A Coroa e o Coração
25 A Confissão ao Amanhecer
O sol da manhã rompeu a neblina, lançando raios dourados e frios através da imensa janela do quarto real. Robert Brooke despertou lentamente. A sensação de peso em seu peito diminuíra, substituída por uma fraqueza extrema, mas sua mente estava lúcida. O cheiro de linho limpo e o leve aroma das cerejas do mato o envolveram.
Ele moveu a cabeça no travesseiro e a procurou. Analis não estava ao seu lado na cama.
Robert tateou os lençóis amassados, o pânico momentâneo gelando seu sangue até que ele a avistou. Ela estava de pé junto à janela, de costas para ele. Vestia uma camisola de seda branca que flutuava ao redor de seu corpo, emoldurando a curva proeminente de seu ventre. Seus cabelos loiros caíam em cascata pelas costas, brilhando contra a luz.
Mas o que partiu o coração do rei não foi a imagem dela, mas o som que emanava dela. Analis estava chorando. Não eram lágrimas silenciosas de orgulho ferido; eram soluços baixos e convulsivos que faziam seus ombros tremerem violentamente. Ela segurava o parapeito de pedra com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos.
— Analis... — sussurrou Robert, a voz rouca e fraca, quebrando o silêncio do quarto.
Ela sobressaltou-se. Rapidamente, levou as mãos ao rosto, tentando limpar as lágrimas, e respirou fundo antes de se virar. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, e seu rosto pálido carregava uma expressão de exaustão e uma dor que ele não conseguia decifrar.
— Majestade — disse ela, a voz embargada, forçando uma reverência formal que parecia ridícula dada a intimidade da noite que haviam passado. — Como se sente?
— Eu... eu me sinto mais leve — respondeu ele, tentando se sentar na cama, mas falhando miseravelmente. Ele estendeu a mão na direção dela. — Por que você está chorando? O que aconteceu? A curandeira... ela enviou más notícias sobre a criança?
Analis caminhou lentamente até a cama. Ela não parecia a rainha altiva que o enfrentara nos corredores, nem a prisioneira que o odiara. Parecia apenas uma mulher quebrada pela própria vulnerabilidade. Ela sentou-se na borda da cama, mantendo uma distância segura, mas seus olhos nunca deixaram os dele.
— O bebê está bem, Robert. Ele chuta com força — ela respondeu, lutando para manter a voz firme, mas um novo soluço escapou. — Eu estou chorando... porque eu tive medo.
— Medo? De mim? — ele perguntou, o peito apertando novamente. — Eu sei que agi como um monstro, mas eu nunca...
— Não! — interrompeu ela, inclinando-se para frente e pegando a mão gélida dele entre as suas. — Tive medo de te perder. Tive medo de que você não acordasse hoje. Tive medo de ficar sozinha neste castelo gigante com o peso desta coroa e do seu filho... sem você para me segurar quando eu caísse.
Robert olhou para ela, confuso.
— Mas você me odeia, Analis. Você me chamou de carcereiro. Disse que eu era seu pecado.
Analis baixou a cabeça, as lágrimas caindo sobre as mãos unidas deles.
— Eu menti — confessou ela, num sussurro que parecia vir do fundo de sua alma. — Eu passei meses me alimentando do ódio que sentia pela forma como você me trouxe de volta. Usei a memória de Drake como um escudo para me proteger do que eu estava sentindo. Mas ontem à noite... quando você desabou naqueles lençóis... quando eu vi o Rei poderoso transformado em um homem frágil que precisava de mim... o escudo quebrou.
Ela levantou o rosto, olhando diretamente nos olhos dele, permitindo que ele visse toda a sua verdade.
— Eu descobri ontem à noite, Robert. Entre as compressas de água fria e o medo de que cada respiração sua fosse a última... eu descobri que eu te amo. Não como um sogro, não como o Rei que me salvou... mas como o homem que preencheu o vazio que Drake deixou. Eu te amo, e isso me assusta mais do que qualquer prisão que você possa construir.
O mundo de Robert parou. As palavras dela ecoaram em sua mente como um milagre que ele nunca acreditara que aconteceria. Ele não sentiu triunfo, apenas uma onda de alívio e gratidão tão intensa que seus próprios olhos se encheram de lágrimas. Com um esforço supremo, ele usou a pouca força que tinha para puxar a mão dela e levá-la aos seus lábios, beijando-a com uma reverência que ele nunca demonstrara a ninguém.
— Você não tem ideia... — sussurrou ele, a voz falhando — do quanto eu esperei por este amanhecer.
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