A Cura
43 Prazer em conhecê-lo

— JIMIN! — Jungkook desceu as escadas correndo e o envolveu em um abraço apertado. — Meu Deus, Jimin... eu te achei. — Apertava-o com força contra o próprio corpo, sentindo os olhos arderem com as lágrimas, enquanto Jimin permanecia paralisado em seus braços, completamente sem reação.
— Eu... eu estava desesperado te procurando por toda parte — disse Jungkook entre lágrimas, sem fazer qualquer esforço para contê-las. Apenas chorava de alívio e felicidade por finalmente tê-lo encontrado. Afastou-se minimamente do abraço para poder olhá-lo, levando uma das mãos ao seu rosto e observando o quanto estava sujo e abatido. — O que aconteceu com você? Está bem? Está machucado?
Jimin se afastou, ainda atordoado, sem saber exatamente o que pensar ou sentir diante de tudo aquilo.
— Eu estou bem — respondeu Jimin, afastando a mão dele de seu rosto.
— Jimin, me perdoa. A culpa foi minha, eu nunca deveria ter deixado você.
— A culpa não foi de ninguém — disse Jimin friamente. — Sua única culpa foi ter mentido pra mim sobre quem você realmente era.
— Eu... eu... me perdoa. Não sei nem o que dizer. Eu fui um escroto e entendo que você me odeie por isso.
Jimin suspirou.
— Sabe o que eu mais odeio em tudo isso? O fato de não conseguir odiar você. O fato de ter pensado em você durante todo esse tempo, de ter sentido sua falta, saudade dos seus beijos, dos seus abraços que me faziam sentir tão protegido... Eu odeio continuar te amando tanto, mesmo depois de tudo.
— Chim... — murmurou Jungkook com a voz chorosa antes de agarrá-lo novamente em um abraço apertado.
— Ei, me solta! Eu não disse que podia me abraçar — reclamou Jimin, empurrando-o.
— D-desculpa. Eu achei que você tivesse me perdoado.
— Perdoei, mas não é tão fácil assim. Vou fazer você pagar caro por cada minuto que passei morrendo de vontade de ver você.
Jungkook tentou conter o sorriso de felicidade que insistia em surgir em seu rosto.
— E como pretende fazer isso?
— Hum... ainda não pensei em um castigo bom o bastante, mas você não perde por esperar.
— Estarei ansioso pelo meu castigo — Jungkook se aproximou novamente e o segurou pela cintura. — Senti tanto a sua falta.
— Também senti a sua. Eu estava com tanto medo. Obrigado por ter vindo me buscar — disse Jimin, encarando-o com os olhos novamente cheios de lágrimas.
— Eu não conseguiria descansar enquanto não encontrasse você. Agora estou aqui e vou te levar pra casa, meu amor. Você é tudo para mim.
— Você também é tudo para mim, Kookie... Porra, por que eu te amo tanto?
— Porque meu coração pertence a você e nós estamos ligados. É por isso que você me ama, porque eu também amo você mais do que tudo.
— Kookie... — Jimin chamou seu nome baixinho e ficou na ponta dos pés para alcançar seus lábios, dando-lhe um selinho longo e carinhoso.
— Chim, meu amor, você é o meu mundo — Jungkook o segurou com firmeza pela cintura e o puxou para um beijo afoito, deixando transbordar toda a saudade que havia acumulado durante o tempo em que ficaram separados.
Ficaram ali se beijando por alguns instantes, esquecidos de tudo o que existia ao redor e aproveitando aquele reencontro que ambos haviam desejado tanto. Só interromperam o beijo quando a falta de ar finalmente os obrigou a se afastar.
— Então... agora estamos bem, né? — perguntou Jungkook, ainda com a voz embargada.
— Não, Kookie. É o fim dessa relação.
Jungkook o encarou, sentindo um nó se formar na garganta.
— Chim, por favor... me dá mais uma chance. Não me deixa.
— Kookie, quando eu terminei com você, foi para valer. O que nós tínhamos acabou, mas... — Jimin se afastou do abraço, limpou a mão na própria roupa e então a estendeu para Jungkook em um cumprimento exageradamente formal.
— Chim? — Jungkook o encarou, completamente confuso.
— Olá, meu nome é Park Jimin. Sou filho do presidente da Coreia. É um prazer conhecê-lo.
Jungkook tentou conter as lágrimas enquanto começava a compreender o que Jimin estava fazendo. Então segurou sua mão, entrando naquela brincadeira.
— Me chamo Jeon Jungkook, o prazer é todo meu. Sou guarda-costas da família Park e fui treinado desde muito novo para protegê-los.
Jimin sorriu para ele.
— Interessante. Acho que vamos nos dar muito bem, senhor Jeon — disse Jimin, piscando para ele antes de lhe dar um tapinha na bunda.
— Jimin? — Jungkook sorriu, um pouco tímido diante da provocação.
— É sério, quero conhecer você melhor, gato. Hum... podemos dizer que estou interessado. Sabe como dizem, amor à primeira vista? — Jimin sorriu.
— Então quer dizer que você já me ama? Mas acabou de me conhecer — Jungkook riu.
— Talvez tenhamos sido amantes em outras vidas. Estamos conectados — Jimin mordeu o lábio e agarrou a blusa dele, puxando-o para mais perto.
— Seria muito estranho começarmos a namorar logo no primeiro dia em que nos conhecemos? — Jungkook perguntou, segurando sua cintura com firmeza.
— Se tivesse um padre aqui, eu casava com você agora mesmo — Jimin envolveu os braços ao redor de seu pescoço. — Kookie, me beija, por favor. Eu quero tanto você.
Jungkook sorriu, mordendo o próprio lábio, e então o puxou para um beijo. Explorou com paixão a boca de Jimin, enquanto suas línguas se encontravam em um beijo molhado e provocante, que aos poucos se tornava mais intenso e afoito. Estavam ligados um ao outro, como talvez sempre tivessem estado. Seus corações pareciam bater no mesmo ritmo, era como se não existisse qualquer distância entre os dois. Estavam tão envolvidos naquele beijo apaixonado que sequer perceberam a presença de outras pessoas se aproximando.
— Então é aqui que está meu doce prisioneiro — disse Dimitri, encarando os dois.
Jungkook deu um pulo para trás, assustado, colocando Jimin imediatamente atrás de si para protegê-lo. Pensou em sacar a arma, mas já era tarde demais. Vários homens cercavam os dois, todos armados e com as armas apontadas diretamente para eles.
— Tenha calma, jovem — disse Dimitri, observando Jungkook, que sustentava seu olhar com firmeza. — Qualquer movimento seu e mando meus homens atirarem. Não preciso de Jimin vivo de qualquer forma. Apenas me entregue ele e deixarei você ir embora.
Jungkook não respondeu. Aquilo obviamente estava fora de cogitação. Precisava pensar rápido, mas não faria nada que colocasse a vida de Jimin em risco. Manteria Jimin a salvo a qualquer custo, mesmo que, para isso, precisasse sacrificar a própria vida.
— Então essa é a sua resposta? — Dimitri perguntou, encarando-o friamente.
Jungkook permaneceu em silêncio.
— Ok, então... — Dimitri começou a subir as escadas para ir embora, enquanto seus homens permaneciam imóveis, com as armas apontadas para Jungkook e Jimin. Antes de desaparecer, deu a ordem sem sequer olhar para trás. — Podem atirar!
Tudo aconteceu rápido demais. Jimin empurrou Jungkook para o lado, fazendo-o cair no chão, e Jungkook imediatamente tentou se levantar, assustado. Jimin virou o rosto em sua direção e lhe deu um sorriso terno. Aquilo deve ter durado apenas alguns milésimos de segundo, mas, para Jungkook, pareceu uma eternidade. O tempo desacelerou diante de seus olhos, como se o mundo inteiro tivesse entrado em câmera lenta.
Viu o corpo de Jimin ser arremessado contra a parede pelo impacto das balas. Em momento algum Jimin desviou os olhos dele. Mesmo enquanto era atingido, continuava encarando-o, até que seu corpo cedeu e ele caiu de joelhos no chão, coberto de sangue, enquanto seus olhos se fechavam lentamente.
Jungkook foi tomado pela raiva, possuído por um ódio tão intenso que mal conseguia pensar. Seu mundo havia desabado por completo. Já não sentia o chão sob os pés, apenas uma mistura sufocante de fúria e desespero. A pessoa mais importante de sua vida, aquela que mais amava no mundo, estava caída no chão, ensanguentada, ainda voltada para ele, mas agora com os olhos vazios e sem vida.
Jungkook sacou a arma e atirou contra todos os homens ali presentes. Já não sentia medo, não pensava nas consequências, não se importava com mais nada. Só queria acabar com todos eles e ficar com seu Chim em paz. Depois de derrubar o último homem, Jungkook correu até Jimin e se ajoelhou diante de seu corpo, caído em meio a uma poça de sangue.
— Jimin... — Sua voz saiu fraca e trêmula. — Não me deixa, por favor. Eu não quero viver em um mundo sem você. Eu não vou conseguir.
Jungkook o abraçou desesperadamente, desejando com todas as forças que aquilo não passasse de um pesadelo e que, a qualquer momento, fosse acordar. Mas o sangue quente de Jimin escorrendo por suas mãos mostrava, da maneira mais cruel possível, que aquilo infelizmente era real.
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