Notas iniciais
Agradeço com todo meu amor a Lunatic e a RayUzu pelas recomendações! Eu não esperava! Meu deus, obrigada suas fofas! ♥

"Vocês estão mesmo namorando?" Perguntei para a Jady, enquanto caminhávamos pelo pátio enorme do colégio, onde havia um gramado e umas árvores debaixo das quais alguns alunos sempre ficavam para bater papo e lanchar.

"Sim! Minha primeira namorada..." Jady suspirou. "Nunca imaginei que acabaria encontrando uma na festa de aniversário do teu irmão. A Sabrina é bem mais velha, ela tem 27 anos, te contei? Ela é tão linda, parece ter uns vinte anos e olhe lá."

"O Dimi tem 22 mas parece ter mais idade..." Murmurei comigo mesmo, o que arrancou um resmungo entediado da Jady.

"Sério, Diego? Porra, antes você já costumava falar bastante do teu irmão, mas nas últimas semanas está insuportável. Qualquer que seja o assunto, você coloca o Dimitri no meio!" Ela exclamou irritada, gesticulando. "Daqui a pouco eu vou pensar que tu ‘tá apaixonado pelo teu irmão!"

Ela obviamente disse isso no sarcasmo, mas eu acabei abaixando a cabeça enquanto sentia meu rosto esquentar pela vergonha, como se todo mundo que estivesse por perto pudesse ler as minhas atitudes estranhas nos últimos tempos – o roçar de lábios, a vontade de que ele me beijasse enquanto me despia, a decepção por ele não ter ciúmes de mim. Levei uma das mãos aos cabelos e quase os puxei, querendo arrancar todos esses pensamentos de dentro de mim.

Já fazia mais de um mês que eu não via o Dimitri. E não era eu, mas ele quem fugia de mim. Eu ligava, tentando combinar para que almoçássemos juntos como sempre fazíamos pelo menos uma vez por semana, ou pegar um cinema, ir num barzinho, até porque estava até uns dias atrás sem fazer nada além do judô, já que era férias julho.

Mas até quando tentei passar pelo prédio dele o porteiro, incrivelmente, me impediu de subir, avisando que o Dimitri não estava lá e então me empurrando para fora do salão de entrada. Dimitri estava me evitando, isso era óbvio, por mais que fingisse que estava tudo bem quando falava fugazmente comigo por celular. Isso quando ele atendia às minhas ligações...

Era como ter uma faca cravada nas costas, e sentir dificuldade de respirar.

"Desculpe." Murmurei e recebi um empurrão de ombro.

"Vamos lá, você anda estranho nas últimas semanas. Meio abatido, sério, conta o que ‘tá acontecendo." A Jady pediu, pela primeira vez tão abertamente. Ela já vinha tentando arrancar de mim o que estava me abatendo, mas sempre pelas entrelinhas. "Porra, Diego. Qual a moral de ser tua melhor amiga se tu não deixa eu te ajudar quando tu precisa?" Se irritou ao não ter resposta.

"É complicado, Jady. Nem sei como te explicar, por que nem eu entendo direito. Mas quando as coisas ficarem mais claras, eu te conto tudo, pode ser? Me dê mais alguns dias."

Eu ainda precisava contar para ela que havia transando com um colega do judô num motel até desmaiar de cansaço. Ou melhor, que estava me encontrando com esse colega do judô e transando com ele sempre que me sentia solitário. Ela provavelmente teria uma síncope. Ninguém nunca olharia para mim e diria “Gay!”, e eu também nunca havia dado nenhum indício de que fosse. Eu sabia que a Jady aceitaria e estaria ali para me apoiar de todas as maneiras possíveis, mas eu ainda não havia contado para ninguém, só o Dimi sabia e, por algum motivo, não queria mudar isso tão cedo.

Ainda era meio difícil aceitar o giro que a minha vida havia dado em tão pouco tempo.

"Eu só ‘to preocupada. Fiquei sabendo que você não anda treinando como antes..." Jady disse colocando uma mão sobre o meu ombro. Eu fechei os olhos, cansado.

Eu não queria pensar nos treinos. Me deixava fulo estar virando um bosta em algo que eu sempre amei, uma das únicas coisas que eu fazia bem. Minha concentração andava uma merda nos últimos tempos. Toda a vez que eu tentava treinar, que fazia dupla com alguém, no meio da luta essa pessoa se transforma no Dimitri e eu acabava derrubado.

Havia sido meu irmão que me levara ao judô quando eu tinha oito anos. Ele treinava há três anos, e continuou treinando comigo até um pouco depois de completar dezoito. Aquele foi um ano estranho. Além de sair de casa, ele largou o judô abruptamente, sem explicações razoáveis e começou uma nova vida, entrando na faculdade, fazendo novos amigos. Chegou a namorar um garoto por um tempo, uns três meses, mas eu vi o rapaz uma vez só e olhe lá. Havia tido um rolo com outro garoto antes, chamado Afonso, mas também não chegara a me apresentar propriamente e hoje o tal parecia que estava na Alemanha.

Eu ainda sentia falta de treinar com o Dimitri. Ele havia me ensinado mais do que nosso mestre, no início, e tinha uma paciência incrível comigo. Mesmo já sendo experiente, nunca se importava de fazer dupla comigo e voltávamos juntos para casa, com ele me explicando tudo que eu havia feito de errado e como melhorar. Fiquei triste com a lembrança. Tudo parecia tão fácil e leve naquela época, mesmo que tivéssemos vários problemas com a Fernanda.

"Vamos pra aula, já vai começar o próximo período." Eu disse à Jady, me afastando em direção ao prédio.

A aula passou se arrastando, como era típico das aulas entediantes de geografia, e depois de ligar para minha mãe avisando que não passaria em casa, segui direito para o ginásio. Estava decidido a treinar o melhor possível naquele dia. Não aguentava mais os olhares de desgosto do treinador Nils para cima de mim.

"Diego!" Ouvi a voz às minhas costas quando eu estava atravessando o ginásio e de imediato reconheci a voz do Viktor. O clima ficou estranho desde que havíamos transando... É óbvio que ele ficou chateado pela maneira que eu saí correndo do quarto, como se houvesse sido infectado por HIV. Nos primeiros dias após o motel, mal nos olhamos na cara durante os treinos, ele nem mesmo tentou ficar de dupla comigo mais.

Porém no quarto dia ele pediu que eu fosse até a casa dele. Acabei não negando, estava surpreso por ele querer falar comigo e, com o Dimitri me ignorando, eu me sentia estupidamente carente. Quando chegamos, depois de passarmos todo o trajeto em silêncio no carro, ele me arrastou até o quarto dele e começou a falar:

"Sabe..." A voz saiu suave como veludo. "Aquela noite eu fiquei irritado pela maneira como você correu do motel, mas depois eu comecei a te observar e percebi o quanto tu anda distraído, como se algo tivesse te preocupando."

"Você sempre me observou." Retruquei com um sorrisinho torcido no canto da boca. Viktor riu, sacudindo os ombros e sentou-se na própria cama.

"Não nego. Você é tão gostoso que é impossível não olhar." Ele acabou corando de leve com o meu olhar, mas mesmo assim continuou. "Aquela foi mesmo a tua primeira vez com um cara, não é?"

Eu o encarei por alguns segundos, mas me denunciei quando desviei o olhar. Pude perceber que ele abriu um sorriso encantado com a confirmação, pois obviamente já desconfiava. Viktor se aproximou com passos lentos, e eu tive de me segurar para não recuar. Senti a mão dele subir pelo meu tórax quando parou bem perto.

"Desculpa te ignorar esses dias... Sei como é difícil quando a gente descobre." Viktor murmurou perto do meu ouvido e lambeu a pele embaixo da minha orelha. "Tu não imagina o quanto é bom saber que eu fui o teu primeiro..." Acho que não preciso contar que, depois disso, caímos na cama e transamos de novo.

Desde então vínhamos fazendo isso com frequência, na casa dele quando a avó dele não estava em casa, ou em motéis.

Eu parei para esperá-lo enquanto ele corria até mim com um sorriso.

"E aí." Cumprimentei quando ele parou perto, parecendo louco para me abraçar e beijar ali mesmo, mas não se atrevendo. "Não esperava encontrar ninguém aqui tão cedo."

"Eu sempre chego cedo. Odeio passar em casa antes de vir, então saio da faculdade e venho direto para cá." Sorriu e se aproximou mais, com aquele nariz cheio de sardinhas. Eu ainda não tinha reparado, mas aquelas sardas o deixavam bonitinho.

"Ah, é, você já ‘tá na faculdade." Cocei a parte de trás da cabeça, subitamente me sentindo um pivete perto dele, mesmo com ele parecendo o pirralho ali. "Você não me contou o que faz..."

"Faço Matemática." Viktor soltou uma risadinha quando eu fiz uma careta. "Vou querer ser professor."

"Você é louco." Disse, me dirigindo para o vestiário. "Todo mundo odeia matemática..."

"Não mais do que... É, você tem razão." Riu. "Mas a matemática é apenas incompreendida."

"Falou o nerd." Retruquei.

Já dentro do vestiário, comecei a tirar a roupa para colocar o quimono, tentando demonstrar indiferença enquanto ele mantinha o olhar sobre meu corpo. Ele jogou a mochila sobre o banco e começou a tirar a roupa também e eu inevitavelmente acabei espiando pelo canto do olho.

"O que você acha de transar no vestiário?" Ele perguntou de repente, parando para me olhar com apenas a cueca lhe cobrindo o corpo. Eu também não vestia nada além disso.

"O quê?" Com o passar dos dias eu descobria que ele não era assim tão tímido. Não falava muito em grupos grandes de pessoa; como nos treinos, em que conversava apenas com duas ou três pessoas isoladamente. Mas comigo, e quando o assunto era sexo, ele parecia perder qualquer constrangimento.

Viktor não me respondeu. Colocou um sorrisinho safado no rosto e se aproximou perigosamente. Olhei para a entrada do vestiário, nervoso que alguém aparecesse, principalmente quando ele colocou a mão no meu pênis, fazendo-o endurecer.

"Ninguém chega a essa hora. É a nossa chance de transar num lugar público." Ele mordiscou meu lábio inferior e sorriu, enquanto continuava a tocar-me sobre a cueca. "Eu sonhei tantas vezes em você me comendo aqui no vestiário... Indo bem fundo em mim até que eu rasgasse os lábios para que ninguém me escutasse gritar..."

Aí eu mandei o autocontrole às favas. Agarrei os cabelos ruivos dele e o puxei para a minha boca. Comecei a beijá-lo sem qualquer pudor e fui empurrando-o em direção a um dos chuveiros do vestiário. Viktor ofegou quando as costas dele bateram contra a parede do box e gemeu quando o icei do chão e o prensei contra os azulejos gelados. As pernas dele rodearam a minha cintura, enquanto eu me movia para atritar as nossas ereções juntas. Era uma merda que não tivéssemos tirado as cuecas pelo caminho...

"D-Diego..." Ele gemeu contra a minha boca, abraçando-me com força. Senti uma vontade imensa de me enterrar naquele corpo trêmulo e cheguei a puxar a cueca dele para longe e abaixar a minha, tudo ainda o segurando no colo, mas, bem quando eu estava para penetrá-lo, lembrei que não tinha nenhuma camisinha.

O soltei, angustiado, e ele me olhou em confusão.

"Não vou transar contigo sem proteção." Falei, me afastando um pouco. Eu não o conhecia além do sexo. Talvez ele fosse um puto que dava para qualquer um, sem se proteger e fosse cheio de doenças. Talvez não. Só que eu não iria arriscar.

"Eu não achei que iria realizar meu fetiche hoje." Ele disse, parecendo irritado. Era como se lesse meus pensamentos. Viktor fez menção de deixar o box, mas eu o segurei pelo braço.

"Onde tu pensa que vai? Ao menos dê um jeito nisso daqui. Não vou conseguir treinar se não me aliviar." Praticamente o forcei a se ajoelhar na minha frente. Ele me olhou de uma maneira meio torta, mas afastou minha cueca e colocou tudo na boca. Joguei minha cabeça para trás, não me importando em batê-la contra o azulejo, e fechei os olhos. Minha mão automaticamente foi para os cabelos do Viktor e passei a acariciá-los, incentivando-o a continuar.

Quando ele chupou com mais intensidade, um gemido escapou da minha boca. Ele fazia aquilo muito bem. Eu já tinha escutado sobre garotos gays fazerem oral muito melhor do que garotas. Nenhuma das minhas namoradas foi tão boa quanto o Viktor na felação.

Não que eu esteja pensando em namorar com o Viktor. Nem a pau. Ele parece ser do tipo grudento e ciumento, e eu já tinha sofrido demais no meu último namoro por causa disso. A garota – Gabriela – só faltou escrever um diário com todos os meus passos e contar quantas vezes eu respirava por dia. Talvez ela até tenha feito isso.

Movi o quadril ao sentir que estava perto de gozar e, como se entendesse a deixa, o Viktor começou a sugar mais rápido, pressionando os lábios ao redor do meu membro teso e deixando-o entrar bem fundo. Ele engoliu tudo quando ejaculei e se levantou limpando o canto da boca. Sorriu ao ver meu estado, eu sempre ficava bastante vermelho depois de momentos assim, por culpa da minha pele clara.

"Acho que agora você talvez consiga treinar melhor." Ele disse. Eu não falei nada, só o encarei através de pálpebras semicerradas, minha respiração um tanto ofegante e minha cabeça ainda quedada contra a parede. Acho que ele esperava que eu dissesse alguma coisa, pois bufou e de novo tentou sair do chuveiro, mas de novo eu o impedi.

Ele me encarou confuso e pareceu até meio assustado quando o empurrei contra a parede com um sorriso se formando nos meus lábios. Aproximei a boca do ouvido dele.

"Melhor você não sair daqui antes de resolver isso também." O toquei por cima da cueca, empurrando meu corpo contra o dele. Ele soltou um gemidinho abafado e deixou a cabeça pender para o lado quando deslizei a língua pelo pescoço dele. Afastei a cueca e passei a masturbá-lo lentamente. Não iria chupá-lo. Pode parecer idiota, mas ainda não tinha feito isso em nenhuma das vezes em que nos encontramos para transar. Ainda achava estranho certas coisas, mas provavelmente com o tempo essa sensação iria passar. E eu também não queria mostrar toda a minha inexperiência para ele, então só fiquei ali, tocando-o como eu acharia bom se fosse comigo.

Observei com satisfação a maneira como ele pareceu perder a força nas pernas e se abraçou a mim, seu rosto ficando bastante afogueado e a respiração muito mais difícil que a minha há alguns minutos. A visão era bastante erótica, levando-me a acelerar a massagem.

"Você geme pra caramba." Comentei, apertando mais o quadril dele e circulando a glande úmida com o polegar. Ele abriu e fechou a boca algumas vezes, parecendo bastante constrangido, mas só conseguiu soltar outro gemido fraco. Eu ri e voltei a me inclinar para sussurrar contra a orelha dele. "Eu gosto."

"Ah, Diego..." Murmurou, abraçando-me ainda mais forte e ondulando o quadril contra a minha mão. Eu o beijei e deixei que continuasse gemendo contra a minha boca, só que me afastei com as orelhas erguidas ao escutar vozes. Viktor me olhou alarmado, mas eu só coloquei a mão livre sobre a boca dele.

"Só fica quietinho e aproveita." Sussurrei, continuando a masturbá-lo, ainda mais forte. Com os olhos entreabertos e o rosto febril, ele ficou ali, gemendo abafado contra a minha mão, baixo o suficiente para que os caras no vestiário não nos escutassem. Talvez eu tivesse um lado meio sádico, porque adorei ver a expressão de sofrimento do Viktor, a dificuldade que tinha em segurar os gemidos e a maneira como se agarrava a mim com certo desespero.

Quando gozou na minha mão eu o soltei, e ele acabou escorregando até o chão. Parecia ter corrido uma maratona. Esperei até que as vozes no vestiário cessassem para poder sair.

"Vê se fica aí um tempo, para que não desconfiem. A gente deixou as nossas roupas ali, eles devem ter estranhado." Falei por cima do ombro.

Me vesti rapidamente, limpando o sêmen na minha mão e abdômen, e fui para o tatame, agindo naturalmente. Cumprimentei os dois garotos que já estavam lá aquecendo e fui fazer uns abdominais e apoios para começar. O Viktor só apareceu bem depois, quando o treinador já havia começado o treino. Acabamos fazendo dupla e eu me senti bem ao conseguir treinar como antes e derrubá-lo várias vezes, assim como ganhar de outros oponentes. Talvez um orgasmo antes dos treinos fosse um remédio temporário para meus problemas.

"Finalmente você resolveu voltar a treinar como um campeão mundial." Nils falou, dando um tapinha nas minhas costas ao final do treino. Sorri aliviado e olhei de esguelha para o Viktor, que conversava com outro rapaz, o Juliano. Este parecia estar dando em cima dele, segurando-o pela cintura e sussurrando algo no ouvido do Viktor.

Talvez ele seja mesmo um puto que dá para qualquer um. Pensei com desgosto e segui para o vestiário pegar minhas coisas e ir para casa.

XxX

"Mas que porra... Como você sabe onde eu moro?" Perguntei assombrado ao abrir a porta e dar de cara com o Viktor. Eu não havia contado a ele onde morava justamente por medo que ele começasse a aparecer ali o tempo todo. Pode soar cruel, mas ele só me interessava pelo sexo, que eu queria que continuasse casual.

Acho que minha reação não era bem o que ele estava esperando, pois abaixou a cabeça e mordeu o lábio inferior, envergonhado.

"Desculpe. Eu te segui até aqui uma vez." Meus olhos se arregalaram, e ele ergueu a cabeça rápido, tentando se reparar. "Mas em minha defesa, já faz bastante tempo!"

"Cara... Tu é mesmo estranho." O mirei de cima abaixo. Era melhor convidá-lo a entrar antes que a mãe aparecesse e fizesse isso por ela mesma. "Entra aí."

"Diego! Quem era?!" A Lydia gritou da cozinha. O cheiro da janta permeava todo o andar inferior da casa. Minha mãe cuida de toda a minha alimentação, mas quem cozinha é a empregada. A Lydia ‘tá mais para aquelas metidas que ficam botando o dedo em tudo. Às vezes eu tenho certeza de que a nossa empregada, Isabel, sente vontade de chutar minha mãe para fora da cozinha.

"Um amigo!" Retruquei alto suficiente para que ela escutasse. "Você vai querer jantar aqui?" Perguntei virando para o Viktor.

Ele me encarou surpreso.

"Claro. Eu iria adorar!" Abriu um sorriso todo bobo.

"É claro que iria." Revirei os olhos. "Ele vai ficar para jantar!"

Minha mãe apareceu na sala, equilibrando-se no salto que usava. Lydia era uma mistura daquelas mães de antigamente com as mulheres independentes e modernas de hoje em dia. Era um tanto estranho, mas eu já estava acostumado.

"Mãe, esse é Viktor, um colega do judô." Já apresentei antes que ela perguntasse.

"Olá, Viktor! Muito prazer em te conhecer. O Diego não costuma convidar os amigos para jantar." Ela já foi logo dar aqueles dois beijinhos no ar de cada lado do rosto do Viktor. "Desculpe se o jantar demorar um pouquinho, o Diego não me avisou que você viria."

"Eu nem sabia." Resmunguei. "Nós vamos lá para o quarto, tudo bem? Quando o jantar ficar pronto, avisa."

"Tudo bem, querido. Daqui uns quinze ou vinte minutos já ‘tá na mesa. E você, Viktor, fique à vontade, a casa é tua."

Subi com o Viktor nos meus calcanhares, aliviado por a Fernanda não estar em casa, pois agora fazia aulas do supletivo à noite e cursinho pela tarde. Ao menos eu a via bem pouco.

Era estranho o Viktor estar ali. Eu não queria aquele tipo de intimidade, mas também não tinha como fechar a porta na cara dele. Entramos no quarto em silêncio e eu sentei na cama, apoiando as mãos no colchão e inclinando o corpo para trás.

"Pode sentar onde quiser." Disse, ao vê-lo parado no meio do quarto, olhando descaradamente ao redor. Ele era mesmo muito metido.

"Uou, que puta quarto que tu tem!" Ele caminhou até a cama e se sentou do meu lado, com uma perna dobrada sobre o colchão. "Toda tua casa é linda, aliás."

"‘Tá, mas você não veio aqui para analisar minha casa, né? O que você quer?" Perguntei, tentando não soar muito rude. "Ou será que o Juliano te dispensou e aí você pensou em tirar a carência comigo?"

"O Juliano?" Ele perguntou com uma careta confusa. "Da onde tu tirou que eu ‘to de rolo com o Juliano?"

Dei de ombros. Não iria continuar, nem sabia por que havia falado aquilo. Havia soado como se eu estivesse com ciúmes e não era esse o caso. O Viktor se aproximou mais, colocando uma mão sobre a minha coxa e, quando ele falou, pude sentir o hálito quente dele contra minha orelha.

"Eu não tenho nada com o Juliano... Você é o único que me interessa." Mordiscou o meu lóbulo e um arrepio atravessou o meu corpo.

"Não vou transar contigo com a minha mãe em casa." Avisei. "Por que tu veio aqui, afinal?"

"Porque tu precisa me recompensar por terça-feira! Além de me largar de qualquer jeito naquele box, ainda tive de esperar um monte até poder ir pro tatame, e desde então tu nem olha para mim direito! Você ‘tava com ciúmes do Juliano?" O Viktor colocou o rosto bem em frente ao meu, já que sentou no meu colo com um joelho de cada lado do meu corpo.

Olhei para a porta, desejando tê-la trancando.

"Não ‘tava com ciúmes porra nenhuma." Eu queria empurrá-lo, mas a verdade é que havia algo no Viktor que me excitava e impedia de dar um passa fora definitivo nele, havia descoberto isso desde o dia no motel. O que fiz foi colocar as mãos na cintura dele e movê-lo de leve no meu colo. "Como você quer que eu te recompense?"

"Sai comigo hoje! É sexta..." Ronronou me abraçando e continuando a se mover por si mesmo, se esfregando em mim. Meu membro começou a endurecer e eu o afastei antes que acabasse com uma ereção. Levantei da cama e passei a mão pelos cabelos, jogando-os para trás.

"Eu já tinha marcado de sair com uns amigos..."

Íamos a um barzinho com música ao vivo, bater papo e, no caso deles, beber. Eu não podia ferrar toda hora com o meu fígado se queria ir pros jogos olímpicos no próximo ano.

"Eu vou junto!" Ele exclamou na cara de pau.

"Não mesmo! Eu não quero que meus amigos saibam sobre... Você sabe." Desconversei. Ainda não havia contado para minha mãe, como iria contar pros meus amigos antes? Nem a Jady sabia! Eu precisava resolver isso antes que as pessoas descobrissem por si próprias. Mas eu não conseguia esquecer a expressão de decepção do Dimitri, e temia que todos me olhassem daquela maneira. Doía demais.

Viktor pulou da cama e, quando percebi, ele estava me abraçando de novo, roçando a boca contra a minha.

"Ah, Diego... Por favor. Saí comigo hoje. Vamos dançar! Desmarca com os teus amigos homofóbicos e aproveita a noite comigo." Ele pediu todo manhoso.

"Eles não são homofóbicos!"

"Se não fossem, tu não ficaria todo cheio de medo que eles descobrissem o que tu anda metendo na minha bun-"

Eu tapei a boca dele antes que terminasse a frase. Escutei passos no corredor e pulei para trás, segundos antes que minha mãe aparecesse nos chamando para jantar.

"Você nem imagina quem apareceu, Diego!" Ela exclamou contente enquanto descíamos as escadas.

De algum modo, eu soube. Mesmo antes de ver o Dimitri na sala, nos esperando. Meu coração praticamente saltou pela garganta e eu olhei nervoso para o Viktor, quase tropeçando nos meus próprios pés e rolando degrau abaixo.

Merda.

Notas finais
Eu sei, capítulo super chato, fala aê! Mas eu até gosto dele, porque gosto do Viktor, heehheeh! Mas o próximo capítulo compensa! *_* Vai ter bastante Dimitri nele, MUAHAHA! ♥

Amo vocês, seus lindos que comentam; mesmo que um monte de gente tenha sumido, vocês continuam no meu coração. YEY! ;*