A Coroa e o Coração

26 O Renascimento e o Herdeiro do Sol



​A confissão de Analis agiu como o mais potente dos tônicos. Nos dias que se seguiram, o Rei Robert não apenas melhorou; ele parecia ter recuperado a vitalidade de sua juventude. A palidez deu lugar a um vigor renovado, e o brilho em seus olhos agora não era de obsessão, mas de uma paz profunda. Ele não saía do lado de sua Rainha, e o palácio, antes gélido e silencioso, fervilhava com preparativos e uma alegria que não se via desde antes da guerra.

​As cerejas do mato continuavam a chegar em bacias de prata, mas agora Robert as servia a Analis com beijos e risadas, selando a paz entre o carvalho do palácio e o perfume da floresta.

​Três semanas depois, em uma madrugada onde a primeira neve do inverno começava a cair lá fora, o silêncio do quarto real foi rompido pelo primeiro grito de dor de Analis.

​Robert não foi mandado para fora. Ele recusou-se a sair, segurando as mãos de Analis com uma força que prometia dividir a dor com ela. Foram horas de luta, de suor e de orações sussurradas entre contrações. Analis, exausta mas movida por uma determinação inabalável, apertava os dedos de Robert, encontrando neles o apoio que precisava para trazer a nova vida ao mundo.

​Quando o sol começou a despontar no horizonte, tingindo a neve de rosa e dourado, um choro forte e vigoroso ecoou pelas paredes de pedra.

​A parteira, com um sorriso reverente, limpou a criança e a envolveu em um manto de seda azul-real. Ela caminhou até o leito e depositou o pequeno fardo nos braços trêmulos de Analis.

​Robert inclinou-se, a respiração suspensa, as lágrimas correndo livremente pelo rosto envelhecido. Ele olhou para o bebê — um menino robusto, com tufos de cabelo escuro e a promessa da força dos Brooke em suas pequenas mãos.

​— Ele é perfeito — sussurrou Analis, a voz fraca mas transbordando de um amor que ela nunca imaginou sentir novamente.

​Robert acariciou a bochecha minúscula do filho e depois beijou a testa de sua esposa.

​— Ele é o futuro — disse o Rei, a voz vibrando de emoção. — Ele é a nossa redenção.

​Analis olhou para Robert, e depois para a criança. Ela sabia, naquele instante, qual seria o nome que uniria o passado de dor ao futuro de esperança.

​— Seu nome será Drake — declarou ela, com firmeza. — Drake Segundo. Para que ele carregue a coragem de quem o precedeu, mas viva a paz que nós finalmente encontramos.

​Robert assentiu, fechando os olhos por um segundo em sinal de respeito ao filho que perdera e de boas-vindas ao filho que acabara de ganhar.

​— Vida longa a Drake Segundo — proclamou Robert, sua voz ecoando para além das portas do quarto, onde o conselho e o povo esperavam. — O Príncipe Herdeiro dos Países Baixos.

​Naquela manhã, o Reino não comemorava apenas o nascimento de um herdeiro; comemorava a cura de uma linhagem. Analis, a Rainha que viera da floresta, e Robert, o Rei que encontrara o amor na dor, agora tinham em seus braços o símbolo de que, mesmo após o inverno mais rigoroso, a primavera sempre encontra um caminho para florescer.

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