A Coroa - Interativa
3 Capítulo II
Notas iniciais
~ Eleven Millena Van Swift– Carolina ~
Eleven simplesmente não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Pela primeira vez em mais de dois anos sua mente estava em branco. Nada, nadinha. Nenhuma ideia, nem uma que pudesse servir somente para descartar.
– Qual é Onze, você não pode estar em branco total. – Mark comentou, encarando a amiga, que somente manteve a atenção na atendente da lanchonete que acabara de lhe entregar seu refrigerante – E aquela história sobre aqueles... Eles eram irmãos ou não eram?
– É claro que eram. – a garota suspirou – Estava óbvio. Óbvio demais. Por isso desisti daquilo. Tenho que encontrar uma história nova.
– E isso é lá desculpa para entrar para uma competição pelo príncipe? – Mark perguntou, com uma sobrancelha arqueada. O dimon de Eleven, um Maine Coon de pelo castanho e fofo chamado Catastrophe, andava em seus passos lentos ao lado dos tornozelos da humana, se mostrando pouco interessado na conversa.
– Não seja tão limitado, Mark. – Eleven falou devagar, cansada de repetir o mesmo discurso tantas vezes – A Seleção é tudo o que eu preciso. Uma história sobre a vida no palácio. Uma coisa real. Você vai ver. Assim que sair de lá vou ter escrito o melhor livro de toda a minha vida.
Naquele ponto os dois jovens já haviam chegado do lado de fora da lanchonete, onde se sentaram em uma mesa próxima na companhia dos outros que haviam saído com eles. Enquanto os dois distribuíam os lanches entre os outros cinco componentes da mesa, uma das garotas, Claire, puxou assunto:
– Estou ansiosa para amanhã. Já me preparei para chegar na fila ás três da manhã. Eleven, você sabia que a Amanda vai dormir lá só para conseguir um dos primeiros lugares? – Eleven, que não prestara muita atenção, somente ergueu os olhos – Aquela maluca. Como se a ordem de entrega fosse fazer a menor diferença na hora de um sorteio.
– Sei lá, talvez ela só queira evitar a fila. – Eleven deu de ombros enquanto finalmente se sentava entre Clove e Arthur, encarando seu sanduíche e imaginando a quantidade de calorias que deviam haver aí.
Sorte que ela não dava a mínima para isso.
– Eu vou para lá perto das quatro da tarde mesmo. Pra dar tempo do pessoal apressado se inscrever e eu não precisar torrar no Sol quente. – Clove opinou, fazendo com que Claire revirasse os olhos e Cecilia, ao seu lado, assentisse, concordando – A Ceci vai comigo, você vem também Lena?
Eleven ergueu o polegar, para evitar falar de boca cheia, e sorriu de leve enquanto imaginava quantas garotas deviam ter tido a mesma ideia.
Só esperava que não fossem muitas.
~Juniper Mendoza Houghton– Clermont ~
Juniper sorriu enquanto foleava lentamente as páginas de seu caderno. Era um caderno de velho e um tanto surrado, mas que ela simplesmente não podia viver sem. Parou na página onde havia feito seu último desenho – uma mulher que vira no café naquele mesmo dia – e fez os últimos retoques antes de devolver o objeto ao seu lugar de sempre: Embaixo do direito de sua cama.
– O que anda fazendo? – a garota sentiu como se tivesse tipo um mini-ataque do coração. Seu dimon, com a forma de uma grande águia-de-cabeça-branca, piou alto, irritado com o susto. Juniper esperou uns dois ou três segundos antes de se virar para a porta do quarto onde seu irmã gêmeo, Archie, se encontrava.
– Nada demais. – a garota respirou fundo, abrindo um pequeno sorriso – Alguma notícia do Roderick?
– Nada até agora – Archie colocou as mãos nos bolsos, pensativo – ele deve chegar daqui a pouco. Ou pelo menos deveria. Nada o impede de chegar às quatro da manhã fedendo a cerveja que nem da última vez.
Juno torceu os lábios, encarando o irmão gêmeo, que parecia tão irritado quanto ela. Desde a morte dos pais da garota, seus dois irmãos mais velhos, Roderick e Savanna, só haviam piorado em comportamento. Enquanto o primeiro preferia ficar fora o dia inteiro fazendo sabe-se lá o que para depois infernizar os mais novos, Savanna preferia fazer a segunda ação vinte e quatro horas por dia, como se realmente gostasse de ver Juniper irritada.
– Juno? Você ainda tá ai? – Juno encarou o irmão, que pelo jeito estivera falando enquanto ela imergira nos próprios pensamentos – Você ouviu o que eu perguntei?
A garota parou por alguns segundos de modo que Archie decidiu repetir:
– Perguntei se você vai mesmo para aquela competição.
– Ah. – Juno riu da própria falta de atenção – Vou sim. Já terminei o formulário e vou entregar amanhã.
Archie a encarou por alguns segundos, sério. Juniper notou que ele não parecia muito feliz com a situação, de modo que decidiu quebrar o silêncio:
– Vou sentir sua falta.
Ela o abraçou, pensando nos meses que teria de passar afastada do irmão. Mas no final valeria a pena. Com coroa ou não, ela voltaria para casa, mesmo que em seu intimo ela preferisse a primeira opção.
– Ainda vou ser sua irmã quando estiver por lá.
– Eu sei que vai.
~Katherine Clark – Sota~
Katherine sempre fora uma garota que se surpreendia com facilidade, mas quando abriu a porta de seu quarto, a situação não podia ser mais previsível. A garota riu quando encontrou seus dois melhores amigos, Ivy e a Adam, confortavelmente acomodados, uma sentada na cama e o outro jogado na poltrona que ficava perto da cômoda.
– Eu devia denunciar vocês por invasão à propriedade privada. – riu a ruiva, colocando as mãos nos quadris. Seu dimon, uma arara azul chamada Lucky, avançou para dentro do quarto, empoleirando-se no alto do armário, seu lugar costumeiro.
– Quem mandou me dar uma cópia da chave?– Ivy somente deu de ombros, brincalhona – E seu pai deixou a gente entrar.
Kate revirou os olhos, vencida, e se precipitou para a poltrona onde Adam se sentara, encarando o garoto.
– Não vai me deixar sentar?
– Sou obrigado? – Adam riu, mas a Kate foi mais rápida, empurrando-o para o lado e abrindo espaço suficiente para que se sentasse – Touché.
– Da próxima tente se mexer, funciona de vez em quando. – Katherine riu, dando uma cotovelada de leve nas costelas do garoto – Mas enfim, o que você estão fazendo aqui?
Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, Ivy acariciando distraidamente seu dimon-coelho e Adam olhando para o teto, o dimon-raposa-do-deserto com a cabeça apoiada na patas, cuidadosamente equilibrado no braço da poltrona. Aquilo deu tempo o suficiente para Katherine organizar os pensamentos.
– Ah não... – a ruiva riu, finalmente entendendo do que se tratava – De novo não...
– Qual é, Katie! – Ivy exclamou, abandonando o estado fingido – Vai ser divertido!
Katherine parou por alguns instantes, pensando. Já era a segunda vez que Ivy vinha lhe procurar por causa da Seleção e, faltando somente um dia para a entrega dos formulários, a garota parecia realmente disposta a convencer a amiga.
– Juro que ela só me carregou pra cá. – Adam ergueu as mãos em rendição – Não tenho nada a ver com essa história.
– Valeu pelo apoio, Adam. – Ivy bufou, encarando o garoto e depois se virando novamente para Kate – Por favoooooor.
– Tá, okay. – Katherine sorriu – Eu preencho. Você vai mesmo me fazer ficar na fila amanhã. A carta está na segunda gaveta.
Ivy soltou um gritinho de alegria e correu para a gaveta indicada, agarrando a inscrição como se tratasse de um mapa do tesouro.
– E assim Evelyn Lorcan vence de novo!
– Pare de ser idiota. – Katherine encarou a amiga, tentando ao máximo parecer séria – É só uma inscrição. Agora me passe logo uma caneta antes que eu mude de ideia.
~Aurora Grace White – Whites~
Quando Aurora abriu a caixa, pensou que fosse simplesmente explodir de felicidade.
– Nós conseguimos! – a garota exclamou, encarando os livros como se simplesmente fossem a melhor coisa do mundo– Conseguimos!
– Bem à tempo para a Seleção. – Snow disse, animado, enquanto apanhava com as garras um dos cinquenta primeiros exemplares do primeiro livro de Aurora. Possuía uma capa simples, mas bonita, verde com a silhueta da personagem principal em preto. Logo acima se encontrava o título, feito em uma caligrafia caprichosa e dourada, como Aurora tanto insistira.
– Está simplesmente perfeito! – agarrando outro exemplar, a garota abraçou o livro, pulando de alegria – Perfeito, perfeito, perfei...
– Perfeito, eu já entendi, Rô. – Snow remexeu as asas enquanto passava as páginas com cuidado, para evitar arranhar ou rasgar qualquer coisa – Nossa, até as cartas estão em letra cursiva. Eu te disse que era uma boa ideia escrever essas partes à mão...
– É, disse mesmo. – riu Aurora, ainda sem se conter – Você ouviu o que a Georgia disse – a garota se referiu à sua editora – essa é só a primeira caixa, em três dias mais umas cinco vão chegar, cada uma para ser entregue em uma livraria diferente da província.
– Nossa, imagina só – Snow soltou um piado baixo que Aurora sabia que se tratava de uma risada – em pouco tempo podemos estar dando sessões de autógrafos em Angeles!
Os dois pararam de falar por algum tempo, imersos nas páginas dos livros recém-entregues, o cheio de papel novo enchendo o quarto. Aurora esperava que o cheiro ficasse, seria um ótimo lembrete de um dia tão feliz.
– Aurora! Dessa logo pra cá eu também quero ver os livros! – a voz da mãe da garota, Hellena, ecoou pela casa e, mesmo que mal conseguisse parar de tremer de agitação, Aurora devolveu o exemplar que pegara e agarrou a caixa, tomando cuidado para não derrubá-la enquanto saia do quarto em direção ao primeiro andar.
– Já estou indo!
A garota adentrou o cômdo com um sorriso radiante, Snow planando com seu exemplar do livro ainda nas garras. Hellena sorriu para a filha, enquanto a ajudava a colocar a caixa na mesinha de centro e depois começava a folhear um exemplar qualquer.
– Adoro esse papel. – a mulher sorriu, enquanto esfregava uma das folhas com delicadeza – É bem resistente. Vale à pena gastar um pouco mais com ele.
– Ainda não acredito. Meu primeiro livro! – Aurora exclamou, com um exemplar junto ao peito – E na mesma semana da convocação para a Seleção.
– Realmente uma maravilha. – Hellena abriu um sorriso – Você ainda quer que eu te acompanhe na entrega amanhã?
– É claro! Quem você acha que iria ficar horas na fila comigo? A Amélia? – Aurora riu, imaginando a cena cômica que seria sua madrasta em uma fila para se inscrever na Seleção – Você vai, não vai?
– Obviamente. Foi uma pena eu ser nova demais para participar da Seleção quando era a vez do príncipe Hector. Tenho certeza que teria sido no mínimo divertido.
Aurora suspirou. Realmente, a Seleção seria no mínimo divertida.
Mas também nada a impedia de se tornar uma confusão total.
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