A Cura
44 Finalmente juntos

Jungkook chorava amargamente pela morte de Jimin, incapaz de acreditar que aquilo fosse real. Sentia o sangue quente dele em suas mãos e era como se estivesse preso em um pesadelo terrível do qual, por mais que tentasse, não conseguia acordar.
— Chim... volta pra mim, por favor — pediu em meio às lágrimas de desespero, sentindo como se seu próprio coração tivesse morrido junto com Jimin.
Tocou seu rosto com as mãos sujas de sangue, manchando a pele clara de Jimin e deixando marcas vermelhas por onde seus dedos passavam.
— Por favor, não me deixe sozinho — Jungkook implorou entre soluços, já sem conseguir conter o choro.
Abraçou Jimin com força, como se estivesse segurando todo o seu mundo nos braços, e então sentiu algo que fez seu corpo inteiro estremecer: o coração de Jimin bateu fracamente contra ele.
— Chim? — Jungkook desfez o abraço e o encarou assustado, examinando-o enquanto Jimin permanecia de olhos fechados. Aproximou-se de seu rosto e sentiu uma respiração muito fraca contra sua pele. Ele ainda estava vivo.
— Meu Deus... CHIM? Chim, fala comigo! — Jungkook o colocou cuidadosamente no chão, desesperado. Jimin ainda respirava com dificuldade. Tocou seu pulso e sentiu as batidas fracas sob os dedos. Aquilo parecia um milagre. Jimin havia levado vários tiros no peito. Seria humanamente impossível que ainda estivesse vivo.
Jungkook abriu o pijama de Jimin, agora tingido de vermelho e cheio de buracos. Seu tórax estava coberto de sangue, então ele usou o próprio tecido do pijama para limpar cuidadosamente sua pele e conseguir examinar melhor os ferimentos causados pelas balas.
Seus olhos se arregalaram ao perceber que a pele de Jimin estava completamente lisa, sem ferimentos, sem sequer um único buraco de bala. Estava feliz demais por vê-lo vivo, mas completamente confuso com o que tinha acabado de descobrir. Naquele momento, porém, só queria seu Jimin de volta. Mesmo sem entender o que estava acontecendo, abraçou-o e chorou de alívio, mantendo-o protegido em seus braços e se agarrando à esperança de que Jimin acordaria bem. Ficou ali sentindo sua respiração fraca, acariciando-o enquanto cantarolava uma música baixinho em meio às lágrimas e, de vez em quando, implorava para que Jimin voltasse para ele.
— Kookie? — Jimin o chamou com a voz baixa e fraca.
Jungkook imediatamente o encarou, desesperado.
— CHIM? Meu Deus... Chim? Meu amor, você tá vivo! Você tá bem?
— Sim... O que aconteceu? Eu só lembro de ter te empurrado. Eles atiraram na gente?
Jungkook apenas o puxou para um abraço apertado.
— Eu fiquei com tanto medo de te perder — confessou Jungkook entre lágrimas.
— Kookie... — Jimin se afastou do abraço para poder encará-lo. — Eles atiraram em mim, não foi?
Jungkook o encarou em silêncio. Também estava confuso com o que havia acontecido, mas a felicidade de ver Jimin vivo e aparentemente bem era maior do que qualquer outra coisa naquele momento.
— Sim... eles... eles atiraram em você. Achei que tivesse morrido, mas os ferimentos das balas simplesmente cicatrizaram em questão de minutos — Jungkook olhou para o chão, tentando entender como aquilo era possível. Quando voltou a encarar Jimin, percebeu a expressão triste em seu rosto. — Jimin, amor, isso não importa. O importante é que você está bem agora.
— Desculpa, Kookie... mas isso importa, sim, e eu preciso ser sincero com você. Tem alguma coisa errada comigo — Jimin baixou o olhar, com um semblante triste. — Eu... eu sou um monstro.
— Não, Jimin. Você não é um monstro. Você é o Jimin, meu Jimin.
— Kookie... — Jimin o interrompeu. — Sabe por que meu câncer foi curado?
— Por causa do tratamento que você fez com aquele desgraçado daquele médico russo.
— Sim... mas não era um tratamento comum. Dimitri colocou alguma coisa dentro de mim, algo que mudou completamente a minha genética. Ele injetou uma espécie de vírus no meu sangue e foi isso que matou as células cancerígenas, porém... — Jimin suspirou, abatido.
— Porém? — Jungkook o encarou, curioso e assustado, sem saber ao certo o que pensar sobre tudo aquilo.
— Eu me transformei nisso... em um monstro, como essas pessoas que estão aqui.
— Não, você não é como eles. Você é o Jimin e sempre vai ser. Não diga uma coisa dessas.
— Eu não sou mais o mesmo Jimin que você conheceu. Dimitri me mudou.
— Mas... o que exatamente ele fez com você, amor? Porque está claro que você não é igual a essas criaturas daqui — Jungkook perguntou, encarando-o com uma expressão preocupada.
— Eu não sei ao certo, mas uma das coisas que mudaram em mim é que consigo me regenerar muito rápido. Descobri isso quando era adolescente e não contei nem pra você nem pro meu pai porque fiquei com medo de vocês sentirem nojo de mim ou passarem a me odiar. Eu não queria virar um experimento, alguma coisa para ser estudada... eu não queria isso — Jimin baixou a cabeça, evitando o olhar de Jungkook.
— Jimin, eu jamais sentiria nojo de você ou conseguiria te odiar. Eu te amo acima de tudo e nunca iria te abandonar. Sei que é algo difícil e confuso, mas você não precisava ter lidado com tudo isso sozinho. Nós te amamos muito, Chim, e nada neste mundo vai mudar o amor que sentimos por você — Jungkook tocou seu rosto e acariciou sua pele com ternura.
— Eu tô com medo, Kookie. Medo de virar um deles, de esquecer quem eu sou, de esquecer meu pai... de esquecer você — Jimin cobriu os olhos com as mãos e começou a chorar. — Tenho medo de não ser mais humano. Não quero ficar assim.
— Você não vai. Eu não vou deixar e jamais vou te abandonar. Eu te amo e isso nunca vai mudar, meu amor — Jungkook o encarou com ternura e então selou seus lábios em um beijo calmo e carinhoso. Jimin correspondeu, agarrando-se a ele como se aquele abraço fosse a única coisa capaz de afastar seus medos naquele momento.
Ficaram ali por algum tempo, trocando beijos e abraços. Jungkook o encarava com tanto amor nos olhos que Jimin sentia vontade de chorar novamente. Emocionava-se ao perceber que, mesmo depois de descobrir o que havia acontecido com ele, Jungkook continuava amando-o exatamente da mesma forma.
— Vou te levar pra casa, meu amor — disse Jungkook, afastando delicadamente as mechas de cabelo que caíam sobre o rosto de Jimin.
— Quero tanto ir pra casa — disse Jimin, ainda choroso. — Quero ver meu pai e quero ficar com você.
— E nós vamos, Chim. Vou cuidar de você, vou ficar grudado em você e te proteger. Ninguém mais vai te fazer mal, eu não vou deixar.
— Maldita hora em que troquei de guarda-costas — Jimin sorriu fracamente, tentando brincar apesar da tristeza que ainda carregava no olhar. — Não vou mais deixar você.
— Nem se você quisesse. Se me mandar embora de novo, vou me algemar em você. Quero ver conseguir me tirar — Jungkook riu e tocou de leve a ponta de seu nariz, fazendo Jimin formar uma expressão adoravelmente contrariada.
— Então vou ter que mandar você embora só pra testar essa parte das algemas — Jimin riu.
— Safadinho!
Jungkook permaneceu com Jimin em seus braços, esperando que ele se recuperasse por completo. Por mais que Jimin tivesse um incrível poder de cura, seu corpo ainda precisava de algum tempo para se recuperar totalmente.
Com bastante dificuldade, Jimin conseguiu ficar de pé, apoiando-se em Jungkook e abraçando sua cintura. Embora Jungkook insistisse em carregá-lo no colo, Jimin recusou, pois precisava deixá-lo livre para lutar caso alguma horda de zumbis aparecesse pelo caminho.
Lentamente e sempre atentos ao que havia ao redor, os dois seguiram em frente. Jungkook queria chegar aos esgotos para resgatar Taehyung e, enfim, saírem daquele lugar. Entregou mais munição a Jimin para que ele pudesse se defender caso estivesse ocupado enfrentando algum zumbi.
A maioria das portas estava trancada. Jin, ainda comemorando por finalmente terem encontrado Jimin, começou a orientar Jungkook pelo fone, indicando o caminho que deveriam seguir para chegar aos esgotos e à sala onde Taehyung estava. Informou também que ele permanecia parado naquele mesmo lugar havia algum tempo e que não estava conseguindo se comunicar com ele, talvez por alguma falha no sinal.
Jungkook e Jimin seguiram pelo caminho indicado até que, por fim, chegaram a uma sala. Os dois olharam ao redor. O local estava bem iluminado pelas fortes luzes brancas do teto. Havia diversos computadores e refrigeradores com portas de vidro, repletos de pequenos frascos em seu interior. Também havia várias cápsulas contendo fetos humanos e partes de corpos submersos em uma espécie de líquido esverdeado.
Jungkook examinou alguns documentos espalhados sobre as mesas, que continham fichas de pacientes e diversas anotações. Imaginando que aquelas informações poderiam ser úteis, decidiu recolhê-los e guardá-los em sua mochila. Quando voltou a olhar ao redor, percebeu que Jimin não estava mais ao seu lado.
— Jimin? Chim? Cadê você?
Jungkook caminhou pela sala à sua procura até encontrar uma porta branca aberta. Entrou e viu Jimin parado diante de uma enorme cápsula de vidro, encarando-a com os olhos cheios de lágrimas. Havia um garoto lá dentro, aparentemente adormecido e completamente submerso naquele líquido esverdeado. Jungkook não conseguia entender por que Jimin chorava ao vê-lo.
— Jimin?
Jimin enxugou as lágrimas que escorriam por seu rosto. Ver Nikolai ali fazia seu coração se partir. Olhou para a máquina ao lado da cápsula e percebeu que ela ainda registrava seus batimentos cardíacos, fazendo-o chorar ainda mais amargamente.
— Preciso acabar com o sofrimento dele — disse Jimin.
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