A Dama

4 Capítulo 4: O baile.


George liga para Joseph e avisa que iria ficar fora com Clary por uns dias. A loira entra na cozinha e aperta o botão do viva voz "acidentalmente" e diz:
_Pode deixar que eu tomo conta dele Joseph.
"Clarice? Meu Deus!" — diz a voz animada de Joseph do outro lado. "George fala muito sobre você. E eu a acho super elegante e linda! Se eu pudesse queria ser você!"
_Não iria querer não amor. — diz ela fazendo George a encarar assustado. — Eu sou muito exigente, chego a ser um incomodo para as pessoas ao meu redor.
"Jura? George a elogia tanto."
_Ele é um doce de pessoa.
"Realmente! Por isso estou com ele."
Ela sorri pra o amigo, que tira o telefone do viva voz e continua sua despedida. Os dois entram em um dos carros de George, um Lamborgini azul escuro e partem em direção a casa de Clary para que ela apanhasse o vestido que usaria no baile e os sapatos.
Os dois retornam ao carro e partem rumo a Washington, já que se complicariam com as armas num aeroporto. Uma viagem de quase cinco horas. Os dois se divertem na viagem ouvindo rock e cantando alto. Eles param num drive-thru e Clarice pede dois hamburgueres enormes com bastante molho e batatas gordurosas, coisa que ela só comia raramente e na companhia de George. Destacando em como ser uma dama refinada era "um verdadeiro pé no saco!"
Os dois chegam a capital e se hospedam num hotel. Uma suíte dupla, assim poderiam conversar sossegados. Ambos estavam deitados na cama que Clarice dormiria. George tinha o laptop sobre uma almofada em seu colo. Ele tentava hackiar o sistema de câmeras e as plantas da Casa Branca. O secretário vestia uma camiseta branca com um Sonic de óculos escuros e uma calça de pijama preta. Já Clarice estava ao lado dele usando um pijama bobo do Pernalonga dado por George. A loira tinha um pacotão de doritos ao lado dela e os mergulhava em queijo derretido e as vezes enfiava um ou outro salgadinho na boca do amigo. Ela assistia Resident Evil 2 e vibrava com a atuação da protagonista.
_Essa mulher é perfeita! Queria eu ser poderosa assim!
_Você é poderosa assim. — diz George sem desgrudar os olhos da tela e ainda digitando. — E a principal do Resident nem é a Alice! Inventaram essa mulher aí — apontou a tv com o queixo. — Estilo "linda e perigosa" pra atrair os idiotas que gostam de um rosto bonito, mas não tem cerebro pra jogar um jogo como... Uhul! Entrei! — exclama ele deixando a crítica pela metade e fazendo Clarice engasgar.
_Deixe-me ver. — disse rouca.
Ela mira a tela e vê os cômodos da Casa Branca na tela e em seguida, após um "click" de George, ela visualiza as plantas. Ele abre os mapas dos dutos de ventilação e começa a marcar em vermelho e a traçar a estratégia que adotariam. Após o plano traçado, George fecha o laptop e se despede de Clarice.
_Boa noite Clary, qualquer coisa grita.
_Atiro primeiro, grito depois. — diz ela tirando a 9mm de debaixo do travesseiro.
Ele sacode a cabeça negativamente e murmura um: "Você não existe" e sai do quarto de Clary, passando por uma saleta e entrando no quarto dele em seguida.
No dia seguinte, uma bela mulher negra pentava com habilidade os cabelos de Clarice. A cabeleireira particular tinha os seus cabelos na frente com tranças e atrás solto de um jeito rebelde. Ela usava argolas rosa pink nas orelhas, que estavam incomodando Clarice intimamente. George se olhava no espelho admirando novo corte de cabelo feito pela mulher.
_Você é muito boa no que faz Janette. Nunca pensei que alguém pudesse dar jeito naquele ninho de águia careca que Collins chamava de cabelo. — A mulher ri e olha para George pelo espelho.
_Não fale assim senhora. Ele é lindo. — diz Janette o olhando de cima a baixo de um jeito que faz George ruborizar até as orelhas. Era como se a mulher o despisse com os olhos.
_Realmente! Ele é um gato! Janette, você é linda! — fala a loira olhando Janette nos olhos pelo reflexo do espelho. — Mas essas argolas estão te estragando! Plástico? Tão anos oitenta. — Clarice se vira para a mulher que a olhava sem jeito. — Um minuto sim?
Clarice sai da ante sala e entra no quarto dela. Janette lança um olhar a George de "O que ela vai fazer?" recebendo um dar de ombros em resposta. Clary retorna a ante sala com seu cabelo ainda por terminar. Ela tinha algo em sua mão que ela estende para Janette.
_São argolas de ouro rose. Faço questão que fique com elas e jogue essas coisas no lixo! Estão acabando com suas orelhas!
Janette pega as argolas boquiaberta, as analisa e olha para Clarice achando que aquilo poderia ser um truque da loira.
_Não posso...
_Ah pode e vai aceitar! Ou juro que saio com os cabelos assim e digo aos fotografos que foi você!
_Que maldade! — diz Janette incrédula, estreitando os olhos numa falsa raiva. Ela coloca os brincos e joga o par que estava usando numa lixeira. — Obrigada sra. Ethelvyse.
_Por nada.
_Definitivamente, você é um paradoxo. — diz George abafando uma risada.
_Cala a boca Collins. — disse Clary também rindo.

E no baile de Washington, Janette havia feito uma trança espinha de peixe nos cabelos de Clarice que somado ao Valentinno vermelho coberto de diamantes e um sapato de salto fino, que a deixava uns centímetros mais alta que George, a fazia ser a mulher mais deslumbrante da festa. Ela dançava com George que também estava muito elegante em seu terno armani feito sob medida.
George dançava com Clarice mantendo certa distancia dela, o que fazia a dança deles ser desengonçada e arrancava risos de uns idosos que estavam sentados em mesas.
_Chegue mais perto George. — diz Clarice entre os dentes somente para que George ouvisse enquanto sorria.
_Não posso... Não quando a dama que dança comigo tem um arsenal sob o vestido.
_Não tenho um arsenal sob o vestido Collins! — ralhou a loira. — Somente duas automaticas 9mm em cada coxa, C4 na cintura suficiente para arrombar um cofre e uma kindjal muito bem encaixada entre meus seios.
_Imagina se ela fura seu silicone. Ai! — resmunga ele de cara feia quando Clarice pisa em seu pé com o salto fino.
_Isso é pra você aprender que meus seios são originais de fábrica! Mas se um dia quiser um par igual George, sei que o pago muito bem e pode comprar um igual.
_Ethelvyse você é irritante!
_Me perdoe Collins.
_Sempre perdoo.
A música termina e todos aplaudem o quarteto de cordas que ali tocava e se voltam para o pequeno palco onde um secretário subia e se aproximava do microfone.
"Boa noite senhores. Boa noite senhoras. Gostaria que pedir a atenção de todos para o discurso do nosso excelentíssimo presidente. Podem, por gentileza, tomar os seus lugares por favor?"
Todos começam a se ajeitar, porém Clary e George saem de fininho em meio a confusão de cadeiras se arrastando e o burburinho dos cumprimentos nas mesas.
Os dois saem num corredor e são olhados por um par de seguranças mal encarados. Clarice puxa George pelo pescoço e o beija de um jeito que o deixa sem ação, fazendo os seguranças se cutucarem e um deles dar um risinho safado da situação. Ela tatea a porta atrás dela e os dois entram num banheiro masculino e Clarice tranca a porta.
_Que foi aquilo cacete?! — pergunta George sem ar pelo beijo descarado de Clarice.
_Ué? Meio óbvio não? Se os seguranças acharem que estamos arrancando a roupa um do outro aqui no banheiro jamais irão suspeitar o que iremos aprontar.
_Faz sentido. — diz ele ainda tonto. — Mas me avise quando for fazer algo desse tipo novamente!
_Que foi Collins? — começa Clary erguendo a sobrancelha. — Beijo tão mal assim?
Ela não obtém resposta e começa a rir. A loira observa o banheiro e encontra o armário do zelador, onde haviam materiais de limpeza, luvas, vassouras e um uniforme dobrado na prateleira de cima que ela pega. Era um macacão cinza e vermelho e um boné cinza. Clarice tira o vestido, ficando apenas de lingerie e com os coldres de suas armas que ela trata de se livrar as colocando sobre a pia. Ela trata logo de vestir o macacão, mas não sem antes retirar a kindjal de entre os seios que usaria para desparafusar a entrada da ventilação.
Sentado no chão, George ligava o laptop e colocava um headset. Ele abre as plantas da Casa Branca e se volta para Clarice quando ela o chama.
_Que tal? — quis saber enquanto enfiava os cabelos no boné.
_Ótimo disface Clary! — fala George com aprovação entregando o ponto eletronico a ela, que imediatamente o coloca no ouvido esquerdo. — Consegue passar? — quis saber ele observando a passagem e agora entregando a ela os coldres de ambas as pistolas que ela pôs em ambas as coxas.
_Sim. Vai ser fácil. Apenas me guie.
George segura Clarice pelas coxas e a ergue para a entra na ventilação e George trata de sentar no chão para guiá-la. Ele tinha os projetos abertos e num retangulo no cantinho superior da tela, o discurso do presidente. Para saber quanto Clarice e ele teriam de tempo.
_Uau!
"Algum problema Clary?"
_É normal dutos de ventilação sem uma única poeira? Estou impressionada!
"Clary! — repreendeu George — Vire a direita, siga reto por duas bifurcações e vire a direita novamente. Deve haver um segurança na sala. Você sabe o que fazer"
_Ok...
A loira chega ao seu destino e estranha a portinhola da ventilação já estar aberta. Havia realmente um segurança, mas ele estava baleado no chão com um tiro na nuca e uma pessoa vestida de negro de cima a baixo revirava a escrivaninha do presidente a procura de algo.
Era um homem, ela deduziu pela altura e de seu porte fisico que dava pra se perceber através da roupa ninja. Clarice não podia voltar, não de costas e resolve escorrer pra fora da passagem, porém, o homem de negro se vira pra ela. Nem os olhos deles podiam ser vistos, pois ele usava um óculos de visão noturna.
Clary só tem tempo de descer a mão a coxa e pegar a pistola, no momento em que o homem atira. Ela atira de volta e ele se protege atrás da mesa, o que a deixa segura pra sair da entrada da ventilação. Mais um tiro espatifa um jarro ao lado de Clary e outro acerta a parede.
"O que está havendo aí Clarice!"
Ela não responde George e dá mais um tiro na mesa e ouve o grunido de dor do homem, este que se põe de pé, a olha e pula pela janela, saindo correndo para os jardins escuros, com a mão no braço onde levara um tiro de raspão.
"Clary?"
_Estou bem. — tranquilizou George.
A loira tirou o cinto preto onde estava preso o C4 e o colocou na porta do cofre com certa dificuldade por conta das luvas que usava. A porta da sala estava bloqueada, ela notou, por uma barra de ferro e duas cadeiras e do outro lado, seguranças forçavam a entrada. O C4 explode a tranca, revelando a ela plantas de uma base nuclear no Oriente Médio e os projetos das bombas que ela queria.
"Clary saia daí! O presidente está encerrando o discurso! E tem meia dúzia de seguranças na porta! E mais alguns correndo pelo corredor!"
_Estou indo. — diz ela colocando os planos dentro de um envelope e os atirando na ventilação.
Clarice escancara a janela, entra na ventilação de barriga pra cima e parafusa rapido a grade da ventilação e se arrasta o mais rapido que podia para o final do tunel. E no banheiro, George avista os pés de Clary e a ajuda a sair perguntando se ela estava bem, senão estava machucada, mas ele se cala quando Clarice diz um rispido: "Depois a gente conversa!"
Ela volta a por o vestido e as armas sob ele e esconde os envelopes com os planos dentro da camisa de George.
_Tá gostoso hein Collins! — zomba ela com a mão no peito dele.
_Ha- Ha... — diz ele de modo monótono. — Ei, o que você está fazendo? — quis saber quando Clarice arrancou a gravata dele e abriu dois botões da camisa.
_Sossega Collins!
_Mas que droga é essa Clarice?!
_Se acalma! Não dá pra fingir um amasso se você estiver alinhado, ou dá? — ele concorda com a cabeça e coloca o laptop dentro da maleta que trazia com ele, enquanto Clary olhava o cabelo pouco bagunçado pelo boné, o que ela achou perfeito. — Venha George.
Os dois saem do banheiro no momento em que seguranças entravam no corredor apressados. Clarice cai no chão num falso desmaio, fazendo George se preocupar e a dupla de seguranças que os aguardava sair do banheiro, também.
_Senhora Ethelvyse... — chama George. Um dos seguranças pede ao outro que trouxesse alcool e ele corre para obedecer. — Sra. Ethelvyse. — chama ele novamente, se abaixando de forma a cobrir o rosto da loira — Clary...
_Estou fingindo merda! — murmura ela.
O segurança volta e o grandalhão pega o vidro de alcool e passa nos pulsos da loira e dá pra ela cheirar, fazendo Clarice "despertar" de seu desmaio.
_A senhora está bem?
_Ah sim. — diz ela fingindo gentileza. — O que seria de mim sem homens tão competentes? — O segurança ruboriza, mas se toca de que tinha que atender uma emergência, pede licensa e sai, mandando os dois voltar ao salão do baile, na companhia do segurança mais novo.
Eles voltam ao salão principal no momento em que o presidente era aplaudido pelos convidados. Clary entra no salão se abanando, o que chama a atenção dos demais da mesa onde ela deveria estar.
_O que houve Clarice? — quis saber uma mulher.
_Um mal estar terrível... Desmaiei corredor. — a mulher leva as mãos a boca mortificada. — Senão fosse a gentileza de George, que sempre cuida de mim e dos seguranças, eu nem sei.
_Está esperando? — perguntou a outra curiosa em tom baixo, apontando para o ventre de Clarice.
_Provavelmente. — sussurrou Clary de volta sem que a outra percebesse o sarcasmo. — George se importaria de fazer a gentileza de levar-me de volta ao hotel?
_Não sra. Ethelvyse. Vamos.
Os dois saem da Casa Branca sem alardes e quando cruzam os portões, um verdadeiro alvoroço se inicia, pois os seguranças finalmente haviam descoberto a baderna no salão oval, o que fez com que o baile terminasse mais cedo, sob o falso pretexto de uma viagem ao exterior do presidente. George Bush entra no salão oval e se depara com: o segurança morto, o cofre arrombado, marcas de tiro nas paredes e na mesa e duas janelas escancaradas, que os seguranças deduziram ter sido a entrada do causador daquilo.
_Senhor Bush, o que será que queriam? — perguntou o chefe de segurança do Estado.
_Os projetos das bombas nuclear... Quero que descubram quem roubou, mas sem alardes! Não quero que isso caia na mídia ou minha cabeça estará a premio entre os estadunidenses.
Já no hotel, Clary olhava os projetos das bombas enquanto contava a George sobre o tiroteiro no salão oval.
_Aquele desgraçado tinha uma pistola com um silenciador nela! E começou a atirar em mim.
_Você atirou nele?
_Ah sim! Sabe da mira que tenho George! Acertei aquele desgraçado de raspão no braço e ele fugiu feito uma menininha com medo de trovoada! Dois disparos. Minhas balas estão aqui. — fala ela tirando duas balas calibre 38 do sutiã e jogando na cama. — Se alguém tem que levar a culpa, que seja ele... Pois as balas dele, estavam espalhadas por todo salão oval.
_A questão principal Clary é: Quem era ele? E seja lá quem for, viu seu rosto. — fala George preocupado, fazendo Clarice o olhar.
Os dois retornam a Nova York e ao trabalho na Ethelvyse S.A. George havia fotografado os planos das bombas e enviado aos alemães via email criptografado. Do mesmo modo que os pais de Clarice enviaram o último email a filha. De modo que necessitavam cinco senhas para abrir o mesmo, senhas essas que mudavam por um gerador automático a cada hora. O aparelhinho fora enviado ao presidente alemão semanas antes pela própria Clarice.

Notas finais
Quem será o atirador misterioso da Casa Branca? Alguém arrisca um palpite? Deixe nos reviews