A partir da minha decisão – sobre descobrir se eu sentia mesmo atração por homens – meus dias foram estranhos. Comecei a reparar melhor em todos os rapazes ao meu redor e estranhamente havia alguns que eu achava mesmo muito atraentes, com uma coisa ou outra que me chamava a atenção, como um rebolado sutil na hora de caminhar, um corpo atlético, ou um sorriso caloroso. Aí sim eu comecei a me desesperar! Eu não podia ser gay e descobrir isso só aos dezessete! E eu ainda sentia atração por garotas, não sentia? Isso fazia de mim um bissexual?

Comecei a piorar nos treinos e meu técnico só faltou querer comer o meu fígado. Isso era péssimo, precisava tirar essa dúvida de uma vez por todas. Aí tive outra ideia genial. Lembrei do Viktor, o grude que me olhava de maneira estranha praticamente todo o tempo. Depois do treino, me estiquei no vestiário, até que restasse apenas eu e ele ali dentro – ele geralmente era o último a sair, demorava no banho mais do que todo mundo. Fiquei esperando-o e o olhei atentamente assim que saiu do box apenas com uma toalha enrolada na cintura. Ele era bonito. Tinha o corpo atlético, ainda que não muito musculoso e era apenas um pouco mais baixo que eu.

Descobri que gostava de seus olhos escuros, em um castanho diferente, nem claro, nem escuro, mas indecifrável. Porém nunca gostei muito da cor laranja e seus cabelos chamavam muito a atenção para esse tom que diferia de sua personalidade. Ele era um pouco tímido, mas não havia como não notá-lo num primeiro momento, mesmo que fosse através de um olhar distraído.

Ele logo percebeu minha análise e se virou para mim com a sobrancelha erguida.

“Tudo bem?” Perguntou, desconfiado.

Resolvi ser prático. Não iria perder meu tempo flertando com um cara, isso já seria demais para mim.

“Você é a fim de mim?”

“O quê?!” Ele exclamou de imediato, deixando o queixo cair, mas logo se recompôs e abaixou a cabeça, as bochechas avermelhadas. Isso me deu a certeza de que a resposta era um grande e redondo ‘Sim!’.

“Você está a fim de ir comigo a algum lugar?”Ele ergueu a cabeça com os olhos espantados, mas acabou assentindo bobamente com a cabeça.

“Vamos no meu carro.” Ele disse, vestindo-se rapidamente e depois seguindo para fora do vestiário, como que nervoso demais para ficar sob minha análise por mais tempo.

“Não achei que você fosse mais velho do que eu.” Comentei seguindo-o, surpreso por ele ter um carro. Estava mesmo impressionado, pois pelas maneiras e jeito mais introvertido dele, achei que deveria ter no máximo a minha idade.

Achei bonitinho como estava envergonhado e como ficou todo o caminho até seu carro com o rosto ruborizado.

“Eu tenho dezenove.”

Ao menos já sabe dirigir. Foi o que pensei, colocando as mãos no bolso ao emparelhar ao seu lado. O trajeto até o carro foi silencioso e entramos ambos ao mesmo tempo, sem olharmos um para a cara do outro.

“Aonde vamos?” Perguntou assim que coloquei o cinto e ele ligou o motor. Mordi os lábios, começando a ficar um pouco nervoso.

“Um motel?” Não me pergunte como fui tão cara de pau. Eu realmente não estava a fim de conversa, só queria tirar aquela dúvida da minha cabeça de vez. Os olhos castanhos dele brilharam e logo já colocava o carro em movimento.

“Eu nunca pensei que você fosse gay... Ouvi dizer que se dá muito bem com as garotas.” Ele me olhou pelo canto dos olhos e praticamente devorou meu corpo. Dessa vez fui eu a sentir minhas bochechas quentes e desviar o olhar.

“Não mentiram.” Falei, sem muita vontade de estender o assunto. Na verdade, havia aprendido a achar a voz do Viktor irritante, então só queria que calasse a boca e dirigisse.

“A fama vinda do judô deve ajudar.”

Torci o nariz. Como se fosse apenas por isso que eu me desse bem com as garotas!

“Também.” Concordei secamente.

“E esse teu corpo de tirar o fôlego também, e teu sorriso lindo...”

“Será que você pode ficar quieto? Não quero ouvir esses comentários vindos de ti!” Explodi, encarando-o com raiva. Ele sorriu malicioso, e me perguntei onde havia parado o cara tímido do vestiário. Talvez fosse tudo encenação e eu houvesse caído numa cilada.

“Tudo bem, se você quer só alguém que te satisfaça na cama e não fale nada, eu não me importo. Faria qualquer coisa por você...” Ele sorriu contente, olhando para frente e se concentrando no trânsito.

O olhei estupefato. Mas que porra era essa? Balancei a cabeça e pulei do carro assim que ele parou no estacionamento de um motel que aparentava ser bem caro. Era bom que ele tivesse dinheiro no bolso, porque eu não iria arcar com os gastos sozinhos.

Ele foi lá pegar a chave de um quarto enquanto eu tentava não deixar óbvio que éramos um ‘casal’, mantendo-me afastado, mas depois vi que era bobagem. A garota na recepção sequer olhou para o rosto do Viktor enquanto o atendia. A suíte era bem chique, no banheiro tinha até banheira de hidromassagem e a cama era enorme. Assim que entramos fui abraçado por trás com força e me assustei ao sentir que ele já estava excitado, pressionando sua ereção contra mim.

“Finalmente vou experimentar o teu corpo!” Ele exclamou naquela felicidade estúpida. Eu me soltei e virei para ele, até mesmo pensando em desistir, mas ele me puxou pelos ombros e grudou sua boca na minha. Levei um susto enorme com o contato inesperado, e meu coração idiota começou a acelerar até o som das batidas ecoarem em meus ouvidos.

Viktor tinha os lábios macios e o perfume do xampu que usava era gostoso, e isso me distraiu, porque assim eu até poderia dizer a mim mesmo que não era tão diferente estar ali com ele, do que com uma garota. Claro que tal ideia não durou muito, principalmente quando ele agarrou minha bunda com ambas as mãos e me puxou contra ele, fazendo nossas ereções pressionarem uma contra outra.

E foi aí que eu percebi que estava com uma ereção pronunciando-se aos poucos contra minhas calças. Eu o afastei abruptamente, ofegante, mas ele tomou isso como uma ideia para que tirássemos a parte de cima das roupas, e tratou de se livrar da camisa que usava, para em seguida esforçar-se para tirar a minha. A empolgação dele era tamanha, que eu não consegui impedi-lo, e o sorriso que abria cada vez que nossos olhos se encontravam me deixava feito um pateta, pensando a razão de estar tão contente.

Ele se aproximou para me beijar de novo, roçando nossos lábios com os olhos semicerrados.

“Você gosta mesmo de mim, não é?” Perguntei, abraçando-o pela cintura por reflexo, enquanto ele passava os braços por meus ombros.

“Sim...” Murmurou e enfiou a língua dentro da minha boca.

A partir daí perdi o controle, senti meu corpo arder e quando caímos na cama, já estávamos completamente nus. Toquei seu corpo experimentando pela primeira vez como era tocar o corpo de um garoto e gostei; sua boca era mais bruta e seus toques mais impetuosos e agressivos do que eu estava acostumado. Não havia aquela delicadeza e maciez que era fazer amor com uma garota...

Mesmo assim eu mal conseguia acreditar que estava mesmo fazendo aquilo com outro cara, principalmente quando ele ficou por cima de mim, sentando sobre a minha cintura e minha visão foi de seu pênis rígido estendido sobre a minha barriga. De novo, pensei em empurrá-lo e fugir dali o mais rápido possível, mas ele acabou com o meu raciocínio quando colocou uma camisinha em mim, me lubrificou e se deixou penetrar. Revirei os olhos, vendo estrelas e pensando que nunca havia achado sexo tão bom.

“Ah, Deus...” Murmurei, respirando alterado e movendo a pelve para acompanhar os ritmos do corpo dele. Viktor apoiara as mãos no meu peito e subia e descia o quadril, com os olhos pregados no meu rosto afogueado.

“É sua primeira vez com um garoto?” Ele sussurrou, inclinando-se mais, de modo que seu quadril se afastou demais de meu pênis. Insatisfeito, eu o puxei bruscamente de volta, o que arrancou dele um grito lânguido.

“E se for?” Perguntei, mas ele apenas sorriu. Eu inverti as posições, conseguindo assim impor o ritmo que eu queria enquanto puxava suas coxas e deixava que ele me beijasse como desejava.

Aproveitamos bem nosso tempo no motel e transamos outras duas vezes, inclusive na hidromassagem, até que ele se jogasse exausto na cama e caísse no sono, com um sorriso nos lábios inchados e vermelhos. Seu corpo estava cheio de manchas e eu não estava muito diferente.

Eu não queria deitar na cama ao lado dele e dormir como se fôssemos um adorável casal apaixonado, mas como eu estava exausto, não tive outra escolha. Deitei e acabei caindo no sono de imediato. E acordei com meu celular piscando desesperadamente. Grunhi, já sabendo de quem se tratava antes mesmo de pegá-lo caído ao lado da minha calça jogada no chão.

“Oi, mãe.” Murmurei desanimado. Havia colocado o celular no silencioso e esquecido completamente disso.

“Diego Herrera Niehus!” Tive de afastar o celular para não ficar surdo. "Onde você se meteu? E por que não atendia esse celular? Já são quase onze da noite! Você quer me matar do coração?"

“Desculpa, mãe. Eu estou na casa de um amigo, fazendo um trabalho... Eu esqueci meu celular na sala e nós estávamos no quarto. Perdi completamente o horário! Não achei que fosse tão tarde. Me desculpe. Eu estou bem, estou vivo, nada aconteceu.” Repeti toda a ladainha que sempre a acalmava quando eu ia para algum lugar e esquecia de avisar que chegaria mais tarde.

“Não faz mais isso comigo, Diego. O Dimitri deve estar rondando a cidade atrás de você agora...”

“O quê?! Mãe, o Dimitri tem mais o que fazer do que sair atrás de mim por qualquer bobagem! Para com as neuras, não é porque eu meu atraso um pouco que vou ser encontrado morto numa esquina, ou drogado na rua, que merda!” Me arrependi ao ouvi-la tentar abafar o choro. “Mãe...”

“Desculpa, Diego. Só volte logo para casa, ok? Pega uma carona com o teu irmão, ele vai gostar de saber que está tudo bem contigo.” Ela desligou antes de provavelmente cair no choro ao telefone. Suspirei deixando meu braço cair e vi que o Viktor havia acordado e me olhava atentamente.

“Tudo bem por aí?”

Então minha ficha caiu. Eu havia transado com outro cara! O encarei apavorado, sentindo a cor fugir do meu rosto. Me afastei tanto dele que acabei caindo da cama, e imediatamente comecei a catar minhas roupas.

“Hei! Qual o problema?” Ele perguntou. Reparei no tom machucado em sua voz, mas não dei tempo para que perguntasse mais nada. Coloquei minhas roupas em tempo recorde e fugi do quarto, correndo para fora do motel.

Eu era gay? Era isso? Tentei puxar na memória, e percebi que talvez o fato não fosse tão absurdo. Eu já havia pensado outras vezes em experimentar, afinal, se o Dimitri gostava, por que eu não gostaria? O que havia de tão errado? Eu não tinha preconceitos e até achava natural as pessoas quererem experimentar de tudo. É claro que no fim eu ignorava minha curiosidade e acabava dizendo a mim mesmo que garotos eram desengonçados, feios e estranhos, sempre colocando defeito em todos eles e fugindo do assunto. Não negava que gostava de garotas. Talvez eu fosse mesmo bissexual, não sei. Minha mente era uma completa confusão e eu já nem sabia o que pensar.

Do lado de fora do motel, meu estômago despencou quando topei com meu irmão parado na entrada e encostado em sua caminhonete, com os braços cruzados sobre o peito. Pensei em virar e andar depressa, fingindo que não o havia visto, mas ele provavelmente me seguiria e ficaria magoado, então caminhei nervosamente até onde ele estava.

“Como me achou?” Perguntei sem nem cumprimentar.

“Teu celular. Tenho ele no meu GPS.” Falou, parecendo esconder tudo que sentia por trás de seu olhar intenso, o qual me atingiu como uma adaga rasgando aquilo que palpitava indômito no meu peito.

“E por que não avisou a mãe? Teria poupado ela da preocupação!”

“Essa era a tua obrigação, não era? E eu não ia dizer para ela que você estava num motel transando com uma guriazinha qualquer.” Ele replicou, sério como um céu nublado, porém sua expressão tornou-se verdadeiramente tempestuosa quando Viktor apareceu em seu campo de visão.

“Diego.” Ele chamou, e eu me virei com as mãos trêmulas. Queria mandá-lo para puta que o pariu, mas seria sacanagem demais depois de termos transado até cair. “Esqueceu teu celular.”

Ele estendeu para mim, lançando um olhar desconfiado para o meu irmão.

“Valeu.” Agradeci sem-jeito. “Erm... A gente se vê.”

“É. Até o treino.” Falou não parecendo muito contente e foi atrás do próprio carro. Respirei fundo e me virei para o meu irmão. A expressão perplexa dele me deixou ainda mais nervoso.

“Você... Você estava com aquele garoto?”

Fechei os olhos por um momento.

“Sim.” Falei e corri, entrando no carro dele, e logo Dimitri entrava também. “Eu estava curioso e experimentei...”

Um silêncio morto foi tudo que recebi. Dimitri ficou olhando para frente, e um véu parecia cobrir seus olhos desfocados. Eu fiquei encarando-o, esperando alguma reação, qualquer uma, mas ele se manteve em silêncio até ligar o carro e pô-lo em movimento.

“Você não vai falar nada?” Não me aguentei. “Eu odeio quando você não me diz o que está pensando.”

“Por favor, Diego. Não fala mais nada, não piora as coisas.” Ele pediu, com aquela voz de quando eu estava agindo feito uma criança mimada. Senti um fogo de irritação me consumir.

“Porra, Dimi! Você é gay também, para de tratar isso como se fosse algo anormal!” Me estressei, cruzando os braços e bufando, com o rosto virado para a rua. Meu olhos lacrimejaram como se houvessem jogado areia neles, mas eu me mantive sério e emburrado.

“Nunca falei que era anormal.” Ele murmurou. “Não isso.”

“O que quer dizer?” Virei para ele, mas o silêncio reinou. Dimitri balançou a cabeça e eu comecei a experimentar um sufoco na garganta ao ver a expressão infeliz dele. “Dimi...” Toquei-lhe o braço, mas ele não me olhou. Continuou um tempo com os olhos na rua, até sorrir de leve, disfarçando o que antes o incomodava e retomando o assunto sob uma nova ótica.

“Não conte nada para a Lydia ainda, ok? Vê se poupa ela por enquanto e não vá fazer que nem eu de soltar a bomba do nada. Prepare o terreno primeiro.” Aconselhou como o irmão mais velho que era.

“Como eu conto para ela?” Perguntei, nervoso agora com essa outra ponta do iceberg. Não queria ver minha mãe chorando decepcionada. Vê-la fazendo isso por causa do Dimi já havia me machucado, tanto pelo Dimi quanto por ela, e seria ainda mais difícil ser o ‘culpado’ dessa vez.

“Primeiro certifique-se se é mesmo gay ou não, Diego. Você gostou? De transar com aquele garoto?” Dimitri perguntou, parecendo tentarcom todas as forças manter a voz controlada. Franzi a testa, com um súbito lampejo de compreensão me atingindo com a lâmina afiada das verdades óbvias.

“Você sente ciúmes de mim? Ciúmes mesmo, que sentiria de um namorado?” Assim que terminei de perguntar, meus lábios se entreabriram em surpresa, como se aquilo houvesse vindo de outra pessoa, outro alguém sussurrando tais palavras em meu ouvido.

A cor pareceu fugir do rosto do Dimi, e isso me deixou com o coração aos pulos.

“Não seja ridículo.” Ele replicou com os olhos fixos no trânsito. Fiquei triste com a fala, mas ela serviu para que eu não recuasse e falasse tudo que me vinha à mente, pipocando em minha cabeça em uma sucessão rápida de imagens.

“Não estou sendo ridículo! Todas as minhas namoradas você tratou com uma frieza polida, e nunca gostava de nenhuma delas. Lá na festa você só faltou bater em todos os teus amigos que se aproximaram de mim, e inclusive socou um deles. E agora está todo estranho e retraído só porque resolvi transar com outro garoto. E aquela história de ‘experimente comigo’, o que foi aquilo?”

O Dimi parou o carro bruscamente, assim, no meio da avenida. Sorte que ele estava mais à direita, e o trânsito estava bem tranquilo por já ser quase meia-noite. Ele se virou para mim, encarando-me profundamente com aqueles olhos escuros, e eu senti um frio na barriga, inclinando meu corpo para trás como que para fugir do seu contato visual.

“Eu não gostava de nenhuma das tuas namoradas, porque eram todas umas safadas em busca da tua popularidade e dinheiro, ou você acha que uma garota de boa índole iria aceitar ir para tua casa e transar com você no primeiro dia de namoro? Também afastei meus amigos tarados que chegaram perto de ti porque você estava lento demais para fazer isso e parece que ainda fica de sorrisinhos, e agora eu entendo o porquê. Agora há pouco eu estava quieto e estranho porque é óbvio que foi chocante descobrir que você é gay assim sem mais nem menos!” Dimi despejou, perdendo a paciência. Ele estava ofegante ao final, enquanto eu sentia meu rosto esquentar.

Eu estava sendo ridículo mesmo, era quase como se eu quisesse que o Dimitri estivesse com ciúmes de mim. Virei o rosto, sem jeito, e cruzei os braços sobre o peito, sem ter mais o que dizer.

“Me leva logo pra casa.” Pedi, sem conseguir esconder meu tom decepcionado. A vontade imensa de chorar voltou renovada, mas de novo me mantive firme até que o Dimitri estacionasse na frente do gramado. Pulei do carro sem nem olhar para ele e caminhei o mais rápido possível para dentro de casa.

Estava tudo desmoronando. E eu sentia que estava perdendo meu irmão.

“Diego-“ Minha mãe se aproximou assim que eu entrei. Deve ter visto pela janela o carro do Dimitri chegar e, mesmo me sentindo mal ao ver seus olhos avermelhados e a expressão de quem sofrera com a preocupação, eu me afastei do abraço que ela tentou me dar e segui para as escadas, subindo-as depressa.

Para minha infelicidade, encontrei a Fernanda na porta do quarto dela, apoiada à batente com os braços cruzados sobre o peito.

“Parece que os papéis se inverteram. Agora é você quem causa esse tipo de transtorno na mãe. Sabe, eu comecei a me drogar com quinze anos, mas foi só aos dezessete que você começaram a notar a valer, lembra? Talvez você também tenha começado a dar sinais de que algo está errado...?”

“Cala a boca, Fernanda. Só porque você ferrou a tua vida, não fique querendo que os outros façam o mesmo. Deixa de ser tão egoísta.” Tentei passar por ela, mas fui segurado pelo braço.

“Não sou eu a egoísta aqui. É o Dimitri, por ter se preocupado unicamente com você desde que eu me lembro. E você, por só ter olhos para ele, por ver apenas a ele como um irmão. Vocês me excluíram e sempre me trataram como um peso. Mas quer saber? Não me importo mais, e vou adorar ver você se ferrando e perdendo o amor da mãe e do Dimitri como eu perdi. Talvez perca teu amor próprio? Eu perdi isso também.” Me olhou com ódio concentrado, mas havia por trás desse ódio uma fragilidade que me livrou da exaltação e amenizou meu tom.

“Por que você sempre desconta sua raiva em mim?” Perguntei.

“Eu descontaria no Dimitri também, mas ele não mora mais aqui.” Fernanda me soltou e entrou no quarto, batendo a porta. E eu segui para o meu, com a mente cheia. Percebi que Dimitri não havia me explicado aquele ‘experimente comigo’, e a verdade de ter transado com um garoto voltou a me encher os pensamentos.

Eu havia gostado e, portanto, comprovado minha atração por garotos.

Mas isso não ajudava em nada, porque eu continuava ainda mais confuso do que antes, e agora havia o medo de perder o amor da mãe e do Dimitri. Mas principalmente do Dimitri, porque... Aquele olhar dele, misto de decepção e tristeza, não me permitiria dormir bem até que eu visse novamente seu sorriso.

Notas finais
Olá, amores! Obrigada a todos que comentaram! Estou adorando o retorno, e impressionada por ter 40 pessoas lendo a história! Obrigada. *_*

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Para quem pediu, foto do Viktor: http://farm9.staticflickr.com/8232/8404105696_e37410237d_c.jpg

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Beijos, e até o próximo! ;*