A Cura
46 Decisões
Notas iniciais

Taehyung e Yoongi corriam o mais rápido que podiam pelos corredores, tentando alcançar Dimitri. Jin os ajudava como podia, indicando pelo comunicador quais caminhos estavam livres para que pudessem avançar.
Viram Dimitri atravessar uma enorme porta de aço e correram para alcançá-lo, mas ela se fechou antes que conseguissem passar.
— DESGRAÇADO! — Taehyung chutou a porta com ódio. Não conseguia entender como Dimitri conseguia ser tão escorregadio.
— Calma, amor. Vamos encontrar outro jeito de entrar — Yoongi colocou a mão em seu ombro, tentando acalmá-lo.
— Desculpa, Yoonie. Esse filho da puta já tá me tirando do sério.
Yoongi se aproximou da porta e examinou atentamente a fechadura.
— É uma porta eletrônica. Talvez esteja conectada à rede. Será que seu amigo não consegue hackear o sistema e abrir pra gente?
— Verdade! — Taehyung se animou e tocou no comunicador em seu ouvido para falar com Jin.
— Jin, na escuta?
— Sempre — respondeu Jin. — Olá, Tae. Do que precisa?
— Primeiro, nós conseguimos resgatar o Jimin. Ele está bem, e Jungkook vai levá-lo para o abrigo no shopping.
Jin abriu um enorme sorriso. Embora já soubesse da notícia, ainda sentia vontade de comemorar a cada cinco minutos.
— Estamos muito felizes por terem encontrado o Jimin... mas por que você está descendo? Não deveria estar indo para o shopping?
— Vou pegar o Dimitri. Ele tá fugindo com amostras do vírus e não vou deixar que saia daqui com elas.
— Tae, vá embora daí. Depois nós pegamos esse homem. Você já cumpriu sua missão, que era resgatar Jimin. Pegue Jungkook e Jimin e traga os dois pra cá.
— Não posso. Preciso deter Dimitri e preciso da sua ajuda. Se ele conseguir sair daqui com essas amostras, pode ser o fim do mundo.
— Deuses, Tae, isso é perigoso. Sabe-se lá o que esse homem pretende fazer. Ele é um louco. Por favor, vá embora daí.
— Jin, eu já disse que não posso. Se você não me ajudar, só vai tornar as coisas mais difíceis pra mim.
Jin suspirou do outro lado da linha.
— Está bem. Do que você precisa?
— Preciso que abra uma porta para mim.
— Uma porta?
— Sim. Acha que consegue hackear o sistema e abrir?
— Posso tentar — Jin começou a mexer em seus computadores, acompanhando em tempo real a planta do prédio enquanto acessava o sistema de segurança. Depois de quase dez minutos tentando burlar o bloqueio, finalmente conseguiu abrir a porta.
— Você é o melhor, Jin! — Taehyung nem esperou que ele respondesse e encerrou a ligação.
Os dois atravessaram a porta e chegaram a outro corredor. Continuaram avançando com cautela, atentos a qualquer movimento e espiando cada sala pelo caminho para se certificarem de que Dimitri não estava escondido em alguma delas.
Chegaram a um grande salão, onde havia alguns contêineres espalhados. Nenhum dos dois fazia ideia do que aquilo significava ou para que serviam, mas não tinham tempo para pensar nisso. Dimitri estava logo à frente, tentando desesperadamente abrir uma porta para escapar.
— Fica paradinho aí! — ordenou Taehyung, apontando a arma para ele.
Dimitri fingiu não ouvir e continuou tentando abrir a porta. Taehyung disparou como aviso, acertando a parede bem ao lado dele. Com o susto, Dimitri deixou a maleta que segurava cair no chão, fazendo-a se abrir com o impacto. Um dos frascos guardados em seu interior rolou para fora, e Yoongi o observou atentamente, percebendo que se tratava de uma das amostras do vírus.
Dimitri estava encurralado, com uma arma apontada diretamente para ele.
— Acabou pra você, doutor! — disse Taehyung, mantendo a arma firmemente apontada em sua direção.
Dimitri ergueu as mãos em sinal de rendição e encarou Taehyung. Por alguns segundos, desviou o olhar para Yoongi, o que deixou Taehyung desconfiado.
Aproveitando os poucos segundos de distração de Taehyung, Dimitri se lançou para o lado e apertou um botão em uma das máquinas. Em uma fração de segundo, um dos contêineres suspensos no alto se desprendeu e despencou na direção de Yoongi. Taehyung não teve tempo sequer de pensar. Apenas agiu por instinto, correndo até ele e empurrando-o.
Yoongi sentiu seu corpo ser arremessado para longe, batendo violentamente as costas contra outro contêiner. Uma pontada terrível atravessou o local do impacto, fazendo-o tossir e respirar com muito esforço.
— Taehy? — Yoongi se levantou com dificuldade e olhou ao redor, vendo uma nuvem de poeira tomar conta de todo o salão.
Com a poeira dificultando sua visão, Yoongi conseguiu distinguir a silhueta de Dimitri escapando pela porta que tanto tentava abrir. Não iria atrás dele sem antes descobrir se seu amado estava bem.
— Tae? — Yoongi caminhou pelo salão à sua procura, afastando pedaços de máquinas quebradas e madeira espalhados pelo chão. — Taehy? Amor? — chamou novamente, começando a se desesperar.
Até que avistou os cabelos de Taehyung sob um grande pedaço de metal. Correu até ele e, reunindo forças, retirou a peça de cima de seu corpo antes de examiná-lo. Taehyung estava vivo, mas sua respiração era muito fraca.
— Tae, amor, fala comigo, por favor — pediu Yoongi, limpando a poeira do rosto de Taehyung enquanto tentava mantê-lo consciente.
— Yoonie? — chamou Taehyung fracamente.
— Taehy, calma. Está tudo bem. Eu vou tirar você daqui.
— Yoonie... — Taehyung lutava para permanecer consciente. — Presta atenção em mim. Você precisa ir atrás dele...
— Não! — Yoongi o interrompeu. — Não vou deixar você aqui... Vou tirar você daqui e nós vamos juntos.
Taehyung suspirou, sentindo a consciência escapar aos poucos. A dor que atravessava seu corpo era tão forte e intensa que mal conseguia suportá-la, e seu organismo parecia reagir tentando fazê-lo apagar apenas para poupá-lo daquele sofrimento.
— Yoonie... eu não posso sair daqui...
— Como assim? Por que não? — A voz de Yoongi tremia.
— M-meu... meu braço...
Assim que terminou de falar, Taehyung perdeu a consciência.
— Não, não, não! Taehy? Amor? Acorda! — Yoongi deu alguns tapinhas em seu rosto, tentando desesperadamente fazê-lo despertar, mas Taehyung não reagiu. Então, com o coração disparado, Yoongi foi examinar seu braço.
Retirou alguns pedaços de madeira de cima dele e se deparou com uma cena aterrorizante. Cambaleou para trás, horrorizado com o que viu. O braço de Taehyung estava despedaçado, e parte de seu antebraço havia sido completamente arrancada sob o peso do contêiner. Yoongi paralisou por alguns segundos, tomado pelo desespero ao ver seu amado diante dele, com o braço amputado e perdendo muito sangue. Mais do que nunca, precisava manter a cabeça fria e agir rápido. Taehyung não resistiria por muito tempo daquele jeito.
Olhou ao redor até seus olhos encontrarem o frasco com o vírus que Dimitri havia deixado cair. Dominado pelo medo de perder Taehyung, Yoongi pegou o frasco e correu até um armário do outro lado da sala, onde encontrou uma seringa. Voltou para perto de Taehyung e se ajoelhou ao seu lado.
— Me desculpa, Taehy — disse em meio às lágrimas.
Com as mãos trêmulas, colocou na seringa o líquido que continha o vírus e então o injetou no que restava do braço amputado de Taehyung.
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