A Cura
28 A Cura

Jimin abriu os olhos lentamente, sentindo a cabeça pesada, como se estivesse submerso em água. Sua visão estava turva, desfocada, e as luzes brancas acima dele pareciam agressivas para seus olhos.
Piscou algumas vezes, tentando entender onde estava.
O cheiro forte de álcool e produtos químicos invadia suas narinas. Aos poucos, as formas ao redor começaram a fazer sentido: armários metálicos, aparelhos médicos, bandejas cirúrgicas e monitores piscando. Parecia um laboratório ou um consultório.
Tentou mover os braços instintivamente e percebeu que estavam presos. O pânico veio na mesma hora. As pulseiras de contenção apertavam seus pulsos contra a maca. Seus tornozelos também estavam imobilizados. Jimin puxou o corpo para frente, tentando se soltar, mas aquilo só fez as tiras prenderem ainda mais sua pele.
— N-não… — murmurou, começando a entrar em desespero. — Me solta…!
Tentou se mexer outra vez, sentindo o coração disparar violentamente no peito. Foi então que a porta do cômodo se abriu. O som dos passos ecoou pelo ambiente silencioso. Jimin virou o rosto rapidamente e congelou ao reconhecer o homem que entrou.
— D-Doutor Ivanov…?
Mesmo grogue, reconheceria Dimitri em qualquer lugar.
O cientista caminhou calmamente até ele com uma prancheta nas mãos, como se aquela situação fosse absolutamente normal. Seus olhos frios analisavam Jimin com curiosidade clínica, quase como se observasse um experimento raro.
— Oh… Jimin — Dimitri disse com tranquilidade. — Vejo que finalmente acordou.
Ele parou ao lado da maca e começou a anotar algo na prancheta. Jimin sentiu um arrepio subir pela espinha.
— O que… o que tá acontecendo? — perguntou com a voz saindo fraca. — Por que eu tô preso aqui?
Tentou erguer a cabeça, mas uma tontura forte o atingiu imediatamente. O corpo parecia pesado, e um sono estranho puxava sua consciência para baixo novamente.
Dimitri apenas sorriu de leve e se aproximou ainda mais da maca, observando Jimin de cima para baixo com um olhar frio, carregado de desprezo e curiosidade ao mesmo tempo.
— Você sabe que é diferente… não sabe, Jimin?
A pergunta atravessou a névoa da droga quase como um choque elétrico. Jimin arregalou levemente os olhos. O medo veio instantâneo. Porque, pela forma como Dimitri o encarava, parecia que ele sabia.
— D-diferente? — Jimin tentou disfarçar, mas a voz falhou. — Do que você tá falando?
Dimitri inclinou levemente a cabeça, impaciente.
— Não se faça de desentendido. Me responda.
— EU NÃO SEI! — Jimin explodiu, assustado e alterado ao mesmo tempo. — Que inferno! O que você quer comigo?! Me solta!
As contenções rangeram quando ele tentou se debater novamente. Dimitri suspirou lentamente, como um professor decepcionado com um aluno particularmente irritante. Então ajeitou os óculos com calma.
— Baixe o tom de voz, Jimin. — sua voz saiu firme, autoritária e irritantemente tranquila. — Você me deve respeito e honra. Afinal… eu sou o homem que te deu uma segunda vida.
Jimin sentiu o estômago gelar.
— Se não fosse por mim, você estaria morto — Dimitri continuou. — Não apenas salvei sua vida, eu a aperfeiçoei.
Os olhos de Jimin tremularam.
— O que…?
— Eu lhe dei habilidades extras.
O silêncio pesou por um segundo. Então Jimin voltou a lutar contra as amarras.
— Você é louco… — sussurrou, respirando rápido. — Eu não sei do que tá falando!
— Sabe sim. — Dimitri o encarou diretamente nos olhos. — Mas, já que insiste em negar, vou precisar te mostrar na prática.
E então ele se virou. O som metálico fez o coração de Jimin disparar imediatamente. Dimitri pegou um bisturi. A lâmina brilhava sob a luz branca do laboratório.
— N-não… — Jimin começou a entrar em pânico. — O que você vai fazer?
Dimitri caminhou calmamente de volta até ele.
— ME SOLTA! SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA! — Jimin gritou desesperado, puxando as amarras com toda força, o corpo inteiro se contorcendo sobre a maca.
Mas ninguém veio.
— Segurem ele — Dimitri ordenou friamente.
Um dos enfermeiros imediatamente se aproximou e segurou o rosto de Jimin, tampando sua boca com força para silenciá-lo.
O pânico explodiu dentro dele. Os olhos marejaram na mesma hora enquanto ele tentava respirar, tentando empurrar o homem, tentando fugir, tentando escapar de qualquer jeito. Mas estava preso e indefeso. E Dimitri continuava se aproximando lentamente com o bisturi nas mãos.Segurou o instrumento entre os dedos com uma calma assustadora e aproximou a lâmina do braço de Jimin.
Jimin começou a se debater imediatamente, desesperado, os olhos inundados de lágrimas enquanto tentava inutilmente se soltar. Seus gritos morriam abafados sob a mão do enfermeiro pressionada contra sua boca.
Então a lâmina perfurou sua pele. Jimin arqueou o corpo na mesma hora. A dor foi brutal. O bisturi afundou profundamente em seu braço, rasgando músculo e tecido como fogo atravessando carne viva. O som molhado do corte fez o estômago dele revirar. Tentou gritar, tentou puxar o braço, tentou escapar de qualquer forma, mas estava completamente indefeso.
As lágrimas escorriam violentamente por seu rosto enquanto o sangue começava a manchar o lençol branco da maca, pingando lentamente no chão claro do laboratório.
Dimitri apenas observava, com um olhar frio e fascinado. Como um cientista admirando uma experiência bem-sucedida. Depois de alguns segundos, ele retirou o bisturi lentamente do braço de Jimin e deu alguns passos para trás.
Jimin continuava chorando, respirando de forma descompassada, o corpo inteiro tremendo pela dor absurda que queimava seu braço.
Mas então, a ardência começou a diminuir. A dor foi cedendo aos poucos, como uma onda recuando.
Jimin arregalou os olhos quando sentiu a pele se mover estranhamente. O corte profundo começava a fechar diante dele. Os músculos se reconstruíam, a carne se regenerava rapidamente, até que restou apenas pele intacta. Como se nunca tivesse sido ferido.
Dimitri sorriu. Um sorriso genuinamente encantado.
— Se esse Deus que criou os humanos realmente existe… — murmurou, observando o braço perfeito de Jimin — então eu sou melhor do que ele.
Passou os dedos sobre a pele já cicatrizada.
— Porque eu criei algo superior à obra original.
Os olhos dele brilharam de obsessão.
— Eu criei o humano perfeito.
O enfermeiro finalmente soltou a boca de Jimin, que puxou o ar imediatamente, desesperado, ainda chorando e tremendo.
— O que… o que você quer comigo? — perguntou com a voz quebrada, olhando para Dimitri como se estivesse diante de um monstro.
Dimitri o encarou em silêncio por alguns segundos.
— O que eu quero? Eu quero a cura.
Jimin sentiu um arrepio atravessar seu corpo.
— E você é a cura para o meu filho.
O coração de Jimin apertou imediatamente.
— O que você fez com ele? — perguntou, sentindo a voz falhar. — Onde ele está? Cadê o Niko?
Por um breve instante, algo parecido com satisfação cruzou o rosto de Dimitri.
— Ele está... descansando. Mas não se preocupe. Em breve ele estará comigo novamente.
Jimin sentiu o estômago revirar.
— O que isso significa?
Dimitri fechou a prancheta e cruzou os braços.
— Significa que estou muito perto de trazer meu filho de volta.
— O Niko... — Jimin tentou continuar, mas a garganta travou. As lágrimas voltaram a arder em seus olhos. — Ele... ele...
As palavras simplesmente não saíam. Dimitri observou a reação dele por alguns segundos.
— Sim. Ele morreu.
A frase foi dita sem emoção alguma. Jimin sentiu o mundo vacilar. Mesmo sabendo da verdade, ouvir aquilo em voz alta era diferente.
— Mas tecnicamente, ele ainda está vivo. — Dimitri completou.
Jimin ergueu a cabeça imediatamente.
— Vivo? — A esperança surgiu antes que pudesse impedir. — Como assim vivo?
Dimitri sorriu. E aquilo só tornou tudo mais assustador.
— Tecnicamente, algumas funções continuam existindo. O corpo ainda responde. O cérebro ainda preserva fragmentos. Há mais vida ali do que a medicina tradicional é capaz de compreender.
Jimin o encarava sem entender.
— Você sente falta dele, não sente? — perguntou Dimitri.
Jimin não respondeu, a dor em seus olhos já era resposta suficiente.
— Sei que sim. — Dimitri caminhou até a porta. — Vou trazê-lo para você.
O sangue de Jimin gelou.
— O quê?
— Assim poderá vê-lo pessoalmente. Poderá observar o que o mesmo tratamento que transformou você fez com ele. — A mão de Dimitri pousou na maçaneta. — Talvez isso o convença a colaborar.
— Não! Espera! — Jimin tentou se levantar, puxando as amarras com toda força. — O que você fez com ele? Dimitri!
Mas o cientista já estava saindo. A porta se fechou atrás dele com um clique seco. Jimin começou a se debater imediatamente, puxando os pulsos até sentir as contenções machucarem sua pele.
— SOCORRO! — gritou. — ALGUÉM! ME TIRA DAQUI!
Ninguém respondeu. Tentou novamente, e de novo, e de novo. Mas tudo o que recebia em troca era o eco da própria voz.
Sozinho naquela sala branca e fria, Jimin sentiu o medo crescer dentro de si como uma tempestade. Pensou que talvez morrer não fosse o pior destino que Dimitri tinha reservado para ele.
…
Alguns minutos depois, a porta do laboratório voltou a se abrir. Jimin ergueu a cabeça imediatamente, ainda ofegante de tanto tentar se libertar.
Dimitri entrou primeiro. Atrás dele vinha uma criança, ou algo que um dia havia sido uma.
A figura caminhava de forma instável, cambaleando levemente. As mãos estavam algemadas à frente do corpo e um saco escuro cobria completamente sua cabeça. Pelo modo como se movia, parecia estar fortemente sedada.
O coração de Jimin começou a bater mais rápido. Uma sensação horrível tomou conta dele. Como se já soubesse o que estava prestes a ver.
— Ainda se lembra do Niko? — perguntou Dimitri.
Havia algo estranho em sua voz, raiva, mágoa, obsessão, ou tudo misturado. Jimin não respondeu. Apenas observou, sentindo o estômago se contrair. Dimitri parou ao lado da criança e, sem cerimônia alguma, puxou o saco que cobria sua cabeça.
O mundo de Jimin pareceu congelar.
— N-Niko?
O nome saiu em um sussurro quebrado. Nikolai deveria ter vinte anos e ser um adulto agora, mas a figura parada diante dele continuava presa aos treze anos. O mesmo tamanho, os mesmos traços juvenis, o mesmo rosto infantil que Jimin lembrava das brincadeiras, das risadas e das tardes compartilhadas. Mas havia algo profundamente errado.
A pele apresentava áreas escurecidas e deterioradas, como carne que havia começado a apodrecer. Partes do rosto pareciam afundadas de forma irregular. Seus cabelos estavam ralos, com falhas espalhadas pelo couro cabeludo. E os olhos… Jimin desejou nunca ter olhado para aqueles olhos.
A íris havia praticamente desaparecido sob um tom esbranquiçado e sem vida. O globo ocular apresentava uma coloração amarelada e doentia. Não havia reconhecimento e nem emoção. Não havia Nikolai ali. Apenas um olhar vazio perdido em algum lugar que ninguém mais conseguia alcançar.
O menino permanecia imóvel, balançando levemente o corpo para frente e para trás. Só não avançava contra ninguém porque estava sedado e algemado. Aquilo não era vida, era uma prisão, uma crueldade.
Jimin sentiu as lágrimas brotarem imediatamente. Fechou os olhos com força. Não conseguia olhar. Em sua mente ainda existia o Nikolai que sorria, que corria, que reclamava quando perdia nos jogos, que ria até faltar ar. Não aquela criatura.
Uma onda de emoções o atingiu de uma vez só, um ódio tão intenso que chegou a fazê-lo tremer.
— Você... — sua voz saiu falha. — O que você fez com ele? — As lágrimas escorriam livremente agora. — O que você fez com o Niko?
A pior coisa não era ver Nikolai morto, era vê-lo preso entre a vida e a morte. Incapaz de partir ou de voltar.
— O que foi, Jimin? — Dimitri perguntou, observando cada reação dele com atenção. — Não consegue olhar para ele? Olha bem. Olha o que ele se tornou... e depois olhe para você.
Jimin respirava com dificuldade. Seu peito subia e descia rápido demais, e as lágrimas continuavam escorrendo sem controle.
— Eu não tenho culpa de você ser um monstro.
A resposta saiu baixa, mas carregada de desprezo. Dimitri sorriu.
— Monstro? Eu? Não... — ajeitou os óculos calmamente. — Eu sou um Deus.
— UM DEUS? — Jimin explodiu. As contenções rangeram quando ele tentou se libertar. — OLHA O QUE VOCÊ FEZ COM O SEU FILHO, SEU DESGRAÇADO!
Sua voz ecoou pelo laboratório.
— Olha pra ele! Você transformou ele nisso! — Dimitri permaneceu imóvel. — Você não entende nada, Jimin.
— Então me explica! Porque eu só estou vendo um homem torturando o próprio filho!
O cientista lançou um olhar rápido para Nikolai.
— Estou tentando salvá-lo.
Jimin soltou uma risada amarga entre lágrimas.
— Salvar? — Sua voz quebrou. Ele voltou a olhar para o menino, ou para o que restava dele. — Isso não é salvar ninguém… o Niko... o Niko não ia querer isso. Ele era gentil e bondoso. Ele tinha medo de machucar os outros. Você acha mesmo que ele gostaria de continuar desse jeito?
Nikolai permaneceu imóvel, balançando levemente o corpo, sem demonstrar qualquer sinal de compreensão. Aquilo partiu o coração de Jimin mais uma vez.
— Por favor... — sua voz diminuiu para um sussurro. — Por favor, deixe ele descansar.
Dimitri endureceu o olhar.
— Nem eu nem ele descansaremos enquanto eu não o trouxer de volta. Eu o amo e quero ele comigo.
— Não! — Jimin balançou a cabeça. — Isso não é amor! Amor é pensar no que a outra pessoa precisa, não no que você quer. Isso que você sente não é amor, Dimitri… é obsessão e egoísmo.
Jimin reuniu as poucas forças que ainda tinha e ergueu o rosto para encará-lo.
— Se você realmente ama o Niko… — Sua voz falhou. — Então deixe ele partir.
A expressão de Dimitri mudou imediatamente, a calma desapareceu, seu rosto ficou vermelho, as mãos se fecharam em punhos e os olhos brilharam de raiva.
— Cale a boca.
— Você sabe que eu estou certo.
— CALE A BOCA!
Num movimento brusco, Dimitri arrancou uma seringa da bandeja ao lado da maca e cravou a agulha no braço de Jimin. A substância entrou rapidamente em sua corrente sanguínea.
— Você não passa de um verme ingrato.
Jimin tentou responder, tentou continuar lutando, mas sua visão já começava a escurecer. As luzes do laboratório ficaram borradas, as vozes pareciam vir de muito longe. A última coisa que viu foi Nikolai parado no canto da sala, perdido em seu próprio vazio. Então tudo ficou escuro.
…
Namjoon permanecia sentado atrás de sua mesa, encarando os inúmeros relatórios espalhados à sua frente sem realmente enxergá-los. O aperto que sentia no peito era sufocante. Em um acesso de raiva, a caneta que segurava estalou entre seus dedos, espalhando tinta pelo documento presidencial que tentava ler.
Jimin havia sido levado e ele sabia onde provavelmente estava, e isso só tornava tudo pior.
Os sequestradores ainda não haviam feito contato. Nenhum pedido de resgate. Nenhuma exigência. Nenhuma ameaça. Nada. O silêncio era mais aterrorizante do que qualquer ligação.
Como presidente, precisava continuar sorrindo para as câmeras, participar de reuniões, assinar documentos e fingir que o mundo continuava funcionando normalmente. Mas por dentro estava desmoronando.
Invadir a Rússia com forças militares era impensável. Uma decisão impulsiva poderia desencadear uma crise diplomática ou até mesmo uma guerra. Precisava agir de forma cirúrgica e discreta. Precisava apenas de dois homens. Dois dos melhores homens que possuía.
Namjoon passou a mão pelo rosto cansado e apertou o botão de comunicação.
— Jin, mande-os entrar.
— Sim, senhor presidente.
Poucos segundos depois, a porta se abriu. Jin entrou primeiro, dando passagem para os dois agentes. Jungkook foi o primeiro a cruzar a porta, seu rosto estava abatido e os olhos vermelhos denunciavam noites sem dormir. Havia sido extremamente difícil impedi-lo de embarcar sozinho para a Rússia assim que Jimin desapareceu. Durante dias, ele insistiu em organizar buscas paralelas, rastrear contatos e até atravessar fronteiras sem autorização.
O segundo homem entrou logo atrás. Ele era alto e tinha uma postura impecável. Cabelos castanhos bem alinhados e feições marcantes. Parou ao lado de Jungkook como uma estátua militar.
Os dois vestiam roupas táticas escuras, coletes leves, coldres e equipamentos para uma missão de infiltração. Facas, carregadores extras e dispositivos de comunicação ocupavam cada espaço disponível de seus uniformes. Pareciam prontos para entrar numa guerra.
Namjoon levantou-se lentamente e caminhou até eles.
— Jungkook... imagino que esteja se perguntando quem é o seu parceiro.
Jungkook lançou um olhar rápido para o homem ao lado, seu maxilar travou imediatamente. Não gostou nem um pouco. Queria ir sozinho. Não queria ninguém diminuindo suas chances de chegar até Jimin.
— Este é Kim Taehyung — continuou Namjoon. — Capitão das forças especiais e o melhor atirador que este país possui.
Taehyung fez apenas um leve aceno de cabeça.
— Prazer.
— Ele vai acompanhá-lo na missão de resgate.
Jungkook soltou um suspiro irritado.
— Eu consigo fazer isso sozinho.
— Não, não consegue.
— Consigo sim. Eu conheço o Jimin melhor do que qualquer pessoa. Sei como ele pensa, sei como ele reage. Esse cara só vai me atrasar.
Taehyung cruzou os braços.
— Engraçado.
Jungkook o encarou.
— O quê?
— Você fala como alguém racional, mas está agindo como um namorado desesperado, acho que isso sim é perigoso para missão. Precisa agir com frieza e autocontrole, coisa que aparentemente você não está tendo.
Jungkook imediatamente deu um passo à frente.
— Quer repetir?
— Quantas vezes precisar.
Namjoon fechou os olhos por um instante.
— CHEGA!
Os dois ficaram em silêncio.
— Jungkook, você vai com ele.
— Mas...
— SEM "MAS"!
A voz de Namjoon ecoou pelo escritório. Por um instante, não era só um pai falando, era o presidente. O homem que governava um país inteiro.
— Esta é uma ordem presidencial.
Jungkook abaixou a cabeça.
— Sim, senhor.
Namjoon respirou fundo. Quando voltou a falar, sua voz estava diferente, mais baixa e suave.
— E também é o pedido desesperado de um pai. Tragam meu filho para casa.
Jungkook viu o desespero nos olhos de Namjoon. Aquilo o atingiu como um soco, porque era exatamente o mesmo desespero que ele sentia.
— Vou encontrá-lo — disse com firmeza. — Nem que eu precise atravessar aquele país inteiro.
Namjoon assentiu.
— Eu sei que vai. Eu acredito em você, Jungkook. Tenho você como um filho, quero que volte em segurança com Jimin. Por isso escolhi alguém perfeito para ajudá-lo nessa missão, confie em Taehyung. — Namjoon soltou lentamente o ar que parecia estar prendendo havia dias. — O avião particular de vocês decola em trinta minutos. — Caminhou até a janela do escritório e observou as luzes da cidade. — Boa sorte, rapazes.
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