Uma semana depois, Lola e os demais alunos se encontravam sentados em suas carteiras no colégio esperando a hora em que Miranda os despensaria para o intervalo.O sinal bateu mas a professora não os liberou, pois daria um recado para eles.

-Silêncio, por favor. Para somar com a nota da prova, ao invés de aplicar um teste, eu pensei bem e achei melhor que vocês fizessem um trabalho em dupla.

Alguns alunos se animaram e Erick lançou um olhar para Lola e ambos sorriram, pois a princípio pensaram que fariam juntos o trabalho.

— Porém, eu resolvi que eu mesma escolherei as duplas...

— Isso é injusto, professora... — disse alguém baixinho.

— É preciso aprender a trabalhar em conjunto com pessoas que vocês não teem afinidade, pois no futuro, no trabalho de cada um, vocês teram que enfrentar isso.

— Lá vem bomba... — disse Anna.

— Bom, vamos lá. — a professora colocou a mão no queixo e observando os alunos foi formando duplas- Felipe com Carlos, Daniela com João, Fernanda com Pedro...

— Tomara que eu não fique com alguém que não gosto... — pensou alto, Lola.

— Sofia e Erick — declarou Miranda.

Sofia se animou e lançou um tchauzinho no ar para o menino e o mesmo fivou sem graça e apenas acenou com a cabeça.

Miranda formava as duplas e alguns alunos se irritavam e ficavam chateados, outros ficavam indiferentes e alguns até gostavam das duplas formadas.

— Marcos e Fábio e por fim... Lola e Anna.

— Não, professora! Tudo menos isso! — reclamou a loira.

— O quê? Não é possível! Não tem como trocar? Me deixa fazer com o Erick, por favor! — implorou Lola.

— Não e não! Já disse que escolhi cada dupla com um propósito... Bom, a maioria delas.

— Escolheu nos duas com o propósito de ver um assassinato entre nós duas né? — debochou Anna.

— Olha como fala, Anna. Aproveitem a oportunidade de aumentar a nota da prova, que em geral foi um desastre.

— E qual será o tema, professora? — perguntou Felipe, o clássico nerd da turma.

— Bom, cada dupla vai escolher um livro clássico do gênero romance e apresentar para todos um trabalho sobre a importância da obra e o marco na história mundial. A partir da escolha dos livros, vocês podem ir me comunicando pois nenhuma dupla poderá ficar com o mesmo livro que outra. Entenderam?

— A senhora não pode colocar uma lista dos libros no quadro? Para servir como exemplos. — uma menima de origem japonesa declarou.

— Boa ideia, Laura. Farei isto!

Quando a professora iria pegar a caneta esferográfica para escrever os nomes de cada obra literária no quadro branco, o sinal anunciando o intervalo, tocou. Os alunos ficaram em alvoroço e a professora deu a permissão para que eles se encaminhassem para fora da sala.

Lola e Anna permaneceram na sala e foram de encontro com Miranda.

— Isso não vai dar certo! — Anna disse apontando com o dedo indicador para si mesma e para Lola.

— Não adianta virem reclamar, já disse...

— Olha, não tem como dar um teste só para nós duas? Por favor, eu imploro! A única coisa que eu quero dessa garota é distância!

Anna lançou um olhar bravo para a menina.

Miranda respirou fundo e tirou os óculos do rosto.

— Não posso aplicar um teste só para vocês duas, entenderam? Não seria justo com os demais alunos.

— Mas porquê logo com ela? Nós deixe fazer sozinha! — Anna argumentou.

— Aqui nesta sala quem manda sou eu e eu escolho os alunos que eu bem entender. Escolhi vocês duas pelo motivo de não se surportarem e isto não é nada bom. Vocês vivem brigando, sendo que estão no último ano do ensino médio e daqui a pouco irão para a faculdade e carregam uma infantilidade gigantesca em suas costas. Parecem duas colegiais da quinta série brigando por motivos tolos à todo o momento.

As meninas arregalaram os olhos e ficaram sem jeito pelo puxão de orelha da professora de português.

— Não fiz isto apra provocar ninguém, pelo contrário, fiz isto para dar uma chance de vocês progredirem e crescerem como pessoas e amadurecem logo. Na vida vocês vão aprender que nem sempre trabalhamos ou convivemos com pessoas que gostamos e algumas vezes julgamos as pessoas sem ao menos saber o outro lado da moeda, o eu verdadeiro de cada um. Muitas amizades foram formadas por pessoas que a princípio se detestavam como vocês. Depois desse trabalho, quem sabem não passem a se dar bem ou até mesmo possam virar amigas?

— Amiga dessa menina metida? Jamais!

— Amiga dessa grossa? Eu não ando com gente assim, desculpa quebrar suas esperanças, professora. — disse Anna.

— Bom, apenas pensem nisso e bom trabalho. Passarei a lista dos livros pelo e-mail.

Miranda pegou sua bolsa e sua pasta e deixou as meninas na sala em um clima nada agradável.

— Então, garota... Onde e quando faremos esse trabalho? — Lola perguntou enquanto descascava as unhas sem olhar no rosto da loira.

— Primeiro, não me chame de garota!E segundo, é claro que seria na minha casa pois eu não sairia do meu conforto para ir na sua que nem sei ao menos onde fica.

— Tudo bem, pode ser na sua casa. É até melhor...

– Melhor porquê? — Anna perguntou curiosa.

– Assim você não infecta o meu lar com o seu veneno. — Lola deu um sorriso amarelo e deixou Anna sozinha fervendo de raiva.

— Ah, como eu odeio essa garota! — Anna gritou batendo o pé.

Mais uma vez parecia que o destino pregava peças na vida de Dolores. Anna e Lola eram como água e óleo, não se misturavam de forma alguma mas parecia que Miranda queria desafiar a lei da natureza ao colocá-las juntas.

Notas finais
Purples, gostaria de interagir com vocês com relação a um acontecimento na história. Para isso eu preciso que vocês dêem suas opiniões respondendo 1 ( sim) ou 2 (não) à uma pergunta que farei pelo facebook. Basta procurar por " A Cor Púrpura de Teus Cabelos" e curtir a página e me ajudar na decisão ao rumo que a história poderá tomar. Espero a resposta de vocês! Beijos!