A Cor Da Chuva
7 Capítulo 6
Notas iniciais
Lydia foi até o Dimitri e o beijou na testa. Era engraçado quando ela fazia isso, pois o Dimi teve de se abaixar para que ela o alcançasse. Eu respirei fundo e tentei fingir que não havia nada de errado e, afinal, não havia, certo? Tudo bem que o Dimi estava assassinando o Viktor com aqueles olhos escuros dele, mas...
Eu realmente não conseguia entendê-lo. Ele havia dito com todas as letras que não sentia ciúmes de mim e não fazia sentido ele ficar tão irritado por eu ser, na verdade, gay, ou bi. Isso era até coincidência demais. Dois irmãos gays, qual a chance?
– Oi, Dimi... – Cumprimentei constrangido. Fazia tanto tempo que não nos falávamos... Eu sentia vontade de me jogar nos braços dele e abraçá-lo com força, ou dar um soco bem no meio de suas fuças por ter me ignorado aquele último mês inteiro.
– Oi, Diego. Quem é o teu amigo? – Ele perguntou o mais sarcástico possível. Lancei-lhe uma careta de aviso. Tudo que eu não precisava era que a nossa mãe soubesse que eu era gay através das indiretas dele.
– Meu nome é Viktor. Eu e o Diego fazemos judô juntos. – Viktor respondeu. Parecia contente, talvez por descobrir que o Dimitri era meu irmão. Ele havia tentado entrar no assunto de quem era o cara que havia me buscado no motel aquela vez, mas eu o calava com alguns beijos sempre que ele tentava.
– Ah, tu também é um judoca! Também compete? Hoje tem um by InstantSavings\">jantar by InstantSavings\">especial para campeões. Sabia que o Dimitri também treinava judô? O Diego começou só por causa dele, mas acabou que se apaixonou, já o Dimitri largou pelo caminho. – A Lydia tagarelou enquanto nos guiava até a sala de by InstantSavings\">jantar, onde a mesa já estava posta.
O clima entre eu e meu irmão ficou estranho, e uma aura negra parecia pairar sobre aquela mesa de by InstantSavings\">jantar, de tal modo que eu sentia meu pescoço rígido e meus ombros tensos. Mas apenas eu e o Dimitri parecíamos perceber as nuvens tempestuosas que se formavam ao nosso redor, ou os raios que poderiam desabar a qualquer momento.
A Lydia e o Viktor conversavam animadamente, pois minha mãe sempre adorou falar sobre mim, e era justamente sobre mim que o Viktor queria falar. O Viktor só faltou perguntar com quantos fios de cabelo eu nasci. Parecia uma namorada curiosa. Eu queria chutá-lo por by InstantSavings\">baixo da mesa, mas apenas sorria amarelo e respondia monossilábico quando me perguntavam alguma coisa. Já o Dimitri, sentado à ponta da mesa, permaneceu calado a maior parte do tempo, sempre com aqueles olhos negros sobre mim.
– Não acredito que você trouxe o guri que tu anda fodendo para cá. – O Dimi sussurrou perto do meu ouvido, enfatizando certa palavra como se ela fosse o pior dos pecados. Um rubor esquentou minhas bochechas e eu baixei os olhos para o prato.
– Ele apareceu de repente, eu não convidei.
– Ele é insuportável. Não cala a boca um segundo.
– Eu sei. – Resmunguei. – Mas ele é legal em alguns momentos...
– Imagino que na cama ele deva ser muito legal. – Retrucou ainda mais mordaz. Eu o olhei irritado e corado, querendo mandá-lo calar a boca. Dimi costumava ser sarcástico algumas vezes, mas aquele dia estava demais. As atitudes confusas dele ainda me deixariam pirado.
– Isso não te diz respeito. Você fode com vários e eu não fico te enchendo por causa disso. Então vê se não amola. – Eu me encolhi de leve com o olhar que recebi, mas dei de ombros e continuei a comer.
– Tu não aparecia há tanto tempo, Dimitri. Aconteceu alguma coisa? – Lydia perguntou, de repente, cravando os olhos no meu irmão. A maneira como os dois se encararam foi estranha, como se conversassem silenciosamente através do olhar. Eu franzi a testa, curioso com aquela atitude.
Dimitri demorou alguns segundos para responder.
– Não, Lydia. Eu apenas estive muito ocupado com o trabalho. – Dimitri afastou a cadeira e se levantou. – Com licença, preciso atender uma ligação. – E saiu em direção aos jardins.
– Ele é tão compromissado. – O semblante sério da minha mãe evaporou como num passe de mágica e ela se voltou novamente para o Viktor – E é tão raro ele vir visitar! Ainda mais de noite, com aquela boate dele. – A Lydia suspirou. – Sabia que ele tem uma boate? É considerada a melhor da cidade pelo público alvo...
– É mesmo? – Viktor perguntou interessado. – A gente podia ir hoje nessa boate Diego!
– Com licença. – Pedi também e fui atrás do Dimi, querendo saber se estava tudo bem.
O encontrei no pátio atrás da casa, ainda falando no celular, algo sobre o trabalho dele, e desligou assim que me aproximei. Ele ficava com uma expressão tão séria e madura quando tratava de negócios... Senti um frio na barriga ao encará-lo.
– Alguma emergência? – Perguntei.
– Não, mas daqui a pouco eu vou ter que ir. Hoje é um dos dias que o lugar lota e é bom estar por lá. – Disse, aproximando-se mais um passo de mim, aumentando o calafrio que passeava pelo meu corpo. – Eu só passei aqui para te ver...
– Você não deveria ter sumido. Não te entendo, Dimitri! Era eu quem tinha o direto de me afastar aqui, e é você que some... Foi constrangedora a maneira como você descobriu que eu... Gosto de homens também. Ainda é difícil lidar com essa descoberta, sabe? E seria bom ter meu irmão para conversar sobre isso. Eu sei que fui um idiota pelo que eu te falei no carro, mas... – Desviei o olhar, me sentindo muito besta por estar dizendo aquelas coisas, retornando a um assunto que talvez devesse permanecer enterrado. – Por favor, só esqueça aquilo...
Dimitri se aproximou e me puxou para um abraço apertado. O calafrio se transformou em calor e eu tentei de todas as formas ignorar essa sensação. É errado. Errado... Minha mente repetiu várias vezes.
– Eu amo você. – Ele disse num sussurro, antes de beijar a minha testa e me soltar. – Desculpa pelas coisas que eu falei também. Eu vou estar do teu lado sempre, está bem? Não precisa se constranger comigo, nunca. Desculpa por ser um hipócrita filho da puta e agir daquela maneira. Eu só nunca imaginei que você fosse gay também... Me pegou de surpresa e... Desculpa, mas eu não tenho uma explicação razoável para o meu sumiço.
– Tudo bem. – Sorri e voltei a abraçá-lo, querendo roubar mais um pouco do calor corporal dele. Há quanto tempo eu não o abraçava? Senti os lábios quentes do Dimi roçarem no meu pescoço e estremeci, ficando nervoso pelo calafrio que me descia pela espinha. Me afastei abruptamente e passei a mão pelos cabelos.
– ‘Tá na hora de cortar essa juba. – Ele bagunçou meus cabelos. – Daqui a pouco vai ter que usar ele preso.
– Que seja. Vamos, antes que a mãe ache que fomos abduzidos por alienígenas. – Eu girei o corpo, pronto para voltar para dentro, mas um tranco me impediu. Dimi segurou meu braço e puxou de volta, de modo que ficássemos parados frente a frente. Olhei para cima, interrogativo, sem entender aquela atitude, mas o olhar que ele me lançava me calou.
Senti a mão dele pousar em minha cintura e prendi a respiração.
– O que foi? – Perguntei, tentando soar despreocupado. Eu queria fingir que não estava sentindo todo meu corpo expectante e percorrido por ondas de adrenalina. Dimitri se aproximou um pouco mais e o toque em meu quadril tornou-se mais firme e... Possessivo. Não seja ridículo, alertei-me.
– Não gosto daquele garoto. Livre-se dele. – Praticamente demandou, mais sério do que eu já lembrava ter visto. O encarei incrédulo.
– O quê? Desculpa, Dimi, você pode ser meu irmão, mas isso não te dá o direito-
– Livre-se dele, Diego!
Pisquei atordoado ao ter o corpo colado contra o dele pelo puxão brusco. Minhas mãos espalmaram contra seu peito e, pelo reflexo do judô, eu o segurei pela gola da camisa. O braço dele contornou todo meu torso e, quando abri os olhos, olhando para cima, nossos rostos me pareceram perigosamente perto.
– Aquele guri cheira a problemas. Diego... Eu pesquisei sobre ele... – Dimi começou a dizer, tocando meu rosto. Minha perplexidade aumentou consideravelmente.
– Você o quê!? – Exclamei, tentando empurrá-lo, mas ele apertou o braço ao meu redor, praticamente me sufocando.
– Ele é perturbado, Diego. Vai ao psiquiatra porque a mãe dele era uma drogada que apanhava do marido. E ela matou o cara na frente dele... Quando ele era mais novo-
– Para. – Exigi. – Para com isso, eu não quero saber! Dimi... – O olhei agoniado, comprimido contra o corpo dele e me sentindo impotente. – Me solta...
– Eu não quero aquele cara perto de ti. Ele não é boa influência.
– Porque ele fez eu gostar de homem? – Perguntei irritado e com ironia, tentando me soltar. – Porque ele deixou eu comer a bunda dele e eu gostei?! Seu hipócrita de merda! Como você descobriu essas coisas sobre ele? Eu nem ao menos tinha te falado o nome dele até hoje! Ou será que está inventando isso para que o teu maninho volte a namorar as garotinhas sem sal com as quais tu não vai com a cara?! Me solta! – Consegui me libertar abruptamente, tropeçando para trás. Era a vez do Dimi de me encarar perplexo. – Sabe o que me transformou na droga de um viado? O que abriu os meus olhos? A porra do quase beijo que você me deu no dia do teu aniversário! E o mais irritante é você fingir que aquilo não foi nada. Eu te conheço, idiota, sei que você nunca perde a memória quando bebe!
– Diego, fala baixo... – Dimi pediu, tentando se aproximar novamente, mas eu me afastei. Uma vontade insana de chorar me atordoou por sentir algo tão estranho ao ficar perto do meu irmão, a pessoa com quem eu sempre havia me sentido extremamente confortável, mais do que com qualquer um.
– Cala a boca! Isso tudo que ‘tá acontecendo é tua culpa! Aquilo foi doentio! Tu ferrou com a relação que a gente tinha, eu tenho nojo de ti e da tua hipocrisia! – Gritei, assustando a mim mesmo. Eu parecia estar gritando essas coisas para mim mesmo; já não sabia o que pensar, queria apenas voltar no tempo e ignorar tudo que eu vinha sentindo e invadindo meus pensamentos nas últimas semanas.
Soltei um ofego baixo quando o Dimi agarrou rudemente meus ombros, apertando-os a ponto de fazê-los latejar de dor.
– É isso que você sente? Nojo? – Ele perguntou, olhando bem dentro dos meus olhos. Eu queria dizer que não, que eu nunca sentiria nojo dele e que o hipócrita ali era eu, mas apenas desviei o olhar e o empurrei.
– Nunca mais faça aquilo. Nunca mais ferre com a minha vida daquele jeito. Outro dia tu perguntou o que estava atrapalhando meus treinos... Agora tem a resposta. – Voltei para dentro e acabei esbarrando com o Viktor pelo caminho.
– Desculpa. – Ele pediu. – Eu terminei de jantar e a tua mãe foi atender uma ligação... Fui atrás de ti, eu...
– Escutou algo? – Perguntei, sentindo meu nervosismo aumentar consideravelmente. Eu não precisava que mais alguém se metesse entre eu e meu irmão. E tampouco seria confortável que ele houvesse escutado sobre a tal ‘pesquisa’ do meu irmão sobre a vida dele. – Da minha conversa com o Dimi?
– Eu... Só... Ouvi você pedindo pro teu irmão parar de ferrar com a tua vida. Desculpa, eu não queria me intrometer. – Ele afirmou ansioso. Soltei uma risadinha nasalada. Até parece que justo o Viktor não queria se intrometer.
– Tanto faz. Vem. – O puxei comigo em direção às escadas. Ainda pude ouvir do segundo andar minha mãe perguntando ao Dimi se não iria nem ao menos terminar o jantar. Ele se despediu secamente da nossa mãe e foi embora.
Viktor sentou na minha cama e permaneceu em silêncio, encarando-me enquanto eu olhava meu irmão pela janela, subindo no carro gigante dele e desaparecendo pela rua escurecida. Senti um bolo na garganta ao vê-lo partir com aquela aura negra ao redor dele. A vontade de derramar algumas lágrimas se pronunciou novamente no meu peito, mas eu a afugentei rapidamente, me afastando da janela.
– Então, aonde você queria ir mesmo? – Perguntei ao Viktor. – Eu preciso espairecer.
– Eu queria ir na boate do teu irmão, mas como tu brigou com ele...
– Tudo bem. – Decidi, sem pensar muito. A Elevação era um lugar ótimo e, dado o tamanho, era extremamente improvável que eu topasse com o Dimitri lá dentro, ainda mais porque ele ficava só na área vip e ou no escritório dele.
– Sério? – Os olhos do Viktor brilharam. – Ah, Diego, é por isso que eu te amo!
– Você me ama? – Perguntei, erguendo as sobrancelhas, ligeiramente sarcástico. Minha intenção era apenas constrangê-lo, o que deu certo, pois o Viktor corou enquanto mordia o lábio inferior. Eu na verdade esperava uma negativa, mas ele se manteve em silêncio. Eu ri, indo até ele e me sentando ao seu lado.
Me inclinei para morder o lóbulo da orelha dele.
– Como tu é bobo. Mal me conhece e já acha que me ama. – Murmurei, segurando-o pelo pescoço e descendo a boca pela nuca dele, sentindo o perfume suave.
– Mas... Eu te amo mesmo. Assim que entrei no judô reparei em ti, e desde então... Eu só consigo pensar em você... – Viktor sussurrou, rendido, suspirando e abaixando a cabeça enquanto eu mordia de leve sua nuca.
– Então vamos logo, porque eu não posso te agarrar aqui em casa como eu gostaria... – Me levantei e fui ao banheiro escovar os dentes. – Tem uma escova nova aqui se estiver precisando.
Nós saímos de casa um tempo depois, após eu convencer minha mãe de que voltaria vivo. Ela ficou mais calma ao saber que iríamos à Elevação e não deu restrições a que horário voltar, desde que avisasse se não fosse dormir em casa.
– Tua mãe se preocupa bastante contigo... – Viktor comentou pelo caminho, enquanto dirigia.
– Ela perdeu duas pessoas que amava, acabou ficando um pouco neurótica. – Dei de ombros.
– Deve ser bom, sempre ter alguém para cuidar de ti. Tu tem a Lydia e o Dimitri...
– E a Fernanda, minha irmã. – Comentei sem querer entrar em detalhes. Acabei me perguntando se o que o Dimi havia me contado sobre o Viktor era mesmo verdade. – E você? Tem irmãos?
– Não. Meu pai morreu quando eu tinha seis anos e minha mãe... Eu mal a vejo. Eu moro com a minha avó materna, ela é durona, mas nós nos damos bem; desde que eu ajude com a casa e não dê muitos gastos. – Riu-se. – Esse carro era dela, mas ela nunca gostou de dirigir e me deu. Acho que não dá para reclamar, não é?
– Acho que não. – Sorri de leve, me surpreendendo internamente com a vontade que senti de abraçá-lo.
Chegamos à Elevação e, como esperado para um sábado, estava com uma fila imensa. Parecia que toda a população gay do estado estava ali esperando para entrar. Eu e o Viktor seguimos direto até o segurança na entrada.
– Oi. Eu sou o Diego, irmão do Dimitri. – Disse. – Você deve ter me visto entrando e saindo com ele no dia do aniversário dele...
O segurança, um armário de mais de dois metros e músculos hipertrofiados ao extremo, me encarou em dúvida. Qualquer coisa eu poderia ligar pro Dimi e pedir para ele nos colocar para dentro, mas eu não queria falar com ele de novo naquela noite.
– O chefe vive entrando e saindo com um monte de rapazes, principalmente com loiros. Mas eu me lembro de ele ter um irmão chamado Diego. – Eu mostrei a identidade para a ele e meu sobrenome confirmou o parentesco. – Vou confiar, moleque, pode entrar . – O segurança abriu caminho e nós passamos na frente de todo mundo.
Ouvi alguns inconformados gritarem que eram primos, tios e até cunhados do dono, mas o segurança os ignorou. O Viktor riu maravilhado e me puxou com ele por metade da boate, até chegarmos ao bar.
– O que tu quer beber? – Ele perguntou e só então lembrei que ele poderia pegar bebida à vontade, já que era de maior.
– Qualquer coisa. Pode deixar que eu pago. – Falei. Ele pegou as bebidas e praticamente virou a dele. Eu não queria beber, mas ele estava tão empolgado, e eu estava tão puto da vida com a discussão que tive com o Dimi, que acabei me rendendo.
– Eu sempre quis entrar furando a fila daquele jeito! – Ele exclamou. – A gente vê isso em filme e dá vontade de fazer também.
– Vem, vamos dançar antes que você fique bêbado demais para isso. – Eu o levei até a pista. Havia bebido um copo inteiro de uma mistura de gosto bom e, fraco como eu era, já me sentia um tanto tonto.
Nós dançamos por um tempo. Eu era um tanto duro, mas a maneira como o Viktor mexia o corpo, esfregando-o sensualmente ao meu enquanto dançávamos compensava. A merda foi sentir várias mãos passando e apertando minha bunda, mas revelei para não perder o bom humor.
Depois, quando voltávamos para o bar, acabamos nos perdendo. Eu olhei ao redor, me perguntando onde diabos ele havia se metido. Resolvi voltar ao bar e esperar para ver se ele aparecia. Talvez houvesse avisado que ia ao banheiro e, pelo barulho, eu não o escutei. Fiquei uns cinco minutos apoiado no balcão, observando o movimento, quando pude ver o Dimi subindo para a área vip com alguém.
Não consegui resistir e acabei por segui-lo.
– Hei, só quem tem permissão pode entrar nessa área. – Outro segurança avisou metendo-se no meu caminho.
– Eu sou irmão do dono. É melhor você me deixar entrar, senão pode acabar demitido. – Avisei, firme e com autoridade. O cara hesitou, mas me deixou passar. Um tom de voz confiante pode conquistar várias coisas na vida. Eu subi e fui procurando sorrateiramente, até encontrá-los num espaço afastado, conversando. Me escondi e é com vergonha que admito que fiquei espionando os dois.
– O que tu quer, Dimitri? Acha mesmo que eu vou ficar contigo depois de você quase me expulsar aos pontapés do teu apartamento daquela vez? – Alguém perguntou indignado. Eu reconheci a voz e, olhando discretamente, me surpreendi ao ver que era mesmo o Alexandre, o loiro que estava no apartamento do Dimi quando eu fui visitar meu irmão.
– Eu sei que você quer. Aquele dia eu fiquei irritado por você ter a ideia doentia de eu fazer um ménage com meu irmão junto. Vem cá, loiro... – Dimi chamou num tom rouco e sensual, corei com o pensamento. Ele puxou o Alexandre e o prensou contra a parede.
Alex ofegou e fechou os olhos, segurando os ombros do Dimi e aparentemente não resistindo aos beijos que recebia no pescoço. Percebi que o Dimi estava com a mão entre as pernas do cara e mordi a parte interna da boca com força.
– Seu filho da puta gostoso. – Alexandre xingou em meio a um gemido. – Eu te odeio, Dimitri. Odeio a maneira como você brinca comigo...
– Fica quieto... Tua voz estraga o clima. – Dimi murmurou.
– O quê?! Tu é mesmo um idiota, Dimitri, só me usa para depois descartar! – O Alex exclamou extremamente puto da cara. Tentou se soltar, mas o Dimi o manteve firme e o beijou rudemente. Parecia mais estar castigando o loiro do que o beijando. Mesmo assim, aos poucos o Alexandre foi perdendo as forças e voltou a se render, correspondendo com a mesma fúria.
Chegou a um ponto em que eu tinha certeza que eles transariam ali mesmo e me afastei, praticamente correndo para fora da área vip. Voltei ao bar ofegante e me apoiei transtornado nele. Toquei meu rosto e vi que estava molhado.
– Puta que pariu. Por que diabos eu estou chorando? – Sussurrei para mim mesmo, irritado. A dor no peito era terrível. Ver meu irmão se agarrando com outro... Isso não deveria doer, ou me incomodar tanto.
– Hei... Você por aqui!
Primeiro achei que não era comigo, até sentir o toque no meu ombro. Me virei e me deparei com um rosto conhecido, apesar de não lembrar de imediato de quem se tratava.
– Oi... – Falei, não muito receptivo. O cara riu.
– Não lembra de mim, não é? Acho que não esperaria me ver aqui depois do soco que recebi do teu irmão. Ele quebrou o meu nariz, sabia? Tive de me acostumar com a ideia de ter um nariz torto pelo resto da vida.
Olhei para o rosto dele, notando a ligeira falta de simetria do nariz.
– Ah! Tu ‘tava na festa dele, aquela noite... – A noite do beijo, completei em pensamentos. – Tu é o...
– Bernardo. E você é o Diego. – Estendeu a mão. – Você é famoso entre os amigos do Dimitri. Não só pelo mundial e pelos comerciais, mas porque o Dimitri sempre fala muito bem de você. Aquela noite eu quis te conhecer melhor, mas não deu muito certo.
– É... O Dimi é meio exagerado vez ou outra... – Resmunguei. Sem que eu sequer pedisse, o Bernardo me comprou uma bebida. Acabei aceitando, para não fazer desfeita.
– Então, pensei que fosse hétero, não imaginava que te encontraria por aqui sem algum motivo em especial. – Ele sorriu, aproximando-se um pouco mais. Dei de ombros e tomei um gole longo da bebida. O Bernardo sorria de um modo estranho e minha vontade era deixá-lo falando sozinho.
Eu estava para dizer que iria atrás de um amigo, quando pisquei com a visão embaçada, sentindo-me tonto demais com apenas um gole da bebida. Olhei do copo para ele, e uma frase repetidamente reforçada pela minha mãe ecoou na minha mente ‘não aceite bebida de estranhos’.
– O que você colocou aqui? – Perguntei, tropeçando para trás. Teria caído no chão se o Bernardo não me segurasse, tirando o copo da minha mão.
– Você vai ter de me compensar pelo que teu irmão fez com meu rosto, lindinho. – Ele disse, começando a me levar com ele para sei lá onde. Minha cabeça rodava ao ponto de eu sentir ânsia de vômito, mas nada saía. Minhas pernas estavam fracas e eu mal conseguia caminhar.
Um braço meu estava ao redor dos ombros dele e o Bernardo me segurava firme pela cintura.
Notas finais
Próximo cap. já está parcialmente pronto, não deve demorar (é o último que eu tenho já +- pronto). Eu super agradeço a quem está lendo e comentando - Sumie, Bruna Uzumaki, Andréia Graça, KassiaKarolayne, Luisa Silva, Cavalliera, Álefe, Alera, Alice, Diana R Barros, lari_thekiller, RayUzu, Hamano Chiaki, yuriloaj, Taia! ♥
Grandes emoções no próximo chappie! Eu acho, ao menos... IOJAIOhouhaio! 'Tá, chega, estou tagarelando demais!
Beijão, amores!
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