A Dama
2 Capítulo 2: Segredos e Descobertas.
Notas iniciais
Espero sinceramente que se divirtam com a Clary. Eu procurei passar um pouco do meu sarcasmo costumeiro para compor a personagem.
George e Clarice encontravam-se sempre nos dias seguintes. Se cumprimentavam, mas George temia em trocar mais de duas palavras com a loira, o que a fez "encurralá-lo" três semanas mais tarde na biblioteca. George escrevia e tem um sobressalto ao ouvir a cadeira sendo arrastada ao lado dele por Clarice.
_Oi._Oi. _Fugindo de mim Collins?_Não... Eu não... — mente ele. Reparando nas olheiras que Clarice tinha sob os olhos. — Você está bem?A pergunta fez a loira desabar em lágrimas silenciosas. Ela não sabia o motivo, mas sentia-se segura ao lado de George. Talvez porque ele também tivesse seus próprios segredos, como esconder sua homossexualidade do mundo. O rapaz pega um lenço que ele as vezes usava de bandana da alça da mochila e oferece a Clarice que prontamente aceita._Gostaria de conversar com você, mas não sei se devo George. Mas sinto que senão falar, irei explodir._Podemos nos falar lá em casa. — sugere ele apontando com o polegar para a janela atrás dele._Aceito sim George.Os dois saem da biblioteca e seguem até um gipe com adesivos do AC/DC, U2, Beatles, Queen, entre outras bandas coladas na porta. George se surpreende quando Clarice entra no gipe sem nem ao menos torcer o nariz para a ferrugem que corroía a porta e a poeira do banco do passageiro."Definitivamente, ela não é como essas garotas daqui. Talvez, finalmente, posso cogitar alguém como amiga depois de anos me escondendo das pessoas." — pensa George girando a chave no contato e dirigindo até o seu apartamento.Chegaram a um prédio no suburbio. O lugar não tinha luxo, mas era limpo. Subiram as escadas até o quarto andar. Os saltos dos sapatos caros de Clarice ecoavam a cada degrau que ela subia e George olhava os pés da jovem, o que a fez achar que estava incomodando com o barulho. _Belos sapatos!_Ah... — surpreende-se ela. — É um Tanino Crisci da..._Coleção de 2000, peça exclusiva de passarela, eu sei. — Clarice abre um enorme sorriso, que George corresponde. — Sou um admirador de sapatos femininos._Percebe-se._Como descobriu que eu era gay?_Primeiro, por você mirar diretamente o par de Prada vermelho sangue que eu estava usando aquele dia._Você tem bom gosto pra sapatos, deixe-me destacar._Obrigada. E segundo, pelo fato de eu estar usando um decote enorme e você olhar pro meu rosto, ao invés dos meus seios._Uau! Que observadora. — diz ele surpreso girando a chave na porta. O chaveiro era uma personagem de rpg, Clarice notou e achou bonitinha.O apartamento de George era pequeno. Havia uma cozinha com uma bancada que fazia de divisa para o quarto-sala, onde havia um sofá cama encostado abaixo da janela e uma tv com um playstation e um controle jogado sobre o sofá. Livros de física quântica e matemática estavam sobre uma mesa redonda a um canto e havia um gameboy sobre eles com um cartucho do Pokémon ao lado.A loira se senta no sofá e vê George sair da cozinha com dois copos e uma garrafa que ela deduziu ser vinho_Eu não bebo..._Ah isso? É suco de uva. Também não bebo. Preciso estar sóbrio para enlouquecer aos poucos com os cálculos.Clarice ri e aceita o copo de suco e mira os papéis ao lado dos livros. Exercícios com nomes diferentes de pessoas, o que ela estranhou._O que é isso George?_Isso... — começa ele pegando os papéis — É o que garante que eu não "sofra acidentes" — completa com os dedos em aspas. _Obrigam você a fazer isso? _É... — resmunga ele em concordância._Bem, talvez eu possa te ajudar quanto a isso. _Vai fazer o que Clarice? Pagar eles pra que não me atormentem?_Não. Vou ensinar você a se defender. — fala Clarice se pondo de pé diante de George. Ela coloca o copo com a metade do suco na mesinha e mira George. — Me dá um soco._Até parece..._Anda Collins! — berra ela.Ele obedece e ela segura o braço dele e torce de um jeito que faz George ajoelhar no chão urrando de dor. A loira pede desculpas e o ajuda a sentar no sofá._Caramba! Onde aprendeu a fazer isso? Quase quebra meu braço!_Krav Maga. Tecnica de defesa israelense... — diz ela simplesmente._Eu o que é krav magá, o que eu quero saber é porque uma patricinha. — ela ergue a sobrancelha ao som da palavra "patricinha" — sabe lutar._Bem, essa é uma das peças que compõe o quebra cabeça da minha vida. Vou lhe contar tudo. E juro por tudo que é mais sagrado Collins que se você disser algo a alguém, que meto uma bala na sua bunda!_Ow! Calma! — diz ele surpreendendo-se por Clarice de repente deixar a polidez na fala e começar a falar feito uma chefe violenta de gangue.Ela conta tudo a ele. Sobre o serviço dos pais, sobre como tentavam "escondê-la" do mundo. Fazendo os outros acreditar que ela era apenas uma garota fútil e fresca que só sabia torrar o dinheiro dos pais. E faz questão de destacar que está viva até hoje por conta disso.George surpreendia-se com os detalhes da história e hora soltava assovios baixos de nervoso. Clarice finalmente chega no email._Eu preciso de um gerador de senhas! Mas não sei de quem posso comprar um sem que isso traga quem quer que seja que tenha liquidado meus pais até mim.
_Seu gerador de senhas está diante de você._Tem algum aparelhinho escondido dentro dos cds do Resident Evil? — debochou ela apontando para as capas sobre o playstation._Muito engraçado! Abra o email e dê-me os primeiros cinco números que aparecem em cada linha que traçarei um padrão e direi os códigos a você._Tá de sacanagem!_Não estou não! Mas vou te cobrar por isso Ethelvyse e não sairá barato._Peça quanto quiser. — diz ela ficando tensa no sofá. Estaria errada sobre a indole de George?_Aulas de defesa pessoal todos os dias. — diz ele sorrindo tirando um bloco e lápis da mochila jeans velha.Clarice corresponde o sorriso e apanha o laptop dentro da bolsa que trazia consigo. A garota abre o email e dá as informações que George havia lhe pedido. Ele começa a calcular depressa e a loira apenas o olhava em silencio._Aqui. — diz ele com algumas sequencias numéricas. Clarice digita e dá erro, o que faz George soltar um palavrão. — Que horas são?_Seis e cinco... Por que?_A hora... A senha muda a cada hora. Tenho que calcular mais rápido! — dizia ele rindo.Estava sendo uma diversão para George fazer tais cálculos. Em menos de meia hora, ele ja tinha três das cinco senhas necessárias e se concentrava para ir depressa com as outras duas sob o olhar silencioso de Clarice. O único som no lugar era o rabiscar da ponta do lápis no papel. Já era dez para as sete da noite. George tinha apenas nove minutos para terminar o calculo da ultima senha. Cinco para as sete... Parecia que ele podia ouvir o tic-tac do Rollex no pulso de Clarice, enquanto dava olhadas constantes nele. Dois minutos para as sete, George larga o lápis, apanha o laptop e digita rápido as senhas com as mãos trêmulas. Ouve-se um "plim" e o arquivo abre com um enorme "Bem vinda srta. Ethelvyse". Clarice solta um gritinho e abraça George, dando uma cabeçada nele sem querer_Perdoe-me._Que isso! — diz ele massageando a testa.Os dois juntam as cabeças na hora em que Clarice aperta o enter para ler o anexo 1 que dizia:"Filha, Clinton nos deu ordens expressas para assassinar um homem. Um muçulmano e nós falhamos infelizmente. Isso fez com que ele nos mandasse executar. Uma falha e ele faz isso. Eu consegui despistar os nossos perseguidores para lhe mandar essa mensagem. Ele acusa a seu pai e a mim de sabermos coisas demais e estarmos macomunados com esse homem chamado Osama. Na verdade, ele quer acalmar os nervos no Pentágono, pois a Casa Branca recebe ameaças diárias vindas por parte do grupo que este homem lidera. Não sabemos por quanto tempo iremos fugir. Seu pai criou este email, com um dispositivo que temos que "logar" nele todos os dias, caso contrário, o email do rascunho será enviado a você automaticamente. Sempre a amaremos. Perdoe a nossa ausência, só estávamos querendo proteger você, Marise"Clarice chorava tanto quanto chorara na noite que descobrira a morte de seus pais. Ela abraça George que estava em choque ao ler cada linha do email. O segundo anexo, era de Clarck. Planos de como homens invadiriam aviões nos Estados Unidos para por abaixo lugares com grande concentração de gente, entretanto, não haviam sido revelados os lugares exatos onde eles atacaríam. Só havia uma linha do pai, um pedido. "Não saia da Inglaterra! E não se meta nisso!"_Seus pais foram mortos por intolerância de um homem que não aceitava falhas. Por isso que eu odeio americanos! Sem ofensas — completa ele._Estamos juntos em opinião George. E eu vou ficar fora disso... Obedecerei o meu pai, por enquanto... Não irei sossegar enquanto o império doa Estados Unidos não cair!_O que vai fazer com essa informação?_Apague tudo! Tudo George, por favor. Só precisamos saber que daqui a dois anos vamos assistir de camarote a paga pela morte dos meus pais! — dizia ela mirando a data na tela do laptop.
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