido, ela ser procurada na Europa, coisa que ela escondia de George, mas sabendo que ele sabia e fazia questão de se fazer de bobo, para deixar Clary despreocupada.
A loira seca as lágrimas e coloca o album de volta na estante do escritório e sai de carro. No caminho, esconde seus cabelos loiros numa peruca chanel de cabelos negros e coloca lentes azuis. Ela dirige por quase duas horas até um centro de treinamento de tiro afastado da cidade. O senhor da portaria conhecia Clarice, mas com outro nome na qual a cumprimenta.
_Senhorita Vivi-Anne, quanto tempo!
_Muito trabalho. Quase nunca posso tirar um tempo pra mim. Mas hoje vim praticar... Pôr os pensamentos em ordem.
_Entendo. O que vai querer? — quis saber indicando a parede do lado coalhada de armas.
_Nada muito pomposo... Fico com a desert eagle.
_Boa escolha Vivi-Anne. — diz o velho entregando uma pistola para ela.
Clary vai até a cabine de treinamento, coloca os protetores de ouvido, carrega a arma e começa a alvejar o alvo há vinte metros de distância enquanto pensava.
"Será que eu estou fazendo a coisa certa? Meus pais me pediram para que eu ficasse fora disso tudo... Queriam me proteger... Queriam que eu não tivesse o mesmo fim de ambos... Tenho esse conflito comigo mesma desde que disparei aquele Colt e acertei meu primeiro alvo há seis anos... Entretanto, talvez o universo tenha conspirado para que eu fizesse o que faço. Pois sou boa nisso! Muito boa nisso!" — gabava-se ela mentalmente exibindo um sorriso de triunfo ao ver o alvo que se aproximava perfurado somente na mosca.
Clary preparava a arma novamente para começar uma nova sessão de tiros, porém, sente o telefone vibrar no bolso, o retira e mira a tela: "Chamada confidencial". Ela corre para longe do barulho dos tiros dos outros praticantes e entra no banheiro. A loira aperta o botão de atender e leva o telefone ao ouvido.
"Dama?"
_Sim? — responde ela estranhando estar falando com alguém que falava inglês e sem o típico sotaque dos britânicos.
"Gostaria de contratar seus serviços para pegar um ladrão que invadiu a Casa Branca há algumas semanas..."
_Recuso-me a levantar um dedo para ajudar os Estados Unidos.
"Pagaremos bem." — disse o homem que ela demorou, mas reconheceu a voz. Era o secretário de segurança. — "Setecentos mil dólares."
_Não!
"Oitocentos"
_Não!
"Um milhão e meio... Minha proposta final"
_Não! — diz ela apertando o botão vermelho no celular. — Como os americanos conseguiram esse número? Como?
Clarice resolve voltar pra casa, mas recebia insistentemente a ligações em seu celular, o que estava irritando a loira. Ela entra na casa de George e estranha quando não o vê na sala jogando sabe-se lá o que quer que ele gostasse. Ela o encontra na cozinha conversando com Joseph que cortava temperos para jogar na panela que estava no fogo. Ela paralisa na porta sem jeito e já ia voltar quando ouve:
_Clarice? — perguntou Joseph
_Eu mesma... — diz ela se virando para o ruivo. — Oi meninos. — cumprimenta sem jeito.
_Oi
_Oi Clary. — diz George a olhando de cima a baixo, percebendo que a amiga estava nervosa, se preocupa. — Você está bem?
_Ah sim! Fiquei sem graça por invadir a sua casa e interromper vocês na cozinha... Sorte não ser na cama. — ironizou ela se sentando fazendo Joseph rir alto e George querer cortar a lingua de Clarice. Mas agradecendo o sarcasmo costumeiro dela. Se o sarcasmo estava lá, Clary estava bem!
_Aceita almoçar conosco Clarice? Estou fazendo coq au vin.
_Uau! Prendado ele George. Esse é pra casar!
George ri em concordância e Clarice vê nos olhos do amigo que ele estava completamente apaixonado por Joseph, o que a deixava feliz em vê-lo feliz.
_Eu odeio ser indelicada Joseph, mas eu preciso ir. Vou deixar vocês a sós. — diz a loira com um sorriso safado.
_Tudo bem então. — resmunga Joseph de um jeito que faz Clary erguer uma sobrancelha, era como se ele quisesse vê-la pelas costas.
Ela recebe um beijo na bochecha de George e sai. Quando Clarice volta ao seu carro, o celular ainda tocava e listava onze chamadas não atendidas. Ela o desliga jurando para si mesma que trocaria seus meios de comunicação com seus "clientes VIPs".
Clarice volta para casa e vai direto a cozinha, onde uma senhora cozinhava com dois ajudantes. Um picava temperos e o outro lavava a louça.
_Boa tarde. — diz Clarice abrindo a porta da geladeira ao som do boa tarde dos empregados. Ela pega um pode de sorvete e se senta ao lado da jovem que cortava temperos.
_ Vai estragar o apetite senhora. A senhora como tão pouquinho. — disse a jovem. Ela tinha traços japoneses, os cabelos negros e lisos que estavam presos num coque na nuca e os olhos puxados, mas a cor deles eram num castanho esverdeados o que denunciava a mistura dela de japonesa com americana.
_Ah, obrigada Yumi. — diz Clarice abandonando o sorvete que nem chegara a abrir. — Qual o prato de hoje sra. Wilson?
_Seu esposo pediu-me que fizesse peixe recheado, seu favorito. Mas se a senhora desejar, posso lhe preparar o que quiser.
_Está ótimo. Pode me fazer um suco de melancia para hora do almoço, por favor.
_Sim senhora.
Clarice se levanta e sai em direção ao quarto, onde ela entra, dá um tapa numa almofada a jogando no chão. Ela se atira na cama aborrecida e mira o teto.
_Eu comeria um boi se ela assasse pra mim. Aborrecida como estou! — resmunga Clarice.
_Falou comigo querida? — perguntou Robert saindo do banheiro secando os cabelos.
_Estava pensando alto Bob. — resmunga ela esticando os braços para Robert que se deita ao lado dela. Clarice põe a cabeça no braço de Robert e fica brincando com os pelos no peito do homem pelo roupão aberto.
_Posso te ajudar em algo amor?
_Só me deixe ficar assim com você um pouco. Você me acalma as vezes. Principalmente quando eu estou irritada!
_Isso é bom ou ruim?
_É bom... Mas as vezes, você me deixa chateada também.
_George? — quis saber ele abaixando os olhos para os cabelos loiros da esposa.
_Não gosto que o trate mal. Ele é como um irmão pra mim.
_Prometo que não implicarei mais com ele Clary se isso a faz feliz. — diz ele revirando os olhos em aborrecimento, sem que Clarice visse.

Na noite daquele dia, com a saída de Robert para um compromisso e depois de se certificar que George estava sozinho, Clarice fora novamente a casa dele para contar sobre os contanstes e insistentes telefonemas do chefe de segurança do Estado.
_Ele deve ter conseguido com algum inglês Clary. Querendo ou não, os Estados Unidos tem uma forte aliança com a Inglaterra.
_Tem razão... Mas se ele resolve me rastrear?
_Com o que eu fiz nesse seu telefone, nem se ele tivesse cinquenta satélites a disposição dele. E pelo que eu entendi, os idiotas não ligaram o roubo a você, caso contrário não iriam querer contratá-la e sim, caçá-la.
_O que eu faço a respeito?
_Por enquanto evite usar o "pretinho" — diz ele apontando o celular preto na mesa. — Vou fazer um novo pra você, com todo o aparato desse.
_Obrigada George.
_Você e Robert estão bem? — perguntou de súbito.
_Estamos. Por que não estaríamos? — rebateu a loira. — Eu gosto dele de verdade sabe. Algo nele faz com que eu me sinta bem... Me sinta segura, amada.
_Hum... — resmunga George sem mencionar mais nenhuma palavra, a não ser boa noite, que ele diz quando Clary sai. Ele não queria magoar a amiga, mesmo tendo 99,9% de certeza que Robert tinha muita culpa no cartório!

Notas finais
Espero que estejam gostando. Mais surpresas nos aguardam a seguir...